(Carlos Esperança, in Facebook, 17/07/2025)

Não é preciso conhecimento profundo da década de trinta do século passado para ver as semelhanças com os nacionalismos que irrompem na Europa. Repetem-se os sinais que precederam a ascensão do nazi-fascismo e a eclosão da 2.ª Grande Guerra.
O racismo, a xenofobia, o anticomunismo e a alegada identidade nacional, alimentados a partir de mitos identitários e potenciados por estagnação económica, foram o álibi para perseguições às vítimas mais à mão, os estrangeiros, os ciganos e os judeus. Hoje são os magrebinos, os indostânicos, os pretos e os islâmicos de qualquer etnia.
Ontem, ao ver imagens da caça a imigrantes por bandos de extrema-direita nas ruas de Torre Pacheco, uma cidade na região de Múrcia, aqui ao lado, em Espanha, lembrei-me da Noite de Cristal, 9 e10 de novembro de 1938, em que o regime nazi coordenou a onda de violência antissemita que percorreu a Alemanha. Foi um primeiro ensaio.
Hoje não se consegue perceber esta histeria da corrida ao armamento sem regressar ao século passado. A Alemanha e a Itália, à semelhança do Japão, armaram-se, não para se defenderem de qualquer invasão, mas para invadirem e ocuparem os países vizinhos até à capitulação. Não devemos estigmatizar países, mas não podemos esquecer a História.
A obsessão pela indústria da defesa do oligarca Friedrich Merz, novo chanceler alemão, não tranquiliza. As dificuldades da indústria automóvel alemã exigem a reconversão e é tentador juntar a Volkswagen, a Mercedes-Benz e a BMW à Rheinmetall e à Airbus para a rentável produção de armas. É a renovação da tradição do império Krupp no ramo.
Macron, podia lembrar-se dos soldados alemães a desfilar sob o Arco do Triunfo, mas decide, por intermédio do seu Primeiro-ministro, juntar-se à febre armamentista, tentando congelar as pensões e os salários da função pública sem os atualizar à inflação, uma receita copiada de Passos Coelho. Até na eliminação de dois feriados a França não é original. Foi feita por Passos, com a bênção de Cavaco, e apoiada na Assembleia da República pelo então líder parlamentar Montenegro.
Certamente os franceses não permitirão o despautério. Mas não tenho a mesma esperança nos portugueses e em Portugal, onde o desvario do Presidente da República, em sucessivas dissoluções da Assembleia da República, transferiu o poder para o PSD e acrescentou 50 deputados ao Chega, que tão ingrato ora se mostra.
Entretanto, a Turquia, onde se prendem os oposicionistas, nomeadamente os autarcas da oposição, é o nosso aliado preferencial. A ocupação de parte norte do Chipre está esquecida e finge-se ignorar que o Irmão Muçulmano Erdogan caminha para uma ditadura islâmica.
E fala-se na defesa das democracias obedecendo a Trump e ao seu capataz Mark Rutte, sem lhe ser censurada a interferência nos tribunais do Brasil e de Israel ou a cumplicidade nas atrocidades de Netanyahu sobre Gaza e invasões da Cisjordânia, Irão e Síria!
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