Criminosamente insano… Blinken chama às munições de urânio empobrecido um “presente de boas-vindas”

(Editorial de Strategic Culture Foundation, in sakerlatam.org, 09/09/2023)

Antony Blinken é criminalmente insano, tal como muitos outros políticos ocidentais que brincam com fogo sobre corpos ucranianos e russos mortos.


Pelas suas próprias palavras, pode-se diagnosticar Antony Blinken, o Secretário de Estado dos EUA, como criminosamente insano. Esta semana, o principal diplomata americano esteve em Kiev para uma visita de dois dias, onde anunciou um novo pacote de ajuda de um bilião de dólares ao regime ucraniano, incluindo pela primeira vez o fornecimento americano de cápsulas de urânio empobrecido.

Esta foi a quarta viagem de Blinken a Kiev desde que a guerra por procuração de Washington contra a Rússia intensificou-se em fevereiro do ano passado. O mais recente pacote de ajuda militar dos EUA ao regime neonazista é a 46ª parcela de armas entregue pela administração Biden – cortesia dos contribuintes americanos. Um total de US$ 43 bilhões foram desembolsados durante um período de 18 meses.

Blinken procurou agradar seus anfitriões nazistas chamando o inventário mais recente de “presente de boas-vindas” [no original, “housewarming gift”, mimo oferecido quando alguém se muda para uma nova casa – nota da tradutora]. Ele disse que era um sinal do compromisso dos Estados Unidos em apoiar o regime ucraniano pelo tempo que for necessário.

As pesquisas apontam que uma clara maioria dos cidadãos dos EUA opõe-se à continuação da ajuda militar à Ucrânia. Democracia pouca é bobagem!

Incluído no último pacote de ajuda está o fornecimento de cápsulas de urânio empobrecido. É mais do que grotesco que um oficial americano de alto escalão possa encontrar palavras de carinho para tais munições e os perigos que estão sendo alimentados com a Rússia.

Também foi nauseante a visita de Blinken aos cemitérios das tropas ucranianas mortas durante o conflito e o seu disparate ilusório de que o regime de Kiev estava “fazendo progressos” na sua contraofensiva contra as forças russas. A contraofensiva de três meses foi um desastre absoluto para os ucranianos apoiados pela NATO. Nos últimos três meses, estima-se que 66.000 Forças Armadas da Ucrânia foram mortas – somando-se a um número total de mortes militares no lado ucraniano de 400.000 desde que a Rússia lançou a sua intervenção naquele país em 24 de fevereiro de 2022. A intervenção da Rússia foi motivada por anos de agressão patrocinada pela NATO por parte do regime de Kiev.

O gosto de Blinken por mais armas para a Ucrânia enquanto visita milhares de sepulturas remete à natureza odiosa e insensível dos governos da NATO. Os regimes elitistas ocidentais estão totalmente inconscientes perante os seus cidadãos na sua prossecução de uma guerra por procuração contra a Rússia até ao “último ucraniano”. Os Estados Unidos e os seus cúmplices europeus estão em conluio com um regime corrupto infestado de nazis (liderado por um simbólico presidente fantoche judeu), a fim de manter uma lucrativa rede de guerra para o complexo militar-industrial ocidental que reside no coração doentio das economias de capitalismo ocidental.

O anúncio dos EUA de mísseis de artilharia com Urânio Empobrecido (UE) segue-se à iniciativa britânica de fornecer projéteis de UE no início deste ano. Os Estados párias anglo-americanos, como sempre, atuam como um duplo ato criminoso.

Moscovo condenou-o como mais uma escalada imprudente num conflito que ameaça sair do controle e transformar-se numa guerra mundial total entre potências nucleares. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que Moscovo considera o envio de munições à base de urânio uma arma de destruição em massa (WMD – Weapon of Mass Destruction).

A Casa Branca, a Grã-Bretanha e os meios de comunicação ocidentais afirmam que as bombas de urânio empobrecido são “inofensivas”. Isto é cínico e uma negação hedionda.

As forças americanas e britânicas deixaram um rasto de danos globais devido à utilização de armas de urânio empobrecido durante guerras criminosas anteriores na ex-Iugoslávia e no Iraque.

Chris Busby, um ex-cientista do governo britânico que é uma autoridade de renome mundial em contaminação radioativa, é um dos muitos especialistas que testemunharam sobre o terrível impacto na saúde pública das armas com urânio empobrecido.

As investigações científicas de Busby no Iraque encontraram níveis atrozes de câncer e defeitos congênitos em comunidades onde as forças americanas e britânicas utilizaram intensamente invólucros de urânio. Patologias e contaminação ambiental semelhantes foram registadas na ex-Iugoslávia e entre as tropas da NATO que lá foram destacadas.

As negações americanas e britânicas sobre os danos causados pela contaminação radioativa das munições com urânio empobrecido são uma mentira “louca”, diz Busby. O especialista disse que é correto definir esse material como WMD. Ele corrobora a definição e condenação da Rússia, enquanto os meios de comunicação ocidentais têm geralmente rejeitado as críticas de Moscovo como “desinformação do Kremlin”.

O urânio empobrecido é o subproduto do enriquecimento de urânio para combustível nuclear e ogivas. O material de urânio gasto utilizado para fabricar projéteis perfurantes é menos radioativo do que o elemento enriquecido, mas é, no entanto, radioativo, o que tem um impacto deletério a longo prazo sobre os seres humanos. Os projéteis de urânio, quando explodidos, vaporizam o metal que é, então, absorvido pelos corpos humanos, animais, solo e plantas. Por ser um elemento metálico pesado, mesmo o urânio não radioativo é cancerígeno e altamente tóxico porque degrada o DNA celular e a reprodução genética. É por isso que se descobriu que as populações que foram expostas a cápsulas de UE incorrem em aumentos dramáticos de leucemia, linfoma, câncer ósseo, defeitos congênitos, infertilidade, mortalidade infantil e outras patologias.

Os meios de comunicação ocidentais – sendo o serviço de propaganda que são – estão a dissimular a ação sinistra e criminosa levada a cabo pelos Estados Unidos e pela Grã-Bretanha para fornecer bombas de urânio empobrecido à Ucrânia.

Absurdamente, os Estados Unidos dizem que esperam que o regime de Kiev “aja de forma responsável” na sua utilização de munições com urânio empobrecido. Esta expectativa é investida num regime que já dispara indiscriminadamente bombas de fragmentação [cluster bobms] e HIMARS fornecidos pelos EUA contra populações civis.

Ao armar as forças ucranianas com urânio empobrecido, Washington e Londres estão deliberadamente colocando a população europeia em geral em risco de contaminação mortal. A Ucrânia tornar-se-á uma terra tóxica cujo solo e o vasto trigo e outras exportações agrícolas também serão uma fonte secundária de contaminação mais ampla para outras nações.

De uma forma obscena, a guerra por procuração liderada pelos EUA na Ucrânia contra a Ucrânia deve continuar a todo o custo. A administração Biden é refém da sua própria política fracassada de guerra por procuração. Pedir a paz – como qualquer partido sensato e moral deveria fazer – seria uma admissão de derrota. Com as eleições presidenciais dos EUA aproximando-se em novembro de 2024, a administração Biden está decidida a manter a guerra na Ucrânia e a fingir que o regime de Kiev está a “fazer progressos” – apesar das provas crescentes do massacre em massa de soldados de infantaria.

A última entrega de um “presente de boas-vindas” por Washington equivale-se a um incendiário visitando uma casa com um sorriso psicótico no rosto. Antony Blinken é criminosamente insano, tal como muitos outros políticos ocidentais que brincam com fogo sobre corpos ucranianos e russos mortos.


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Sobre as consequências do fornecimento de munição com urânio empobrecido ao regime de Kiev pelas nações ocidentais

(Tenente-General Igor Kirillov*, in Sakerlatam.org, 23/03/2023)

Em 21 de março de 2023, a Ministra de Estado da Defesa do Reino Unido, Annabel Goldie, anunciou na Câmara dos Lordes do Parlamento Britânico que a Grã-Bretanha transferiria as munições subcalibre perfurante para a Ucrânia. “Junto a nossa concessão de um esquadrão de tanques de batalha Challenger 2 para a Ucrânia, forneceremos munições incluindo munições de perfuração de blindagem que contêm urânio empobrecido”.

Declaração de disposição em fornecer à Ucrânia munições com urânio empobrecido

A natureza cínica da declaração feita pela Ministra de Estado da Defesa do Reino Unido é dada pelo fato de que ela foi feita quase na véspera de outro aniversário do bombardeio da Iugoslávia pela OTAN, em 24 de março de 1999, quando a aliança iniciou sua operação chamada Merciful Angel (Anjo Misericordioso – NT).

A ordem para iniciar os bombardeios foi dada pelo Secretário Geral da OTAN, Javier Solana, que disse que a operação era humanitária.

Gostaria de esclarecer o que é uma munição de subcalibre perfurante.

Trata-se de um projétil de artilharia com um diâmetro de núcleo menor que o calibre da arma, usado para alvejar tanques, objetos blindados, geralmente em alcance de tiro direto.

Análise comparativa de munições à base de urânio empobrecido e munições à base de tungstênio.

 É preciso lembrar que urânio empobrecido é o nome trivial de um metal que se baseia em mais de 90% de isótopos de urânio-238 e menos de 1% de urânio-235.

O uso de urânio empobrecido em tais munições está associado a sua alta densidade, o que proporciona sua alta penetração na blindagem. Este efeito é obtido usando a energia cinética do próprio núcleo, assim como sua cápsula. Ao atingir a blindagem, o invólucro de aço macio quebra e transmite sua energia para o núcleo, que o faz perfurar a blindagem.

As ligas de tungstênio têm características semelhantes, mas as munições à base de tungstênio são mais caras para a fabricação. A produção de munições com urânio empobrecido é muito mais comum em países que possuem reservas de urânio, a tecnologia para processá-lo e utilizá-lo em território estrangeiro e quando não há necessidade de considerar o impacto ambiental.

O uso de munições à base de urânio empobrecido não tem vantagem significativa sobre as munições de tungstênio nos conflitos militares contemporâneos.

Deve-se observar que nos conflitos armados, as munições com urânio empobrecido foram utilizadas exclusivamente pelos países da OTAN.

Em particular, em 2003-2004, os EUA utilizaram tais munições em ataques contra cidades iraquianas: Amara, Bagdá, Basra, Karbala, Fallujah. No total, as Nações Unidas estimam que os EUA utilizaram pelo menos 300 toneladas de urânio empobrecido no Iraque.

Fatos sobre o uso de munições com urânio empobrecido

Como resultado, as condições radiológicas em Fallujah foram muito piores do que as de Hiroshima e Nagasaki após o bombardeio dos EUA. Esta cidade ainda está sendo chamada a segunda Chernobyl.

É preciso lembrar que as forças da OTAN usaram munições de urânio empobrecido durante o bombardeio da Iugoslávia em 1999. Ao todo, cerca de 40.000 projéteis de blindagem com mais de 15 toneladas de urânio empobrecido foram usados naquele país.

Devido à exposição a munições com urânio empobrecido, é gerada uma nuvem quente móvel de urânio fino aerossolizado-238 e seus óxidos, o que pode posteriormente provocar o desenvolvimento de patologias graves.

O principal perigo de radiação do urânio empobrecido ocorre quando este entra no corpo sob a forma de poeira. Os fluxos de radiação alfa de pequenas partículas de urânio depositadas no trato respiratório superior e inferior, pulmões e esôfago provocam o desenvolvimento de tumores malignos. Acumulados nos rins, ossos e fígado, o pó de urânio leva a alterações nos órgãos internos.

Consequências do uso de munições com urânio empobrecido

Assim, segundo o governo iraquiano, em 2005, a incidência de câncer no país devido ao uso de urânio empobrecido aumentou de 40 para 1.600 casos por 100.000 pessoas. A este respeito, Bagdá entrou com uma ação no Tribunal Internacional de Arbitragem em Estocolmo, em 26 de dezembro de 2020, contra Washington, exigindo uma compensação pelos danos causados.

Houve ainda um aumento de 25% na incidência do câncer nos países da antiga Iugoslávia.

As vítimas das políticas irresponsáveis de sua própria liderança foram os soldados da OTAN que participaram das campanhas militares no Iraque e na Iugoslávia.

Assim, o Relatório do Inspetor Médico Militar Chefe da Itália (2016) diz que 4.095 militares das forças armadas italianas destacados nos Bálcãs (1994-1999) e no Iraque (2003) em áreas onde as forças da OTAN utilizaram munições de urânio empobrecido foram posteriormente encontrados com tumores malignos de vários tipos. Em 8% dos casos (330 pessoas), as doenças foram fatais.

Além disso, o urânio permanece no solo por muito tempo e representa um risco de efeitos negativos para as pessoas, animais e plantações.

Em um relatório publicado em Genebra em 2002, um grupo de especialistas que realizou pesquisas sob os auspícios do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente nos locais dos ataques da OTAN, observou: “Os especialistas ficaram surpresos com o fato de que mais de dois anos após os bombardeios, as partículas de urânio empobrecido ainda estavam presentes no ar”.

Além disso, o chefe da equipe de especialistas observou: “Foram encontrados fragmentos de bombas de urânio na Sérvia na área de Plackovica, que não está marcada no mapa de bombardeios apresentado anteriormente à ONU pela OTAN”. O mistério da contaminação com urânio em Plackovica continua por ser esclarecido.

O nível de contaminação do solo e das águas subterrâneas nessas áreas durante um longo período requer um monitoramento contínuo para avaliar os riscos potenciais.

Gostaria de chamar sua atenção para documentos que confirmam a consciência dos países da OTAN sobre o perigo dos efeitos deste tipo de munição sobre as tropas, a população civil e o meio ambiente dos territórios. Por exemplo, o Relatório Sumário do Instituto de Política Ambiental do Exército dos Estados Unidos ao Congresso em 1994, intitulado Health and Environmental Consequences of Depleted Uranium Use by the U.S. Army, declara: “Não existe tecnologia para reduzir a toxicidade do urânio empobrecido… A limpeza das áreas de munição com urânio empobrecido é extremamente difícil”.

Além disso, o relatório da Royal Society do Reino Unido em 2001, The health hazards of depleted uranium munitions (Perigos para a saúde das munições com urânio empobrecido), observou: “O principal tipo de câncer para aqueles afetados pelas munições com urânio empobrecido é o câncer de pulmão”.

O Ocidente está bem ciente das consequências negativas do uso de munições com urânio empobrecido. Apesar do fato de que o uso de tais munições causará danos irreparáveis à saúde de civis e soldados das Forças Armadas da Ucrânia, os países da OTAN, particularmente o Reino Unido, expressaram sua disposição para fornecer este tipo de arma ao regime de Kiev.

Conscientização das nações ocidentais sobre o perigo do uso de munições com urânio empobrecido

Além disso, após o uso de munições com urânio empobrecido, grandes áreas de cultivo em território ucraniano serão contaminadas, e substâncias radioativas serão espalhadas através de veículos para o resto do território. Além da contaminação de sua própria população, isto causaria enormes prejuízos econômicos ao complexo agroindustrial da Ucrânia, especialmente a produção agrícola e pecuária, derrubando qualquer exportação de produtos agrícolas da Ucrânia por muitas décadas, se não séculos, no futuro.

Texto original em: https://telegra.ph/Briefing-by-Chief-of-Nuclear-Biological-and-Chemical-Protection-Troops-of-Russian-Armed-Forces-Lieutenant-General-Igor-Kirillov–03-24

 Postado no canal do MOD no Telegram em 24/03/2023: https://t.me/mod_russia_en/6597

*O autor é Chefe das Tropas De Proteção Nuclear, Biológica e Química das Forças Armadas Russas.

Fonte aqui


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À beirinha do precipício

(Hugo Dionísio, in Facebook, 24/03/2023)

O governo inglês é, também, o governo mais representativo do que representam, hoje, as designadas “democracias” ocidentais e a indiferença que uma figurinha, ou outra, representam na definição das políticas internas e externas dos apêndices geográficos dos EUA. Daí que, tenha vindo precisamente daí, o informante escolhido para comunicar ao mundo mais um passo nesta histérica escalada belicista – tão irresponsável quanto desesperada -, a qual, continuando, nos arrastará para uma guerra nuclear.

No dia 20/03/23, o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, confirmou, perante uma questão colocada por um membro da Câmara dos Lordes, a intenção de enviar munições de urânio empobrecido para a Ucrânia. No dia 22, passadas 48 horas, o mesmo ministro, perante um grupo de pretensos jornalistas, reafirma a intenção, dizendo que não representava um passo no pior dos sentidos possíveis.

Tal como estas figurinhas de coleção não representam qualquer risco de desvio dos caminhos previamente traçados e comunicados nos mais diversos fóruns “formativos” – do G7 à NATO -, os supostos jornalistas situam-se, rigorosamente no mesmo plano, limitando-se a ouvir e reproduzir, não o que ouvem, mas o que escrito está nas inúmeras cartilhas, que também recebem, através dos mais diversos fóruns ligados à “informação”.

A utilização de urânio empobrecido numa guerra levanta inúmeros problemas e questões, do ponto de vista dos princípios plasmados na Convenção de Genebra. Não é apenas no domínio do tipo de arma que o problema se coloca, implicando, também, o uso destas munições, uma violação das regras do direito internacional, em matéria ambiental, como muito bem expõe Nikhil Shah, num artigo sobre o tema (ver aqui). A tudo isto, a zelosa “imprensa livre”, respondeu com a cartilha… Silêncio total!

Independentemente das considerações do TPI a respeito – optando por adotar uma interpretação restritiva em relação à aplicação da Convenção de Genebra ao urânio empobrecido e às armas nucleares -, apenas a enorme força mediática dos EUA faz com que estas armas, não apenas sejam regularmente usadas pela NATO, como a sua utilização não atraia a atenção que a sua força destrutiva deveria suscitar. A tristeza é que, fossem outros a usá-las e logo os juízes do TPI sairiam de dosímetros em punho, para os usar no primeiro foco de radiação que lhes dissessem existir.

E se, esta atitude, por parte do TPI, levanta todas as questões… para mais em tempo de assunção frontal da política de justiça cega. Já a atitude da comunicação social “responsável e credível” é demonstrativa do estado letárgico e vegetal, que assume, quando se tratam de questões que beliscam – mesmo que tenuemente – a imagem internacional dos EUA e seus apêndices.

Daí que, do meu ponto de vista, e contando com tal postura por parte do TPI, ONU e Conselho da Europa, o comportamento mais grave, a que pudemos assistir, consistiu na serena naturalidade e normalidade com que foi comunicada a intenção de uso de armas contendo urânio empobrecido, no conflito que grassa no leste europeu. Esta atitude torna tudo mais chocante. Ao nível disto, só a “ameaça”, por parte da primeira-ministra relâmpago, Liz Truss, de “não hesitar carregar no botão” nuclear, caso alguma situação o suscitasse. Fê-lo com tanta leviandade que, apenas no Sul Global e junto dos residuais seres pensantes, ainda persistentes no Ocidente coletivo, esta revelação suscitou a gravidade que o evento justificava.

Assim, do dia 20 de Março de 2023 em diante, a coisa não foi diferente e a orquestra seguiu o mesmo diapasão a que já nos habituou: a comunicação social ao serviço do país que Lee Camp tão bem caracterizou como um “exército com um mercado de capitais acoplado” (“militar with a stock market”), limitou-se a fazer como fez com Liz Truss – se se disse, está dito! Não se fala mais nisso!

Contudo, quem tem ainda alguma massa encefálica, naquela caixa chamada craniana, e tem amor à sua vida, aos seus filhos, à Humanidade em geral e vive a sua vida de acordo com algum entendimento do que as lições da História nos vão dando, não pode deixar de se encontrar em níveis cardiologicamente perigosos de preocupação, com o nosso destino colectivo.

O Kremlin apressou-se a dizer que “já não existem muitas linhas vermelhas em falta, para serem ultrapassadas”. A este respeito, refira-se que a suposta “não intervenção da NATO” no conflito, que supostamente previne a confrontação nuclear, só acontece porque o Kremlin tem uma postura responsável e adulta – por muito que custe a muita gente -, e finge não ver o que está à frente de todos: A NATO participa directamente no conflito, de muitas e variadas formas.

Se, para a maioria dos militares sérios, da NATO, a possibilidade de uma vitória sobre a Rússia, já se tinha tornado uma miragem; para os mandatários do sistema corporativo e financeiro que nos domina, essa miragem continuava presente nas suas perturbadas mentes. Mas, eis que, nos últimos tempos, aos poucos, foram sendo obrigados a acordar para a vida e, como com qualquer criança mimada, primeiro veio a desilusão, depois a histeria e, agora, o pânico.

E, para quem acha que estou a exagerar, talvez possam consultar uma das muitas páginas a respeito dos danos, desumanos, desnecessários e criminosos, que as armas de urânio empobrecido provocam no meio ambiente, nos solos, nas águas, nas populações, nas gerações e nos soldados, de um e doutro lado (ver aqui). Para quem não acredita em fontes extra ocidentais, fica aqui um trabalho de Harvard.

Ora, tal decisão, tomada pelas mais altas esferas do poder autocrático, oligárquico e pro-apocalíptico que caracteriza, hoje, a elite estado-unidense, visa, na minha modesta opinião, provocar dois tipos de reacção, ambas coordenadas entre si:

  • Face à mais do que anunciada derrota militar, política e económica, não apenas do regime banderista, mas também dos EUA e seus apêndices, o uso de armas de urânio empobrecido visa punir, coletivamente, aquelas populações pela sua decisão de incorporarem o território russo;
  • Perante a introdução da dimensão nuclear no conflito – e lembrar-me que a propaganda hedionda passada no último ano dizia que eram as tropas russas que o fariam primeiro –, e os seus efeitos nefastos ao nível biológico e ambiental, tenta-se arrastar a Rússia para a utilização de armas nucleares – mesmo que tácticas -, que suscitem a entrada direta da NATO e, assim, a confrontação nuclear.

Perceber o primeiro objectivo é mais simples, por radicar no que fizeram os nazis na Segunda Guerra Mundial e os EUA na Coreia do Norte e Vietname, envenenando solos e deixando danos geracionais que – tal como na Sérvia – ainda hoje afectam aquelas pessoas. A esta política, chamou-se “terra queimada”. Uma vez mais, só o poderoso aparato propagandístico dos EUA, que vai da imprensa ao cinema, música, literatura e publicidade comercial, permite que, por cá, não se responsabilize a sua elite criminosa e genocida, pelos crimes hediondos que continuamente pratica.

Já para desmontar o segundo objetivo, é necessário perceber as diferenças políticas entre a elite americana. No caso concreto, as forças neoconservadoras (neocons), afetas aos Bush, Cheney, Rumsfelt, Joe Bolton ou MCcain, que hoje convivem, lado a lado, com as forças neoliberais e globalistas afectas aos Clinton, Biden ou Nulland. Eles consideram – segundo informações mais ou menos veladas – que é possível aos EUA, usando a sua faculdade de “first strike” (primeiro tiro), ganhar uma confrontação nuclear com a federação russa. O governo de Sunak, como conservador que é, tem as suas maiores ligações com os republicanos neoconservadores americanos, como é óbvio.

Segundo esta gente absolutamente abominável, é possível com este “first strike” destruir uma parte muito grande dos silos terrestres contendo armas nucleares russas prontas a disparar, e depois, o que sobrar, é, em parte, abatido pelo escudo antimíssil instalado na Europa e EUA. Claro que, não garantindo que os fariam cair todos, algum haveria de ir ali parar… Mas, nesse caso, é preciso ver em que plano mental esta gente se situa. Para esta gente, o poder é a coisa mais importante de todas e, mesmo acreditando que sobreviveriam, também suspeito de que preferiam morrer a prescindir de tal poder. E é, em parte, a este tipo de gente que estamos entregues.

Claro que, a suspensão, pela federação russa, do último dos tratados de não proliferação que ainda sobrevivia – o 2010 New Strategic Arms Reduction Treaty (New START) -, levantou um problema importante, pois impede os inspectores dos EUA de acederem aos locais de instalação dos silos, podendo estes serem trocados, aumentados, etc… Por outro lado, e como já nos foi possível observar, o arsenal nuclear russo também se fará sentir nos submarinos, barcos e aviões. Ou seja, a força destrutiva remanescente é demasiado grande para ser desconsiderada. Mas, como alguém disse, estamos a falar de gente louca, em estado de pânico, o que é tremendamente perigoso.

Uma vez que a Ucrânia, não sendo membro do TPI, concedeu jurisdição ao mesmo no seu território, caso esta farsa judicial funcionasse, seria esta a hora de declarar o uso de urânio empobrecido como crime de guerra e crime contra a Humanidade. O que poderia impedir, depois da histeria toda montada em torno do mandato de prisão ao presidente russo, o uso destas munições neste conflito, evitando, assim, as portas apocalípticas que, num caso ou outro, se abririam.

Mas, para tal, o TPI tinha de funcionar como tribunal e não como moçoilo de recados dos poderosos, actuando, apenas, quando alguém – faça bem ou faça mal – belisque os interesses da elite autocrática dos EUA e seus apêndices.

Estamos, pois, perante uma das últimas cartadas a jogar por estes incompetentes, cujas acções funcionam sempre ao contrário do que pretendem. Esta, estou em crer, que não será diferente. Até adianto mais, hoje, o Sul Global deve estar, uma vez mais, horrorizado perante o nível de loucura a que esta gente chega no seu seguidismo. Muitos, por lá, se devem mesmo questionar se não sobra alguma réstia de sabedoria e bom senso nos EUA e, principalmente, ao apêndice europeu, continente já destruído por duas Guerras Mundiais.

Esta situação deveria mesmo suscitar que fosse colocada, aos governos dos países da NATO, a seguinte questão: o que têm V.ªs Exas a dizer, sobre a introdução do elemento nuclear, na guerra da Ucrânia, e os perigos que tal comporta, de possível confrontação apocalíptica! A resposta seria: “Não! Todos trabalhamos para que não cheguemos aí… Se chegarmos aí, a culpa é do Mr. Putin!” E, pronto, por aí seguiríamos até ao descalabro final, contentes de que a culpa é do inimigo. Como se numa guerra, só houvesse um culpado!

Perante a incapacidade de provocarem a “revolução colorida” que queriam e de o povo russo não fazer quase ideia do que são as sanções “do inferno”, realidade bem traduzida numa visita por parte de um jornalista americano a Irkutsk, na Sibéria, em que, visitando um concidadão ex-marine, pôde constatar, em directo, que “nada mudou” (ver aqui), e, incapazes – como qualquer ser pensante preveria – de dobrar o maior país do mundo, com um dos dois exércitos mais poderosos, eis que, a opção desta brigada de “escuteiros” consistiu em escalar o conflito para níveis em que tudo correrá o risco de se tornar irreversível.

E para que se perceba que, mesmo estes missionários, já estão a atingir o seu limite, foi o próprio Primeiro-ministro checo que foi o escolhido para anunciar ao mundo – leia-se “Ucrânia” – que, “ou aproveitam esta próxima ofensiva”, recheada de urânio empobrecido, diria eu, ou “irá acabar-se o apoio ao país”.

Ora, a não ser que – e eu acredito piamente nisto -, o uso de urânio empobrecido abra a porta para uma farsa do tipo daquelas que os EUA e as forças do regime neonazi têm tentado vezes sem conta; como seja, a de acusarem a federação russa de usar armas nucleares tácticas e, utilizando a contaminação, das suas próprias munições, como prova, fazer entrar os EUA directamente no conflito – leia-se aqui “apêndices dos EUA como a Polónia e bálticos” -; julgo que não será a introdução deste elemento nefasto que fará alterar, o que quer que seja, no curso desta guerra.

Não custa nada acreditar nisto, uma vez que, quem segue as informações do “inimigo” – e é um dever de quem procura conhecer a realidade -, sabe que estes têm denunciado, inúmeras tentativas, por parte do regime ukronazi, de provocarem situações de bandeira falsa, através da contaminação das zonas de combate com produtos químicos, que armazenam para o efeito, ou, de forma ainda mais desesperada, com os bombardeamentos quase diários à central nuclear de Energodar.

Quanto à desfaçatez do governo de Sunak e companhia… O que esperar de um governo autocrático, não eleito sequer – como se isso fizesse alguma diferença para quem domina os meios poderosíssimos de propaganda à disposição -, liderado por um multimilionário oligarca? Também me vão dizer que representa os interesses do povo? Ora essa!

O que demonstra toda esta corrida desenfreada para o precipício é que, ou os povos europeus se preparam para a luta pelos seus direitos, pela sua liberdade, pela sua democracia, ou, acabarão como acabaram os que estavam do lado de lá das forças nazis… a punição colectiva e a terra queimada!

Em França, já todos podemos antecipar com que disposição estes funcionários estão para nos ouvir! Está na hora do confronto! Ou cairemos, inevitavelmente, no precipício!


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