Ai Costa, Costa – que bosta!

(João Gomes, in Facebook, 13/10/2026, Revisão da Estátua)


Ajude a Estátua de Sal. Click aqui

Ao fim de tantos anos de político, António Costa nada aprendeu ou, aliás, aprendeu que a política era para ser aproveitada para floreados europeus maciços porque lhe ia enchendo a conta bancária e tinha oportunidade de privar com os “grandes” dirigentes.

Uma desilusão completa entre o autarca que passeava pelas ruas do Intendente para aferir das necessidades de Lisboa e o posterior chefe de governo que se agarrou á geringonça para fingir que queria resolver os problemas estruturais do país e os sociais. Se alguma coisa fez, nessa época, foi graças às insistências do PCP e do BE que só lhe dariam apoio na AR se ele fizesse “obra”.

Alguma coisa se conseguiu por essa via, mas agora percebem-se os objetivos “costistas”: apoio popular para se guindar a uma posição política no centro esquerda internacional. O “esquema” foi o famoso parágrafo da PGR que, hoje, se percebe ter sido a forma de sair airosamente do governo e ser considerado um “injustiçado”.

Hoje apresenta-se como um claro vendido ao poder dos grupos da UE que estão a conduzir a Europa para a sua maior crise financeira e económica das últimas décadas, com hipótese inclusive de criar uma crise social de dimensão ainda imprevisível e uma adesão á Terceira Guerra Mundial que a Europa pode vir a enfrentar.

O que escrever no epitáfio deste sujeito? Talvez isto: “deu à costa e apodreceu estirado na areia”.

O Capuchinho Vermelho, o Lobo Mau e os 27 anões do Rei Cor de Laranja

(Miguel Szymanski in Facebook, 06/10/2026, Revisão da Estátua)

Fotografia: o secretário-geral da NATO Rutte recebe Prémio da Paz de Vestfália em Münster ao lado do chanceler Merz.

O que fazer quando aumenta, de eleição para eleição, a multidão de pessoas que recusa a narrativa de guerra dos governantes em Berlim, Paris e Londres e dos dirigentes da UE e da NATO em Bruxelas?

A resposta dos actuais governantes e dirigentes políticos e militares é a fuga para a frente: continua-se a fornecer armas e dinheiro para a guerra continuar, inflaciona-se o nível de risco, alimenta-se o alarmismo, evoca-se diariamente os ataques iminentes, amplia-se a imagem do inimigo, põe-se espiões e agentes, generais e políticos, comentadores e jornalistas a dizer, todos os dias, a toda a hora, que a guerra é inevitável. Não o é. A população, as pessoas, o eleitorado percebe isso. Basta olhar para as sondagens no Reino Unido, em França ou na Alemanha (números mais recentes abaixo).

Os extremos do espectro partidário na Alemanha (AfD, Linke, BSW) já representam 45% do eleitorado, é o novo centro-marginal. Estes partidos têm em comum a recusa de apoio à Ucrânia com armas e a exigência de se começar, desde já, a negociar com a Rússia e a normalizar as relações.

Acresce que parte do eleitorado do SPD, apesar da linha oficial militarista do partido da coligação governamental, tem a mesma opinião. Ou seja, metade ou mais de metade da população alemã recusa continuar o apoio militar e financeiro à guerra.

Já Portugal tem uma das mais elevadas percentagens de apoio ao armamento e financiamento da guerra, com políticos, governantes e ex-governantes a contribuir para o maniqueísmo primitivo num país embrutecido pelo futebol, o jogo e o vinho (ontem ouvi Paulo Portas a referir “o russo”, no outro dia era o patético almirante entusiasmado com o envio de portugueses para defenderem as fronteiras da NATO), um país que se deixa enganar e é um alvo fácil da atual narrativa belicista e redutora com um apoio quase unânime, do Chega, na extrema-direita, ao Livre, nas fraldas do PS (não confundir com “nas faldas”).

A UE e a NATO são atualmente os principais instrumentos dos EUA para manter a Europa Central (inclui a do Sul e entretanto a do Leste e Norte) e a Rússia afastadas e de relações, incluindo as comerciais, cortadas. A continuação da guerra permite aos EUA enfraquecer a UE, extorquindo-lhe o máximo de riqueza, e enfraquecer a Rússia, com esperança na sua fragmentação. É uma doutrina antiga e que está a resultar, pelo menos na UE, graças a esta guerra, a Trump e à fraqueza e cumplicidade da UE, com um aumento, isento de riscos, dos lucros para os EUA (taxas alfandegárias, imposição de gás norte-americano via sanções, venda forçada de armas).

Se foi a Rússia que invadiu a Ucrânia por sua iniciativa, ‘imperialista e maléfica’, ou se foi levada a fazê-lo, para se opor à ‘democrática e benigna’ expansão dos valores do Ocidente, dos EUA, e da NATO para Leste, só interessa, a título de papas e bolos, para a construção de narrativas.

Facto é que o chanceler Merz e a presidente da Comissão Europeia von der Leyen cumprem os seus papéis, tal como Rutte, o secretário-geral da NATO e delegado de propaganda bélica dos EUA, cumpre o seu, para grande benefício do Rei Cor de Laranja. A guerra entre a Rússia e os países da UE, para já só híbrida, com os EUA a venderem armas, energia e a cobrar taxas, pode bem ainda durar uns tempos que Washington e Wall Street não se importam. Merz, Rutte e Leyen terão sempre uma reforma dourada e atlântica, como a têm um Durão Barroso ou Tony Blair. Se a guerra passar de híbrida para convencional, paciência, Merz, Rutte e Leyen, esses grandes jogadores de xadrez, dirão “nós bem avisámos”. E claro que nada teremos a temer, explicam-nos desde já. Sim, porque dizem eles, a economia conjunta dos 27 membros da UE é muito mais forte dos que as fábricas de armamento ou as cinco mil ogivas nucleares russas. Apesar disso ser como comparar a circular de Bruxelas aos dez mil quilómetros de estrada que ligam São Petersburgo a Vladivostoque.

A mais recente sondagem sobre as intenções de voto na Alemanha a nível federal, para eleição do Bundestag, dá este inédito resultado:

Sondagem INSA de 2 a 5 de Outubro

30,5% para a AfD à extrema-direita – CONTRA ARMAS PARA UCRÂNIA.

17,5% para a CDU do chanceler Merz.

14,5% para os ‘socialistas’ do SPD,  com  1/3 do SPD – CONTRA ARMAS PARA UCRÂNIA

14,5% para os Verdes

10,5% para die Linke (esquerda socialista) – CONTRA ARMAS PARA UCRÂNIA

4,5% FDP (liberais)

3,5% BSW (esquerda populista) – CONTRA ARMAS PARA UCRÂNIA.

NOTA: “Isto não é à história do Capuchinho Vermelho e do Lobo Mau”, foi uma expressão usada pelo Papa Francisco, após à invasão da Ucrânia em 2022, para desmontar a narrativa redutora, descontextualizada e maniqueísta do início da guerra.

Enquanto a Europa fala, a Rússia conta as suas divisões

(BPartisans, In Fórum da Escolha, in Facebook, 28/09/2026, Revisão da Estátua)


Ajude a Estátua de Sal. Click aqui

Em Bruxelas, elaboram-se discursos. Em Moscovo, constrói-se um exército.

Putin acaba de emitir um decreto que fixa o efetivo autorizado das forças armadas russas em mais de 2,44 milhões de pessoas, incluindo 1,55 milhões de militares. O número não significa que 1,55 milhões de homens estejam imediatamente disponíveis para combate, mas, politicamente, o sinal é inequívoco: Moscovo está a preparar-se para um confronto prolongado e trata agora a hostilidade europeia como um fator estratégico duradouro.

Entretanto, a Europa encena a sua tradicional competição de posturas desafiantes.

Fala-se de “guerra de alta intensidade“, “ameaça existencial“, rearmamento em massa e confronto prolongado. Os líderes que, até ontem, explicavam a necessidade de cortes nas despesas militares descobrem, de repente, um Napoleão interior entre uma reunião e outra em Bruxelas.

O espetáculo seria quase cómico se as potenciais consequências não fossem nucleares. Pois, por detrás da postura marcial, esconde-se uma questão crua: vão lutar com quê?

Os europeus falam, por vezes, como se já possuíssem a autonomia militar que dizem querer construir em dez anos. Exibem os seus futuros mísseis, as suas futuras fábricas, os seus futuros stocks e as suas futuras divisões. Uma potência militar no tempo futuro a ameaçar uma potência nuclear no presente. Audacioso.

Felizmente, ainda existe o grande cobertor de segurança estratégica: os Estados Unidos. Washington virá inevitavelmente em socorro da Europa. Isto está gravado no imaginário coletivo, algures entre o Capitão América e o Artigo 5º. Como se uma aliança pudesse, milagrosamente, sobrepor-se aos interesses nacionais dos EUA.

Como se Washington fosse necessariamente empenhar as suas forças sem limites numa escalada direta com uma potência nuclear, simplesmente porque alguns líderes europeus confundiram uma conferência de imprensa com uma sala de operações de guerra.

A história das alianças americanas deveria, no entanto, ensinar uma regra básica: os Estados Unidos defendem os Estados Unidos em primeiro lugar. O restante depende das circunstâncias, dos custos e dos seus interesses.

Mas Bruxelas prefere acreditar nos contos de fadas. Sai mais barato do que um exército. Lavrov, aliás, reagiu a esta agitação com o habitual tato da diplomacia russa, afirmando que um ataque europeu à Rússia levaria a um conflito muito breve. Trata-se de uma ameaça política russa, não de uma profecia militar.

E é precisamente isso que deve ser motivo de preocupação. Pois agora temos dois campos a afirmar que se estão a preparar porque o outro lado também está. Moscovo alarga as suas capacidades porque a Europa se torna hostil; a Europa rearma-se porque Moscovo amplia as suas capacidades. Um ciclo perfeito. Cada lado deita gasolina para a fogueira para impedir que esta queime.

Surgem, então, os nossos “Churchills de poltrona” para explicar, com ar solene, que tudo isto é necessário para preservar a paz. Simplesmente esqueceram-se de um pormenor: ao brincar constantemente à guerra com o exército de amanhã e a suposta coragem dos americanos, podemos acabar por enfrentar a guerra hoje.