As eleições, a guerra e o PCP

(José Goulão, in AbrilAbril, 20/06/2024)

O primarismo da manipulação está ao nível da propaganda salazarista, quando os comunistas «comiam criancinhas» e se «viam livres dos velhos com injecções atrás da orelha». Mesmo assim, a manobra inspirada em Goebbels continua a fazer o seu caminho.


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Há situações na sociedade da «democracia liberal» capazes de atingir picos de absurdo e de falta de pudor político que esgotam a paciência do mais pacato dos cidadãos.

Situações que podem ser fruto do vício político-económico-mediático de confundir o desejo com a realidade; da necessidade de praticar plenamente a ditadura económica neoliberal num quadro de fascização política; de um costume tão enraizado que os praticantes nem dão por ele – um comportamento pavloviano; ou situações que correspondem, nas suas versões mais trabalhadas, ao cumprimento estrito das orientações disseminadas pela miríade de centrais de propaganda política e militar imperial, colonial e globalista.

Não sou militante comunista; circunstâncias que não vêm ao caso fizeram com que assim seja, enquanto sigo o meu caminho profissional de referência, o de ser politicamente incorrecto. Isso não significa que não ache legítimo e compatível com a independência jornalística a opção de militância de um bom número de camaradas, por sinal os principais exemplos do bom jornalismo que ainda se pratica.

As recentes eleições europeias podem ter sido a gota de água, a rotura do limite pessoal de paciência. Talvez porque no meio do aparato circense próprio das campanhas eleitorais do regime, formatadas para ensinar ao povo o que o povo deseja sem o saber, tenha sido possível, em alguns debates e no meio de tanta imbecilidade, tomar o pulso ao nível de irresponsabilidade e de repulsa pela decência da sociedade política em que vivemos.

Esporadicamente vieram à tona alguns temas que têm a ver com a vida quotidiana e até com a própria sobrevivência da humanidade – embora isso não seja inquietação maior da nossa belicosa classe política.

Falou-se de guerra, mas evitou-se o perigoso tema da paz, cuja defesa pode até acarretar acusações de traição à pátria; prestou-se a indispensável vassalagem à União Europeia, fugindo como diabo da cruz da impossível conciliação entre soberania nacional e federalismo; discorreu-se sobre as  ameaças da extrema-direita com a prestável colaboração da extrema-direita lusitana, que afinal nada tem a ver com a extrema-direita nem com as heranças de Pinochet e Salazar; recitaram-se os habituais mantras das alterações climáticas, embora não tanto como os «ecologistas» à moda da sueca Greta e seus patrões Gore, Gates, Soros e o fascista Schwab do Fórum Económico Mundial desejariam; e consagrou-se a NATO, essa fábrica de heróis que, depois do engano de 25 de Abril de 1974, nos devolveu às guerras coloniais e poderá até levar jovens portugueses a «defender a pátria» na Ucrânia.

Salazar mandava: «a pátria não se discute»; o regime de democracia liberal ordena: «a NATO e a Ucrânia não se discutem». E cá vamos, cantando e rindo.

Por vezes, nunca com prioridades, afloraram-se temas, dir-se-iam marginais, como os salários ínfimos dos portugueses, a situação dos trabalhadores (e não colaboradores), tratados pela União Europeia como potenciais escravos, a tragédia, igualmente escravocrata, do trabalho precário, de como a educação vai mal, a habitação pior, a saúde péssima.

Com a lógica própria do espírito de campanha, esses assuntos foram sempre impertinentes, ou mesmo abusivamente levantados por uma única força política e abafados tão depressa quanto possível pelas impaciências de quase todos os participantes e as urgências cronométricas dos moderadores.

A única força política que a tal se atreveu foi o Partido Comunista Português, em boa verdade a CDU – mas permitam-me os autênticos e legítimos Verdes e esse espelho de democracia que é a Intervenção Democrática que agora me foque principalmente no PCP, do alto dos seus 103 anos de luta pela liberdade, a democracia e pela soberania nacional; demonstrando que o combate pela democracia é inseparável da luta antifascista, correlação de que a classe política não pode ouvir falar.

João Oliveira, pela sua maior exposição mediática como cabeça de lista, mas também os outros candidatos da CDU, levantaram os problemas reais dos portugueses, esclareceram, desmontaram a hipocrisia dominante e governante. Fizeram-no dentro de condicionalismos, muitos deles ilegais, sobretudo no que diz respeito aos comportamentos mediáticos. Apesar disso, João Oliveira conseguiu fazer-se ouvir, não se deixou intimidar, meteu na ordem adversários que não sabem o que é debater ideias e até moderadores treinados nos mais primários tiques anticomunistas. Como disse lucidamente João Ferreira, na noite eleitoral na RTP, já é mesmo preciso ter coragem e um indomável espírito de combate para enfrentar o aparelho que montou e impõe ferreamente uma opinião única cuja contestação é silenciada, caluniada e até perseguida segundo os cânones autoritários da democracia liberal – isto é, neoliberal, o fascismo económico.

Inimigo a abater

O PCP foi sempre o alvo mais cruelmente perseguido pelo salazarismo; e agora continua a ser vítima de uma sanha que Oliveira Salazar não desdenharia, um inimigo a abater, um problema a liquidar para que a providencial democracia liberal deixe de ser incomodada.

Os comunistas portugueses lutaram 53 anos sob o regime fascista. Foram lançados nas masmorras, torturados, perseguidos, assassinados durante décadas negras sofridas pelo povo português. O PCP ajudou a juntar forças e a fazer avançar a consciência antifascista e da paz nas entranhas da guerra colonial. 

Que me perdoem os heróicos militares revolucionários, mas o PCP foi determinante para o apodrecimento e queda do fascismo, foi essencial para a fulminante adesão popular que complementou, deu alento e consolidou a vitória do movimento militar. Tudo fez, e faz, para que ainda se mantenham conquistas revolucionárias, apesar do novembrismo revanchista, desde logo contribuindo para que este não consumasse plenamente o regresso ao passado, como desejaram os que cavalgaram o golpe guiados pela máquina de conspiração norte-americana, da NATO e seus aliados internos.

A legalização do PCP e a libertação dos presos políticos foram, em si mesmas, vitórias populares, conquistas de Abril. Desengane-se quem pensa que eram dados adquiridos com a queda do fascismo. Sectores «continuistas» como os spinolistas tentaram travar e anular o movimento popular à partida, procurando estabelecer uma «democracia» sem o PCP, que não deixaria de ser uma «democracia ocidental», uma democracia liberal como se usa agora dizer. Já em pleno marcelismo circulara a ideia de uma hipotética «transição» com alguns partidos, mantendo ilegal o PCP.

Em paralelo, hoje há na classe política quem sonhe em afastar o PCP de todos os órgãos de poder, designadamente da Assembleia da República e do Parlamento Europeu. Na recente campanha valeu tudo, até fazer eco, como aconteceu com a agência Lusa, de uma publicação atlantista e imperialista, Politico, que identificou os eurodeputados comunistas entre os «maiores amigos de Putin».

Nos centros de decisão da democracia liberal não há muito pudor em excluir o Partido Comunista da intervenção directa nos mecanismos de poder. Reduzi-lo a um partido não parlamentar já seria uma grande vitória para o fascismo em ascensão, sintonizado com a tradicional política da NATO. E o espectro político, do Bloco de Esquerda ao Chega, que considera «democrático» e «civilizado» o regime nazi-banderista da Ucrânia, que começou por ilegalizar o Partido Comunista até suprimir mais de uma dezena de organizações políticas opositoras, não manifestaria incómodo se os comunistas portugueses desaparecessem dos parlamentos onde estão representados. 

No entanto, a História demonstra que o PCP lutou, implantou-se, não se deixou abater e cresceu durante 53 anos sem ter qualquer deputado nem poder actuar à luz do dia. 

A NATO, como já não é segredo, tem organizações clandestinas, como a Gladio, cuja função é impedir que os partidos comunistas da Europa intervenham nos centros governamentais de decisão. A violação dessa norma compulsória, por exemplo, esteve na origem do assassínio do primeiro-ministro democrata-cristão italiano Aldo Moro, em 1977.

Fazer sumir o PCP dos assentos parlamentares não é mais do que uma aplicação simples da ordem atlantista. Os ferrenhos da NATO prefeririam a ilegalização, mas vê-lo fora das instituições já seria uma enorme vitória.

Comentadores, analistas e académicos equipados com tapa-olhos, como as mulas e burros que puxam as noras, escandalizam-se com o facto de o PCP ser contra a NATO, um pecado lesa-pátria, lesa-civilização ocidental, lesa-democracia liberal. No entanto, os comunistas não poderiam ter outra posição, porque conhecem as lições do passado tão bem como as do presente. Não esquecem que o fascismo salazarista foi parte fundadora da Aliança Atlântica, distinção que deu gás suplementar ao regime quando ele tremia como varas verdes depois da derrota de Hitler e no turbilhão democrático do fim da Segunda Guerra Mundial. Por outro lado, aplicando o velho dito popular «amor com amor se paga», se a NATO combate o PCP, natural é que o PCP seja contra a NATO. Mas há mais: a esquerda onde o PCP se enquadra repudia a «ordem internacional baseada em regras» como um embuste ocidental para não respeitar o direito internacional; e defende a negociação e a paz como os princípios dos princípios para buscar a solução de qualquer conflito, enquanto os atlantistas dão prioridade à guerra para que no final seja encontrada a «paz».

Ao nível de «comer criancinhas»

Em todas as campanhas eleitorais a estratégia anticomunista vai sendo apurada ao ritmo da fascização do meio político, no interior do qual foram outorgadas chancelas «democráticas» anticonstitucionais a organizações retintamente salazaristas. O desenvolvimento do fascismo, porém, acelerou-se desde que se iniciou a guerra na Ucrânia – em 2014, não em 2022.

O processo gradual de imposição da opinião única neoliberal graças à acção conjunta do poder económico, da classe política e do aparelho mediático de propaganda criou o dogma de que os pontos de vista dissonantes da NATO e da União Europeia representam uma adesão às teses do inimigo, uma identificação com o diabo de estimação, Vladimir Putin, incarnando agora a «ameaça russa», tal como em seu tempo acontecia com o regime soviético. 

Ora, alguma vez pode ser levada a sério ou faz algum sentido a acusação de que o PCP, um partido que defende o socialismo e luta pela erradicação do capitalismo, pode apoiar um sistema que está nos antípodas dos seus princípios de luta, um regime capitalista oligárquico, assente numa tradição retrógrada e no fundamentalismo cristão ortodoxo, como o chefiado por Vladimir Putin? O primarismo da manipulação está ao nível da propaganda salazarista, quando os comunistas «comiam criancinhas» e se «viam livres dos velhos com injecções atrás da orelha». Mesmo assim, a manobra inspirada em Goebbels continua a fazer o seu caminho.

O Partido Comunista é sempre o «inimigo interno», sequela da «caça às bruxas» praticada pelo macarthismo norte-americano, uma «quinta coluna» que precisa de ser removida para que o país cumpra, sem estorvos de maior, a sua política de guerra na Ucrânia, a cumplicidade para com as atrocidades do sionismo na Palestina, as sanções criminosas contra os povos de países indisponíveis para se acomodarem à canga colonial e imperial.

Salazar e Marcello Caetano sentenciavam que «quem não está connosco está contra nós». A democracia liberal ordena da mesma maneira: quem defende a paz e o diálogo na Ucrânia, quem sempre se bateu, ao longo de mais de 70 anos, contra o colonialismo sionista e pela liberdade do povo palestiniano, está o lado de Putin e do Hamas, isto é, contra nós.

Como tal, há que apontá-lo a dedo na praça pública, fazer tudo, até desprezar a Constituição e as leis eleitorais, para o maltratar e vilipendiar. Há que manipular, mentir, difamar, caluniar, silenciar ou deturpar as suas posições, criar uma imagem de pária que está a mais na política e que serve para perturbar a tão idílica harmonia nacional – todos com a União Europeia, todos com a NATO. 

O fascismo económico neoliberal tem no fascismo político o seu cenário de sonho. Um passo significativo nessa direcção é o cavalheirismo com que a classe política do burgo aceitou a integração e os horizontes governamentais da Iniciativa Liberal e do Chega. Naturalmente, ambos vieram engrossar e reforçar as hostes da guerra contra o PCP: no regime de Pinochet, inspirador dos bem-falantes do fascismo Armani, o Partido Comunista foi proibido e perseguido, os seus militantes e simpatizantes fuzilados no estádio nacional e muitos continuam dados como «desaparecidos»; no salazarismo que serve de referência a Ventura e sequazes, o PCP estava na clandestinidade; e, mesmo já legalizado, não foi poupado à destruição de dezenas de centros de trabalho conduzida por grupos terroristas nos quais se destacaram criminosos que hoje são honrados e venturosos deputados da República.

Ao mesmo tempo que, depois da porta impudicamente aberta pelo Tribunal Constitucional, a classe política acolheu fraternalmente a chegada dos grupos fascistas, a comunicação social e aparelho de propaganda da democracia liberal empenhou-se em passear o Chega e a Iniciativa Liberal ao colo, promovendo-os inicialmente como coisas curiosas e «interessantes» num cenário político estagnado e monótono; e agora como fortalezas do regime, intrépidos apoiantes e praticantes da opinião única, juízes com direito pleno na campanha terrorista contra o PCP. Principalmente quando se trata da guerra da Ucrânia, onde Zelensky é um irmão do peito que dá asas a grupos nazis em toda a Europa; ou da situação na Palestina, em relação à qual as duas variantes do neo-salazarismo se comportam como genuínos militantes do terrorismo sionista – com toda a legitimidade, porque se trata de uma variante do fascismo.

As esquerdas que também colaboram

À esquerda, a pulverização política esquerdista serviu sempre o anticomunismo, porque muitos dos grupos que proliferaram a seguir ao 25 de Abril, hoje fundidos nas organizações mais reaccionárias, desempenharam a preceito o papel atribuído e claramente exposto, por exemplo, na criação de condições propícias ao reviralho de 25 de Novembro de 1975.

Ainda que hoje o panorama seja diferente – apesar de continuarem perceptíveis no PS algumas manifestações doentiamente anticomunistas – a esquerda parlamentar, incluindo grupos que confundem a esquerda com o palrar dos chefes e se derretem com as simpáticas palmadinhas nas costas prodigalizadas pelos media e pela classe política, cumpre a sua parte no anticomunismo.

Uma das estratégias das esquerdas não-comunistas ou anticomunistas que mais serve os interesses do capitalismo neoliberal é a fragmentação das causas que dizem defender, multiplicando focos de luta em vez de incidirem sobre o essencial, isto é, a defesa da paz, a denúncia da guerra e de todos os negócios que dela tiram proveito, a verdadeira salvaguarda dos direitos humanos – de todo e qualquer ser humano – o respeito pelo trabalho e os trabalhadores, o combate sem tréguas contra as desigualdades, em suma, o foco centrado na luta sem descanso pela transformação progressista da sociedade e contra o capitalismo.

O PCP trabalha e combate nesse sentido, porque das causas centrais derivam todas as outras, nenhuma das quais se resolve isoladamente sem alterar profundamente as estruturas sociais e desmantelar o capitalismo. Além disso, clarifica e defende o conceito de liberdade tal como está implícito nos objectivos e conquistas do 25 de Abril: uma liberdade para as pessoas e que deve sobrepõe-se sempre às «liberdades» do mercado, das empresas, do dinheiro.

O racismo é uma doença social inerente ao capitalismo, tal como a marginalização das minorias, o desrespeito pelos direitos da mulher, apesar de inscritos nas leis; o mesmo acontece em relação ao ambiente e às alterações climáticas, à salvaguarda dos animais e da vida selvagem, à segurança alimentar, ao tratamento humanizado e igualitário das migrações e dos migrantes.

O capitalismo, isto é, a «nossa» democracia, garante que tem soluções ambientais mágicas e resolverá o drama das alterações climáticas, mas agrava quotidianamente a situação e gera ainda mais fortunas com os «novos» negócios «verdes». Não existem quaisquer sinais, no regime em que vivemos, do retrocesso de doenças como o racismo e a xenofobia ou os preconceitos contra a comunidade LGTB+ – pelo contrário, avançam a ritmo alarmante. Por muito que as leis os garantam e as quotas sejam tratadas como uma ideia genial, os exemplos de violação dos direitos das mulheres são constantes. Em relação aos movimentos migratórios, ao respeito pelos direitos e a integração social dos migrantes basta olhar à nossa volta e passar os olhos pelas notícias. O problema continuará a agravar-se, com consequências imprevisíveis, porque a idolatrada NATO cria e alimenta guerras sem fim, gerando intermináveis vagas de refugiados em todo o mundo.

As esquerdas das causas fraccionadas não são transformadoras, não ameaçam o capitalismo, não travam nem invertem os sentidos sociais mais negativos, com a agravante de baralhar prioridades, cultivarem a confusão, dispersarem esforços quando a delicadeza e profundidade dos problemas exigem união, organização e convergência de esforços, não a mesquinhez de a «nossa» causa ser mais importante do que todas as outras. E, não poucas vezes, essas esquerdas, sejam falsas ou fofinhas, tão acarinhadas pela trapaceira indústria mediática, servem a classe dominante nas suas campanhas contra os comunistas.

A recente campanha eleitoral exibiu-nos um Livre cheio de ecologias e ademanes de esquerda ao mesmo tempo que defende o fundamentalismo federalista europeu. Ora o quotidiano da União Europeia não deixa dúvidas: ou se é de esquerda ou se é federalista. O federalismo, aliás, é aplicado sub-repticiamente, com as conhecidas e desastrosas consequências para o povo português, mas essa responsabilidade não tem o Livre a coragem de assumir.

O Bloco de Esquerda mantém um flirt com a NATO. As simpatias com o regime de Kiev, que proíbe partidos, assumiu uma censura oficial, restringe o direito à opinião livre e faz circular uma lista à mercê de bufos com os nomes de opositores a liquidar, não traduzem uma escorregadela ocasional. A incapacidade para assumir que a situação na Venezuela é essencialmente uma consequência das asfixiantes e desumanas sanções norte-americanas e da União Europeia; a atracção pelo federalismo europeu; a cumplicidade com o comportamento ocidental destruidor na Síria; e a posição carregada de ambiguidade em relação à operação criminosa da NATO para destruição da Líbia, e que abriu as portas de sucessivas vagas de refugiados em direcção à Europa, identificam um comportamento padrão: afinal, a coerência não é o forte dos bloquistas.

O PAN, que não sabe muito bem onde se situa no quadrante político, acha meritoriamente, pela voz do seu ex-candidato europeu, que a guerra é uma coisa má porque afecta o meio ambiente e os ecossistemas. A morte de centenas de milhares de pessoas parece ser um inconveniente colateral.

Esquecer as pessoas, desprezar a sua qualidade de vida, os seus direitos humanos sociais e políticos, a afirmação plena da sua dignidade através da saúde, de habitação condigna, de trabalho e salários decentes, da educação e cultura livres, abertas, sem censuras e propiciadoras de elevados índices intelectuais; a negação de condições de segurança e de verdadeira fruição da vida durante o processo de envelhecimento – tudo isto representa a essência do capitalismo. A relação entre o capitalismo e o ser humano é como a da água com o azeite – a incompatibilidade por definição. As esquerdas não-comunistas não são, na prática, anticapitalistas.

O povo tem onde apoiar-se

O PCP actua e luta nos antípodas do cenário próprio da sociedade capitalista, agravado quando a versão fundamentalista neoliberal se expande com ambições globalistas. O PCP é o principal alvo a abater, a alavanca popular capaz de emperrar a máquina trituradora patrocinada por todo o dinheiro disponível no mundo, a voz que nem o salazarismo silenciou.

Por muito que a classe política se desdobre em manobras legais e ilegais para o neutralizar; que a teia mediática propagandística multiplique as mais deslavadas mentiras e as mais vergonhosas calúnias; por muito que os poderes de Estado permitam, fiquem  insensíveis e silenciosos quando esbirros estrangeiros em Portugal ao serviço do nazi-banderismo de Kiev reclamam a sua ilegalização, a exemplo do que fizeram no seu país, o PCP não se intimida, resiste e não deixa o povo desamparado sob os ataques cerrados do autoritarismo conjugado da União Europeia, NATO e outras centrais do imperialismo. Prossegue dia-a-dia, sem esperar pelos circos das campanhas eleitorais, o seu trabalho de formiga esclarecendo, informando, alentando, unindo, organizando, mobilizando, lutando em todas as frentes sociais e políticas, como quem faz acção cívica de cidadão a cidadão para que a democracia liberal, corruptela e cemitério das esperanças libertadas com o 25 de Abril de 1974, entregue de vez a alma ao criador; e seja substituída por uma genuína democracia participativa, antifascista, respeitadora da Constituição e das autênticas liberdades, onde o povo, livremente informado e esclarecido, seja quem mais ordena. Pode parecer impossível, mas as ruas e praças do país encheram-se num ápice quando os corajosos e inesquecíveis cidadãos fardados do MFA avançaram para derrubar a besta fascista, feito histórico em que muitos não acreditavam. 

O povo que fez o 25 de Abril continua, contudo, a ser vítima das famílias oligárquicas, agora ainda mais poderosas, com a cumplicidade de uma classe política usurpadora e que odeia as pessoas. Nada nos convence, porém, que seja impossível, num mundo dinâmico e em mudança permanente, voltarmos a viver novos dias das surpresas. O PCP, independentemente das circunstâncias e das perseguições, continua a cumprir a sua tarefa; os mais desfavorecidos, apesar do poder de uma propaganda tóxica de alcance global, saberão sempre onde apoiar-se. É assim há 103 anos.


Zelensky monta a armadilha que ameaça destruir-nos

(Hugo Dionísio in Strategic Culture Foundation, 13/06/2024)

Para financiar o esforço de guerra, o ilegítimo Zelensky, que actualmente usurpa o lugar de presidente, prepara-se para vender o que ainda lhe resta.


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A Ucrânia de Bandera, que tem privatizado, de forma absolutamente furiosa, as propriedades estatais que ainda lhe restam e lhe foram deixadas pela Rússia e URSS, já tem grande parte das suas valiosas terras negras nas mãos da Blackrock, Monsanto e de outros interesses norte americanos. A estas se juntam interesses energéticos, mineiros, agro-industriais e imobiliários.

Agora, para financiar o esforço de guerra, o ilegítimo Zelensky, que actualmente usurpa o lugar de presidente (já percebo aquele beijo de Von der Leyen, os usurpadores reconhecem-se mutuamente), prepara-se para vender o que ainda lhe resta. As receitas do FMI, e dos acordos financeiros com a União Europeia, assim o exigem e os negócios em causa constituem, em alguns casos, importantes monopólios naturais.

Todos sabemos quem mais vai lucrar com a compra destes bens estatais. Os EUA ficam com a melhor fatia, mas o Reino Unido, Alemanha, França, por esta ordem, também ficarão com a sua parte. Se o Hotel Ucrânia é o mais famoso bem de todos os anunciados neste novo pacote, segue-se uma lista, que o próprio regime de Kiev diz ser uma “large privatization”. Empresas energéticas, Porto de Odessa, sector mineiro, destilarias, fábrica de maquinaria pesada como locomotivas…

O mais grave disto tudo, o mais trágico para todos nós, é que a venda do país aos interesses dos EUA e do ocidente não é inocente e está muito para além de um simples acto de corrupção ou entrega do país aos interesses estrangeiros. Consciente ou inconscientemente, a aquisição de grandes e lucrativas propriedades, pelas grandes corporações ocidentais, constitui um passo importantíssimo para o agravamento do conflito e que julgo passar ao lado de muito boa gente, normalmente concentrada na vertente especificamente militar. Nestes casos, a vertente militar não mais é do que o pico do Icebergue, que esconde toda a complexidade de relações económicas que, na base, constituem a razão de ser de tudo o que se passa. O recurso ao militar acontece quando as relações na base se tornam inconciliáveis.

Zelensky, certamente ciente de que a guerra só se ganha com a entrada directa dos EUA, nem que tenhamos todos nós de perdê-la (nas guerras todos perdem) para ele a ganhar, à medida que entrega o seu país às oligarquias que sustentam o aparelho político estado-unidense, saberá da importância que tem, o domínio das propriedades ucranianas, por aqueles poderosos interesses. Que melhor forma de proteger o acesso ao mar negro, se não entregando o Porto de Odessa aos interesses ocidentais?

A história diz-nos que os interesses corporativos ocidentais, em especial os estado-unidenses, protegem os seus bens, nem que, para tal, tenham de invadir países e ocupá-los. Neste sentido, Zelensky, sabe que, quanto maior o domínio das corporações americanas na Ucrânia, maior é a probabilidade de agravamento do conflito e de entrada directa dos EUA.

Intencional ou coincidentemente, está em causa um desenvolvimento que, potencialmente, pode atrair os próprios EUA para uma espécie de “armadilha”, conduzidos pela cobiça por dinheiro fácil, do estado e do povo, que caracteriza as corporações imperialistas. Diria mesmo que esta é a história norte-americana no que toca às suas intervenções militares. O seu povo é conduzido, pelos interesses económicos, para “armadilhas” montadas por, e em prol desses mesmos interesses, que envolvem e tornam o estado dependente de guerras reais e potenciais. As famosas guerras eternas.

Já as antigas Companhias das Índias, dos Países Baixos, Portugal ou Inglaterra, detinham, inclusive, exércitos privados para defenderem os seus activos nas colónias. Nos EUA, como noutras potências capitalistas, a defesa desses interesses está acometida aos respectivos complexos militar-industriais, bem como às empresas privadas de recrutamento militar (as PMC).

As potências imperialistas, ao longo da história, intervêm militarmente nos locais onde estão ameaçados os seus interesses monopolistas. O que considero descabido é que esta apropriação da propriedade ucraniana, pelo ocidente, não seja reconhecida como um dos mais importantes factores que influenciam a escalada militar. Todos olham para a parada e resposta das armas, mas poucos olham para as relações materiais subjacentes, as quais, deixam sem saída política, os líderes de ambos os países, que não seja a defesa dos interesses que, em cada momento, se manifestam, mais ou menos sub-repticiamente.

Contudo, no meio disto tudo, existem forças mais poderosas que se movem no sentido contrário aos interesses de Zelensky e do seu gangue da Galícia. Esta guerra nasceu como proxy (por procuração) e, para os EUA, em princípio assim terá de morrer. A batalha decisiva, pela manutenção da hegemonia do sistema imperialista norte americano, joga-se no pacífico. O desafio Chinês obriga a concentração exclusiva e isto leva o próprio partido democrata a exigir do seu representante no Médio-Oriente, Israel, uma atitude diferente e mais conciliadora, de forma a que o conflito não se estenda para lá do desejável. Que o consiga, tenho dúvidas, mas, pelo menos, tenta-o.

Os EUA, estando plenamente conscientes da “armadilha” montada por Zelensky, não deixam de aproveitar o ganho, mas, é aos países europeus que foi reservada a defesa dos seus interesses corporativos e militares na Ucrânia. Enquadrando tais interesses no que Blinken refere como “área de segurança transatlântica”, tal classificação, do meu ponto de vista, não arrasta os EUA para o conflito. Arrasta, isso sim, a própria OTAN e, em especial, a Europa. Como já foi sublinhado inúmeras vezes, é a europa quem tem de arcar com a maior fatia de esforço.

Este esforço será pago com mais armas, dinheiro, vindo este dos 300 mil milhões de euros congelados, os quais Biden, na próxima cúpula do G7, não deixará de entregar á Ucrânia. Estando tais reservas, sobretudo, em bancos europeus, adivinhem que moeda e que sector financeiro entrará em colapso, após este confisco? Para já a Arábia Saudita deixou caducar, no dia 9 de Junho, o acordo que mantinha com os EUA, para a venda exclusiva de petróleo em Dólares (o acordo Petrodólar). Mas, durante muito tempo ainda, os EUA usufruirão do estatuto de moeda de reserva. Já o Euro e a Libra Esterlina não se podem gabar do mesmo e quando os países do sul global acelerarem a retirada, já em marcha, das reservas depositadas em bancos europeus, é que veremos.

E destes factores resulta outro movimento que se afirma em contradição com os interesses do regime de Kiev. Esta tensão entre “interesses dos povos europeus” e “interesses corporativos” dos EUA, ameaça destruir a democracia restante de muitos países europeus e partir nações inteiras. As últimas eleições para o Parlamento Europeu são já um resultado disso mesmo. França, Alemanha, Bélgica, Países Baixos, Dinamarca, assistiram a resultados importantes, que representam sobretudo a ansiedade popular pela normalização das suas vidas. Trabalhadores, agricultores, pequenos empresários, estão fartos de instabilidade, austeridade e pessimismo. Aos povos europeus foi-lhes subtraída a esperança numa vida melhor.

Os mesmos que subtraíram e negam, todos os dias, tal esperança, são quem acusa de movimentos “populistas”, “extremistas”, “radicais”, todos os partidos que se opõem ao belicismo do designado “centro político”. A cada um que atira com a palavra “paz”, eles respondem com a acusação de “putinista”; a cada um que atira com a máxima de que “nem mais uma bala para alimentar o conflito Ucraniano”, respondem com um contundente “agente do kremlin”. Estereotipar, dividir, tribalizar, tornou-se a palavra de ordem de um suposto “centro político”, que se auto-elegia como capaz de unir o espaço entre as margens.

Desistindo deste papel de “moderação”, o próprio “centro moderado” é também atirado para uma margem. Atirado para a margem que defende a continuação da guerra, da confrontação, figuras como Macron, Sholz, Sunak ou a burocrata Von Der Leyen, acabam a conduzir as populações para as forças que, neste quadro niilista, mais organizadas e financeiramente poderosas surgem: as forças reaccionárias. Estas forças, pressentindo e vivendo do descontentamento, atraem quem se sente desagradado pela situação económica, pelo medo de uma guerra em larga escala e a falta de perspectivas de crescimento, recuperação e desenvolvimento.

Neste quadro, a única resposta dos dirigentes mais belicistas é a de contrapor ao medo da guerra, o medo da extrema direita. E este é o drama que se vive na Europa, nos EUA, no Ocidente colectivo. A sensação – aparente apenas – de que não existe uma alternativa válida, faz com que sejam acenadas apenas duas alternativas que, à superfície, mutuamente se excluem: ou existe a opção do “centro moderado”, pelo confronto, pelo belicismo, pelo sacrifício económico e social, em nome de “valores europeus” que ninguém sabe bem o que são; ou a opção “autocrática”, “autoritária”, “ditatorial”, da extrema direita, mas na qual o “centro moderado”, através de um contraditório processo de reescrita da história e paradoxal confusão filosófica, integra as soluções à esquerda.

Bifurcados entre duas alternativas terríveis, acaba-se a escolher entre Macron e Le Pen, porque se considera uma de “extrema direita” e o outro um “centrista liberal e moderado”. Contudo, dizer que Le Pen é mais de direita que Macron, é cometer um erro crasso. Macron é mais dissimulado e polido, mas não é menos destrutivo. Macron tornou-se, hoje, um dos principais incendiários da guerra nuclear. Sem utilizar o termo, todos sabemos qual a consequência do envio de tropas da OTAN para a Ucrânia. Também sabemos qual será o resultado da instalação de bases de F16 nos países bálticos. E todos sabemos onde vai acabar a autorização de utilização de mísseis SCALP lançados por aviões Mirage II, contra território Russo reconhecido.

E o que dizer de Sholz e do seu SPD? Já não basta o facto deste partido ter sido conivente com a subida do poder nazi e de Hitler, decidindo não alinhar com as forças progressistas, comunistas e democráticas que combatiam, então, o nazismo, nas ruas e nos locais de trabalho, como hoje, é outra vez o SPD que volta a atirar a Alemanha contra a Rússia, privando o seu país dos recursos que o tornaram uma potência mundial. O que diria Karl Marx se soubesse que o museu, em sua memória, situado em Trier, é gerido pela Fundação Friedrich Herbert (sim a que financiou o Partido Socialista em Portugal), organização ligada ao SPD?

É então a política “moderada” (o termo “moderado” vale como elogio por si só) que ameaça conduzir-nos para uma guerra nuclear. Eu pergunto o que é que isto tem de “moderado”! É que, por absurdo, mesmo que se reconhecesse toda a culpa à Rússia e a Putin, seria dos “moderados” quem se esperaria o maior esforço de diálogo e paz. Ao invés, é dos “moderados” que esperamos o contrário: a ultrapassagem constante de linhas vermelhas, as russas e a suas próprias. Quantas linhas vermelhas esta gente já ultrapassou, na sua escalada?

Quer Zelensky consiga o seu copo cheio – a entrada dos EUA na guerra – ou seu copo meio cheio – a entrada da Europa na guerra -, qualquer das soluções é devastadora para as nossas vidas e tal devastação é o que resulta de quando se apoia, se é cúmplice e conivente com gente que faz do ódio, da xenofobia, o seu modo de vida. O ódio que vejo nos Ucranianos da Galícia, contra a Rússia, compara-se ao ódio dos sionistas, contra os árabes palestinos. Um ódio tribal, selvagem, bárbaro e medieval. Na Ucrânia ou na Palestina, o ódio nunca venceu barreiras, só as construiu.

Como diz um amigo meu, quando nos mandarem enfiar o capacete e pegar na metralhadora, talvez nos lembremos que a paz é o maior bem que a civilização nos pode garantir. Talvez nesse dia acordem para a “armadilha” em que fomos apanhados e consigam ver, no horizonte, quem, de facto, com palavras de veludo, exaltações à “democracia” e acusações aos “extremismos” nos está a levar para a extrema destruição!

Fonte aqui.


Os erros do Ocidente e o caminho para a paz: o que Putin disse à imprensa internacional

(In Blog Contracultura, 11/06/2024)

 As relações entre a Rússia e o Ocidente, a situação na Ucrânia e os problemas regionais foram discutidos na reunião do Presidente russo Vladimir Putin com os correspondentes das agências noticiosas internacionais organizada pela TASS, que decorreu na semana passada.

Porque o pensamento do líder russo é constantemente adulterado pela imprensa corporativa, o Contra faz um breve resumo das questões levantadas durante a reunião, que durou mais de três horas e incluiu dezenas de perguntas.

Erros dos EUA

Putin afirmou estar certo de que a política dos EUA em relação à Rússia permanecerá inalterada, independentemente do resultado das próximas eleições presidenciais. De qualquer forma, Moscovo “trabalhará com qualquer presidente eleito pelo povo americano”.

O líder russo disse estar surpreendido com o facto de “não apenas na esfera da política internacional, na política interna, mas também na política económica, a actual administração [norte-americana] comete erros sucessivos, de forma rápida e generalizada”. “Por vezes é até surpreendente observar o que está a acontecer”, acrescentou.

Falando sobre o julgamento do ex-presidente dos EUA Donald Trump, Putin disse que o ex-presidente está a ser perseguido por razões políticas, e este facto destrói a liderança imaginária de Washington na esfera da democracia e até mesmo o sistema político do país.

Comentando as alegações de suposta interferência da Rússia nos assuntos internos dos EUA, o presidente disse que Moscovo “está a observar tudo à distância”. “Nunca interferimos nos processos políticos internos dos Estados Unidos e nunca o faremos”, afirmou.

Falando sobre a Ucrânia, disse que Washington não se preocupa com o país e o seu povo. “Ninguém nos Estados Unidos se preocupa com a Ucrânia. O que lhes interessa é a grandeza dos EUA, não estão a lutar pela Ucrânia ou pelo povo ucraniano, mas pela sua grandeza e liderança. E não podem, em circunstância alguma, permitir que a Rússia tenha sucesso, porque acreditam que, nesse caso, a liderança dos EUA será prejudicada. É esse o objetcivo do que os EUA estão a fazer”, afirmou.

Putin descreveu a decisão de Washington de utilizar o dólar americano como instrumento de sanções como um grande erro, porque mina a confiança na moeda americana.

UE sem lógica nem coragem.

Segundo o inquilino do Kremlin, a Rússia e os países da União Europeia seriam capazes de resolver os problemas existentes nas relações bilaterais, mas os líderes europeus não têm coragem e confiança para defender os seus interesses nacionais. Como resultado, o bem-estar dos cidadãos europeus está actualmente em risco.

Falando sobre a Alemanha, Putin disse que esta República Federal nunca foi um país totalmente soberano após a Segunda Guerra Mundial, mas a sua economia é uma força motriz para a Europa e, se a Alemanha começar a “espirrar e a tossir”, “todas as restantes economias europeias vão ficar doentes”.

Como exemplo, mencionou a França, cuja economia está agora “à beira da recessão”.

A Gazprom sobreviverá à recusa da Europa em consumir gás russo e “comprar gás natural liquefeito que vem do oceano a preços exorbitantes”, disse Putin, acrescentando que não vê “nenhuma lógica formal” nas acções da Europa. “Não quero ofender ninguém, mas a formação dos decisores no Ocidente, incluindo na Alemanha, deixa muito a desejar”, afirmou.

O Ocidente tem de tolerar os delírios de Kiev e esconder as baixas.

Putin acredita que os Estados Unidos vão tolerar o líder ucraniano Vladimir Zelensky até à Primavera de 2025, mas que depois ele será substituído. O Ocidente já escolheu “vários candidatos” para o substituir, segundo o inquilino do Kremlin.

No entanto, o Ocidente ainda precisa que Zelensky “tome certas medidas”, como reduzir a idade de mobilização, antes de se livrar dele. Na opinião de Putin, a campanha de mobilização da Ucrânia mal serve para substituir as baixas e os EUA insistem em reduzir a idade de recrutamento para 18 anos.

O presidente russo não deu números exactos sobre as perdas da Rússia no conflito, dizendo apenas que são “certamente muito menores do que as da parte oposta”. “Quanto às perdas irrecuperáveis, o rácio é de um para cinco”, especificou Putin.

No entanto, disse que um total de 1.348 soldados e oficiais russos estão detidos como prisioneiros de guerra na Ucrânia, enquanto 6.465 militares ucranianos estão detidos na Rússia. Os países europeus e os EUA mantêm-se silenciosos sobre as baixas dos seus formadores e conselheiros na Ucrânia, acrescentou.

Os militares ucranianos não podem utilizar sozinhos as armas ocidentais de longo alcance, porque todas as decisões têm de ser tomadas pelos países que as forneceram, continuou o Presidente russo. “Como já disse, é necessária uma missão de voo. E, de facto, isso é feito por aqueles que fornecem essas armas: pelo Pentágono, no caso dos ATACMS, e pelos britânicos, no caso dos Storm Shadow”, explicou.

Desafiando as sanções.

Os países ocidentais planearam minar a economia russa num período de três a seis meses, mas tal não aconteceu, afirmou o líder russo, acrescentando que o objectivo que estabeleceu para que o país entrasse nas quatro principais economias do mundo foi alcançado.

É importante manter o ritmo de desenvolvimento, sublinhou Putin. Na sua opinião, a Rússia vai começar a produzir tudo o que precisa por si própria, sendo que a concretização desse desígnio “é apenas uma questão de tempo”.

Liberdade de expressão.

Comentando a repressão do Ocidente contra os meios de comunicação social russos, Putin afirmou que estes estão a transmitir a opinião russa e têm todo o direito de o fazer.

“Os países ocidentais dificultam o trabalho dos nossos jornalistas”, continuou o Presidente russo, afirmando que os jornalistas do seu país estão a ser intimidados, as suas contas bancárias estão a ser fechadas, os seus transportes pessoais estão a ser confiscados e isso está em contradição com a proclamada liberdade de expressão do Ocidente.

Caminhos para a paz.

O Presidente russo manifestou a sua esperança de que as relações entre a Rússia e o Ocidente, bem como no mundo em geral, progridam gradualmente em direcção à paz, em vez de uma escalada interminável de tensões e hostilidades.

Putin rejeitou os relatos de alegados planos russos para atacar a NATO, considerando-os absurdos. Ao mesmo tempo, falando sobre a doutrina nuclear russa, o Presidente afirmou que “se as acções de alguém ameaçarem a nossa soberania e integridade territorial, acreditamos que é possível utilizar todos os meios à nossa disposição”.

Putin sublinhou que a Rússia não tem ambições imperiais. O Presidente agradeceu a todos os delegados que participaram na reunião e pediu-lhes que transmitissem informações verdadeiras aos seus leitores.

Fonte aqui.

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