O que têm os líderes europeus a oferecer aos seus povos? Medo. E mais medo. E ainda mais medo!

(António Gil, in Substack.com, 29/03/2025)


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Quando os governantes têm medo de seus povos respondem com ameaças. O que foi estranho neste processo é que antes mesmo que os europeus terem percebido – bom, uma minoria tinha percebido – que havia algo de podre no Reino da União Europeia, os neurocratas resolveram testar suas capacidades de aterrorizar. A covid 19 foi um balão de ensaio.

Logo que a guerra na Ucrânia começou, eles desistiram da narrativa covid. Era preciso manter o foco num assunto (eles acham, talvez com razão, que o cidadão comum não consegue manter duas coisas ao mesmo tempo nas suas cabeças. Talvez porque eles mesmos também têm dificuldades com isso.

A guerra desenvolveu-se como muitos de nós – ainda assim uma minoria – previram, não como eles nos quiseram convencer que aconteceria. Em nenhum reino com algum parentesco com a realidade as coisas se passariam da forma que eles desejavam (com uma certeza inabalável, roçando a alucinação).

A Rússia não se vergou às sanções, aproveitou-as mesmo para resolver algumas deficiências no campo produtivo. Putin não foi contestado, pelo contrário: talvez nunca antes ele tenha tido um apoio tão massivo de seu povo. Em compensação, a Alemanha, a França e o Reino Unido deprimiram economicamente. Isto só foi novidade para quem nunca prestou atenção aos condicionalismos europeus e à auto-suficiência russa.

A guerra, é claro, revelou que a Ucrânia estava totalmente dependente de seus amos ocidentais, As armas ‘maravilhosas’ que recebeu arderam maravilhosamente. Mais que uma geração de homens ucranianos foram dizimados no campo de batalha. O segundo medo instilado pela elite europeia ( com o beneplácito inicial dos EUA), falhou de forma mais estrondosa que a treta da covid.

Então os sátrapas europeus voltaram à caixa de Pandora e de lá retiraram o 3º medo: os russos vêm aí, eles vão invadir a Europa logo que se apossem da Ucrânia. Não vai acontecer e toda a actuação deles num passado recente indica que eles sabem disso. Se realmente eles acreditassem nessa possibilidade JAMAIS teriam cedido tantas armas à Ucrânia. Quem, sentindo-se ameaçado pelo vizinho, abre mão de suas defesas?

A aposta no medo é uma confissão de fracasso. Não há nada mais que a elite actual possa ou sequer queira fazer por seus povos. Pelo contrário: estão apostados em tirar dos cidadãos o pouco que lhes resta, a pretexto do rearmamento. Fala-se mesmo do confisco de todas as suas poupanças a troco de papel inútil ( certificados de aforro que não hão-de valer o papel em que estão impressos).

Se aceitarmos isso pacificamente nada nos há-de valer. Chegou pois o tempo de desenferrujar as guilhotinas. A menos que estejamos dispostos a usar métodos mais primitivos: os nós corredios das cordas também funcionam bem, para o efeito. Não separam as cabeças dos corpos mas bom, pode-se alegar que nessas execuções não há derramamento de sangue. Seja como for, o medo tem de mudar de campo: está na altura de mostrar de novo que muitos podem mais que poucos.

Fonte aqui.

Emmanuel Macron, António Costa e os Acordos de Minsk

(José Catarino Soares, in A Tertúlia Orwelliana, 28/03/2025) 

Emmanuel Macron (à esquerda) e António Costa (à direita) no Palácio do Eliseu. 

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Em conclusão: Emmanuel Macron, presidente da República Francesa, e António Costa, presidente do Conselho Europeu, poderão ser pessoas encantadoras para os seus familiares e amigos mais próximos. Porém, para o comum dos cidadãos de França e dos demais países membros da UE (entre os quais Portugal) estes dois homens representam graves perigos públicos relativamente aos quais todo o cuidado é pouco. O caso não é para menos: as suas mentiras sobre os Acordos de Minsk já custaram centenas de milhares de mortos e estropiados e milhões de vidas desfeitas na Ucrânia e na Rússia.

Ler artigo completo aqui.

Na grande sala de pânico europeia

(Viriato Soromenho Marques, in Blog Azores Torpor, 27/03/2025)

(A cambada lá conseguiu calar o Viriato na sua coluna semanal que mantinha, há anos, no Diário de Notícias, Andava a ser demasiado incómodo a abrir os olhos aos carneirinhos. Pelos vistos o homem agora tem que publicar em blogs de muito menor visibilidade. Mas há sempre alguém atento. Assim sendo, lá descobri mais este excelente artigo.

Estátua de Sal, 27/03/2025)


O único país que neste momento ameaça a soberania dos Estados da UE chama-se EUA. É doloroso ver o silêncio das instituições europeias perante a visita abrupta, não convidada, de governantes americanos à Gronelândia, como se fossem proprietários a visitar uma futura aquisição. As tropas que Macron, Merz e Starmer, insensatamente, querem colocar na Ucrânia, deveriam ser posicionadas ao serviço da Dinamarca para defesa da sua integridade territorial.


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Em fevereiro de 2008, no regresso de uma reunião em Bruxelas na Comissão Europeia, comprei numa livraria do aeroporto um livro da notável jornalista e escritora Naomi Klein, intitulado A Doutrina de Choque. A Ascensão do Capitalismo de Desastre (The Shock Doctrine The Rise of Disaster Capitalism). Durante a viagem fiquei com os olhos colados às páginas do livro. Análises de trinta anos de expansão mundial do capitalismo turbinado pela pulsão de morte, aquilo a que chamamos, com excessiva elegância académica, “neoliberalismo”. Do quintal do Tio Sam à Grã-Bretanha de Thatcher, passando pelo Iraque, África do Sul, Polónia e a Rússia dos anos 90, entre outros estudos de caso, Klein guia-nos numa viagem de horror à destruição da coesão social de sociedades inteiras pela violência pura, mas também pela desigualdade e pobreza, desenhadas por políticas públicas destinadas a enfraquecer o Estado e a privatizar a economia em favor de um sistema financeiro sem pátria nem rosto. Para vencer a resistência dos cidadãos, o capitalismo de desastre cria narrativas de estado de emergência, coartando as liberdades básicas em nome das exigências de uma situação excecional, seja o combate a forças subversivas, ao terrorismo internacional, a calamidades naturais, a crises financeiras, a ameaças bélicas, a inimigos ocultos…Nessa altura, ingenuidade minha, pensei: “pelo menos na União Europeia nada de semelhante poderá acontecer. Aqui as instituições representativas e o estado de direito ainda funcionam razoavelmente…”.

O Inverno da austeridade europeia (2008-2016), no auge da crise do sistema financeiro internacional, revelando o modo como a zona euro foi construída em benefício de uma elite predadora e irresponsável, mostrou que o capitalismo de desastre estava também instalado na União Europeia. O mais horrível foi a grande mentira que encobriu a raiz da austeridade na Europa. Em vez de acusar como responsável pela crise, a ausência de regulação do sistema financeiro, instalado nos centros de poder em Washington e Bruxelas, o ónus caiu sobre o excesso de dívida pública dos Estados mais frágeis. Foram os milhões de assalariados e as camadas mais pobres da população que salvaram os bancos e os fundos de investimento, arruinados pela ganância e sofreguidão, sem limites legais de contenção, dos seus dirigentes.

Há três anos que a UE se arruína com o seu envolvimento incompetente e imoral na guerra da Ucrânia. Agora que os EUA, os grandes responsáveis por esta tragédia, lavam as mãos e fogem, com razão, de um confronto suicida com a Rússia, na UE, líderes detestados pelo seu povo, como Macron, ou a Comissão Europeia de Ursula von der Leyen (com o seu auxiliar no Conselho Europeu, António Costa) querem continuar a alimentar a guerra com a Rússia. Já não para salvar Kiev, mas para que o corpo dos soldados ucranianos sirva de muralha ao ataque russo contra a UE, propagandeado como inevitável até 2030, segundo alegadas informações dos serviços secretos alemães e dinamarqueses (uma data conveniente para condizer com o plano de rearmar a Europa, apresentado pela CE, extorquindo 800 mil milhões aos contribuintes europeus).

Tudo isto poderia ser considerado delírio ou sinistra fantasia, contudo tal interpretação seria não só ingénua, mas completamente errada. O único país que neste momento ameaça a soberania dos Estados da UE chama-se EUA. É doloroso ver o silêncio das instituições europeias perante a visita abrupta, não convidada, de governantes americanos à Gronelândia, como se fossem proprietários a visitar uma futura aquisição. As tropas que Macron, Merz e Starmer, insensatamente, querem colocar na Ucrânia, deveriam ser posicionadas ao serviço da Dinamarca para defesa da sua integridade territorial. Os EUA são também a maior ameaça à economia europeia, com a sua política de tarifas, que afundará ainda mais, por exemplo, o que sobra da indústria automóvel, particularmente na Alemanha.

Mas para que serve este auge da Doutrina de Choque que hoje é a política europeia oficial? Qual o motivo de provocar o pânico generalizado na população da UE, com o apelo da comissária europeia para a gestão de crises, Hadja Lahbib, que no dia 26 de março assustou os europeus com a urgência de um kit de sobrevivência para 72h., em virtude do profetizado perigo iminente de guerra (1)? Estou convencido de que se trata, fundamentalmente, duma corrida para a frente de gente incapaz de reconhecer a sua incompetência, a sua derrota, os imensos danos que causaram ao projeto da unidade europeia, colocando o atropelo da exceção no lugar da paz e da ordem de um estado de direito e justiça social. Quem hoje dirige os destinos europeus, rasgou os mínimos éticos, ao ponto de preferir lançar-nos a todos no abismo de uma guerra de destruição total, do que assumir perante os cidadãos europeus a sua responsabilidade pela tragédia para onde nos empurraram.

Referências:

(1) 26 03 2025 EU Warns of MASSIVE World War—Tells Europeans to Stock Food Shortages As Russia Ukraine Truce Fall. https://www.youtube.com/watch?v=1hmzo1GajMg

Fonte aqui


E a propósito destes tempos de grandes mudanças…. 🙂