CIMPOR – UM CRIME

(Dieter Dellinger, 08/11/2018)

SAÍDA_LIMPA

O jornalista especializado em economia da ANTENA 1 disse que a privatização total da CIMPOR em 2012 feita sob a direção da então secretária de Estado Maria Luís Albuquerque foi um CRIME contra a Nação e que a drª Albuquerque disse que era o melhor possível para o País.

Isto, a propósito da venda dos ativos em Portugal ao fundo de pensões turco OYAK, sob controlo estatal, pelos brasileiros a quem a Maria Luís alienou esse bem pátrio para sempre. É pois um ativo estratégico português vendido ao terceiro mundo e a empresas dependentes de estados estrangeiros geralmente não democráticos. Os turcos tal como os chineses nem deviam saber que existe um país de nome Portugal e nada sabem sobre o nosso sistema democrático. O tradutor jurídico da embaixada da China até traduziu os termos “pena suspensa” por morte por enforcamento.

A CIMPOR foi a maior empresa que alguma vez existiu em Portugal e, como tal, também na altura a única multinacional portuguesa com fábricas e centrais de betão em Portugal, Espanha, Marrocos, Tunísia, Turquia, Índia, China, Perú, Brasil, Argentina e Paraguai., Angola e Moçambique.

Na altura a CIMPOR estava parcialmente privatizada, mas um parte do capital estava nas mãos da CGD como proprietária ou detentora de penhor em ações por parte da Investifino. Também o Fundo de Pensões do BCP possuía uma parte do capital da CIMPOR e muitos pequenos acionistas.

Foi pois um CRIME praticado pelo Governo do PSD/CDS sem que o Estado tivesse angariado uma verba apreciável que foi mantida em segredo.

Provavelmente por razões criminosas, Passos e Portas forçaram a CGD a vender a sua parte no capital da gigantesca CIMPOR por quase nada, já que houve apenas uma única Oferta Pública de Aquisição sem que Gaspar ou Albuquerque se tivessem esforçado para saber se havia mais concorrentes à compra e se valia a pena em termos financeiros e contabilísticos.

Os ativos estrangeiros eram de grande valor no capital da CIMPOR. Geralmente sempre que há uma OPA, os acionistas não aceitam à primeira, recusam uma e várias vezes até se atingir um valor por ação tido como aceitável.

No caso da PT no Brasil, os magistrados viram corrupção nas recusas de venda de parte da PT, na empresa brasileira de telefones, aos espanhóis até se atingir um valor tão alto que era tido como irrecusável.. Claro, os magistrados não são gestores e nem devem ler jornais económicos.

Muitas das dívidas da CIMPOR poderiam ser pagas com a venda de alguns dos seus ativos no estrangeiro que nem 10% do total ultrapassariam.

Nunca o Ministério Público resolveu investigar se não houve corrupção nas vendas ao desbarato feitas pelo governo de Passos/Portas/Cristas, tanto para a CIMPOR como para as muitas empresas estratégicas nacionais alienadas por quase nada e que contribuíram para a queda das receitas da CGD e do Estado português. Quem teve e tem do seu lado procuradores e juízes, eventualmente corruptos nas suas diversas modalidades ou apenas estúpidos, pode roubar à vontade.

Não é anunciado qualquer valor para a operação. De acordo com a Reuters, a operação resultará num encaixe de 700 milhões de euros para o grupo vendedor.

Cimpor foi comprada em 2012 pela InterCement. A InterCement, que pertence ao grupo Camargo Corrêa, passou a controlar a Cimpor em 2012, quando lançou uma oferta pública de aquisição sobre a cimenteira portuguesa, comprando as posições que estavam então dispersas pela Votorantim, Caixa Geral de Depósitos, o fundo de pensões do BCP e a Investifino, do empresário Manuel Fino e por pequenos investidores.

Em Portugal, a Cimpor conta atualmente com três fábricas, duas moagens e uma capacidade de produção de 9,1 milhões de toneladas de cimento.

O volume de negócios da Cimpor em Portugal foi de 258 milhões de euros em 2017, um crescimento de 3,1% em relação ao ano anterior. Em Cabo Verde, que integra a mesma unidade de negócios, o volume criado foi de 30 milhões, uma quebra homóloga de 7,6%.

A unidade de negócio que junta os dois mercados – que é aquela que foi vendida – gerou um resultado operacional (EBITDA – resultados antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de 47,4 milhões de euros, o que significou um crescimento de 27,7% em relação a 2016.

Não esquecer que o PSD lutou contra a queima de resíduos petrolíferos na CIMPOR, quando o seu material de queima foi sempre uma espécie de pesado que é o que fica nas refinarias depois do brent ser refinado para a produção de gasolina, gasóleo e lubrificantes, tornando a CIMPOR menos válida.

AGORA QUE SOUBERAM DEU-LHES PARA CHORAR

(In Blog O Jumento, 17/10/2018)

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Três imbecis chorando de riso  que agora devem estar a chorar de gosto

Estávamos em Dezembro de 2015, para ser mais preciso era dia dois, uma quinta-feira. Mário Centeno, um ministro sem qualquer experiência política anterior, um doutorado em Harvard com uma longa carreira no Banco de Portugal, ia falar pela primeira vez na Assembleia da República. Um pobre diabo, hoje promovido a catedrático, que fez uma vida à custa da política e de um emprego dado por um padrinho político montou a encenação do rir até às lágrimas.

Tudo bem montado, vale a pena reler a notícia do Expresso (ver aqui) para vermos como alguns inúteis se fartaram de rir até às lágrimas, pensado estarem a gozar com um pacóvio sem experiência nas pulhices das jotas. Imagino que esses mesmos andem agora a chorar pelos campos pois se vivessem em Las Vegas estariam a esta hora a fazer queixas do Mário Centeno. Não sabiam na altura que o choro do riso iria dar num choro de vontade, como dizia a minha mãe quando achava que eu estava a fazer uma encenação.

O diabo não veio e o país teve quatro anos de estabilidade política, financeira e social, quatro anos sem o credo na boca, sem ter de aturar o Vítor Gaspar e fazer de conta que a Maria Luís era uma grande economista.

Aquele de quem riram foi um dos poucos ministros das Finanças que aguentaram uma legislatura, foi o ministro das Finanças português com maior projeção internacional, foi o único economista português a liderar uma grande instituição internacional no domínio económico e escolhido pelos seus pares pelo mérito político e económico.

Mas, a esquerda portuguesa deve a Mário Centeno uma outra vitória moral bem importante: ao logo de mais de um século a direita portuguesa fez passar a ideia de que só a direita consegue equilibrar as contas públicas e que tal só é possível com algum autoritarismo. Não admira que alguns ministros das Finanças da direita tenham adotado uma “cara de pau”, sempre a imitar Salazar no elogio das origens humildes, como se a humildade ajudasse a credibilizar os tiques do autoritarismo.

Afinal é possível equilibrar o orçamento sem ser necessários recorrer à ditadura ou ao autoritarismo, sem adotar medidas inconstitucionais ou, como alguém sugeriu, sem suspender a democracia durante um par de meses. É possível fazê-lo e ao mesmo tempo promover a justiça social, implementar medidas de redistribuição do rendimento e em paz social. Não há memória de um OE sem ditadura ou sem conflitos sociais e este é um legado de Centeno. É possível governar à esquerda e promover uma gestão orçamental com mais responsabilidade e competência do que a direita.


Fonte aqui

AMORES

(Virgínia da Silva Veiga, 27/09/2018)

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Ver Cavaco, apoplético, a cuspir perdigotos sobre Marcelo, e Passos, ressuscitado, tiraria qualquer dúvida sobre Joana Marques Vidal dever ou não ser substituída.

Nunca ninguém deu tantas certezas de haver em Portugal uma política na PGR como estes dois.

Não conheço Joana Marques Vidal e, se repararam bem, o que me fez pronunciar contra a renovação do mandato, para lá da concordância com a limitação a seis anos, foi o que fui dizendo e o mais que hoje acrescento: envergonhou a Justiça.

Não apenas na Procuradoria como na Magistratura Judicial ao fazer crer a muitos portugueses que ninguém tem bom senso, não cumpre prazos, e persegue mais do que julga. 

Joana transformou as caras do Correio da Manhã e da SIC na face da nossa Justiça. Sobrepôs órgãos de comunicação social aos Juízes, pior que isso, a torto e a … torto, fez emitir comunicados da PGR, ora inoportunos e persecutórios, ora sem qualificação possível como o que emitiu sobre o caso da Procuradora cujas senhas permitiram centenas de acesso ao Citius. 

Joana não serve a Justiça, acicata ódios, muda regras. Só por isso não gosto dela. 

Nunca alinhei nessa hipótese de ser uma escolha política pró PSD ou CDS como muitos escreveram nas redes sociais. Nunca me viram um “gosto” em tais publicações, menos me viram defender tais ideias.

Achei sempre tratar-se de – vou falar francamente – ligeireza, por vezes a raiar a imbecilidade. Dela, evidentemente.

Têm razão. Tinham razão. Ainda bem que foi substituída.

Cavaco e Passos vieram a lume odres de ódio e é bom que se pergunte porquê, porque têm tanto medo de que outra pessoa ocupe aquele lugar.

Depois de ler Coelho e ouvir Cavaco, vendo-os num agradecimento público que só fortes ligações e profundas paixões alimentam, sou obrigada a dar razão a quem assim entendia: Joana não se limitou a fomentar ódios, também cultivou amores.

Os meus? Só um. A Justiça. Sempre.