VOLTA DIABO, ESTÁS PERDOADO

(In blog, O Jumento, 17/12/2018)

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Durante algum tempo a extrema-direita fina apostou tudo na vinda do diabo, Passos Coelho meteu na sua grande e brilhante cabecinha que o mafarrico vinha em setembro de 2016 e os seus crentes andaram um ano em regime de sabática política, convencidos de que voltariam aos gabinetes governamentais em finais desse ano, para depois pedirem mais um resgate que lhes permitiria governar mais uma legislatura sem respeitar regras.

O mafarrico não veio e durante muitos meses ficaram convencidos que de era uma questão de tempo. Para se entreterem enquanto o dito não aparecia foram-se entretendo com incêndios ou, na falta de melhor, com o Metro de Lisboa. O disparate chegou ao ponto de a Assunção Cristas propor que Lisboa tivesse mais estações de Metro do que paragens de elétricos.

Mas o mafarrico não apareceu. O Passos Coelho percebeu que o melhor seria procurar emprego porque para esperar pelo regresso ao governo o melhor seria ter onde se sentar, logo alguém achou que o seu brilhantismo intelectual não merecia menos do que uma cátedra e o pobre homem lá foi dar cabo da credibilidade académica do currículo dos alunos do ISCSP.

Sem diabo a alternativa acabou por ser ficarem com o diabo no corpo e apareceu então a destingida bastonária dos Enfermeiros, rapariga próxima do agora catedrático, Começou com greves por tudo e por nada, mas como tanta greve estava a ir ao bolso dos enfermeiros teve uma brilhante ideia: porque não uma greve paga que matasse dois coelhos, (o catedrático do ISCSP e o deputado do PAN que me perdoem), com uma cajadada? Dá-se cabo do SNS e mandam-se centenas de clientes para os privados ao mesmo tempo que os enfermeiros das cirurgias metem férias pagas generosamente por gente anónima!

Tem sido um regabofe. Os enfermeiros fazem greve, os juízes vão pelo mesmo caminho e agora é o Marta Soares, que depois de ter traído o seu amigo Bruno de Carvalho aparece a exigir o apuramento de responsabilidades políticas num acidente com que nada tem que ver. Pelo meio ainda houve um assalto a um paiol que até deu direito a um memorando sobre o mesmo, devidamente enviado por gentis militares.

Durão Barroso chegou ao poder ajudado pela queda de uma ponte. Passos Coelho foi ajudado por uma crise financeira. O PSD parece estar a ficar viciado em empurrões para chegar ao poder.


Fonte aqui

Os partidos não têm atestado de eternidade

(José Pacheco Pereira, in Sábado, 25/11/2018)

JPP

Pacheco Pereira

(O bisturi do Pacheco disseca o corpo do PSD sem dó nem piedade, e ele sabe bem do que fala. Só não se entende muito bem a razão porque não bateu com a porta tendo em conta a quantidade de tecidos gangrenados que, segundo ele diz, se foram acumulando nas vísceras do animal,  desde os tempos do Cavaco até ao enterro do Passos.

Comentário da Estátua, 25/11/2018)


Disse esta frase do título há mais de duas décadas exactamente sobre o PSD e exactamente sobre o mesmo tipo de crise estrutural que atinge o partido e cujos sinais já eram evidentes há muito tempo. Ninguém quer saber disso para nada, desde que a sua posição no interior do partido e o poder que permite aceder a lugares como os de deputados, não sejam atingidos. Nem, em bom rigor, lhes importava muito saber se o partido ganhava ou perdia uma luta eleitoral, desde que o pequeno círculo dos seus poderes e dos seus lugares não fosse afectado. Este é aliás um dos sinais mais importantes da crise estrutural do partido, distinguindo aqui este tipo de crise lenta mas mortífera de crises conjunturais que existiram mas passaram. 

Este é um aspecto que enfurece os actuais críticos de Rio: a afirmação de que há uma crise estrutural do PSD já antiga, que vinha de antes, pelo menos desde o fim do “cavaquismo” do primeiro-ministro. Não lhes convém para o combate político de hoje, e também não lhes convém para se não perceber o papel que tiveram nessa crise, em particular nos anos do “ajustamento”. 

O partido doente que foi deixado a Rio
O partido que deixaram a Rui Rio, ou melhor, que Rui Rio lhes arrancou da mão, já estava gravemente doente e não é nas sondagens que isso se mede, mas na deterioração do seu papel na sociedade portuguesa, em particular a degenerescência ideológica, na desertificação de quadros, no crescente papel de organizações como a maçonaria, e na perda de influência nos sectores mais decisivos da sociedade, nas profissões liberais, nos quadros, nos sindicatos, no mundo da cultura, na universidade, na juventude. 

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É um erro pensar que a crise do PSD é negada pelos bons resultados eleitorais. Em várias circunstâncias, o PSD teve bons resultados eleitorais e nem por isso deixou de estar em crise interiormente e, nalguns casos, ainda pior, os bons resultados contribuíram para esconder a crise, que migrou das urnas para a governação, com governos de má qualidade e sucessivos casos de corrupção, perante os quais começou a haver uma grande complacência. 

A honra da boa governação foi substituída pelo desprestígio governativo, entre outras coisas porque a margem para as escolhas foi diminuindo, e os lóbis internos reforçados. Os estragos feitos à imagem do PSD por Duarte Lima, Dias Loureiro, Arlindo de Carvalho, Miguel Relvas, Luís Filipe Menezes, uns condenados pela justiça, outros pelo que entretanto se soube de eticamente inaceitável, foi tanto mais grave quanto o partido nunca verdadeiramente se demarcou deles. Como o PS com Sócrates. E isso é outro sinal de crise. 

O sucesso eleitoral ajudou a enganar a crise
O enganador sucesso eleitoral acabou por bloquear as reformas de que o partido precisava, que se foram tornando cada vez mais urgentes e que são hoje quase impossíveis, se não mesmo impossíveis. Houve nestas últimas três décadas apenas uma tentativa séria de contrariar a crise estrutural do PSD na liderança de Marcelo Rebelo de Sousa, mas falhou. Alguns dos nomes acima tiveram um papel decisivo para que falhasse. 

A crise actual iniciou-se com Cavaco Silva e conheceu vários momentos de agravamento. Podemos admitir que houve crises anteriores, mas a que vivemos hoje tem características estruturais desde essa altura, e não mudou qualitativamente. Começou pela separação crescente entre o partido e a governação, uma resposta populista que valorizava o recrutamento de tecnocratas, alguns sem experiência política, outros que tinham alguma intuição política para se distanciar da tecnocracia, mas que faziam a sua aprendizagem “andando”, nem sempre com bons resultados. 

Começou-se a substituir os órgãos eleitos do partido por think tanks e “grupos estratégicos” de confiança pessoal do líder e o partido foi deixado à sua máquina interior e esta começou, como todas as burocracias, a funcionar segundo a Lei de Parkinson. As carreiras partidárias para os lugares menores passavam a ser dependentes exclusivamente do poder interno de dirigentes partidários que se preocupavam muito mais por manter a sua influência e os seus sindicatos de voto, do que em alargar para fora a influência do PSD e em dar-lhe um papel qualitativo no debate público. 

Criou-se uma oligarquia que se enquistou no aparelho, fechou o partido à renovação e tornou -o mais aberto a jogos de tráfico de influência e corrupção. Um dos problemas actuais, para qualquer liderança, é encontrar na área partidária gente capaz e livre no meio do deserto, ou ultrapassar essa escassez trazendo gente nova para um partido que está muito desprestigiado e que cercará todos os que venham “de fora”. 

A deriva do PSD de Passos para fora da social -democracia
A ambiguidade ideológica da sua génese – muito menor do que parece, mas real – conseguiu durante os anos de Sá Carneiro e de Cavaco Silva uma síntese sui generis que mantinha o PSD como um partido de “bases”, populista, mais anticomunista do que anti-socialista, e com uma consciência clara das suas fronteiras ideológicas. Nos anos da troika, em particular desde o fim de 2011, a deriva ideológica do PSD afastou-o da sua matriz social -democrata, virando muito à direita e abandonando o papel tradicional de grande partido reformista, entre o centro -direita e o centro -esquerda. 

Os lamentos que se ouvem todos os dias vindos da nossa direita mais radical, com nostalgia do PSD de Passos e atacando Rio, são compreensíveis. Tiveram a oportunidade única na história portuguesa pós -1974 de terem um partido e uma frente de direita que tinha os votos necessários para governar, e depois ficaram com a função e sem o instrumento. E eles sabem que nem o CDS, nem a Aliança servem, embora ajudem no seu papel essencial de erodir o PSD. 

Os ataques virulentos a Rio, com ajuda dos recrutamentos neoliberais do tempo de Passos e do temor do aparelho de perder lugares, a começar pelos de deputados, revelam essa quase raiva de terem tido pela primeira vez uma grande frente de direita no governo e a terem perdido. Acresce que a mudança qualitativa do aparecimento da geringonça tornou mais difícil o acesso à governação sem maioria absoluta. 

(Coninua)

CIMPOR – UM CRIME

(Dieter Dellinger, 08/11/2018)

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O jornalista especializado em economia da ANTENA 1 disse que a privatização total da CIMPOR em 2012 feita sob a direção da então secretária de Estado Maria Luís Albuquerque foi um CRIME contra a Nação e que a drª Albuquerque disse que era o melhor possível para o País.

Isto, a propósito da venda dos ativos em Portugal ao fundo de pensões turco OYAK, sob controlo estatal, pelos brasileiros a quem a Maria Luís alienou esse bem pátrio para sempre. É pois um ativo estratégico português vendido ao terceiro mundo e a empresas dependentes de estados estrangeiros geralmente não democráticos. Os turcos tal como os chineses nem deviam saber que existe um país de nome Portugal e nada sabem sobre o nosso sistema democrático. O tradutor jurídico da embaixada da China até traduziu os termos “pena suspensa” por morte por enforcamento.

A CIMPOR foi a maior empresa que alguma vez existiu em Portugal e, como tal, também na altura a única multinacional portuguesa com fábricas e centrais de betão em Portugal, Espanha, Marrocos, Tunísia, Turquia, Índia, China, Perú, Brasil, Argentina e Paraguai., Angola e Moçambique.

Na altura a CIMPOR estava parcialmente privatizada, mas um parte do capital estava nas mãos da CGD como proprietária ou detentora de penhor em ações por parte da Investifino. Também o Fundo de Pensões do BCP possuía uma parte do capital da CIMPOR e muitos pequenos acionistas.

Foi pois um CRIME praticado pelo Governo do PSD/CDS sem que o Estado tivesse angariado uma verba apreciável que foi mantida em segredo.

Provavelmente por razões criminosas, Passos e Portas forçaram a CGD a vender a sua parte no capital da gigantesca CIMPOR por quase nada, já que houve apenas uma única Oferta Pública de Aquisição sem que Gaspar ou Albuquerque se tivessem esforçado para saber se havia mais concorrentes à compra e se valia a pena em termos financeiros e contabilísticos.

Os ativos estrangeiros eram de grande valor no capital da CIMPOR. Geralmente sempre que há uma OPA, os acionistas não aceitam à primeira, recusam uma e várias vezes até se atingir um valor por ação tido como aceitável.

No caso da PT no Brasil, os magistrados viram corrupção nas recusas de venda de parte da PT, na empresa brasileira de telefones, aos espanhóis até se atingir um valor tão alto que era tido como irrecusável.. Claro, os magistrados não são gestores e nem devem ler jornais económicos.

Muitas das dívidas da CIMPOR poderiam ser pagas com a venda de alguns dos seus ativos no estrangeiro que nem 10% do total ultrapassariam.

Nunca o Ministério Público resolveu investigar se não houve corrupção nas vendas ao desbarato feitas pelo governo de Passos/Portas/Cristas, tanto para a CIMPOR como para as muitas empresas estratégicas nacionais alienadas por quase nada e que contribuíram para a queda das receitas da CGD e do Estado português. Quem teve e tem do seu lado procuradores e juízes, eventualmente corruptos nas suas diversas modalidades ou apenas estúpidos, pode roubar à vontade.

Não é anunciado qualquer valor para a operação. De acordo com a Reuters, a operação resultará num encaixe de 700 milhões de euros para o grupo vendedor.

Cimpor foi comprada em 2012 pela InterCement. A InterCement, que pertence ao grupo Camargo Corrêa, passou a controlar a Cimpor em 2012, quando lançou uma oferta pública de aquisição sobre a cimenteira portuguesa, comprando as posições que estavam então dispersas pela Votorantim, Caixa Geral de Depósitos, o fundo de pensões do BCP e a Investifino, do empresário Manuel Fino e por pequenos investidores.

Em Portugal, a Cimpor conta atualmente com três fábricas, duas moagens e uma capacidade de produção de 9,1 milhões de toneladas de cimento.

O volume de negócios da Cimpor em Portugal foi de 258 milhões de euros em 2017, um crescimento de 3,1% em relação ao ano anterior. Em Cabo Verde, que integra a mesma unidade de negócios, o volume criado foi de 30 milhões, uma quebra homóloga de 7,6%.

A unidade de negócio que junta os dois mercados – que é aquela que foi vendida – gerou um resultado operacional (EBITDA – resultados antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de 47,4 milhões de euros, o que significou um crescimento de 27,7% em relação a 2016.

Não esquecer que o PSD lutou contra a queima de resíduos petrolíferos na CIMPOR, quando o seu material de queima foi sempre uma espécie de pesado que é o que fica nas refinarias depois do brent ser refinado para a produção de gasolina, gasóleo e lubrificantes, tornando a CIMPOR menos válida.