Marcelo e Trump

(José Pacheco Pereira, in Público, 02/09/2017)

 

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A mera junção destes dois nomes parece insultuosa, tanto mais que são duas personagens muito distintas e que detestariam em se verem reunidos num mesmo título. Na verdade, Marcelo tem pouco a ver com Trump e vice-versa. Marcelo é um político sofisticado, culto, elegante, educado, honesto e Trump é uma personagem grosseira, ignorante, brutal, corrupta e corruptora e ameaçadora. Acima de tudo, Marcelo é um político democrata e Trump é um autocrata, a diferença mais substancial. Porém há uma coisa que têm em comum: é o facto de ambos terem chegado ao poder através de uma contínua utilização do sistema mediático moderno, com criatividade e intuição, moldando o universo dos media aos seus interesses pessoais e políticos. E aqui pode-se fazer uma comparação entre ambos, e percebendo-os, perceber algumas das características da política em democracia, em particular a sua ligação/sujeição aos mecanismos mediáticos.

Trump e Marcelo são políticos muito intuitivos e inventivos e perceberam como é possível usar os media modernos, do jornalismo às “redes sociais” que não são jornalismo. O caso de Marcelo é exemplar no jornalismo e na comunicação pós-.25 de Abril. À data do 25 de Abril não havia qualquer experiência de jornalismo em democracia, pesem embora os esforços de várias gerações de jornalistas, em particular a gerada nos anos sessenta, para oferecerem uma alternativa quer ao proselitismo dos propagandistas do Estado Novo, quer ao silêncio demasiado longo da Censura. Mas isso não é uma plena experiência de jornalismo em democracia, o que explica que na euforia da liberdade, a maioria destes jornalistas, que vinha da oposição política e estudantil, gerassem um jornalismo militante de esquerda, que acompanhou os ciclos políticos do PREC até à “normalização” democrática. Com uma excepção, o Expresso com Marcelo Rebelo de Sousa.

No Expresso, Marcelo inicia uma escola de jornalismo que foi a primeira típica da nossa democracia, e que veio mais tarde a trazer para a rádio e para a televisão. Ele foi o mestre, mas os seus discípulos ainda hoje usam a “gramática” e o “léxico” do estilo de jornalismo que ele criou. Usam a forma de pensar de Marcelo e o seu vocabulário, naquilo a que chamam “jornalismo político”, mas estão muito longe da mestria de Marcelo. Os artigos de opinião, as perguntas em entrevistas, a lógica dos títulos, a enunciação dos “problemas”, os “destaques”, toda a mecânica interpretativa nasce daí, embora se se fosse a verificar a pertinência das questões da “agenda”, e os resultados de alguns vaticínios veríamos que praticamente nada acerta, ou tem utilidade analiticamente.

É um jornalismo discursivo e narrativo, pouco metafórico (aí o Independente bate todos), bastante a-histórico e onde não cabem surpresas. Inclui algum psicologismo na interpretação das personagens, mas muito superficial e muito dominado por uma lógica lúdica de intriga e mexerico, que davam ao “produto” uma lógica popular de entretenimento.

Que estilo deixou Marcelo nos media, que depois lhe criou o caminho aberto para a presidência com a complacência e a cumplicidade de muitos dos jornalistas que ele tinha “formado” ou “enformado”? Baseava-se em várias coisas: uma obsessão com o calendário e a utilização do calendário – prazos, contextos temporais, etc.- para cenarização da vida política. Os cenários eram possibilidades hipotéticas de acção por parte de personagens da vida política, umas vezes baseados em truísmos, outros em provocações, destinadas a obter respostas dos provocados e a introduzir “picante” na vida política. Neste tipo de jornalismo, uma espécie primitiva de “fake news”, os chamados “factos políticos” criados por Marcelo tinham um papel.

Com a crescente simbiose discursiva dos políticos em democracia com esta forma de mediatização, passava a haver um contínuo entrelaçado entre os cenários e as personagens que supostamente eram os seus actores. Este efeito de teatralização da vida política ainda hoje é dominante, com a sua excessiva atenção á coreografia e desprezo pela substância. O conteúdo das políticas foi subsumido pela maneira como eram “comunicadas”, os célebres “erros de comunicação”, um aspecto muito comum nos comentários de Marcelo, como aliás nos de Marques Mendes, particularmente quando eles próprios concordavam com as políticas de fundo, mas não o queriam dizer.

Porque é que este longo tirocínio comunicacional abriu a Marcelo o caminho da Presidência, que a sua própria actividade política não abriu? Primeiro, a longa exposição mediática é de um modo geral uma vantagem para quem tem que fazer um comentário. Não precisa de perder tempo com preliminares, visto que o seu público conhece-o muito bem, e de um modo geral sabe o que ele pensa. Pode não saber como ele o vai dizer, a intensidade de uma crítica ou até de uma desculpa, mas não há muitas surpresas. Contrariamente ao que os media valorizam, – a novidade, – esta só é relevante quando o produto “velho” é mau e o novo muito bom, o que raras vezes acontece.

O resultado desta longa exposição é uma espécie de intimidade, o “homem está lá em casa todas as semanas”, tornou-se um hábito que gera um núcleo fiel de leitores, mesmo críticos, e Marcelo foi capaz como ninguém de criar essa intimidade que se manifestava inclusive nas formas de tratamento entre o próximo e o deferencial.

Por outro lado, havia um aspecto nos comentários de Marcelo que exercia uma função cívica: explicava procedimentos, processos, comparações que davam ao seu público uma pedagogia da democracia, que é um dos aspectos mais positivos do bom comentário político. Mas Marcelo ia mais longe, ao apresentar-se com a persona do “professor” dando notas, um mecanismo adoptado por toda a comunicação social nas setas do sobe e desce, valorizava o classificador reduzindo o classificado ao papel de aluno. Na verdade, poucas coisas eram mais absurdas do que ver Marcelo a classificar com notas Cavaco ou Clinton, mas o facto de nós não vermos essa absurdidade, remete para o seu poder mediático. A verdadeira subversão seria classificar o próprio Marcelo, como aliás analisar os seus comentários com uma fact checking que eles muitas vezes falhavam, por exemplo em política internacional.

Estes são alguns dos aspectos da “escola de Marcelo” A ela se soma, depois do 25 de Abril, dois momentos de alternativa, todos anti-Marcelo, também com algum sucesso, um a escola do Independente de Portas e Miguel Esteves Cardoso, outra a linha da Alt-rightportuguesa que começou nos blogues de direita e que desembocou no Observador.

Fora destes três momentos, o resto são cópias e imitações, embora haja alguma capilaridade entre estas experiências, quer com a imprensa tablóide, quer com a de referência, umas vezes no noticiário, outras vezes no jornalismo cultural, ou no comentário desportivo. Falo essencialmente da imprensa escrita, mas é possível também passar para a rádio e para a televisão, embora ai outras personagens como Emídio Rangel ou José Eduardo Moniz, tenham deixado marcas.

Em seguida, veremos como a sociedade e o eleitorado pode hoje ser manipulado, é esta a palavra certa, pela capacidade mediática de personagens como Marcelo e Trump.

O meu cepticismo

(José Pacheco Pereira, in Sábado, 16/09/2016)

Autor

                 Pacheco Pereira

Num debate recente afirmei a minha convicção de que a “geringonça” não ia durar muito. Só não fiquei no “clube da catástrofe” liderado por Passos Coelho porque ele deseja ardentemente que ela não dure, e eu penso que é positivo que dure, mas não tenho muita esperança. Um assistente ao debate perguntou-me: “Porque é que diz isso?”. E eu respondi: “Não é por desavenças interiores, é por causa da Europa.”

O que é que significa esse “por causa da Europa”? Aquilo a que hoje se chamam “regras europeias”, que não são nem regras, nem europeias, é uma receita para a estagnação económica, acompanhada pelo aumento das desigualdades e pela destruição da mobilidade social. Ou seja, a conjugação do Tratado Orçamental – que convém dizê-lo não é um Tratado “europeu”, mas apenas de uma parte de países europeus – com a condução do Eurogrupo e as posições de vários comissários europeus impedem o governo PS de tomar medidas que permitam, em termos significativos, fazer o País crescer.

Não é de agora, já vem de antes porque sabemos hoje que a manipulação dos números do governo PSD -CDS era grande, e nenhum dos objectivos principais tinha sido conseguido. Nem o défice, nem a dívida, nem a resolução do mais grave problema da economia portuguesa, o sector financeiro. Só que agora o governo fica entalado por dois lados, nem pode prosseguir a sua política, de reposição de rendimentos e aumento do consumo interno, não pode fazer investimentos a partir do Estado para “puxar” a economia (sim, não é um crime, é uma opção política e económica), nem pode satisfazer os “falcões” do “ajustamento” que estão no Ministério das Finanças alemão, no Eurogrupo, e na Comissão.

Sim, é verdade que o governo parece estar a controlar o défice, mas fá-lo com medidas que ajudam a deprimir a economia, quer por acção quer por omissão. Uma das maiores tretas que diz a oposição é falar num “modelo económico do PS”. Não há nenhum “modelo económico do PS” e, se houver, não se percebem as críticas porque é estranhamente parecido com o do PSD-CDS. A grande diferença vem de que o PS e os seus aliados querem mudar o alvo da austeridade, mas com enormes dificuldades.

O meu cepticismo vem de que, a uma determinada altura, as vozes europeias vão colocar o Governo perante opções que não são comportáveis com o acordo que lhe dá maioria na Assembleia. Quem as impõe sabe disso e isso é um incentivo a propô-las. O que se passará depois, não sei. Mas sei que convinha pensá -lo e prepará-lo, porque não é sempre possível passar pelos pingos da chuva. E vai chover muito.


José Rodrigues, o homem que não parava de desenhar
Fui amigo de José Rodrigues, escrevi sobre ele quando, in illo tempore, fazia crítica de arte (imaginem!), viajei com ele, “vivi” quase quotidianamente à sua volta durante um par de anos, ele fez-me vários retratos e dele possuo dezenas de pequenos desenhos e vários quadros de diferentes períodos. E correspondência, feita de gatafunhos, porque escrever não era o seu forte. Podia ter uma escultura, mas na altura não sabia onde a pôr e fiquei sem ela. Tenho pena, mas os tempos eram atribulados.

Mas o José Rodrigues é-me inesquecível porque fazia parte daquele pequeno grupo de pessoas que têm uma arte inscrita na cabeça, na voz, ou nas mãos, que o fazia compulsivamente desenhar com tudo o que tinha à mão ou ao dedo. Desenhava nos guardanapos de papel, nas toalhas, no verso de envelopes ou programas, nas margens de um jornal, mas desenhava sempre. Usava a caneta, qualquer caneta, e molhava o dedo nos restos do café para sombrear o que desenhava. Sem parar. O outro caso que conheci, esse com as palavras, era o Vasco Graça Moura.

O José Rodrigues, o mestre, uma velha palavra cada vez mais em desuso, também porque não há mestres, era intitulado de “escultor”. Esculpiu muitas peças, fez medalhas, e várias obras suas fazem parte da iconografia da cidade do Porto. Mas o desenhador foi sempre, para mim, o que era o José Rodrigues. Bastava estar com ele, para ver uma mente que se manifestava sem parar nas mãos e que moldava o material à sua vontade com uma imaginação física, essa sim afim da escultura.

Tinha uma cultura de autodidacta, sem teorias nem complicações, muito menos com “conceitos” e “projectos”, e contrastava nos Quatro Vintes com o Ângelo de Sousa que era o mais intelectual de todos. O Armando Alves e o Jorge Pinheiro ficavam no meio da escala. Mas, o José Rodrigues, quando via algo que lhe agradava artisticamente, mudava de um dia para o outro de estilo, passava da sua enorme capacidade para desenhar em termos figurativos, para experiências de abstracção completamente distintas. Funcionava por osmose, também porque não tinha muitos preconceitos em intelectualizar o que fazia.

Da última vez que o encontrei já estava bastante doente, alquebrado, mas mantinha ainda os traços de um velho sátiro, que nunca olhava para ninguém, principalmente para as mulheres, com inocência. Gostava dele, sabia do seu valor, vai fazer falta.

A (dis)função presidencial

(José Pacheco Pereira, in Público, 03/09/2016)

Autor

              Pacheco Pereira

Criticar alguém que se encontra no topo da popularidade não é fácil. O Presidente da República bate hoje todos os recordes de popularidade, beneficiando quer de qualidades que lhe são próprias, quer do contraste com o Presidente anterior, quer da actual conjuntura política, em que ele aparece como um moderador amável, cujas intenções explícitas parecem a todos benévolas. Sendo assim tudo parece desculpável.

Acresce que esse Presidente é Marcelo Rebelo de Sousa, com todos os defeitos e virtudes que se lhe conhecem. Nesta mesma semana, na abertura do ano judicial, fez um dos melhores discursos produzidos a partir de um lugar de poder que se ouviram nos últimos anos em Portugal. Fez teoria e prática e produziu um discurso muito acima do que é habitual, pela qualidade, e ancorado quer nos seus conhecimentos, quer também no melhor da sua sensibilidade. Foi uma coisa que há muito não se ouvia, o discurso de um presidente de formação social-democrata, que não a renega, mas que a aplica numa matéria muito sensível.

Se, também por isso, é difícil criticar Marcelo, a verdade é que ele está a criar um enorme problema para si, para o Governo, para o funcionamento normal do sistema político-constitucional. Há quem o desculpe dizendo que é uma questão de estilo, mas lamento dizer que me parece um problema de fundo, de conteúdo, que o estilo agrava, em vez de moderar. Não cometo a injustiça de dizer que em Marcelo o estilo é o conteúdo, porque sei que no fundo permanece algo que explica o discurso do ano judicial, mas também o Marcelo inovador da comunicação social, para o bem e para o mal, e um táctico capaz de estratégia, nem sempre mas às vezes, e com uma mistura de uma sensibilidade oportunista com um sentimento genuíno.

Compreendo muito bem a estratégia não enunciada que está por trás da acção presidencial: Marcelo aceita a “geringonça”, mas pensa que ela é inerentemente instável, nem que seja pela Europa, e quer ter uma solução alternativa. Essa solução, que claramente prefere, é uma aliança entre PS e PSD. Ele sabe que ela hoje não é possível, não tanto por causa de Costa, mas por causa de Passos Coelho. Por isso, aponta para uma possível saída de Passos depois de um mau resultado autárquico, e daí o prazo que definiu para umas hipotéticas eleições, que foi erradamente interpretado como sendo para o Governo PS, quando o é para Passos. Marcelo sabe que Costa se pode entender bem com outro líder do PSD, Rio por exemplo, mas não com Passos. Há muita coisa que pode correr mal nesta estratégia, mas ela tem sentido e é legítimo que o Presidente a tenha, dentro dos limites da sua actuação e dos poderes presidenciais. Mas não é isso que me preocupa hoje na acção do Presidente.

O que se passa é que o Presidente está a falar demais. A falar demais, a falar demais em todos os sentidos, a falar do que não deve, e a falar onde não deve. E o efeito é muito pernicioso, em primeiro lugar, para si, visto que banaliza a sua palavra, e, sendo hoje tacticamente bom para o Governo, a prazo será mau e, em segundo lugar, é muitas vezes um abuso dos seus próprios poderes no limite da inconstitucionalidade ainda verbal e virtual, mas, mesmo assim, tratando-se da palavra do Presidente, ela terá consequências disfuncionais. Somamos a isso um estilo demasiado exposto e exibicionista, embora reconheça que aqui as sensibilidades e o bom gosto são muito subjectivos. Mas o Presidente vai precisar de alguma gravitas, porque vai ter de tomar decisões difíceis, visto que até agora tudo é um mero aperitivo, um amuse-gueule. Ora nessa altura as selfies não lhe vão servir de nada, e se servirem será pior ainda, porque a popularidade pode tornar-se um populismo.

O Presidente fez já sobre todas as matérias da agenda trivial, gastronómica, festiva, cultural, social, económica, política centenas de declarações, muitas centenas de declarações opinativas, do futebol à Caixa Geral de Depósitos, faz declarações formais sempre que sai uma estatística, interpretando-a, produz um metadiscurso de comentário sobre tudo e mais alguma coisa. Alguém me explica por que razão é que o Presidente tem de se pronunciar sobre o espancamento de um jovem feito por outros jovens com imunidade diplomática, matéria que está no âmbito da Justiça? Ele pode dizer que se pronuncia sobre todas as matérias que provocam “alarme público”, mas o Presidente não é o Correio da Manhã e não se perceberá então que não comente casos como a operação Marquês. E alguém me explica por que razão, tendo o Presidente encontros regulares com o primeiro-ministro, antes dessas reuniões se pronuncia em público sobre matérias que deviam permanecer na reserva do Estado? Até agora corre tudo bem porque Costa é para o lado em que dorme melhor, suporta bem o epíteto do “optimista irritante”, coloca-o a seguir debaixo do seu guarda-chuva e uma imagem vale mais do que mil palavras. Mas não vai ser assim um dia em que Marcelo diga que vai estar vigilante no Inverno para saber o que é que o Governo vai fazer sobre os incêndios — uma matéria de exclusiva responsabilidade governamental terá como resposta que não é preciso o senhor Presidente estar preocupado, porque o Governo sabe muito bem o que deve e o que pode fazer.

No mês de Agosto, o apogeu da silly season, o Presidente ocupou todo o espaço mediático, das televisões às revistas cor-de-rosa, pronunciando-se muitas vezes de forma pouco responsável sobre matérias como a Caixa Geral de Depósitos, mas também teve silêncios, que, tratando-se de Marcelo Rebelo de Sousa, são silêncios que gritam altíssimo: não se pronunciou, por exemplo, sobre comportamentos do fisco que violam a Constituição portuguesa, como denunciou a Comissão Nacional de Protecção de Dados, que, nesta matéria, não é tida nem achada, nem tem poderes para “proteger” nada, matéria que é do foro presidencial ,como garante da Constituição. Não se pronunciou sobre os abusos vexatórios que decisões do BCE comportaram e que nunca foram aplicadas a nenhum outro país e que mostram como as instituições europeias, quando se lhes deixa fazer o que querem, abusam. O abuso diz respeito à soberania nacional, matéria que está no âmago da função presidencial.

Mas eu daria de barato os silêncios, se não fossem no meio de uma logomaquia gigantesca, que pode entreter os jornalistas, muitos dos quais formados na escola dos “cenários” que Marcelo criou no Expresso e no seu comentário televisivo — por isso estão bem uns para os outros —, se não se estivesse a criar uma disfunção que cresce todos os dias, e cujos efeitos de perturbação se vão disseminar pelo sistema político.

Imaginem como é hoje a logomaquia do futebol, a milhas na sua loquacidade inútil do que de pior já existe hoje na política, em que os protagonistas ainda são meninos de coro junto dos comentadores desportivos. Com uma excepção, Marcelo Rebelo de Sousa, que, esse sim, está longe nesta matéria de ser um aprendiz. Mas Marcelo é hoje Presidente e espera-se que a sua palavra não dure o tempo mediático de um dia e que se possa reconhecer nessa palavra autoridade mais do que popularidade.

Este é o Presidente que temos, mas não é a Presidência de que precisamos. E o que mais que tudo é grave é que eu tenho a certeza, mas mesmo a certeza, de que Marcelo Rebelo de Sousa concorda com tudo o que escrevi, sabe que é assim, sabe quais são as consequências, e saberá melhor do que ninguém que “if you live by the word you will die by the word”. E que, um dia, tudo o que sobe desce, ou melhor, cai.