O CHARME INDISCRETO

(Rui Namorado, in Blog O Grande Zoo, 18/10/2017)

discreto

1) Há vozes de direita trauliteiras e há vozes de direita meigas. Há vozes de direita que vociferam sempre e há vozes de direita que são hábeis nas tocaias, só atacando quando acham oportuno. Há vozes de direita que explodem ao vermelho e há vozes de direita que nunca perdem a calma.

Há vozes de direita que atacam sempre e há vozes de direita que só atacam quando nos vêem frágeis. Há vozes de direita que atacam todas as esquerdas e há vozes de direita que atacam a parte das esquerdas que em cada momento lhes convém. Há vozes de direita que não disfarçam a sua acrimónia quanto à esquerda e há vozes de direita que batem nas costas das esquerdas com a subtileza de quem procura o lugar onde um dia cravarão o punhal.

Da direita, seja ela trauliteira ou subtil, não se espere lisura e lealdade no combate político. Da direita, seja ela trovejante ou melíflua, não se espere uma distinção entre as esquerdas, quando as puder ferir seriamente. Para todas as direitas, a esquerda enquanto alvo está sempre unida.

2) Disto as esquerdas nunca se devem esquecer. As suas diferenças, se forem autênticas e não destruírem a casa comum, são uma virtude e uma respiração natural. Repito: se tiverem sempre em conta que são um alvo comum para todas as direitas, sejam elas brutais ou melífluas.

E que nenhuma das esquerdas se esqueça que, por mais mansa que pareça, qualquer direita, pela sua própria natureza, sempre que puder cravará a faca nas costas de qualquer das esquerdas.

3) Muitos de nós podem ainda  lembrar-se de como era, quando a direita autoritária ocupava o poder sem freios, quando havia um poder não democrático em Portugal .

E se nem todas as direitas são iguais, todas cabem numa mesma palavra. Todas têm no seu código genético como desígnios, a conservação da desigualdade, a relativização da liberdade, a subalternização de facto das pessoas às coisas, do trabalho ao capital. Todas vivem com base no pressuposto de que as esquerdas são um empecilho ao paraíso dos privilégios. E só não afastam esse empecilho se não puderem.

4) Em prol do mundo que almejam, o combate político das esquerdas deve ser sempre leal e democrático. Mas isso não significa que possa assentar na ilusão de que a direita adopta uma posição simétrica. A direita política é a formalização dos poderes de facto no tipo de sociedade  em que vivemos. Só encara o futuro para o confiscar, de modo a torná-lo um espelho cada vez mais pobre do presente.

Assim, no mundo em que vivemos a esquerda tem sobre a direita uma superioridade trágica, que está longe de ser evidente, mas que se reforça dia a dia. Na verdade, se a direita através do uso das suas vastas alavancas de poder conseguisse destruir as esquerdas no mundo, reduzindo a nada qualquer resistência ao capitalismo neoliberal, pouco tempo teria para celebrar a sua imaginária vitória. Apenas teria passado a certidão de óbito, não à esquerda, mas à própria civilização humana e no limite à existência da própria espécie humana. No mundo de hoje,  o drama é pungente. E se cada país tem uma história própria, ela  no essencial não difere de todas as outras. Principalmente, não está imune a todas as outras.

Por isso, devemos ter sempre presente, em analogia com a célebre metáfora  do leve bater de asas de uma borboleta na China que inundaria o mundo de imensas tempestades, que em política por vezes uma pequena pulhice, mesmo envernizada, pode causar grandes tempestades. Tem um risco para o seu subtil autor: qualquer tempestade leva sempre tudo à sua frente. Sem distinções.


Fonte aqui

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Marcelo, o regresso do filho pródigo

(Por Dieter Dillinger, in Facebook, 17/10/2017)

 

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(O BOM FILHO À CASA TORNA. A Direita exulta: volta meu filho, estás perdoado…  )


O PR Marcelo incendiou hoje o País no próximo verão ao politizar em excesso a atividade dos INCENDIÁRIOS.

Marcelo Rebelo de Sousa veio à televisão defender indiretamente os INCENDIÁRIOS assassinos e atacar o governo e em particular a ministra Constança Urbano de Sousa.

Mercelo não percebeu que o combate político em torno dos incêndios vai aumentar o número de incendiários no próximo ano e nem um milhão de bombeiros e guardas florestais conseguirão evitar que um conjunto de bidões de gasolina peguem fogo a qualquer zona de mato seco e arvoredo, seja ele qual for.

Marcelo lançou hoje milhares de incêndios que se vão verificar no próximo ano porque, salvo para os estúpidos, não há uma defesa absoluta contra os INCENDIÁRIOS. Todos os que estão contra o Governo vão atear FOGOS no próximo ano ou antes se atravessarmos um período de seca.

Costa não pode e não deve vergar-se a Marcelo, demitindo a ministra quando Portugal é feito de centenas de anos de arvoredo e possui um vasto corpo de uns 10 mil bombeiros que nunca poderão apagar 500 grandes fogos numa noite depois de terem combatido durante dois meses mais de um milhar de incêndios.

Marcelo convida o PCP e o BE a juntarem-se à direita para criar uma crise política com a queda do governo, julgando que em novas eleições os portugueses vão votar a favor dos INCENDIÁRIOS protegidos por Marcelo Rebelo de Sousa que nada falou sobre o papel da justiça.

Qualquer que seja o resultado de novas eleições, só um IDIOTA é pode pensar que sairá um governo mais apto a combater os fogos postos pelos INCENDIÁRIOS, que mais não seja por não se saber quem vai governar a seguir.

O Governo tem de se substituir às autarquias e aplicar coimas pesadíssimas sobre os proprietários que não respeitam a lei vigente dos 10 metros sem vegetação nas bermas das estradas e aplicar a medida a todas as estradas do Estado Central, o que poderá poupar algumas vidas, mas pela televisão vimos que os grandes fogos percorreram as altas montanhas cobertas de vegetação, as quais sõ não ardiam se não existissem árvores ou matos secos.

Marcelo, as culpas e as desculpas

(Por José Gabriel, in Facebook, 17/10/2017)

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(Marcelo falou ao país. O que pode e deve o Presidente dizer e fazer, foi esse o mote.)


Marcelo manda pedir desculpa – mas desculpa pedida por ordem de outrem nada vale.

Marcelo quer que a Assembleia da República avalie a continuidade do governo – mas a direita não precisa de empurrões e a seráfica Cristas, ex-ministra da treta, já se chegou à frente; está no seu direito, levará o PSD atrás e não precisavam de ajuda de Marcelo.

Marcelo quer clarificação – mas tudo hoje, a nível político e com a sua ajuda, parece uma tanto escuro.

Marcelo continua a falar em “novo ciclo” – já o fazia antes dos fogos e pensa que há novas razões e nova oportunidade.

Marcelo podia dissolver a AR, já que a renovação de mandato para o governo que ele pede à AR está nas suas mãos e não em encomendas a terceiros – mas Marcelo sabe o que isso (lhe) pode custar e fenece-lhe a coragem.

Marcelo podia dirigir-se a todos a quem pode ser imputada responsabilidade – mas Marcelo escolheu como alvo exclusivo o governo.

Marcelo quis ser firme no tom – mas foi apenas sonso no modo.