A ignorância atrevida

(Estátua de Sal, 27/02/2026)


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Pensava eu que a ida do Major-General Carlos Branco para o canal Now – onde ao domingo faz o resumo dos acontecimentos mais marcantes da semana, em termos de geopolítica, no seu programa Tabuleiro do Poder – o tinha livrado de vez dos pivôs ignorantes, belicistas e russófobos, como o Bello Moraes e quejandos da CNN.

Afinal não. Eu não sabia mas, Carlos Branco, também tem outras intervenções no canal Now, além do seu programa semanal. E foi numa dessas presenças em que, mais uma vez, um pivô – neste caso, de seu nome João Ferreira -, trouxe ao de cima a sua ignorância, impreparação e displicência: ao menos exigia-se que fizesse bem os trabalhos de casa – vulgo TPC -, se pretendia ousar confrontar um especialista sério e bem informado.

Estes pequeninos capatazes dos écrans não tem vergonha das tristes figuras que fazem quando entram em confrontos para os quais não têm arcaboiço. Querem, à força de contorcionismos acrobáticos, que a realidade seja confome com as falsas narrativas que propagandeiam a mando dos seus chefes. E quando os comentadores mais sérios e informados os desmascaram, ou azedam ou, então, fingem mesmo que nada se passou, ficando na cara de pau, como dizem os brasileiros.

Mas passou, os espectadores viram. E os leitores da Estátua também poderão ver no vídeo que publico abaixo. Termino com o comentário de Diogo Sousa, Facebook, 26/02/2026, o qual subscrevo na íntegra.

Estátua de Sal, 27/02/2016



Pepinos e tomates

(Miguel Castelo Branco, in Facebook, 05/02/2026, Revisão da Estátua)


Só em Portugal é que algumas pessoas parecem ter total liberdade para expressar opinião sobre todos os temas, independentemente do seu grau de conhecimento. Por essa razão, tem-se verificado um afastamento da atenção da generalidade dos telespectadores dos meios tradicionais para as chamadas redes sociais, onde, apesar de tudo, ainda se encontra alguma lucidez.

Neste contexto, surge agora António Vitorino, uma figura que não parece particularmente qualificada para comentar a situação internacional, muito menos o conflito na Ucrânia, sobre o qual dificilmente terá formação adequada. Ao contrário de analistas mais reconhecidos, cujo mérito reside no profundo conhecimento da realidade russa, tanto no plano político como no económico — como Jacques Baud, Jacques Sapir ou o próprio Emmanuel Todd — Vitorino limita-se a repetir ad nauseam argumentos da estafada propaganda anti russa, centrados no défice orçamental, nas receitas do petróleo, nas taxas de juro do Banco Central, na inflação ou no crescimento do PIB.

É sabido que esta gente precisa desesperadamente de manter a ilusão de uma derrota russa. Estamos praticamente quatro anos após o início da guerra entre a Rússia e a NATO e aquilo que nos é apresentado é precisamente o inverso. A Rússia venceu claramente nos vários domínios desta contenda, nomeadamente no plano diplomático e político, no económico e no militar, tendo destruído grande parte das reservas da NATO que foram entregues e consumidas no conflito na Ucrânia.

Depois de acompanhar com toda a paciência do mundo a enfadonha charla, acabei por chegar à conclusão que tudo se resume ao aumento do preço do tomate e do pepino na Rússia. Não é uma crise económica, mas uma tragédia gastronómica.

Fica provado, assim, que as saladas insípidas que hoje nos servem na televisão, tão distantes do sabor das saladas russas, são mais um sintoma da crise do nosso comentariado.

Lembrando Maria José Nogueira Pinto, Vitorino sabe — e nós sabemos que ele sabe — que aquilo que diz é um favor que presta e não propriamente o resultado de uma análise independente e livre. No fundo, todas estas figuras têm de passar pelo crivo imposto pela propaganda para poderem ter acesso aos palcos televisivos.

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O regresso do Major-general Carlos Branco à televisão

(Estátua de Sal, 10/10/2025)


Parece que a CNN prefere a Soller e a Ferro Gouveia, que nunca devem ter visto uma pistola na vida, a dissertarem sobre guerra e geopolítica. Sim, porque a estação dar liberdade ao Major-general para dissertar sem peias era uma ameaça para a coerência das suas diárias mensagens de propaganda manipuladora das mentes.

Assim sendo, restava a Carlos Branco mudar de canal, pelo que acaba de escrever na sua página do Facebook:

Serve esta mensagem para informar que reiniciarei o comentário televisivo no próximo domingo, pelas 14 horas, mais coisa menos coisa, no canal NOW, num programa denominado “O Tabuleiro do poder”. Conto que assistam e divulguem esta mensagem pelas vossas redes sociais.

Sobre este regresso, veja-se também a notícia que segue abaixo, assinada pelo jornalista Miguel Azevedo e publicada hoje no Correio da Manhã.

Major-general Carlos Branco reforça o NOW

Estreia acontece dia 12 e a presença passa a ser regular aos domingos na rubrica ‘O tabuleiro do Poder’.


O Major-general Carlos Branco, especialista em assuntos militares, é o novo reforço do NOW. Estreia-se no ecrã já dia 12, passando a ter presença assídua no canal aos domingos na rubrica ‘O tabuleiro do Poder’, incluído no Jornal da Hora do Almoço. Ao CM, Carlos Branco fala de um desafio “bastante aliciante” e explica a opção: “Foi-me dada a oportunidade de ter um programa em que tenho liberdade para escolher os temas que quero discutir. Era difícil de recusar”, explica, sublinhando o caminho que a NOW está a fazer. “A evolução das audiências fala por si. Os recentes desenvolvimentos apontam para o crescimento. Espero contribuir para isso”.

Prometendo “informação isenta de uma pessoa que esteve no terreno e conhece os assuntos”, concorda que a atualidade política internacional está particularmente rica mas lembra que “há mais mundo para lá das guerras da Ucrânia. Há um leque bastante alargado de temas que devem merecer a nossa atenção e que têm um imenso impacto nas nossas vidas”.

De recordar que Carlos Branco deixou a CNN Portugal, em julho, depois de um momento de tensão em direto com o jornalista Pedro Bello Moraes. “O que aconteceu foi muito grave. Foi um exercício de incompetência sem consequências, nem na CNN nem nas instituições que regulam a atividade dos jornalistas”. Sobre as acusações de ser pró-Rússia responde: “ Falar verdade não é ser pró-Putin. Nunca alinhei na mentira, apesar de estar consciente das consequências das posições que tomei”.