Porque é que a actual classe política europeia rejeita a realidade?

(GLENN DIESEN,, In Observatorio de la Crisis, 10-11-2024)

Terá a Europa a racionalidade, a imaginação política e a coragem para avaliar criticamente os seus próprios erros e o seu contributo para a crise atual, ou qualquer crítica continuará a ser denunciada como uma ameaça à democracia liberal?


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Proponho a seguinte experiência mental ao político, jornalista ou académico europeu: se fosse conselheiro do Kremlin, qual o seu conselho caso não houvesse negociações possíveis para resolver a guerra na Ucrânia? Certamente a maioria sentir-se-ia moralmente obrigada a dar respostas ridículas, como aconselhar o Kremlin a capitular e a retirar-se, apesar de a Rússia estar à beira da vitória. Qualquer impulso para aderir à razão e abordar as preocupações de segurança da Rússia seria provavelmente dissuadido pela ameaça de ser humilhado por “legitimar” a invasão russa.

O que é que explica o declínio do pensamento estratégico, do pragmatismo e da racionalidade na política europeia?

A realidade da Europa como construção social

A classe política que emergiu na Europa após a Guerra Fria tornou-se excessivamente ideológica e envolveu-se em narrativas para construir socialmente novas realidades. A aceitação europeia do pós-modernismo envolve questionar a existência de uma realidade objetiva, porque a nossa compreensão da realidade é determinada pela língua, pela cultura e por perspetivas históricas únicas. 

Portanto, os pós-modernistas muitas vezes procuram mudar as narrativas e a linguagem para ganhar poder político. Se a realidade é uma construção social, então as grandes narrativas podem ser mais importantes que os factos. Na verdade, as narrativas ideológicas devem ser protegidas de factos inconvenientes.

O projeto europeu tinha a intenção benevolente de criar uma identidade europeia comum, liberal e democrática, transcendendo as rivalidades nacionais, as divisões e as políticas de poder do passado. A relevância da realidade objetiva é questionada e as narrativas sobre a realidade refletem a crença de que as estruturas de poder podem ser desmanteladas e reorganizadas à vontade.

A prevalência do construtivismo e a ênfase nos “atos de fala” na UE levaram à crença de que mesmo quando são utilizadas análises realistas e são discutidos interesses nacionais concorrentes, é necessário legitimar a realpolitik e, portanto, acomodar socialmente uma realidade que pode ser perigosa. “Atos de fala” referem-se ao uso da linguagem como fonte de poder para construir realidades políticas e influenciar resultados. Ao reduzir a importância da competição em matéria de segurança no sistema internacional, a política de poder pode supostamente ser mitigada.

É possível construir socialmente uma nova realidade? Estaremos ignorando a competência em segurança ao não abordar a questão ou estaremos a negligenciar a gestão responsável da competência em segurança? Poderemos transcender as rivalidades nacionais concentrando-nos em valores comuns ou a negligência dos interesses nacionais levará ao declínio?

Construir socialmente uma nova Europa

O conceito de “armadilha retórica” explica como a UE chegou a um consenso para oferecer a adesão aos estados da Europa Central e Oriental quando isso não era do interesse de todos os estados membros da UE. A armadilha retórica foi armada fazendo primeiro com que os Estados-membros aceitassem a premissa ideológica de que a legitimidade do projeto europeu assentava na integração de Estados democráticos liberais.

Ao apelar para valores e normas como fundamento da UE, foi armada uma armadilha retórica e um sentido de obrigação moral foi utilizado para envergonhar os Estados-Membros da UE que vetavam o processo de alargamento. Portanto, o uso da linguagem e do enquadramento pode ter encorajado os Estados europeus a não agirem no seu próprio interesse, uma vez que foram humilhados para se conformarem.

Schimmelfennig, que introduziu o conceito de armadilha retórica, argumenta que “a política é uma luta pela legitimidade, e esta luta é travada com argumentos retóricos” (1). A armadilha retórica simplifica uma questão complexa e transforma-a numa escolha binária; apoiar o processo de alargamento ou trair os ideais democráticos liberais. Este quadro moral encerrou debates importantes sobre as potenciais desvantagens de aceitar novos membros e a melhor forma de enfrentar estes desafios.

A dissidência poderia ser esmagada porque enquadrar a questão como um imperativo moral significava que aqueles que questionavam este quadro moral poderiam ser acusados ​​de minar os valores sagrados que sustentam a legitimidade de todo o projeto europeu.

O conceito de “discurso europeu” envolve o uso de retórica emocional para legitimar uma compreensão da UE que deslegitima conceitos alternativos para a Europa. A centralização da tomada de decisões e a transferência de poder dos parlamentos eleitos para Bruxelas é geralmente chamada “integração europeia”, “mais Europa” ou “uma União cada vez mais próxima”. Os Estados não membros vizinhos que aderem à governação externa da UE fazem a “escolha europeia”, confirmando a sua “perspetiva europeia” e adotando “valores partilhados”. A dissidência pode ser deslegitimada como “populismo”, “nacionalismo”, “euro fobia” e “antieuropeísmo”, o que mina a “voz comum”, a “solidariedade” e o “sonho europeu”.

A linguagem também mudou em relação à forma como o Ocidente afirma o seu poder no mundo. A tortura tornou-se uma “técnica aprimorada de interrogatório”, a diplomacia da canhoneira é a “defesa da liberdade de navegação ”, a dominação é uma “negociação a partir de uma posição de força”, a subversão é uma “promoção da democracia”, um golpe de estado uma “revolução democrática”, invasão uma “intervenção humanitária”, secessão uma “autodeterminação”, propaganda uma “diplomacia pública”, censura uma “moderação de conteúdo”, e o desenvolvimento mais recente da vantagem competitiva da China descrito como “excesso de capacidade”. O conceito de Novilíngua de George Orwell implicava uma linguagem restritiva a ponto de ser impossível expressar desacordo.

NATO e UE: redistribuição da Europa ou “integração europeia

Os líderes ocidentais reconheceram inicialmente que o abandono de uma arquitetura de segurança pan-europeia inclusiva através da NATO e do alargamento da UE provavelmente desencadearia outra Guerra Fria. A consequência previsível da construção de uma nova Europa sem a Rússia seria redistribuir o continente e depois lutar para saber onde deveriam ser traçadas as novas linhas divisórias.

O Presidente Bill Clinton advertiu em Janeiro de 1994 que a expansão da NATO corria o risco de “traçar uma nova linha entre o Oriente e o Ocidente que poderia criar uma profecia auto realizável de confronto futuro” (2). O Secretário da Defesa de Clinton, William Perry, chegou mesmo a considerar a demissão devido à sua oposição à expansão da NATO. Perry observou que a maioria dos membros da administração sabia que esta traição criaria um conflito com a Rússia, mas acreditavam que isso não importava porque a Rússia era fraca (3). George Kennan, Jack Matlock e vários líderes políticos americanos também enquadraram isso como uma traição contra a Rússia e alertaram para uma maior divisão da Europa. Estas preocupações foram também partilhadas por muitos líderes europeus.

O que aconteceu com estes discursos e advertências sobre a instigação de outra Guerra Fria? A narrativa da UE e da NATO como uma “força para o bem” que promove os valores democráticos liberais teve de ser defendida contra a narrativa “ultrapassada” da política de poder. As críticas russas ao renascimento da arquitetura de segurança de soma zero do bloco ocidental foram apresentadas como prova da “mentalidade de soma zero” da Rússia. 

O facto de a Rússia não ter reconhecido que a NATO e a UE eram atores positivos que transcendiam a política de poder teria revelado a sua incapacidade de superar a perigosa mentalidade realpolitik causada pelo seu autoritarismo persistente e pelas suas grandes ambições de grande potência. A UE estava apenas a construir um “círculo de amigos”, enquanto a Rússia exigia supostamente “esferas de influência”.

A Rússia enfrentou o dilema de aceitar o papel de aprendiz – com o objetivo de regressar ao mundo civilizado, aceitando o papel dominante da NATO como uma força para o bem -, ou de resistir ao expansionismo da NATO e às “missões fora da zona”, sendo entao tratada como uma força perigosa que deve ser contida. Em qualquer caso, a Rússia não teria lugar na mesa de negociações na Europa. Os tropos liberais democráticos justificavam a razão pela qual o maior Estado da Europa acabaria por ser o único Estado sem representação.

A expansão da NATO e da UE como blocos exclusivos também impõe um dilema “nós ou eles” às sociedades profundamente divididas da Ucrânia, Moldávia e Geórgia. Contudo, em vez de reconhecer a desestabilização previsível das sociedades divididas numa Europa dividida, isto é apresentado como uma “integração europeia” de soma positiva, apesar do desligamento implícito da Rússia. As sociedades que favorecem relações mais estreitas com a Rússia em detrimento da NATO e da UE são deslegitimadas por rejeitarem a democracia, enquanto os seus líderes são rejeitados como “putinistas” autoritários que privam o seu povo do seu sonho europeu.

O quadro moral global convenceu os líderes europeus a apoiar um golpe para atrair a Ucrânia para a órbita da NATO. Era bem sabido que apenas uma minoria de ucranianos queria ser membro da NATO e que isso provavelmente daria início a uma guerra, mas a retórica liberal-democrata sempre convenceu os líderes europeus a ignorar a realidade e a apoiar políticas desastrosas. O bom senso torna-se constrangedor.

Os líderes políticos, jornalistas e académicos ocidentais que procuram aliviar o problema abordando as legítimas preocupações de segurança da Rússia são também acusados ​​de alimentar o moinho de Putin, repetindo os pontos de discussão do Kremlin, “legitimando” as políticas russas e minando a democracia liberal. Com a estrutura moral binária do bem versus o mal, o pluralismo intelectual e a dissidência são punidos como imorais.

Além de ser atormentada por guerras, a Europa também está em declínio económico. Os europeus compram energia russa através da Índia porque são moralmente obrigados a seguir sanções falhadas. Esta suposta virtude contribui para tornar as indústrias europeias menos competitivas. 

A desindustrialização da Europa também é causada pela destruição dos gasodutos Nord Stream, mas este acontecimento que destruiu décadas de desenvolvimento industrial caiu num buraco de memória porque os únicos dois suspeitos são os Estados Unidos e a Ucrânia. Além disso, os Estados Unidos oferecem subsídios às indústrias europeias que deixarão de ser competitivas se passarem para o outro lado do Atlântico. Na ausência de narrativas aceitáveis, os europeus simplesmente permanecem em silêncio e não defendem os seus interesses nacionais. A narrativa das democracias liberais unidas por valores e não divididas por interesses concorrentes deve ser defendida contra quaisquer factos inconvenientes.

Diplomacia, neutralidade e a virtude da guerra

A diplomacia não é consistente com o esforço de construção social de uma nova realidade. O ponto de partida da segurança internacional é a competição de segurança na qual os esforços para aumentar a segurança de um Estado podem diminuir a segurança de outro. A diplomacia envolve o reforço da compreensão mútua e a procura de compromissos para mitigar a concorrência em matéria de segurança.

Os construtivistas sociais consideram frequentemente a diplomacia problemática porque “legitima” a competição de segurança que reconhece que a NATO pode minar os legítimos interesses de segurança russos. Além disso, corre-se o risco de legitimar o adversário e de criar uma equivalência moral entre os Estados ocidentais e a Rússia. As elites europeias acreditam que estão a legitimar conceitos ultrapassados ​​e perigosos de política de poder, ao comprometerem-se com a compreensão mútua com a Rússia. A crença absurda de que a negociação é uma “concessão” tornou-se normalizada na Europa.

Portanto, a diplomacia foi repensada como uma relação entre um sujeito e um objeto, entre um professor e um aluno. Nesta relação, a NATO e a UE consideram que o seu papel é “socializar” outros Estados. Como professor civilizador, o Ocidente esclarecido utiliza a diplomacia como um instrumento de ensino no qual os Estados são “punidos” ou “recompensados” pela sua disponibilidade para aceitar concessões unilaterais. 

Embora a diplomacia tenha sempre sido imperativa em tempos de crise, as elites europeias acreditam que deveriam, em vez disso, punir o “mau comportamento” suspendendo a diplomacia assim que a crise eclodir. Encontrar-se com oponentes durante as crises corre o risco de legitimá-los.

Até recentemente, a neutralidade era vista como uma postura moral que mitiga a concorrência em matéria de segurança e permite ao Estado mediar, em vez de se enredar e escalar conflitos. Numa luta entre o bem e o mal, a neutralidade também é considerada imoral. O cinturão de estados neutros que existia entre a NATO e os países do Pacto de Varsóvia foi agora desmantelado e até a guerra se tornou uma defesa justa de princípios morais.

Como podemos restaurar a racionalidade e corrigir os erros do pós-Guerra Fria?

O fracasso em estabelecer um acordo pós-Guerra Fria mutuamente aceitável que eliminasse as divisões na Europa e reforçasse a segurança indivisível resultou numa catástrofe previsível. Contudo, corrigir o rumo exige nada menos do que reconsiderar as políticas dos últimos 30 anos e o conceito de Europa, numa altura em que a animosidade é endémica em ambos os lados. O projeto europeu foi visto como a personificação da tese de Fukuyama sobre o “fim da História” e toda uma classe política baseou a sua legitimidade na conformidade com a ideia de que desenvolver uma Europa sem a Rússia era uma receita para a paz e a estabilidade.

Terá a Europa a racionalidade, a imaginação política e a coragem para avaliar criticamente os seus próprios erros e o seu contributo para a crise atual, ou qualquer crítica continuará a ser denunciada como uma ameaça à democracia liberal?

Notas

J. Borger ‘” hostilidade russa” é parcialmente causada pelo Ocidente’, diz o ex-chefe da defesa dos EUA ,” The Guardian, 9 de março de 2016.

Schimmelfennig, François, 2003. A UE, a OTAN e a Integração Europeia: Regras e Retórica, Cambridge, Cambridge University Press, página 208.

B. Clinton, “ Remarks to the Multinational Audience of Europe’s Future Leaders ”, Missão Diplomática Americana na Alemanha, 9 de janeiro de 1994.

O autor é Professor na Universidade de Sudeste Noruega

Fonte aqui

Para um breviário dos vassalos do Ocidente

(Carlos Marques, in Estátua de Sal, 31/10/2024, revisão da Estátua)


(Este texto resulta de um comentário a um artigo que publicámos do Major-General Raúl Cunha, (ver aqui), sobre a suposta intervenção de tropas norte-coreanas na guerra na Ucrânia.

Pela sua atualidade e pela forma assertiva como põe a nu as práticas do Ocidente no cenário geopolítico da atualidade a nível mundial, resolvi dar-lhe destaque.

Estátua de Sal, 31/10/2024)


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O Ocidente coletivo é o regime ditatorial, ilegítimo, de lavagem cerebral, de nazi-sionismo, genocida, imperialista criminoso de guerra, provocador de fomes e de guerras intermináveis, onde os EUA e os outros são corrompidos financeiramente, tornados obedientes pela ameaça, ou totais vassalos fanáticos ideológicos. Passo a referir-me a este estrume de forma curta: o Império ocidental.

Ora bem, o Império ocidental anda há décadas a dizer que a NATO é defensiva, mesmo depois de invadir e destruir tantos países, uns diretamente, outros por via de coligações ad hoc dos países da NATO, sem envolver a própria NATO oficialmente. No entanto, a Rússia é muito ofensiva porque está a defender a população russa, ou pelo menos ucraniana russófona e pró-russa, numa terra historicamente russa.

O Império ocidental diz que a Ucrânia – após o golpe ocidental para a tornar uma ditadura fascista que glorifica nazis, invade igrejas ortodoxas e bate nas velhinhas que só querem rezar, e bombardeia civis no Donbass -, tem o “direito” de fazer parte da NATO, para que os mísseis dos EUA estejam bem ao lado da fronteira russa, apontados às cidades russas. Isto é defensivo, e um “direito” que “não” provoca e “não” ameaça ninguém…

No entanto, quando a Rússia faz um acordo de defesa mútua com a Coreia do Norte, que implica ambos os países defenderem o seu próprio território, e ajudarem-se mutualmente nessa tarefa com treinos/exercícios de tropas conjuntos, isso é “inaceitável”, e uma “ameaça” ao Império ocidental. Portanto, tanques alemãs em Kursk é defensivo, mas tropas norte-coreanas na península de Kamchatka, no Pacífico, é o “fim do mundo”…

O Império ocidental diz que só “quer a paz”, e para tal a Victoria Nuland deu milhões aos nazis para fazerem um golpe violento, e o Pentágono (com Obama e Trump 100% alinhados numa continuidade sem soluços) passou 7 anos a encher o regime golpista de armas, muitas nas mãos de nazis.

E desde o início da intervenção russa, após os UcraNazis violarem os Acordos de Minsk e esgotarem a paciência dos russos, o Império ocidental, em “nome da paz”, envia todas as armas, veículos, e munições que tem disponíveis, e ainda as que foi à pressa comprar pelo mundo fora, para os UcraNazis prolongarem a guerra, bombardearem civis no Donbass, na Crimeia, e agora também os civis em Belgorod, Kursk e arredores. E Macron até fala em tropas da NATO na Ucrânia, e o Reino Unido fala em “instrutores” da NATO na Ucrânia, etc. Mas está tudo “bem”, é tudo defensivo, e bem “ponderado”, e tudo em nome da “paz”.

Mas, ai, ai, ai que a Rússia usa um drone de apenas 20 mil euros comprado ao Irão, e isso é uma “escalada” que justifica um golpe e uma guerra contra o Irão, e sanções para os matar à fome (Como se o Ocidente ainda conseguisse impor sanções com tal efeito).

Mas, ai, ai, ai que a Rússia compra chips à China, portanto o Ocidente tem de se defender da “ameaça” da China, fazer guerra de tarifas (aqui os fachos-capitalistas ocidentais do “livre mercado” já gostam do controlo…), e enviar armas para Taiwan “se defender”; e, como disse um político dos EUA, “se for preciso temos de bombardear nós mesmos as fábricas de chips de Taiwan só para a China não as controlar a funcionar”…

O Império ocidental matou a neutralidade dos países nórdicos, está a militarizar aquilo tudo, e a preparar a Finlândia para ser a próxima linha da frente, numa guerra à qual poderia escapar se fosse neutral…

E, em todos os países bálticos, Polónia e Roménia – e até na neutral Moldávia (levada para o abismo pela agente ocidental no poder, sendo agora uma ditadura de facto, com manipulação pró-ocidental de eleições e referendos/plebiscitos) -, crescem como cogumelos as bases militares dos EUA, inauguram-se novas, e há cada vez mais dezenas ou centenas de milhares de tropas dos EUA, Reino Unido, Canadá, etc, a um passinho da fronteira russa. Mas tudo isso é “normal”. Não se estão a preparar para fazer mal a ninguém…

Mas, ai, ai, ai que a Rússia tem tropas da Coreia do Norte no seu território. E são 3000, vejam lá a “escalada”. Não há provas nenhumas, mas temos de acreditar e temer!

Já parece a agente ocidental na Presidência da Geórgia. Também diz que não tem provas nenhumas – até recusa comparecer na Procuradoria Geral para esclarecer as acusações e providenciar provas (mas não as tem, portanto recusou, aliás em violação da lei, pois se a Procuradoria chama, ela teria de ir…) -, mas diz também ela, de dupla nacionalidade francesa, que “temos de acreditar no que a oposição diz”, e “não interessa que não hajam provas, só interessa a perceção que a oposição tem, e aquilo em que a oposição acredita”.

Nunca antes os golpes do Império ocidental tinham sido tão óbvios e descarados. Será só húbris, ou desespero? Será só falta de noção ou esta gente debitou tanta propaganda que acabou por lavar o próprio cérebro?

Estamos, de facto, na pós-verdade. Aliás, essa definição é demasiado bondosa e conspurca a palavra verdade. Estamos na mentira total. A esmagadora dos apoiantes/seguidores dos regimes do Império ocidental, e dos partidos desse regime, não fazem a p*ta da ideia do que se passa na realidade. Nem no Mundo nem sequer nos seus próprios países. Isto é pior que o 1984 de Orwell. Isto é totalmente ilegítimo e indigno. Isto tem de cair!

Está mais do que justificada uma revolução contra a ditadura EUropeia, contra as moedas do NeoLiberal-Fascismo e Imperialismo, €uro e dólar respetivamente, e contra as SS do nazi-sionismo na NATO e nos satélites/vassalos da NATO (Ucrânia, “Israel”, Taiwan, etc).

E os que andam agora pelas avenidas do poder e nas casas de PRESStituição, não podem ficar livres. A sua liberdade implica a opressão e até o genocídio dos restantes. Deve ser-lhes aplicado o mesmo tratamento que aos nazis da Alemanha. Tolerância zero.

Ou então, um destes dias, acordamos com caixões envoltos na bandeira portuguesa a chegarem às carradas ao aeroporto de Lisboa, e com o SNS e outros serviços totalmente colapsados devido aos vários porcento do PIB que se passaram a gastar em armamento.

E com o PS/IL/PAN ou o PSD/IL/CDS no “governo” (entre aspas, pois os vassalos não governam nada), a hastear uma bandeira dos EUA, de “Israel”, de Taiwan, ou a vermelha e preta da a Ucrânia, durante a farsa em que se tornaram as celebrações do defunto e bem enterrado 25 de Abril.

E com o maior partido de oposição a ser o Cheganos, à beira de ser governo, saudosistas sem vergonha da ditadura fascista, e a dar a ordem aos SEUS polícias: é mesmo para atirar a matar.

E o BE e o PCP, do outro lado a levar com as balas. Um a dizer que: “sim senhor, slava ukraina, é preciso cortar no SNS para comprar mais armas”. E o outro a dizer covardemente: “nós, realmente, condenados isto tudo no Ocidente, mas também condenamos todos os outros. Para nós, a defesa contra nazis armados, é recusar pegar em armas…”. E PUM. Sem acabar de dizer a frase, o líder do PCP, de bandeira branca na mão, levou um tiro de um do Movimento Zero, e um tiro de um Azov do outro. Eis a “paz”, de quem recusa lutar por ela, e condena quem luta para se defender.

É este o futuro de Portugal, se nada se fizer contra quem engana e manipula a maioria do povo português e europeu. Mas vai ser tudo defensivo e em nome da “paz” e em total “liberdade e democracia”.

Só na “selva” dos “ditadores”, lá fora do nosso “jardim”, é que está tudo mal. Lá, são “maus” porque colaboram na construção de um mundo multipolar, acabam com a fome, defendem as próprias fronteiras (inclusive no campo de batalha da informação). Aqui somos “bons”, porque matar 180 mil humanos em Gaza é “legítima defesa”, e chamar “terrorista” à agência de refugiados da ONU é “ter valores tão bons que temos de os impor à força em todo o Mundo”.

E alguns dizem: Ah, mas não é bem assim. Sim, os ‘americanos podem ser maus, mas em Portugal é diferente. Há “nuances”, temos “estabilidade”…

Se as “nuances” forem a total violação da Constituição (por exemplo, estar na NATO, abdicar da soberania na UE/€, fazer censura, legalizar partidos fascistas/racistas, ter saúde cada vez mais demorada e cara, etc); se a “estabilidade” for uma estagnação económica, sem convergência, e com morte lenta no €uro; se a “estabilidade” for ter mais 20% de inflação acumulada em pouco mais de um ano, sem saber quando é a próxima crise das dívidas do €uro, sem saber quando e quanto nos vai custar a próxima onda de sanções (e imaginem quando for contra a China…), e sem saber se entramos ou não diretamente numa guerra no outro lado do mundo com probabilidades de levarmos uma ogiva nuclear nos cornos, então sim, temos “nuances” e “estabilidade”…

A nossa “estabilidade” é não ter pleno emprego desde os últimos anos do escudo (anos 90) com mais de 300% de dívida (pública + empresas + famílias + externa), e ter uma imprensa que chama “colapso até à idade da pedra” à economia russa que subiu ao quarto lugar no ranking mundial (analisando o PIB em paridades de poder de compra), não tem qualquer preocupação com a dívida (muito menos a externa, pois é uma grande exportador), e tem pleno emprego com a taxa de desemprego mais baixa de sempre.

A nossa “democracia” é ter um regime não representativo, onde metade não acredita e não vota, e que só serve as elites e aplica acefalamente uma teoria fanática neoliberal que só agrava as desigualdades cada vez mais pornográficas, enquanto a “ameaça” da China é uma “ditadura” onde quase 90% do povo se sente representado, onde se acabou com a pobreza, e onde se debate, abertamente e em cada momento, se está na hora de mais socialismo ou de mais capitalismo democrático (muito bem controlado pelo Estado em nome de todos, e não desregulado, só em nome de meia dúzia).

Em resumo, eis o breviário das chancelarias e da comunicação social mainstream dos vassalos do Ocidente, com algumas das estrofes específicas de Portugal:

O nosso mau é “bom”.

O bem dos outros é “ameaça”.

Resistência é “terrorismo”.

Certificado obrigatório de vacina experimental é “liberdade”.

Economia fascista é “progressismo”.

Corrupção é “lobby legal”.

A NSA a espiar todos, a toda a hora, é “privacidade”.

A existência de nazis é “propaganda”.

Censura é “normal”.

Um homem com pénis é “mulher”.

Os golpes da CIA são “democracia”.

Vassalagem é “independência”.

Tentativas de assassinato de líderes pró-paz é “segurança”.

Estagnação económica é “sucesso”.

Genocídio é “defesa”.

Inverno demográfico é “ter futuro”.

A Crise do €uro é a “dívida do Sócrates”.

Mentira é “jornalismo”.

Ter perceção “é melhor” que ter provas.

Não aprovar os orçamentos, 100% dos outros, é ser “irresponsável”.

Ser pela paz (contra a NATO) é ser “putinista”.

Baixar os impostos aos ricos “aumenta” o crescimento.

O eucaliptal “não” arde.

O colonialismo racista (Israel) “tem direito” a existir.

E mais: guerra é “paz”.

Não, não é 1984 de George Orwell. É muito pior! E não vai acabar nada bem.

Mercenários dos EUA mortos na Rússia; Ocidente fica histérico com a alegada presença dúbia da Coreia do Norte

(Finian Cunningham, in Strategic Culture Foundation, 29/10/2024, Trad. da Estátua)

A NATO e os líderes ocidentais preferem fantasiar sobre a Coreia do Norte do que admitir a verdade da sua “grave escalada” nas fronteiras da Rússia, e da sua ameaça imprudente à paz mundial.


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É uma grave escalada nesta guerra e uma ameaça à paz global, disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, esta semana.

Certamente é um desenvolvimento alarmante que mercenários americanos, canadianos e polacos tenham sido mortos em ação, em solo russo, esta semana. Os membros de uma unidade de reconhecimento e sabotagem foram eliminados pelas forças russas quando cruzavam a região de Bryansk, na Rússia, vindos da Ucrânia.

Mas, von der Leyen e outros líderes ocidentais não disseram nada sobre isso. Eles estiveram a dar hiper atenção, em vez disso, a alegações precárias sobre tropas norte-coreanas enviadas para a Rússia.

Imagens confiáveis ​​da segurança russa mostraram os homens mortos deitados ao lado de armas pesadas, incluindo explosivos Semtex e lançadores de granadas antitanque, “o suficiente para explodir uma cidade pequena“, foi  relatado. Uma das vítimas tinha a tatuagem do 75º Regimento Ranger dos EUA, uma unidade de elite das forças especiais aerotransportadas. Não está claro se o soldado americano era um ex-membro do Exército dos EUA que se juntou a um grupo mercenário privado ou se ele foi transferido das fileiras do exército para lutar na Ucrânia contra a Rússia.

De qualquer forma, a presença de combatentes militares dos Estados Unidos e de outros países da NATO em território russo é uma evidência clara de que as potências da NATO estão diretamente envolvidas na guerra por procuração da Ucrânia contra a Rússia.

Washington e Bruxelas mantiveram a ténue ficção de que “apenas” fornecem armas à Ucrânia, mas que a NATO não participa no conflito com a Rússia, sendo esta uma potência nuclear.

Essa ficção sempre foi um insulto ao senso comum. Os países da NATO têm-se envolvido ativamente no recrutamento de mercenários estrangeiros para lutar na Ucrânia. A Rússia estima que 15.000 a 18.000 militantes viajaram para serem mobilizados pelas Forças Armadas da Ucrânia desde que o conflito eclodiu em fevereiro de 2022. Muitos deles foram mortos ou feitos prisioneiros.

Mercenários dos EUA, Grã-Bretanha, Canadá, Alemanha, França, Polônia, Países Bálticos e Geórgia foram identificados, bem como jihadistas da Síria treinados pelas forças de ocupação americanas em bases como Al Tanf. Estima-se que combatentes estrangeiros de mais de 100 países tenham acabado na Ucrânia, auxiliando o regime de Kiev patrocinado pela NATO.

Alguns deles são, sem dúvida, “soldados da fortuna” ganhando ao dia de combate. Outros teriam que ser militares da NATO porque a operação de armas técnicas, como artilharia HIMARS e assim por diante, deve envolver a expertise de manuseio especial.

Acredita-se que a incursão desesperada na região de Kursk, na Rússia, que começou em 6 de agosto, incluiu muitos mercenários estrangeiros. Uma empresa privada identificada, contratante de militares americanos, foi o Forward Observation Group.

A mídia ocidental ignorou ou obscureceu amplamente os relatos de conexões da NATO com os combates no terreno. Não é surpreendente, dada a função de propaganda da mídia ocidental de “notícias”, no que é a guerra de informação.

Enquanto isso, esta semana, o Secretário-Geral da NATO, Mark Rutte, anunciou preocupação de que tropas norte-coreanas estejam lutando na região de Kursk. Esta foi a primeira vez que a NATO fez a afirmação, oficialmente. Durante semanas houve especulações e rumores sobre tropas norte-coreanas, que se teriam juntado às forças russas. A mídia americana e europeia publicaram manchetes sugerindo que as alegações da NATO eram factos.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou: “Soldados norte-coreanos estão a ser enviados para dar suporte à guerra de agressão da Rússia. É uma grave escalada nesta guerra e uma ameaça à paz global.”

Mas, um ceticismo saudável justifica-se. Rutte, da NATO, não forneceu nenhuma evidência para apoiar sua alegação. Ele, simplesmente, referiu-se às suas discussões com oficiais da inteligência militar sul-coreana.

O ditador ucraniano, de facto, Vladimir Zelensky (ele cancelou as eleições há uns meses atrás) vem há meses alegando que milhares de tropas norte-coreanas estão a juntar-se às fileiras da Rússia na Ucrânia.

Parece significativo que Zelensky se tenha encontrado com o presidente sul-coreano, Yoon Suk Yeol, no ano passado na cimeira do G7 em Hiroshima. Foi o primeiro encontro deles. Imediatamente após esse encontro, a Coreia do Sul prometeu mais ajuda militar e financeira à Ucrânia. A esposa de Zelensky também fez viagens suspeitas à Coreia do Sul para comparecer em “eventos de mídia”.

O índice de aprovação do presidente Yoon, entre o público sul-coreano, atingiu o fundo do poço devido a uma série de queixas, incluindo o alto custo de vida. Yoon é um falcão nas relações com a Coreia do Norte. Pyongyang criticou Seul por incrementar deliberadamente as tensões.

Durante a presidência de Yoon, a Coreia do Sul tornou-se uma grande exportadora de armas, tendo vendido cerca de US$ 20 biliões em armas nos últimos dois anos. A Coreia do Sul está alertando que aumentará os seus fornecimentos militares para a Ucrânia, com base nas alegações de que as tropas norte-coreanas estão a ser enviadas para a Rússia.

Parece haver muita dramatização sobre o suposto contingente norte-coreano. O regime de Kiev está amplificando as alegações como uma forma de envolver mais os Estados Unidos e a NATO na guerra por procuração em curso. A Casa Branca expressou preocupações sobre as alegações da suposta participação de Pyongyang. Para o presidente Yoon, a Ucrânia apresenta oportunidades para impulsionar os seus investimentos em investigação, agora em declínio, e os seus ganhos económicos com o aumento das exportações de armas.

A mídia ocidental está afirmando, ilusoriamente, que o envio de tropas norte-coreanas é um sinal de desespero do presidente russo, Vladimir Putin, em relação às supostas perdas militares na Ucrânia.

Essa alegação não faz sentido. As forças russas estão a avançar rapidamente para assumir o controlo total da região de Donbass, na Ucrânia. O lado apoiado pela NATO está a perder território agora, a um ritmo tão elevado que nunca ocorreu em mais de dois anos de conflito. A ideia de que a Rússia precisa de ajuda militar norte-coreana é implausível, se não absurda.

Moscovo assinou um pacto de defesa mútua com Pyongyang no início deste ano. Se soldados norte-coreanos forem enviados para a Rússia, talvez para treino, isso é uma questão inteiramente legal, de acordo com o direito internacional.

Não é a Rússia que está “desesperada”. A mobilização de mercenários americanos, e de outros países da NATO para a Ucrânia, é um sinal real de desespero de que o regime de Kiev ficou sem carne para canhão e está a envolver-se em provocações transfronteiriças.

É claro que a NATO, e os líderes ocidentais, preferem fantasiar sobre a Coreia do Norte do que admitir a verdade da sua “grave escalada” nas fronteiras da Rússia, e da sua ameaça imprudente à paz mundial.

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