Extraordinário

(In Blog O Jumento, 28/01/2016)
diabo_explicado
Finalmente temos a explicação de qual era o “diabo” de que Passos falava. Eram as armadilhas e as bombas ao retardador que ele e a Marilú tinham deixado nas contas públicas. O que eles não sabiam era que o Costa e o Centeno tinham o curso de desativação de explosivos perigosos e de minas e armadilhas. E Passos ainda não percebeu como é que conseguiram que as bombas não explodissem… 🙂
Estátua de Sal, 28/01/2017

Passos Coelho insiste em não perceber que já nem o diabo aposta nele, já estamos quase em final de Janeiro, seis meses depois da vinda do mafarrico ter sido anunciada e o líder do que resta do PSD ainda tenta demonstrar que algo correu mal em 2017, mas só ele e sua especialista em aritmética é que o conseguem perceber. Desde que o OE de 2016 foi aprovado que o Passos mais a Dona Aritmética sofrem de um fetiche relacionado com o plano B, só se excitam enquanto oposição quando lhes vem o dito plano à cabeça.
Convém recordar de onde vem esta fixação com o plano B. Quando a geringonça aprovou o OE para 2016 a direita teve a esperança de que os seus aliados europeus chumbassem o OE. Mas isso não sucedeu e como sempre fez a Comissão e o Eurogrupo pediram ao governo que preparasse medidas orçamentais adicionais caso estas fossem necessárias. A direita portuguesa não se conformou e lá se foi calando.
Mas Passos Coelho nunca perdeu a esperança num segundo resgate, o que o levaria de novo ao poder para governar sem restrições constitucionais, pois estava convencido de que as coisas correriam mal. Passos Coelho e a sua Dona Aritmética sabiam muito bem que tinham armadilhado as contas orçamentais de 2017 com a ajuda de Paulo Núncio. Sabiam que 2017 poderia ser dramático, um deslize orçamental tiraria o país dos mercados e forçaria a esquerda conservadora a deixar de apoiar o governo.
As vigarices feitas com os reembolsos do IVA e com as retenções na fonte de IRS representavam um buraco orçamental digno de ser um “desvio colossal”, daí que Passos tivesse anunciado a vinda do diabo, quando o impacto do buraco fiscal se fizesse sentir na contas, o que sucederia depois de processados todos os reembolsos. A situação seria tornada pública com a divulgação do relatório da execução orçamental de Setembro.
Mas a Dona Aritmética estava enganada, a armadilha que manhosamente deixou montada não funcionou e o diabo não apareceu. Desde então Passos Coelho anda desesperado para provar que houve mesmo um plano B, daí que agora tenha um fetiche com medidas extrordinárias. Ele que só governou com medidas extraordinárias, com sucessivas renegociações secretas do memorando para acomodar a sua pinochetada económica, vê agora medidas extraordinárias em tudo.
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2016 termina com mais uma anedota da Marilú

 

(Imagem in Blog, 77 Colinas)

Um ponto de encontro

Diz a Marilú, aborrecida pelo facto de o déficit ir ficar abaixo dos 3%, o que ela jurou a pés juntos que seria impossível: ““O Governo opta pela falta de transparência e até de respeito democrático, fingindo que não tem planos B e planos C, que não recorre a nada de extraordinário para obter estes resultados.” Ou seja, o resultado afinal existe mas a Marilú diz que é por causa dos planos B, C, D, etc. Eu se fosse a ela esgotava o abecedário todo nomeando planos sem fim à vista.

Mas fala ela em falta de transparência quando ela própria se fartou de fazer orçamentos rectificativos e de recorrer a medidas extraordinárias?! Haja decoro. Quando é que aprendes, ó Marilú, que o melhor seria mesmo não teres dito nada, já que em boca calada não entra mosca?


Fonte da Imagem: 77 Colinas

BOM ANO Sr.Dr., BOM ANO!

(Por Joaquim Vassalo Abreu, 27/12/2016)

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Antes de mais convêm, e desde já, clarificar duas coisas: A primeira é o tratamento e a segunda é o “BOM ANO”! Quanto à primeira, tal como uma vez o Pacheco Pereira, cuja dúvida sua eu também manifestei quando há uns anos ao Seguro escrevi, ainda ele era aquele responsável chefe da oposição, eu também hesitei em como lhe chamar. Por “Tu” “Companheiro” também porque não o sou, a não ser desta terráquea vida; por “Camarada” muito menos, pois nem de armas fomos, de modo que resta o quê? Por chefe da oposição chama-o o Costa e Dr. chamo eu a quem conheço, portanto, dadas as suas qualificações e estatuto eu, muito portuguesmente, vou trata-lo por Sr. Dr. Está bem assim? Quanto à segunda, ao “BOM ANO”, se reparar o título tem-no em duplicado. Perguntar-me-á: porque será? Simples Sr. Sr., simples: Não é um desejo a dobrar, pois isso seria excessivo. O primeiro é uma afirmação, assim como quem diz: Foi um bom ano, não foi? E, como a seguir, se tiver paciência para me ler vai descortinar, o segundo, pronto concedo, é um desejo, não só fruto da minha boa educação, mas também como na continuação deste que se acaba, um desejo para que continue assim. Assim, sendo o “Seguro” da Geringonça, percebe? Que muito a si deve. Aliás, quase tudo a si deve. Surpreendido? Vamos começar pelo fim: Pelo Défice. Como seria possível este Governo alcançar o desiderato de não o deixar acima dos 3%, nem nos 2,7 prometidos e nem dos 2,5 acordados com Bruxelas, se não fosse a sua resiliência, mais a da sua musa Marilu, em sustentar a sua impossibilidade? Se não o tivesse feito nem o Governo teria aquelas ganas que teve em contradizê-lo, nem teria mesmo como ultrapassar a meta. O Sr. Dr. foi o seu estimulante, já reparou? Não foi nada aquela “esquerda radical”, foi o Sr. Dr. Já reparou, repito? Lembra-se, lembra-se de certeza pois ela foi ensaiada, daquela rábula, pois só pode ser rábula, a daquela memorável entrevista do Gomes Ferreira à sua musa quando esta repetidamente atestou da sua impossibilidade, assim como, mal comparando, um ateu nega a existência de Deus? Mas que outra razão terá havido se não a desta maioria cismar em contradizê-lo, mais à sua musa? É para isso que serve uma oposição responsável Sr. Dr., é para isso…Outro exemplo: Como poderia este Governo repor Feriados se o Sr. Dr. em boa hora não os tivesse cortado? Como poderia teimar em aumentar Pensões, uma côdea nós sabemos, se o Sr. Dr. não tivesse jurado que ia cortar 600 milhões? Tudo para o contradizer, tudo para o incentivar a cumprir a sua missão de oposição responsável. O que o Sr. Dr., na senda do Seguro, tem feiro na perfeição. Eu sei que ao outro eu quis mandá-lo para Marte e ele ficou-se por Alcobaça, ou lá onde é, mas ao Sr. Dr. eu rezo para continue e continue com essa clarividência que tem demonstrado. E não se deixe enganar pela Cristas pois ela, andando atrás de si como numa roda, pode inverter a marcha e esbarrar-se consigo. Não deixe! Eu até que poderia acrescentar aqui mais mil e um exemplos, mas, como o Sr. Dr. já bem compreendeu, e os leitores também, seria exaustivo e redundante para o meu raciocínio, de modo que vou terminar unicamente com o exemplo do Diabo! Repare no exemplo da Igreja Católica: passou séculos a falar no Diabo, e das profundezas dos infernos, até que o Papa Francisco o abjurou. Como poderia o Papa Francisco tê-lo abjurado se com ele a Igreja não tivesse passado uma vida a ameaçar os crentes?

De igual modo, como poderia ter o Costa afirmado que, afinal, o Diabo existe é o diabo, se o Sr. Dr., mais a sua musa Marilu, não tivessem andado tempos e mais tempos a clamar por ele? Continue Sr. Dr., continue e obrigado por nos fazer ver as coisas…Neste caso, e por acaso, até o seu contrário…

Fonte: BOM ANO Sr.Dr., BOM ANO! | À Esquerda do Zero