Realidade paralela ou a esquizofrenia no poder

(José Goulão, in AbrilAbril, 09/09/2024)

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O conceito só não assenta que nem uma luva na classe política ocidental porque esta aperfeiçoou-o, transformou essa desconexão numa outra e paralela realidade na qual tenta convencer-nos a viver, nem que seja à força ou insistindo em truques de ilusionismo, manipulando os nossos cérebros.

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Quem não percebe isto, não percebe nada

(Carlos Marques, in Estátua de Sal, 07/09/2024, revisão da Estátua)


(Este texto resulta de um comentário a um artigo que publicámos de Pedro Almeida Vieira (ver aqui), sobre a suspensão do X no Brasil.

Porque o tema é polémico e está longe de ter uma abordagem consensual, resolvi dar a este artigo, em jeito de contraditório, um consequente destaque.

Estátua de Sal, 08/09/2024)


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Defender a democracia e a liberdade passa por proibir, censurar, enforcar, queimar na fogueira, exterminar, todas as redes sociais baseadas nos EUA. Quem não percebe isto, não percebe nada.

Na guerra não tão fria que está a decorrer, o campo da (des)informação e da propaganda é logo onde se trava a primeira batalha.

Quem aceita os Musks e os Zuckerbergs, como se isso fosse “liberdade de expressão”, é um idiota, que está a fazer o equivalente a abrir uma linha defensiva, para deixar passar os tanques do império invasor, e diz que essa passagem dos tanques é “em nome da liberdade de circulação”.

Que ridículo este autor, como tanta gente, não ter um cérebro para perceber que as redes sociais dos EUA atuam todas em nome do império genocida naZionista.

São usadas para manipular percepções, para mentir descaradamente, para promover os amigos do Império e para falar mal dos outros, até ao ponto das redes de Musk e Zuckerberg e companhia serem hoje em dia uma peça fundamental dos golpes levados a cabo pela CIA.

A propósito disto, o porco imperialista fascista Elon Musk, falava assim sobre o golpe da CIA na Bolívia, em apoio aos fascistas racistas daquele país: “Nós (os EUA) golpeamos e invadimos quem muito bem entendermos”.

Assim, com a fação azul da Casa Branca, Musk recebeu mundos e fundos, e agora com a fação vermelha da Casa Branca, Musk pode até vir a ser uma espécie de “ministro” do Trump(a).

Meus senhores, ou nos defendemos dos porcos imperialistas, ou eles colocam países inteiros a arder só para seu bel-prazer. Teria sido bem mais difícil fazer o golpe Maidan, (CIA + UcraNazis), em 2014 se não fossem as redes sociais do Império, seus agentes e bots.

Hoje em dia, se alguém apoiar a Palestina, pode ser censurado pelo Musk, mas se alguém apoiar o genocídio, pode ser catapultado mediaticamente pelo Musk. É este o poder, totalmente esmagador e antidemocrático de uma rede social global com milhões de utilizadores, em que o “algoritmo” está nas mãos de um bilionário fascista, e os servidores estão em solo dos porcos imperialistas ao abrigo dos Patriot Acts, à mercê da NSA e à mão de semear da CIA.

Se o Brasil proibiu o X/Twitter, proibiu muito bem. Proíba também o Facebook e companhia. É isso que os países democráticos, livres, soberanos, e pacíficos, devem TODOS fazer. E sim, se só o Brasil o fez até agora, isso significa que o Brasil é até agora o único que está certo.

Infelizmente não foi este o debate que se teve no Brasil. Discutiu-se meramente uma tecnicalidade. Os juízes não protegeram o Brasil da agressão do Império. Simplesmente fez-se cumprir uma lei.

Quanto ao autor, vai mais uma entrada a pés juntos: com que então é simplista descrever Lula como bom e Bolsonaro como mau? Então querias o quê? Criticar o democrata que luta pelo seu país e pelo seu povo, que lutou contra a ditadura e contra a prisão política? E querias elogiar o fascista analfabeto, que durante um mandato infernizou a vida dos brasileiros, e andou a fazer de vassalo dos interesses económicos do capitalismo mais porco de todos, e do imperialismo criminoso dos EUA de mãos dadas com os genocidas naZionistas? Sim, um lado é bom, o outro é mau. Não é simplista, é factual.

Por fim, adeus. Vou ali ver mais uns posts no Telegram enquanto a ditadura EUrofascista não censura aquilo tudo, depois de prender o Durov.

É assim o Império. É mau e quer o monopólio de tudo. Não pode ver a Huawei a ser superior às tecnologias ocidentais que manda logo prender a CEO da empresa e proibir o uso de tais equipamentos.

Não pode ver o TikTok ter mais sucesso que as ferramentas do Império, que manda logo censurar a rede e obrigar a que seja vendida a um porco capitalista imperialista dos EUA.

Não pode ver a Lavabit a defender a privacidade dos emails perante o “Big Brother” do FBI, que manda logo perseguir Snowden e fechar os servidores da empresa onde ele (e eu) tinha conta de email.

E agora não pode ver o Telegram ser um sucesso, com privacidade garantida e um meio de contra atacar a propaganda ocidental, que manda logo prender Durov e pressiona ainda mais para lá instalar as backdoors que os Musks e Zuckerbergs já há muito tempo abriram do seu lado.

O autor do texto, publicado na Estátua de Sal, não sabe o Mundo em que vive.

Se fosse um gaulês, ia abrir os portões da vila do Asterix para lá deixar entrar os romanos entrar, em nome da “liberdade e democracia”, pois claro…

E vou mais longe: a CNN Portugal devia ser encerrada e quem lá se prostitui devia ser preso por traição a Portugal. O canal i24, de Israel, já devia ter sido proibido em Portugal desde que começou, logo no primeiro dia, a promover o genocídio. Os canais dos nazis ucranianos deviam estar censurados. Tudo quanto é canal do Império anglo-americano (FOX, BBC, etc), ou da propaganda anti nação (Euronews), devia estar proibido.

Portugal, ao não se ter protegido, ao não ter defendido a sua linha da frente no campo de batalha da informação, tem hoje 95% de pessoas que acham que matar meio milhão de iraquianos, ou invadir o Afeganistão durante 20 anos, ou destruir a Líbia, a Síria, a Sérvia, etc, é “defender a democracia e liberdade”, e que ter urgências de hospitais a fechar – enquanto se gasta mais dinheiro a comprar armas made in USA e a enviá-las para os nazis ucranianos -, é “em nome da liberdade de expressão e contra as ditaduras”.

E o que andam a fazer aí os mentirosos compulsivos com a propaganda genocida do Império, no New York Times, no The Guardian, no Washington Post, etc?

O que é que essa m*rda está a fazer dentro do nosso lado do campo de batalha informacional? Os mesmos cabrõ*s que celebraram 10 anos de prisão de Julian Assange, que fazem de conta que os seus donos naZionistas não assassinaram já mais de 170 jornalistas na Palestina! Os mesmos filhos de uma grande p*ta que todos os dias branqueiam nazis ucranianos e nunca entrevistam um único morador da Crimeia!

Não temos defesas? Estamos todos a abanar a bandeira branca em relação a estas tropas do império anglo-americano? O que é que querem ler lá, nesses MainStreamMedia? Mentiras da CIA, do Mi6, ou da Mossad? Put* que pariu isto e put* que pariu também quem é burro demais para perceber o que se passa!

E mais, porque raio é ainda permitido o uso de sistemas operativos nos computadores que permitem a espionagem dos EUA, como são o Microsoft Windows, o McOs, e o Google Android? Imaginam os EUA a usar sistemas operativos de código fechado escrito em Moscovo ou em Pequim? Então porque é que nós o estamos a fazer em relação a estas ferramentas de controlo e espionagem cujo código fechado é escrito em Washington? Andamos todos a fazer de conta que não sabemos o que o Edward Snowden denunciou? A fazer de conta de que hoje em dia não é muitíssimo pior?

Meus caros, se são como o autor do texto, para o vosso problema a única cura é a morte. Em vida, não dá para curar tamanha ignorância e estupidez. A vossa incapacidade faz-vos vítimas fáceis da propaganda do Império. Ou se defendem do Império e isso é “autoritarismo”, ou baixam as calças e abrem as pernas e se colocam de cu para o ar e isso é “liberdade e democracia”… É este o truque. Enquanto não perceberem o truque, não percebem nada. No dia em que forem capazes de ver para além dessa manipulação enganadora, serão capazes de perceber tudo.

Repito: censurar o X de Musk, a CNN e a Fox, proibir marcas de tecnologia USAmericana, etc, tudo isto é não só compatível com a liberdade e a democracia, como aliás é o garante de que não somos enganados e manipulados ao ponto de nos tornarmos vassalos 100% domesticados, como os alemães que viram os EUA e os UcraNazis cometer TERRORISMO no NordStream, mas mesmo assim continuam a fazer de conta que não viram nada.

Pelo contrário, continuar a deixar a máquina de propaganda e manipulação imperial entrar-nos pela casa adentro, é a garantia de que nunca mais na vida teremos soberania, nem democracia real, nem liberdade de facto, nem sequer paz.

Quem não percebe isto não percebe NADA!

Fascismo 2.0 – A nova face da censura nas redes sociais

(Por Paulo Lancefield, in off-guardian.org, 21/08/2024, Trad. Estátua de Sal)


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O Facebook ganha apenas cerca de 34 libras por ano com o cliente médio no Reino Unido – um pouco menos de 3 libras por mês (e isso antes dos custos), logo claramente não há espaço ou motivação para um nível humano de serviço ou atenção ao cliente. O utilizador não é o cliente; em vez disso, ele é o produto cujos dados são vendidos aos anunciantes.

Assim, os utilizadores não têm um relacionamento direto de cliente com a plataforma. A rede não é diretamente incentivada a “importar-se” com o utilizador antes do anunciante. E não importa onde você esteja – no espectro que vai “do valor absoluto da liberdade de expressão” até à “as entidades privadas têm o direito de censurar qualquer utilizador” -, pois, com margens tão baixas, é inevitável que o processamento da máquina tenha que ser usado para moderar publicações e lidar com a interação com o cliente.

Mas, é um facto que as capacidades de processamento e gestão de clientes, que estão evoluindo agora nas Redes Sociais, estão a ser utilizadas de várias maneiras além da moderação. E também é verdade que esse processamento automatizado está sendo feito larga escala e agora é aplicado a cada publicação que cada membro faz. 68% dos eleitores dos EUA estão no Facebook. No Reino Unido, são 66% e na França, 73,2%. Os números são semelhantes para todas as nações democráticas do Ocidente. Portanto, é de vital importância que as regras aplicadas sejam politicamente neutras.

O poder que existe, inerente â capacidade de processar por máquina todas as publicações dos utilizadores, é muito mais profundo do que talvez muitos julguem. E embora não possa ditar diretamente o que os utilizadores escrevem nas suas mensagens, tem a capacidade de moldar, no essencial, quais mensagens que, sendo transmitidas e partilhadas, ganham mais força.

Os serviços de mídia social tornaram-se verdadeiras praças públicas e a maioria concordaria que os seus proprietários corporativos deveriam evitar colocar a mão na balança e influenciar a política.

Além disso, como todos os que usam o Facebook sabem, especialmente quando se trata de tópicos politicamente sensíveis, o sistema qualificará o alcance de um indivíduo; às vezes em num grau extremo. Ou esse utilizador será simplesmente banido por um período de tempo, ou banido da rede completamente.

Então, podemos fazer a seguinte pergunta: já que as corporações de mídia social têm tanto poder de censura, como podemos saber se elas não estão a envolver-se em interferências políticas antiéticas? Podemos confiar-lhes essa responsabilidade?

Voltarei a essa questão, mas está claro que confiar nessas corporações é um profundo equívoco.

A pandemia acordou muitas pessoas para os níveis de controlo que os responsáveis ​​pelas redes sociais estão a impor. Eles escrevem as regras para aumentar a adesão a publicações que eles querem favorecer, tornando as contagens de seguidores de certos indivíduos mais valiosas. Por outro lado, utilizadores que vão contra a corrente (ou contra a narrativa do establishment) veem a sua divulgação subtilmente reduzida ou até mesmo boicotada, ou podem ser mesmo banidos do serviço completamente. E a prova é que, um pouco ao arrepio dos princípios democráticos, limites ao equilíbrilo do Facebook, do Twitter e do YouTube foram colocados com grande firmeza.

Quando Elon Musk comprou o Twitter, ele convidou os jornalistas independentes Matt Taibbi, Bari Weiss e Michael Schellenburger para, nos escritórios do Twitter, pesquisarem as comunicações internas da empresa e ver até que ponto os proprietários anteriores estavam censurando os tweets dos utilizadores.

Os Arquivos do Twitter são o resultado, e eles demonstram claramente que houve interferência em grande escala e que também, em muitos casos, foi por motivos políticos. A equipe dos Arquivos do Twitter estabeleceu que agências governamentais foram fortemente incorporadas na empresa, monitorando e censurando cidadãos dos EUA, e que agências governamentais de outras nações estavam regularmente (fortemente) a solicitar ações de censura aos seus cidadãos. Mas mais do que isso: eles também revelaram níveis semelhantes de interferência que estavam a ocorre noutras redes de mídia social, como o Facebook.

Mas desde que o Twitter apresentou evidências de interferência, uma nova e potencialmente ainda maior ameaça de interferência surgiu: a IA.

Houve um tempo em que parecia que algoritmos eram o único tópico de conversa que os profissionais de marketing digital podiam discutir. E como não há margem para intervenção humana no nível de publicações individuais, algoritmos era o que era usado.

Para começar, elas eram bem simples, como as equações que praticávamos nas aulas de matemática da escola, e eram relativamente fáceis de resolver. A ascensão do Google foi impulsionada por uma ideia simples, mas brilhante: contar os acessos externos a uma página da internet como um indicador da sua relevância.

Mas, os algoritmos deram lugar a modelos de aprendizagem artificial mais complexos que ainda, no fundo, dependem de algoritmos, mas agora são gerados automaticamente, sendo tão vastos que qualquer tentativa humana de os desvendar é inviável. Então, limitamos o nosso conhecimento sobre eles ao que eles podem alcançar, que coisas significativas podem discriminar, em vez de se saber exatamente como o código funciona.

E agora entrámos numa terceira geração de tecnologia. A aprendizagem das máquinas transformou-se no desenvolvimento de Large Language Models (LLMs) ou, mais popularmente, IA. E, com essa última evolução, os gestores das corporações encontraram imensas e assustadoras novas oportunidades de poder e controlo.

A criação de LLM implica formação. A formação confere-lhes competências e preconceitos específicos. O objetivo do treino é preencher as lacunas, de modo a que não haja buracos óbvios na capacidade dos LLMs para lidar com os blocos de construção da concetualização e do discurso humanos. E esta é a caraterística distintiva dos LLMs; podemos conversar com eles e a conversa flui, e a gramática e o conteúdo parecem normais, fluentes e completos. Idealmente, um LLM actua como um mordomo inglês refinado – educado, informativo e correto sem ser rude. Mas a formação também confere especializações ao LLM.

No contexto das redes sociais – e é aqui que os níveis assustadores de poder começam a tornar-se evidentes – os LLMs estão a ser usados para atuar como monitores, impondo a “moderação de conteúdos”.

O Llama Guard da Meta – a empresa proprietária do Facebook – é um excelente exemplo, treinado não só para moderar, mas também para informar sobre os utilizadores. E esta função de relatório incorpora não só a oportunidade de relatar, mas também, através desses dados de relatório, a exploração de oportunidades para influenciar e fazer sugestões sobre o utilizador e para o utilizador. E quando digo sugestões, um LLM é capaz não só do tipo óbvio, que o utilizador pode acolher e ficar feliz por receber, mas também de um tipo inconsciente mais desonesto, que pode ser manipulador e destinado a controlar.

Ainda não há evidências reunidas (que eu saiba) de que alguns LLMs em particular estejam a ser usados ​​dessa forma; ainda. Mas a capacidade está certamente lá e, se os comportamentos passados ​​indiciarem os desenvolvimentos futuros, provavelmente serão usados ​​dessa forma.

Se não acredita, basta ver o episódio de 2006 do programa de televisão de Derren Brown “Derren Brown: The Heist”, em que ele convence um grupo de estranhos de que têm de cometer um assalto a um banco, para ter a noção de quão profundo e poderoso pode ser o uso da sugestão. Para quem não conhece, Derren Brown é um hipnotizador de palco e mentalista, que tende a enfatizar o poder da sugestão sobre a hipnose (a maioria dos seus espetáculos não contém qualquer hipnose). Apenas através do poder da sugestão, ele consegue que as pessoas façam as coisas mais extraordinárias.

Sugestões do tipo “Derren-Brown” funcionam porque o cérebro humano é, na verdade, muito menos ágil e muito mais linear do que julgamos. A consciência é um recurso precioso e muitas ações que fazemos com frequência são transferidas para o hábito, podendo então fazê-las sem pensar, o  que nos permite preservar a consciência para quando e onde ela é mais necessária.

Por hábito, mudamos de velocidade num carro de mudanças manuais sem ter de pensar nisso. E todos nós já experimentámos aquele jogo em que temos um tempo determinado para pensar numa lista de coisas, como países, que terminam com a letra A. Se formos colocados nessa situação, em frente a uma multidão, pode por vezes ser difícil pensar em qualquer coisa. Muitas vezes, o cérebro não é assim tão bom a pensar de forma criativa ou a evocar uma recordação rápida e consciente no momento.

Mas, se alguém com quem você falou alguns minutos antes do jogo lhe contou sobre as suas férias no Quénia, você pode ter certeza de que Quénia será a primeira resposta a surgir na sua cabeça. Mais do que isso, a associação acontecerá automaticamente, quer queiramos ou não!

É simplesmente assim que o cérebro funciona. Se a informação for transmitida no momento certo e da maneira certa, pode ter quase a certeza absoluta de que a sugestão dada será seguida. Derren Brown entende isso e é um mestre em o explorar.

Os mecanismos de busca e as plataformas de mídia social exercem imenso poder para induzir comportamentos por meio de sugestões subtis. E, de facto, há evidências de que o Facebook e o Google fazem isso.

O professor e investigador Dr. Robert Epstein – por assim dizer – “apanhou o Google” a manipular a caixa de sugestões de pesquisa que aparece por baixo da caixa de texto onde os utilizadores introduzem um pedido de pesquisa. O episódio tornou-se ainda mais sórdido quando se tornou claro que estavam a ser enganadores e que tinham a perfeita consciência de que as suas experiências não eram éticas. Não vou contar todos os pormenores, mas vejam as hiperligações para este caso – é, só por si, uma história bem interessante.

Os utilizadores estão num estado mental particularmente confiante e recetivo quando utilizam as hiperligações sugeridas pelo Google e não se apercebem quando os resultados contêm sugestões de ação e imperativos que, longe de serem a melhor resposta à pesquisa realizada, estão lá para manipular as acções subsequentes do utilizador.

Em relação às publicações nas redes sociais, a utilização de sugestões é frequentemente muito mais subtil, o que torna mais difícil a sua deteção e resistência. A análise LLM da base de dados das publicações dos utilizadores pode revelar publicações relacionadas que fornecem sugestões de acções. Neste caso, a rede pode utilizar o facto de ter muitos milhões de mensagens de utilizadores à sua disposição, incluindo mensagens que sugerem resultados preferidos. Essas mensagens podem ser selecionadas e promovidas preferencialmente nos feeds dos utilizadores.

A moderação de conteúdo é, claro, necessária para lidar com linguagem inaceitável e comportamentos antissociais. No entanto, há uma grande área cinzenta onde opiniões desagradáveis ​​podem ser rotuladas como “discurso de ódio” e, por ser uma área cinzenta, há muita margem de manobra para a rede social se intrometer na política pessoal e no espaço da liberdade de expressão.

O termo “discurso de ódio” tem sido um dispositivo muito eficaz para justificar o uso do “martelo da proibição”, mas a principal preocupação agora é que, com a implantação dos LLMs, um grande marco histórico passou com apenas um sussurro, o que implica um nível totalmente novo de tais restrições e ameaças à liberdade de comunicação dos utilizadores.

E esse marco é que agora os LLMs estão a ser usados para governar o comportamento humano e não o contrário. A passagem deste marco quase não foi notada porque já anteriormente tínhamos algoritmos mais simples a desempenhar esse papel e, de qualquer forma, tal não é feito às claras.

Os utilizadores só se apercebem disso quando são afetados por isso de uma forma óbvia. Mas, mesmo assim, há amplas razões para pensar que, no futuro, poderemos olhar para trás e reconhecer que, este marco, foi uma espécie de momento crítico, após o qual se tornou inevitável caminharmos para uma versão de um futuro semelhante à “Sky-Net”.

Na semana passada, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou uma iniciativa da polícia para utilizar as redes sociais para identificar as pessoas envolvidas na repressão da desordem pública, ilustrando a forma como os relatórios automatizados do LLM estão prontos a ser utilizados para além das redes sociais e no contexto da aplicação da lei.

Ainda não há pormenores sobre a forma como esta monitorização será feita, mas, tendo experiência de apresentação de projectos tecnológicos, pode ter a certeza de que o governo terá uma lista de empresas de tecnologia a sugerir soluções. E pode ter a certeza de que os LLM estão a ser propostos como parte integrante de quase todos eles!

Assim, estabelecemos que os meios de comunicação social são fechados e proprietários e permitiram aí a criação de novas estruturas de poder. Vimos que os proprietários dos meios de comunicação social têm o poder de suprimir ou aumentar a viralidade de uma publicação e implementaram agora o policiamento e a comunicação por LLMs (IA), que parece estar prestes a alargar-se ao policiamento do mundo real. Vimos também, através dos ficheiros do Twitter, que as empresas de redes sociais violaram a lei durante a pandemia e mostraram vontade de colaborar com as agências governamentais para censurar e suprimir opiniões desfavoráveis.

Nota: Paul Lancefield é o autor do Desilo , um aplicativo para ajudar a virar o jogo contra a censura da IA ​​e a deturpação política. Se você concorda com Paul sobre o perigo que a IA representa para a liberdade de expressão, você pode ajudar simplesmente seguindo-o no X.

Fonte aqui