Escrevi o primeiro artigo de jornal em novembro de 1973. Estudante liceal em Setúbal, 15 anos. Primeiro artigo, primeiro choque com a censura do Estado Novo. O jornal que acolheu a minha peça, criticando o derrube violento por Pinochet do Governo de Salvador Allende – no altar sacrificial da doutrina Monroe -, era dirigido por um médico notável. O dr. Mário Moura, quase centenário, continua a ser, para mim, uma referência de integridade e coragem moral. De facto, foi ele quem me defendeu de problemas maiores com o censor local, o capitão Almeida. Este último tinha deixado publicar o texto, mas os superiores de Lisboa puxaram-lhe as orelhas pela desatenção.
Face ao que estamos a viver no Ocidente, em matéria mediática, a estória do capitão Almeida é enternecedora. Até poderia ser contada aos netos, antes de dormir. Há um conjunto complexo de razões para isso, onde sobressai a mudança de paradigma na censura. Esta já não limita o discurso através dos meios repressivos do aparelho de Estado, mas oferece estímulos de mercado para mobilizar colaboradores na construção de mantras convenientes, propostos por uma espécie de Ministério da Verdade (em versão neoliberal). É claro que o pluralismo real dos meios de comunicação, uma realidade apenas há 30-40 anos, parece hoje uma máscara virtual, tentando ocultar a crescente concentração monopolista dos media.
Com o recuo do poder e influência dos EUA, a situação descarrilou. Há inúmeros exemplos da colaboração de media como a Sky News ou a CNN, com Washington e Bruxelas no confundir da natureza de Gaza: um campo de extermínio apresentado como um campo de batalha.
O Ocidente afogou a bandeira dos Direitos Humanos na cumplicidade com um genocídio, onde a fome e a doença, mantida pelas armas do IDF, matam mais do que as bombas.
Sobre a recente Cimeira dos BRICS, o insulto substituiu-se à análise no Bild, no NYT e na própria BBC. A censura no Ocidente não gera consenso, mas sim conformismo, esculpido a golpes de mercado, combinando a cenoura e o chicote.
Pergunto aos leitores se sabem o que é a lei HR 1157 aprovada pela Câmara dos Representantes (EUA) por 351 contra 36, em 10 de setembro? Trata-se de um fundo quinquenal, dotado de 1,5 mil milhões de dólares, para financiar, pelo mundo fora, “os media e a sociedade civil”, na promoção da sinofobia, apresentada como combate à “influência maligna” da China. Trata-se de uma lei que transforma o jornalismo – esse instrumento de liberdade intelectual e procura da verdade – numa propaganda venal. Entre os repetidores, pululando hoje nos media, muitos o farão convictamente. Para não desperdiçar as oportunidades que o mercado oferece.
Esta Soller efetivamente não tem um pingo de vergonha: consegue desdizer com uma grande lata tudo aquilo que andou 2 anos e 8 meses a impingir aos otários que paparam as suas análises como se se tratassem das análises de uma especialista.
A Mata Hari XXXL
Bem, podia simplesmente fazer como a amiga, a Mata Hari XXXL que não voltei a ouvir falar da Ucrânia; agora é só Mossad e Torá, ou seja, a mesma atitude que teve após andar feita maluca a palrar e a dar como certo o Guaidó presidente. Agora é silêncio sobre a Ucrânia e vira-se para outro lado para espetar mais um rol de aldrabices e propaganda em relação a um novo assunto; ela não é a culpada, os culpados são os que lhe dão palco e os que lhe arranjam uns tachos com dinheiro público, ou seja, os borregos ainda pagam a quem os engana e até batem palminhas. Estes trastes deviam indemnizar o povo pelas aldrabices que lhes espetaram, durante quase 3 anos.
Bem, mas esta Soller ao contrário da XXXL até mete pena, consegue contradizer-se a ela própria e acho que nem percebe. Provavelmente também não saberá que alguns de nós temos vídeos dos momentos altos da criatura, aqueles momentos em que dizia e jurava a pés juntos que a Ucrânia ia recuperar todo o território, que estava a ganhar porque os russos, coitaditos, não tinham meios e que era impensável a Ucrânia perder esta guerra. Ora, vem agora a criatura dizer que é pouco provável que a Ucrânia recupere territórios?! Mas será que esta alma tem noção do que diz e desdiz? Agora percebo porque não conseguiu acabar o doutoramento num país onde nem sequer primam pela inteligência e cultura 🙄…
A mediocridade da criatura é óbvia e o grave é que nem se apercebe, daí dar pena. Diz a criatura que a melhor forma de dissuasão nuclear é a existência de armas nucleares; esta alma limita-se a palrar e a repetir, sem pensar, o que ouviu alguém dizer, algum irresponsável, ou o que leu num qualquer livro de relações internacionais escrito por um mentecapto a quem deram importância. O que é normal quando algumas universidades sugerem livros a pedido dos partidos ou da elite política. Desde que vi, como obrigatório, um livro cheio de gralhas, falsidades e alucinações de Sousa Lara, comecei a entender melhor a mediocridade que minou a sociedade portuguesa, a comunicação e algumas classes profissionais: estas almas não foram treinadas para pensar ou ter opinião, foram treinadas para repetirem, que nem papagaios, a merda que decoram e lhes impingem sem sequer questionarem ou perceberem as lacunas.
Talvez alguém possa explicar a esta coitada que nem sequer deviam existir armas nucleares, que quem criou as primeiras se arrependeu e que os amigos dela, os EUA, foram pioneiros no seu uso quando lançaram duas bombas atómicas em Nagasaki e Hiroxima. A pobre não estudou essa parte da História e com certeza desconhece os resultados. Pergunto-me se esta alma terá cara para falar de paz, ou para algum dia se dirigir aos povos, associações e movimentos pela paz e contra o armamento. Mas, acredito que a imbecil disse esta barbaridade, mas faz separação do lixo a pensar no ambiente: é preciso ser tão lerda que até dói 🙄.
Por outro lado convém que alguém avise a criatura que as armas nucleares não assustam a Rússia. Se a criatura fosse informada sabia desde o primeiro dia a capacidade bélica da Rússia, sabia que possui as 6 armas mais potentes do Mundo, sabia que tem mísseis hipersónicos, algo que os EUA não têm, sabia que o número de ogivas da Rússia e dos seus aliados é superior ao do Ocidente, e sobretudo conhecia a política nuclear russa: não é a Rússia que ataca países com armas nucleares, pelo contrário, usou primeiro o ferro velho que para lá tinha o que até foi uma vantagem, despejou o ferro velho em terreno alheio. Só esta pacóvia e outros idênticos acreditavam e fizeram acreditar alguns ignorantes que a Rússia não tinha armas, nem botas, nem fardas, etc…
A senhora deverá, pois, desconhecer que a política nuclear russa é defensiva, e que muito bom senso e sangue de barata tem Putin: os EUA, com as armas que a Rússia tem, teriam destruído a Ucrânia em 3 dias. Além disso, a senhora devia saber que se atacarem a Rússia e a destruírem, mesmo que não exista nem mais um russo para carregar no botão, haverá automaticamente retaliação porque a Rússia tem um sistema chamado “mão morta” que atuará sem intervenção humana. Isso sim, isso é dissuasão, senão há muito tempo que a Rússia já teria sido atacada pelos “bonzinhos” dos norte-americanos. A detenção de armas nucleares, por si só, não é dissuasão nenhuma até porque, se a capacidade de um país for inferior à de outro, o que até é o caso, não assusta ninguém. É o mesmo que um caniche a ladrar a um pastor alemão. Mas têm moral, lá isso sem dúvida que têm, mas a estupidez é tanta que ladram, ladram e nem se apercebem da sua insignificância.
É o caso dos políticos portugueses que andaram em excursão a Kiev. Uma visita era aceitável para fazerem o “papel” na UE, agora andarem sistematicamente a lamber o cú a um asqueroso antidemocrático; a um criminoso que vendeu o seu país e o seu povo por uns milhões de dólares; a um corrupto; a uma besta que permite o tráfico de crianças e em que a associação criada pela mulher está envolvida; a uma besta que manda matar cidadãos no seu país só porque são descendentes de russos ou defendem as suas origens e cultura russa – como foi o caso recente de uma jovem em Odessa, caso em que a comunicação social nem pia -, é vergonhoso e mau de mais.
O regime ucraniano é nazi, não é democrático. Aliás, neste momento afastaram toda a oposição, mataram uns e prenderam outros, fecharam meios de comunicação social, oprimem há 10 anos, mas agora é de forma totalitária, e esta gente que debitou disparates durante mais de dois anos é impossível que tenha um pingo de vergonha na cara.
Alguns deviam ser acusados pelas mentiras criminosas que debitaram mas esta Soller, coitada, devia era receber um atestado de incapacidade e um subsídio qualquer do Estado porque é mais do que evidente que aquela cabeça tem falhas graves e ela, coitadita, não tem culpa: aquilo não dá mais, sendo a culpa de quem lhe dá palco e a faz passar por tais figuras tristes; acho até que é bullying…
O Serronha
Depois temos o Tenente-General Serronha: “Bem, se não é o cessar-fogo, será a derrota da Rússia; acho um pouco exagerado… em 2025. A Rússia está com problemas económicos, especialmente na economia”. 😂😂😂 Este já está com demência, não? Ai a Rússia é que está com problemas económicos? Ou será a Europa e os EUA? Estes últimos, já há uns anos valentes, mas como emitem moeda quando lhes apetece e ninguém fiscaliza está tudo bem 😂. As televisões escolhem estas pérolas a dedo 😂😂. Derrota da Rússia, diz este 😂😂😂
O General Salsicha
Bem… O General Salsicha também teve o desplante de um dia destes dizer que a Rússia não tem mísseis hipersónicos. Este, não tarda, é contratado pela NASA. Calma aí, não é pela inteligência, é para substituir a cadela Laika: andam com uns problemas no regresso das naves 😂
Os avanços das ciências e das tecnologias, com evidentes conquistas para a Humanidade, têm evoluído ao serviço dos interesses e dos negócios do capital, perdendo-se pouco a pouco a vertente humana e social.
Hoje damos mais valor ao conhecimento teórico do que à experiência acumulada ao longo da nossa História. Camões já referia que importava o conhecimento, mas aliado às aprendizagens e experiências ancestrais.
Hoje, o tempo acelerou, não sobrando espaço para os nossos rituais lentos. Tempos de encontros onde se trocavam histórias e experiências, memórias e raízes, saberes e prazeres, de outros mundos que permitiam melhor entender o nosso.
Também no trabalho nos roubaram o espaço do prazer. Manuel Serrat relembra, quando se cantava «…a lavrar a terra, a picar a pedra, a amassar o ferro, encantando os gestos…».
Pouco a pouco roubaram-nos a voz para acompanhar quem trabalha, mas também para dialogar, entoar poemas ou contos, cantar e embalar. A voz para transmitir informações vai ficando entregue a interlocutores robotizados e monocórdicos. E como importa ser ouvido, ser capaz de escutar para ser compreendido!
Não nos calaram, nem nos ensurdeceram, com o silêncio nem com os sons da natureza, mas criando tanto ruído que nos entopem os ouvidos e surripiam os espaços de escuta.
O tempo, hoje, desvaloriza a mão e tudo o que esta representa para a Humanidade. Julgo até que a mão nos relembra a nossa dimensão.
Hoje, os teclados e os botões são a regra, usando apenas alguns dedos.
Tantos anos a desenvolver a capacidade da mão para trabalhar, escrever, desenhar… E com elas nos exprimimos, pensamos, criamos, mas também nos cumprimentamos, tocamos, acarinhamos. O uso das nossas mãos está intimamente ligado ao desenvolvimento e à activação do cérebro. O desuso das mãos poderá colocar o cérebro em cheque…
Roubaram-nos a capacidade de olhar e de nos encantar. Continuamos a ver, mas como absorver tantas informações, demasiado rápidas e excessivas, que nos cegam, nos distraem e que não conseguimos memorizar, ficando uma «amnésia» de tanto excesso!
Roubaram-nos a mobilidade, passando a maior parte do tempo sentados a trabalhar, ou refastelados no sofá e entretidos por ecrãs. Como integrar no nosso dia-a-dia a mobilidade no trabalho, no lazer, no brincar? Resta-nos, após o dia de trabalho, ir tonificar e relaxar para os ginásios, como uma reabilitação obrigatória e individual.
Roubaram-nos o conhecimento, a cultura, as recordações, ficando tudo guardado em memórias externas, na internet. Até o pensamento fica atrapalhado, confundindo onde encontrar as informações com o conhecimento destas. Também os pensamentos mais complexos e profundos ficam dificultados pelo desuso das nossas memórias e a perda da nossa literacia.
Agora querem-nos roubar e artificializar a inteligência… já conseguem falar, responder, escrever e criar por nós…
Pode saber bem viver adormecido, mas um dia roubarão as nossas almas.