Há quem deseje a morte de Guterres, não eu, mas…

(Carlos Marques, in Estátua de Sal, 2510/2024, revisão da Estátua)

Os nazis ucranianos estão furibundos com esta imagem…

(Este texto resulta de um comentário a um artigo que publicámos sobre a inclusão, pelos nazis ucranianos, do nome de Guterres na lista dos alvos a abater, (ver aqui).

Pela sua atualidade, e pela forma assertiva – e até polémica -, como analisa vários dos confrontos geopolíticos do momento, resolvi dar-lhe destaque.

Estátua de Sal, 25/10/2024)


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Agora resta fazer figas e esperar que Guterres tenha em breve o destino que os nazis do Mirotvorets querem para ele. Calma, eu já passo a explicar.

Não desejo a morte dele, mas se a sua morte servir para abrir os olhos dos europeus, para Portugal deixar de ser um dos vassalos mais irresponsáveis e com uma das “elites” mais corruptas, que colocam o país cegamente ao lado de nazis numa agressão proxy a uma potência nuclear (imaginem o estado de Lisboa depois do Rangel enviar um dronezito contra Moscovo…), e do lado de colonos ilegais e genocidas de “Israel” então, pelo menos, seria uma morte com utilidade para a humanidade.

Seria uma tragédia para a família de Guterres, mas um abrir de olhos para milhões de pessoas, tal e qual como o assassinato de Maria Dugina serviu para alguns russos iludidos com a “liberdade e democracia” do liberalismo ocidental deixarem de ser ingénuos e fáceis vítimas da propaganda do Ocidente que, até muito recentemente, a Rússia ainda permitia no seu próprio território apesar de ter estado dois anos a ver os seus canais de notícias censurados pelos nazis-sionistas genocidas.

Diz o órgão de propaganda ocidental, Politico, que dos 32 membros da NATO, há 7 que são contra a entrada da Ucrânia: EUA, Espanha, Alemanha, Hungria, Turquia, Eslováquia, e Eslovénia.

Portugal é um dos vassalos/corruptos que, pelos vistos, quer mandar jovens homens portugueses morrer numa trincheira ao lado de bandeiras vermelhas e pretas da UPA/OUN, ou, como já falei antes, chegar ao topo da escalada, e levar com uma bomba nuclear bem no meio dos cornos.

Se, por um lado, ver a tal ogiva acertar na testa do Montenegro, do Marcelo, da Mortágua, do Ventura, etc, até seria um momento de uma certa vindicação, por outro lado era capaz de aleijar também uns quantos inocentes.

Portanto, fica explicada a minha lógica para a frase inicial. Se uma morte puder evitar tudo isto e salvar Portugal, então será uma morte útil. Não a desejo, mas há que ser pragmático na análise, mandar o politicamente correto à fava, e não deixar nada por dizer.

Contudo, bem por perto de Guterres andam umas bestas que – essas sim -, mereciam mesmo deixar de gastar oxigénio. O Blinken, debaixo de sete palmos de terra, seria um maravilhoso bom começo. Um “11 de Setembro” numa convenção/angariação de fundos da AIPAC não seria terrorismo, seria justiça divina.

Infelizmente, eu já vivi o suficiente para saber que a Justiça não existe na humanidade (ou é tão rara como ganhar a lotaria); portanto só os inocentes é que vão continuar a morrer, e os maiores assassinos em série à face da terra vão continuar soltos e a lucrar. Um deles até teve o prémio Nobel da “Paz” em casa… Um prémio que foi dado por uma alegada Academia de alegadas Ciências, pelo “mérito” das suas promessas na corrida à Casa Branca. A continuar assim, qualquer dia dão o Nobel da Literatura ao Fernando Rocha.

Mudando de assunto, mas sem mudar de tema, já começou a tentativa de golpe “Maidan” feita pelo império ocidental na Geórgia. Isto na semana em que um político da Geórgia revelou que o Ocidente lhe sugeriu começar uma guerra contra a Rússia, aguentar 3 ou 4 dias, e depois receber “ajuda” como o Zelensky… O que irá na mente dos atrasados mentais que ainda acreditam na propaganda do Ocidente e, neste momento, estão nas ruas de Tbilisi a agitar bandeiras da UE, dos EUA, e da NATO? É a mesma coisa que vai na mente dos portugueses que votam nesse sentido.

Uma droga poderosa. Causa perda total de inteligência. Chama-se: propaganda do império anglo-americano nazi-sionista genocida.

Depois não se esqueçam de dizer (e partilhar textos de quem diz) que proibir canais, “jornais”, e redes sociais ocidentais é “censura” e “autoritarismo”. Quem ainda é cego o suficiente para dizer tal asneira em 2024, deve estar com vontade de ver Lisboa a arder, ou um buraco a fumegar no lugar onde antes havia uma Lisboa. E vontade de ver soldados portugueses mortos às carradas, e cemitérios cheios de campas novas e com bandeiras nacionais, como acontece na Ucrânia.

Permitir a propaganda e a mentira dos regimes NÃO faz parte da liberdade de expressão e de imprensa! É fundamental protegermo-nos disso. Não o fazer, é como ir para um campo de batalha a pé, desarmado, e nu. A lei anti agentes estrangeiros da Geórgia, pode bem ser o que vai salvar aquele país do desaparecimento, de se transformar, a mando de Washington, Londres e Bruxelas, num segundo cemitério de carne para canhão desta guerra por procuração do capitalismo supremacista branco ocidental (do qual Obama é uma das principais caras) contra todos os povos do Mundo que se recusam a ajoelhar.

A este propósito, veja-se como a propaganda, interferência, corrupção, e manipulação eleitoral na Moldávia – tudo feito pelo Ocidente que depois (mesmo atingindo o resultado pretendido, projeta os seus crimes em acusações completamente infundadas contra a Rússia) -, pode levar ao resultado oposto. Na menos má das hipóteses, será o fim da independência daquele país, e quiçá até na sua anexação por parte da Roménia. Na pior das hipóteses, levará a uma reativação da guerra contra o povo da Transnístria e quiçá também o da Gagaúzia.

Para já, os fascistas moldavos, comprados pelos dólares/euros do culto fanático e genocida liberal, conseguiram transformar 45% em 67% num passo de magia. Primeiro, abriram urnas a mais na UE, para o voto por correspondência e voto de gente de cérebro completamente lavado e de gente que nunca na vida voltará a viver no seu país. Depois, fecharam as mesas de voto na Rússia (onde há centenas de milhares de moldavos) para suprimir o voto dessa gente. Provavelmente os EUA deram assessoria, visto serem especialistas nesta prática. Assim, a minoria de 45% de residentes na Moldávia a aceitar a UE, passou a ser por magia um total de 51%. Depois, esses 51% são usados para alterar a Constituição, algo que à partida necessitaria de dois terços. Et voilà, transformaram 45% em 67%.

Melhor que isto, só mesmo em França (e nem vou falar do sistema eleitoral completamente anti proporcional, isto é, anti representativo, logo antidemocrático), onde o DITADOR Macron com 15% de apoio popular, fez um governo da terceira coligação mais votada (os Liberais) com o apoio dos quartos classificados (Republicanos). Assim, nem governam os vencedores (Esquerdas) nem sequer os que ficaram em segundo (Nacionalistas). Brilhante! Nem o fascista Cavaco se lembrou desta em 2015…

Ah, e o tal anão político com 15% de apoio popular, é um dos “líderes” europeus mais vocais em relação à escalada na guerra contra a Rússia, na adesão da Ucrânia à NATO ainda com a guerra proxy a decorrer, no envio de tropas ocidentais para aquelas trincheiras, na entrega de mais armas, na recusa de negociações de paz, e já agora no apoio cego aos nazi-sionistas genocidas e na repetição do “direito à defesa” como forma de praticar o extermínio sistemático de mulheres e crianças, ou seja, o GENOCÍDIO. E, em casa, gosta muito de neoliberalismo, austeridade, desigualdade, cargas policiais contra grevistas, cortes de pensões, etc. Uns 15% de burgueses nojentos ainda o apoiam, e valem por 100%. Enquanto 85% do povo contra ele nada vale.

Enfim, é a “Democracia” Liberal em todo o seu esplendor. Ou, como Marx muito bem a designou: a DITADURA da burguesia. Por isso é que ele percebeu e defendeu, (concordem ou não com os exemplos), que a única coisa que se lhe pode realmente opor é uma “ditadura” do proletariado. Há uns anos atrás eu não percebia isto. Felizmente, estamos sempre a aprender.

Eu, cá por mim, continuo a preferir uma social-democracia proporcional representativa, onde o poder da burguesia esteja bem castrado (através de instrumentos como o Sistema de Ghent ou a trela curtíssima para os lobbies), como acontecia no modelo nórdico, até há uns valentes anos atrás.

Mas, se insistem em atacar e desmantelar e até ilegalizar tal coisa, se calhar um dia destes merecem levar com umas foices e martelos na cornadura. E assim sendo, venha daí a liderança mundial da China!

Digo com orgulho que sou mais preto que o Obama

(Carlos Marques, in Estátua de Sal, 18/10/2024, revisão da Estátua)


(Este texto resulta de um comentário a um artigo que publicámos sobre a atuação de Israel em Gaza, no Líbano e nas suas relações com a ONU, do Major-General Carlos Branco, (ver aqui).

Pela sua atualidade e por manifestar, em parte, algum exercício de contraditório, além da forma assertiva como põe a nu as atrocidades de Israel e desmonta o apoio do Ocidente ao genocídio em curso, resolvi dar-lhe destaque.

Estátua de Sal, 18/10/2024)


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“As queixas do povo palestino não podem justificar os terríveis ataques do Hamas. E, esses ataques terríveis, não podem justificar a punição coletiva do povo palestiniano”. – citação do artigo.


A primeira frase é uma mentira e uma violação da lei mundial. A segunda frase é um facto que ninguém respeita. Sim, as queixas (invasão, ocupação, roubo de casas, terra arável e água, ditadura racista – isto é, apartheid, limpeza étnica constante, massacres frequentes, e genocídio lento, tornado rápido desde 7 de Outubro -, justificam tudo o que o Hamas e o Hezbollah fizerem. Aliás, o tribunal da ONU, o ICJ (sigla inglesa para Tribunal Internacional de Justiça), assim o decidiu: a resistência armada (isto é, violenta) contra o ocupante/agressor (o sionista “Israel”) é legalmente justificada, é um direito humano, é direito internacional, está na Carta da ONU.

Quanto à resposta dos nazi-sionistas ocidentais, via projeto colonial racista (“Israel”), tal como o ICJ decidiu, nada a justifica, nem assim nem assado. “Israel” é o agressor, e a Palestina é o agredido. O agressor/invasor não pode usar a resistência como desculpa para agravar a sua agressão/invasão. Esta decisão é do direito internacional, lei do mundo após tal decisão do ICJ ter transitado em julgado, como dizem os parolos dos advogados.

Ou seja, o Hamas tem o direito legal de repetir um 7 de outubro sempre que puder, especialmente legítimo quando feito em território da Palestina ocupada, que não fazia parte de “Israel” no mapa desenhado em 1947. Ou seja, “Israel” não pode entrar em Gaza nem na Cisjordânia e muito menos no Líbano, e já devia ter saído da Síria.

Ou seja, todos os que repetem “começou em 7 de outubro de 2023” estão a mentir e são, ou vítimas da propaganda nazi-sionista genocida, ou fazem parte do “polvo” de corrupção civil (por exemplo, as presstitutas pagas para mentir e manipular), ou de corrupção moral (por exemplo, quem acredita piamente na colonização da Mesopotâmia por homens brancos ocidentais, só porque são judeus).

Ou seja, estão a ser cometidos mais crimes contra a humanidade na Palestina ocupada diariamente, do que na guerra por procuração – já a caminho de 3 anos – dada aos nazis da NATO (EUA+vassalos), contra a Rússia.

Ou seja, andam à solta, na “democracia” liberal, monstros comparáveis a Hitler. E nenhum deles alguma vez será julgado como os outros foram em Nuremberga.

Ou seja, se há alguém que merecia sanções, bloqueio, isolamento, e ser levado de volta à idade das cavernas, são os países que vendem e até dão armas para que se continue um GENOCÍDIO, onde 99% das vítimas são civis, e onde 70% dos corpos despedaçados são de mulheres e crianças.

Ou seja, se alguém der um tiro no Biden, na Kamala ou no Blinken e companhia, no Trump, no Starmer, no Boris, no Sunak e companhia, no Scholz e na Baerbock, no Macron e na Meloni, na Leyen, no Stoltenberg e no Rutte, no Montenegro, no Marcelo e no Nuno Santos e companhia, e também nas presstitutas que fazem a propaganda desses porcos assassinos, isso não é um crime. É justiça. E eu adoro quando a justiça acontece.

Isto leva-me a outro ponto de discordância com o texto do Carlos Branco. É quando ele cita alguém que chama “sionismo fascista” a isto, por oposição a um alegado “sionismo liberal” supostamente benigno.

Porra! É preciso ser surdo e cego (mas não mudo) para, em 2024, não perceber que nazismo e genocídio, supremacismo branco e violação impune de direitos humanos, colonialismo e fascismo, são a base ideológica real do LIBERALISMO. Todo o paleio sobre “liberdade e democracia” é propaganda para enganar tolos. Liberalismo é o que está a passar-se em Gaza, em Kiev, e se passou no Vietname, Belgrado, Benghazi, etc.

Não existe uma diferença entre nazismo e liberalismo. Isto lembra-me uma notícia (omitida pelas presstitutas do nazi-sionismo genocida ocidental) sobre o Canadá há uns dias: queriam fazer um monumento para lembrar/homenagear as “vítimas da Rússia soviética”, mas quando foram ver os nomes dos cerca de 500 defuntos que queriam homenagear, constataram que mais de 300 dessas “vítimas” eram oficiais nazis (até mesmo das SS). Quando a notícia/escândalo se espalhou no Canadá, a construção do monumento não foi cancelada, foi suspensa até de corrigir o “mero lapso”.

Isto para lembrar que o Canadá é um dos líderes dos rankings da “Liberdade”, da “Democracia”, do Liberalismo em geral. É exatamente o mesmo regime que teve o Parlamento em pé a aplaudir um velhote das SS e, quando a coisa se tornou viral, em vez de pedirem desculpa, em vez de se demitirem, qualificaram às vozes antinazis como sendo “propaganda do Putin”.

Isto é o mesmo regime de todos os outros países do Ocidente: a mesma ideologia de todos os “democratas” liberais, desde a direção do Bloco de Esquerda até ao Chega, passando por todo o estrume do meio.

Isto é a mesma UE que proíbe a celebração do Dia Da Vitória – veteranos da Segunda Guerra até foram detidos pela polícia na Letónia! -, que compara o comunismo ao nazismo, que censura canais de notícias, que quer um “Ministério da Verdade” (tipo uma PIDE da UE/EUA), e que apoia descaradamente os nazis na Ucrânia (depois de passar décadas a apoiá-los às escondidas, ou a contratá-los para a máquina de terror da NATO). Isto é a ideologia da “democracia” liberal.

É só lembrar o seguinte: a tal da “Constituição dos EUA” que falava dos “homens iguais”, foi escrita durante a escravatura. Isto é a natureza dos regimes ocidentais, e infelizmente também de boa parte deste povo profundamente ignorante e racista, mas cheio de canudos universitários…

O facto de alguns países colocarem mulheres, jovens, negras e LGBT, à frente das câmaras e dos microfones, não muda a sua natureza. Apenas demonstra o quão maquiavélico o supremacismo branco se tornou. Mas a mim não me enganam. Estou vacinado contra a propaganda e manipulação. Sempre que vejo um Obama, sei que estou a olhar para um Hitler. E sempre que vejo uma Catherine Jean Pierre, sei que estou a olhar para o antigo homem branco que exterminou os nativos da América do Norte.

O racismo não acabou no Ocidente. Algo muito pior aconteceu: os pretos, latinos, etc, assimilaram completamente a ideologia do seu opressor. Agora chamam-lhe “progressismo”.

É por isso que quando veem um corpo de um bebé despedaçado em Gaza, repetem o que hoje diriam também Hitler, Goebbels, Himmler ou Göring: nós é que somos o lado bom, os outros são todos maus, por isso matá-los é justificado, é a defesa da nossa raça…

É isto o liberalismo. Nem mais, nem menos. É pior que o fascismo. Mas o que fazem estes nazi-sionistas genocidas no dia 25-Abril em Portugal? Colocam o cravo na lapela, e colocam-se de pé a aplaudir o discurso de um ditador nazi ucraniano que acha que glorificar os ucraNazis da antiga UPA/OUN e dos actuais Azov “é normal” – coloquei as aspas porque é uma citação do Zelensky! O palhaço que os liberais andaram a promover como o “campeão da democracia e da liberdade”.

É isso que estas duas palavras significam realmente na boca desta gentalha: nazismo, guerra, imperialismo, opressão, racismo, supremacia branca, colonialismo, mentira, violação dos direitos humanos, apartheid, massacres, invasões, tortura, terrorismo, sanções para provocar pobreza e fome, limpeza étnica, e um GENOCÍDIO em direto num campo de concentração com mais de 2 milhões de pessoas, 70% dos quais mulheres e crianças.

Por isso hoje digo com orgulho: sou antiliberal. Aliás, sempre fui, mas não sabia. E mesmo tendo a pele branca, posso também dizer com orgulho que sou mais preto do que o Obama.

PS: O Carlos Branco esqueceu-se também de dizer que o tal partido israelita que Einstein e Arendt compararam aos nazis, deu mais tarde origem ao Likud de Netanyahu, um partido que entretanto ganhou práticas e ideologia bem pior que o original, e é o mais votado pelos “inocentes” daquele projeto colonial racista e fanático religioso. O “Israel” é o JSIL (J substituindo a primeira letra do ISIL, sigla inglesa para “estado islâmico do Iraque e do Levante”) daquela região, tal como o jornalista do Greyzone uma vez disse: o Jewish State of Israel and the Levant.

Mas como essa explicação demora muito, eu prefiro ser mais direto: o “Israel” é uma ditadura colonial nazi-sionista, exterminadora de mulheres e crianças. Ou, como os liberais lhe chamam: “a única democracia do Médio Oriente

Os cortes de impostos da direita não funcionam nem fazem falta

(Vicente Ferreira, in blog Ladrões de Bicicletas, 18/02/2022)

Os impostos voltaram ao centro do debate em Portugal. Muitos, à direita, veem no nível de fiscalidade um dos principais obstáculos ao desenvolvimento económico do país. Apesar de ter sido responsável pelo maior aumento de impostos sobre as famílias desde o início do século, a direita tem feito campanha pela redução de impostos para todos. No seu programa eleitoral, o PSD propunha começar por baixar o IRC para as empresas e depois avançar para eventuais reduções do IRS para as pessoas. A IL defende simultaneamente uma enorme redução do IRC (que quer mesmo eliminar a médio prazo) e do IRS (que quer alterar para passar a ter apenas uma taxa, de 15%). O CH já chegou a defender a abolição do IRS, seguindo o exemplo de países como o Vanuatu ou as Ilhas Caimão, mas a proposta não consta do último programa que apresentou. Em todo o caso, todos querem reduzir os impostos em geral. Vale a pena tentar perceber os impactos que estas medidas teriam.

1. Cortes de impostos para as empresas: não funcionam como dizem

A direita tem repetido à exaustão que os cortes de impostos para as empresas estimulam o crescimento económico. A ideia é relativamente intuitiva: menos impostos sobre as empresas permitem-lhes aumentar os montantes que reinvestem, contribuindo para melhorar a produção e os salários. Nos debates para as eleições legislativas, o candidato da IL disse várias vezes que acreditava que a redução dos impostos se pagaria a si mesma através do crescimento gerado, pelo que o Estado não teria uma redução abrupta das receitas. O problema desta crença é que os factos teimam em desmenti-la, como mostra a recente revisão de literatura feita pelos economistas Philipp Heimberger e Sebastien Gechert.

Há estudos que usam diferentes indicadores: alterações nas taxas nominais, nas taxas efetivas ou nas receitas fiscais do Estado. Os efeitos avaliados podem ser de curto ou de longo prazo. A metodologia varia consideravelmente. E embora alguns apontem para um impacto positivo no crescimento, outros dizem que é nulo ou até negativo. Heimberger e Gechert analisaram dezenas de estudos empíricos sobre os impactos de cortes de impostos para as empresas e procuraram perceber se havia algum consenso. A conclusão é que, ao contrário do que os partidos de direita têm dito, não há evidência empírica que nos permita afirmar que esses cortes promovem o crescimento económico.

Temos até exemplos bem recentes do contrário, como o dos EUA: embora o governo de Donald Trump tenha cortado a taxa de imposto sobre as empresas de 35% para 21% (o valor mais baixo desde 1939), o investimento privado não acelerou e os salários não beneficiaram da medida. Quem ganhou verdadeiramente foram os acionistas e gestores de topo, cujos rendimentos beneficiaram do reforço da capitalização bolsista das empresas. Para os trabalhadores com salários médios ou baixos, o resultado acaba por ser negativo, dado que o Estado perde receita fiscal com que se financiam os serviços públicos de que todos beneficiam.

2. Cortes de impostos para os mais ricos: funcionam, mas só para eles

A ideia de que as medidas que beneficiam os mais ricos seriam boas para o conjunto da economia já é antiga. A economia “trickle down”, como ficou conhecida desde os tempos de Ronald Reagan e Margaret Thatcher, funcionaria da seguinte forma: enche-se o copo dos mais ricos e este acaba por transbordar para os que estão abaixo por via do consumo e do investimento privado, distribuindo os benefícios pela sociedade.

É isso que está na base de propostas como a da taxa plana de 15% para o IRS. A medida representaria um alívio fiscal de enormes proporções para os escalões mais elevados, ao passo que deixaria na mesma os 44% de agregados familiares que não pagam IRS (por terem rendimentos baixos) e deixaria quase na mesma quem recebe salários médios, já que os eventuais pequenos ganhos seriam mais do que compensados pela redução das receitas com que se financiam os serviços públicos. No essencial, a lógica da medida é a mesma: se se baixarem os impostos para os que recebem mais, os restantes acabarão por beneficiar do aumento do investimento dos primeiros.

O problema é que a realidade tem sido bastante diferente: Julian Limberg (King’s College) e David Hope (London School of Economics) publicaram este ano um estudo em que analisam os impactos de cortes de impostos para os mais ricos ao longo dos últimos 50 anos e concluem que não promoveram o crescimento prometido. “Focando-nos no desempenho económico, não encontramos efeitos significativos de grandes cortes de impostos. Mais especificamente, a trajetória do PIB per capita e da taxa de desemprego não são afetadas por reduções significativas dos impostos sobre os ricos, tanto no curto como no médio prazo”, escrevem os autores do estudo, que já tinha sido referido neste blog.

O único efeito visível que estes cortes de impostos têm é na desigualdade. Nas últimas décadas, os países que mais reduziram a taxa de imposto aplicada aos 1% mais ricos foram aqueles onde a fração do rendimento nacional captada por estes mais aumentou.

Ou seja, nesses países, o 1% do topo passou a arrecadar uma fatia ainda maior do bolo, como mostrou um estudo de Thomas Piketty, Emmanuel Saez e Stefanie Stantcheva (fonte do gráfico acima). Portugal é identificado pelos autores como um dos países que mais reduziu os impostos sobre os mais ricos, e a tendência foi a mesma: a fatia do bolo captada pelo 1% do topo aumentou, ao mesmo tempo que se reduzia a dos 50% da base da distribuição.

Entre os partidos de direita, a IL é o que tem sido mais vocal na defesa deste tipo de medidas. Os liberais costumam dizer que o seu programa económico já foi testado em vários países, e têm toda a razão. Mas era bom olharmos mais para os resultados que teve: mais concentração de riqueza no topo e mais desigualdades.


Fonte aqui


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