Uma ode à estupidez

(Tiago Franco, in Facebook, 28/01/2025, Revisão da Estátua)

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Em tempos achei piada escrever para desconhecidos. Por duas razões essenciais: estimular o debate e aprender com o pensamento alheio. E talvez uma terceira que passou, em certa altura, a ter importância. As pessoas verdadeiramente interessantes que, por causa desse debate, acabei por conhecer fora daqui, onde a vida acontece.

Entretanto passaram 15 anos. Ou 20, sei lá. E cada vez me apetece escrever menos. Não é que o quotidiano se canse de nos enviar temas de debate, nada disso. Mas a qualidade do argumento, o chorrilho de propaganda e as doses industriais de estupidez e burrice, fazem-me perceber que já não estamos à mesa, a bebericar um bom Borba e a trocar opiniões. Estamos no mercado a tentar convencer quem nos rodeia pelo grito. É uma modalidade que me interessa pouco e que me faz olhar para o trabalho que tenho para fazer no jardim com mais intensidade. Quero meter uma playlist do Spotify, agarrar no serrote e não pensar no quão idiota o Ser Humano consegue ser. Reparem no seguinte:

Um deputado açoriano do Chega resolve gamar malas no local mais vigiado do país. Esconde-as na Assembleia. Admite o crime. Enquanto isso, o líder do Chega Açores (o bom do Pacheco) diz que o Arruda só tinha 2 ou 3 malas dos pais (eram 17) e que é preciso fazer leis para punir jornalistas que dão notícias “más”. Reparem…aquele analfabeto nem conseguiu dizer “falsas”, o que já seria mau o suficiente.

Portanto, temos deputados com o QI de um macaco, a roubar malas e a vender roupa em nome próprio, num partido que quer “limpar Portugal”. E temos um milhão de portugueses que votam em gajos manifestamente burros (mas que aprovam leis) e jornalistas que dizem que o crime é risível e que há bem pior. Ou seja, por ser um deputado extremamente limitado, devemos quase ter pena.

Como é que se vota no Chega? Vejo duas hipóteses: és profundamente ignorante e não sabes nada de História. Ou, sabes bastante de História e, tal como Hitler chegou ao poder apoiado por industriais alemães, também tu imaginas que podes ganhar algo com um governo fascista que defenda os interesses dos mais ricos e esmague o estado social.

Este fascínio pelo ódio, pela divisão entre pessoas e por ditadores de alpaca, cansa-me. Quão estúpido tens que ser para vibrar com um ignorante como Donald Trump? Um presidente americano sem qualquer simpatia por seres humanos e que em tudo vê uma transação comercial? A Colômbia não aceita repatriados? Despacham-se umas sanções económicas. Gaza está arrasada? Ótimo…construção garantida numa zona com sol e mar. És fã das cripto moedas? O Donald também. Criou uma e com os seus próprios decretos assinados já faturou mais uma pipa (tudo muito normal).

Imigrantes contra imigrantes. Gente que foi parar aos EUA, como o rapaz da imagem acima, “mayor” de uma aldeia perto de Nova Iorque e que diz coisas como “a comunidade portuguesa até concorda com a expulsão desses imigrantes que não vêm para cá trabalhar”.

Leis cegas que são aplaudidas por mentecaptos que vivem entre o ódio e a frustração. Famílias inteiras que vão ser arrasadas, mesmo que não tenham qualquer delito no registo, para lá da falta do papel.Um bully laranja que ameaça o mundo usando a economia e as alianças. Taxas comerciais para aqui e para ali, fazendo crer aos seus eleitores que está a proteger a produção local quando, na realidade, carros, roupa, telefones, aviões e tudo o mais que se lembrarem, já são produzidos na China.

Tivesse a Europa líderes com eles no sítio e deixariam a América isolada, a fazer trocas comerciais do Maine para a Califórnia. Canadá, México, UE, Rússia, Ásia e Mercosul que se unam e logo vemos se o Trump assina mais algum decreto.

Metam a Nato onde o sol não brilha, voltem a produzir na Europa e aproveitem a oportunidade para cortar esta dependência e vassalagem humilhantes. Tenham um pouco de consciência e percebam que na propaganda da transição verde, o vosso Tesla serve, entre outras coisas, para financiar partidos de extrema-direita na Europa.

Musk não esconde o que pensa e para onde vai. Se a saudação não for suficiente, os apelos aos votos na Afd alemã devem chegar para percebermos que tipo de gente é esta que controla os dados, as comunicações e o dinheiro do planeta. Não há aqui nada de democrático ou sequer original. Toda esta história foi já vivida.

Quando se comemoram os 80 anos da libertação de Auschwitz, a Rússia, que meteu carne no assador para libertar o campo, ficou de fora das celebrações porque invadiu outro país. Israel, que arrasou um povo, está lá, a Ucrânia, cuja principal missão naquele campo era a de fornecer guardas para as SS, lá estará representada também. Não precisam de acreditar no que escrevo. O campo é aberto ao público. Passem lá e vejam as fotos dos guardas ucranianos. Esta coisa de misturar a História com o quotidiano e de ir mudando a narrativa consoante o invasor é algo que me enerva profundamente.

O Chega já vai quase com 20% dos deputados com problemas com a justiça. O BE não se cansa de meter os pés nas próprias causas. O PSD tem um secretário de estado que aprova leis para os solos e abre imobiliárias ao mesmo tempo. O Medina continua no parlamento apesar do Tutti Frutti. A IL também já desvia fundos e precisou de pedir o levantamento da imunidade parlamentar. Sabem quem é que anda nisto há 100 anos e não se mete em cambalachos? Pois é…

Entretanto, o Moedas, o pior presidente da história da CML, depois de ser contrariado pelos dados do relatório da PSP (a criminalidade baixou, ao contrário do que ele afirma), tem-se dedicado a desconstruir o relatório. Que idiota, presidente camarário de uma das cidades mais visitadas da Europa, quer passar a ideia de capital insegura? Como é que se pode ser tão pequenino, tão limitado?

O mundo está a tornar-se um lugar estranho, com milhões e milhões fascinados com ditadores e bilionários. Com informação a jorrar por todo o lado e gente incapaz de construir um raciocínio. Escolas que desistiram de ensinar a pensar e que se contentam com conceitos decorados. Há menos simpatia, menos conhecimento, menos espírito crítico, muito menos solidariedade pelo próximo. Estamos mais distantes. E mais burros. Não me levem a mal.

Há no entanto uma boa notícia: o incrível abanão chinês na corrida pela IA (inteligência artificial). Enquanto os magnatas da tecnologia andaram a convencer Trump que seria necessário investir milhares de milhões no desenvolvimento da IA, os chineses, com muitíssimo menos dinheiro, com sanções comerciais e chips antigos da Nvidia (2021), entraram na corrida com estrondo. Não basta despejar dinheiro nos problemas, é preciso algo mais. O número de habitantes com formação superior na China é cerca do dobro dos que estão nos EUA. Quem tem o conhecimento, por norma, avança mais depressa. A Laika que o diga.

Um pequeno aldrabão a caminho da fortuna!

(Por oxisdaquestão in Blog oxisdaquestao, 20/12/2024, revisão da Estátua)

Costa está a sair-se bem e em Washington apostam nele para completar o enfeudamento da neta de nazis que por acaso é nazi (dona Vonder Lidl ). Na NATO diz-se que o rapaz português é uma aposta ganha!

 Diz o jornal Público que Costa promete apoio total a Kiev e sem condições, incondicional. Para as normas do deficit não está mal afirmar que o apoio vai ser “custe o que custar”, qualquer que seja o rombo nas finanças nacionais.

Costa é um valente! Vá lá a gente saber quanto, do seu bolso, dará aos do batalhão Azov ou aos da intermediação imobiliária, nas zonas luxuosas do mundo. Nada disso interessa a Costa, lançado como está na senda do “último ucraniano a morrer” e do último euro a ser desviado dos orçamentos para o buraco negro aberto por Zelensky, o ex-presidente que teme eleições e ser chutado para canto!

 Com Costa a presidir é que vai ser, porque Costa faz o seu papel e tem altos objetivos na política europeida atual e futura; quem sabe se não aspira a ser o maior cangalheiro da zona, agora que um milhão já se foi e 2 milhões estão estropiados. As oportunidades são para serem agarradas e, Costa, é homem de peito feito a entrar pela Rússia adentro cavalgando Macron e arrastando Starmer pela arreata.

Na sua função de paleio, Costa tem todos os ases na mão; até a senhora Lidl se apaga para Costa refulgir e poder fazer todas as promessas que a NATO lhe indica: “até ao último desgraçado”, “até ao último tanque”, “até ao último euro”, “até ao último atentado terrorista”!

Costa é um sortilégio que casa bem com tudo quanto é último. Foi ele o último a levar um pontapé no cú para saltar do governo e deixá-lo aos parasitas da AD, que são mais do mesmo, excrescências de uma burguesia rasteira, falida e oportunista dos quatro costados.

 Outras coisas, porém, não iremos nós ver: Costa a comandar uma brigada de nazis debaixo de fogo ou a capturar um desgraçado para ser terrorista, treinado pelo MI6 inglês. O fato, a camisinha e a gravata não o permitem por serem tipo Conselho Europeido; são assim estas coisas…

Afinal de que se podem gabar os conservadores liberais?

(Carlos Matos Gomes, in Facebook, 08/12/2024, revisão da Estátua)


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As cinzentas tardes de Outono facilitam leituras cinzentas. Cinzentas como as cinzas das antigas braseiras. Um artigo de um número não muito antigo do Le Monde Diplomatique referia o domínio da Europa por elites conservadoras-liberais desde a “marcante” presidência do português Durão Barroso.

Afinal de que se podem gabar os conservadores liberais? De uma guerra por procuração na Ucrânia, da desindustrialização, da submissão aos EUA, da cumplicidade no genocídio do século na Palestina, da irrelevância internacional. Hoje na TV surgia a notícia de mais uma falência de uma fábrica fornecedora de componentes para a Auto Europa, a seguir a uma outra que fornecia bancos.

Mas, o interessante do artigo era a questão sem resposta, o que distingue Boris Jonhson, Keir Starmer, o secretário da NATO, a contabilista do Banco Central Europeu, o petit Macron e o petit Sholz?

Para a desindustrialização e a crise do estado social, os conservadores liberais propõem o desvio de capitais de setores produtivos e de prestação de serviços de bem-estar pelas despesas com compras de material de guerra aos EUA! Viva o liberalismo.

A contabilista do BCE, uma ultraliberal, impõe os juros com que os europeus pagam os seus empréstimos aos bancos privados – mercado? Livre concorrência? Isso é para tansos. Os petit do coração da Europa, Macron e Sholz o que propõem: Nada. Fugir! A Alemanha levar as fábricas para a China e os Estados Unidos, a França transformar a Renault num museu.

O que querem conservar afinal os conservadores europeus? A agua Pérrier para acompanhar o uísque escocês? E liberalismo o que é? Escolher entre dormir num banco da Gare du Nord ou da estação de Frankfurt?

Os conservadores e os liberais que há mais de 30 anos marcam o destino da Europa têm rosto e têm o dever de responder. Ou temos de perguntar ao Bugalho, que é um poço de ignorância, ou ao Paulo Rangel que é, de entre os furões ativos da politica portuguesa, um dos muito poucos que distingue o Comte do Kant e o preço do Guaidó do preço do Zelenski?