O banho da nojenta hipocrisia!

(Joaquim Vassalo Abreu, 27/09/2019)

Há certas coisas nesta vida que, por muito que não o queira, me causam repulsa e nojo. São os répteis, são certos esquisitos insectos e bichos, são os filmes de terror gratuito, os maus tratos a crianças e mulheres, os abusos sexuais a menores, o aproveitamento da pobreza alheia para beneficio próprio, mais coisas ainda deste género mas, acima de todas, a HIPOCRISIA.

E quando esta pretende fazer de alguém , utilizando a mais suprema demagogia e o desconhecimento e a voluntariedade das pessoas, seres aparentemente perfeitos, pretendendo com tudo isso atingir objectivos que qualquer sentido de ÉTICA nunca permitiria, então ainda com mais Nojo fico.

Gosta da Estátua de Sal? Click aqui.

E esta mesma HIPOCRISIA, principalmente quando alguém a utiliza falando de si próprio como alguém que essa mesma Ética pratica e da qual não prescinde, acabando com ela por demonstrar que Ética não tem nenhuma, então mais Nojo me dá ainda.

Falei acima de répteis, de insectos esquisitos e coisas mais, no fundo seres irracionais que sobrevivem num espaço onde se salva quem puder e é o que estes seres rastejantes parecem na sua hipocrisia: seres irracionais.

Porque a RAZÃO, os princípios civilizacionais pelas sociedades assumidos, o Direito e as regras e a plena aceitação do Homem como ser pleno de direitos e liberdades individuais inalienáveis, são aquilo que nos diferencia desses seres irracionais. E o não precisar de ser predador para viver, nem ter que violentar outrem para sobreviver…A cultura da Ética não pode conviver com a Hipocrisia.

E não pode valer tudo para um qualquer objectivo se alcançar. Eu percebo o quanto difícil é para a nossa Direita, nomeadamente para Rui Rio, nesta fase da nossa vida politica, fazer vincar as suas posições ideológicas nas eleições que se avizinham, ou a sua razão perante um governo e um Primeiro Ministro bem sucedidos, mas nunca é com golpes rasteiros e ignóbeis que tal se pode conseguir.

E, nesse aspecto, Rui Rio demonstrou ser também um ser equiparado aos seres citados e, pior ainda que um camaleão, ele veste a farda bonita, apregoa a ética mas, de repente, qual serpente aparentemente encantada, não resiste à traiçoeira ferroada.

O aparecimento brusco e “oportuno” em plena campanha do caso -Tancos, que aqui não vou dissecar pois também ele desde o seu principio me meteu Nojo, aparecimento esse propiciado por todos esses esgotos a céu aberto que são toda a comunicação social, amplificado por todos esses comentadores arregimentados que por eles pululam, mancomunados com Juizes e outros agentes do Ministério Público às suas ordens e serviço, foi de imediato aproveitado de uma maneira vil e nojenta pelo “puríssimo” Rui Rio. Um Nojo!

A Ética para Rui Rio significa Hipocrisia. E, como disse, a Hipocrisia é para mim o defeito humano pelo qual mais repulsa e nojo eu tenho.

António Costa há imensos anos na Politica e sem mácula muito bem lhe respondeu: “Não é aos cinquenta e oito anos que o Dr. Rui Rio me vai dar lições de Ética”.

Tal como no Brasil e nos EUA onde a utilização de tudo o que é falsidade, de tudo o que é hipocrisia, de tudo o que é mentira e de tudo o que é vil e ignóbil para conseguir convencer muitos incautos votantes acabou por prevalecer, também aqui esses rastejantes seres acham que, utilizando esses mesmos meios, o vão conseguir.

Cabe-nos a todos nós isso derrotarmos e assim devolver todo esse Nojo à sua procedência. Mas com uma dedicatória: “Que lhes faça bom proveito”!

O banho de Ética de Rui Rio foi tomado no lamaçal da Hipocrisia!

PSD: obrigado pelo striptease

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 09/11/2018)

Daniel

Daniel Oliveira

Vou ser breve com este assunto como fui com o de Barreiras Duarte ou outros semelhantes noutros partidos. Como percebem se acompanharem os meus textos, este é o tipo de tema que excita a comunicação social e não me excita a mim. Nem à esquerda, nem à direita. Deixo para outros colunistas especializados o papel de guardiões diários da moral – até ao dia em que alguém vá verificar a sua própria coerência. Eu gosto mais de política. Não é falta de exigência ética, é mesmo exigência intelectual.

É evidente que o comportamento de José Silvano é condenável. Que ter alguém a assinar as suas presenças é uma trafulhice que, num trabalho como o da maioria dos portugueses, levaria a despedimento por justa causa. Que ter alguém a entrar com a sua password pode roçar o crime – nunca deixará de me espantar pelo descaramento a rapidez com que o Ministério Público manda saber que está a investigar cada pequeno caso que belisque um líder partidário que não lhe faz grandes elogios. Seja como for, perante este caso, Rui Rio devia ter feito o que não fez com Feliciano Barreiras Duarte: ter sido rápido a afastar o deputado das suas funções internas no PSD. Não precisa de qualquer investigação para isso, chega o que o próprio já confessou.

Não basta a Rui Rio ser eticamente rigoroso consigo mesmo. Tem de ser rigoroso com os seus, o que quase sempre é mais doloroso e difícil. Compreendo a resistência em acompanhar o acelerador do tempo que faz de um pequeno caso um caso enorme. Mas, por mais que se resista, a política faz-se sempre no contexto em que se exerce. E o tempo está mesmo mais rápido.

Dito isto, tenho, como alguém que está à esquerda, de fazer alguns agradecimentos. De tanto ler o Observador, o Correio da Manhã e os seus avatares nos vários jornais estava convencido que todos os trafulhas se acoitavam nas sedes do Partido Socialista e que toda a hipocrisia comia caviar nos acampamentos de verão do Bloco de Esquerda. Foi preciso que a direita fosse liderada por alguém que não é do agrado dos acólitos do passismo, uma versão empobrecida da nossa tradição sebastianista com boas relações nas redações, para que descobríssemos alguns tesourinhos deprimentes do PSD. E alguns já lá andam há tanto tempo e foram tão poupados antes de Rui Rio os escolher.

De tanto ler o Observador, o Correio da Manhã e os seus avatares nos vários jornais estava convencido que todos os trafulhas se acoitavam nas sedes do PS e que toda a hipocrisia comia caviar nos acompanhamentos de verão do Bloco. Foi preciso que a direita fosse liderada por alguém que não é do agrado dos acólitos do passismo, com boas relações nas redações, para que descobríssemos alguns tesourinhos deprimentes do PSD

Feliciano Barreiras Duarte passeou durante anos com um currículo martelado e nós fomos poupados às suas mentiras. Repentinamente, quando apareceu ao lado de Rio, tudo se ficou a saber. E não foi por não ter responsabilidades anteriores: foi um muito relevante secretário de Estado de Passos. Suspeito que José Silvano, feito comendador da Ordem de Mérito por Cavaco Silva, antigo presidente da Câmara de Mirandela, ex-administrador de seis empresas municipais ou públicas, coordenador da Comissão Eventual para o Reforço da Transparência no Exercício de Funções Públicas (a ironia) e deputado entre 1995 e 1999, tendo voltado ao Parlamento pela mão de Passos Coelho, também não ganhou agora hábitos menos próprios.

Há, no entanto, um pequeno dano colateral deste streap-tease da direita: a oposição. Os deputados do PSD que querem apear o líder antes de serem apeados das listas têm-se esquecido que há um Governo e que estamos a um ano das eleições.

Longe de mim querer acabar com esta solidão da esquerda, em que o BE e o PCP têm de fazer, por falta de comparência, de governo e de oposição. Mas não seria mal, nos intervalos das ações de sabotagem ao vosso líder, fingirem que se opõem a Costa. Não precisam de o sentir, mas podiam disfarçar. Mentiria se dissesse que sofro ao ver o PSD transformando no campo de batalha de Verdun. Mas, apesar de tudo, a democracia precisa de ter oposição ativa. Quando acabarem os ajustes de contas, que o sobrevivente venha cumprir a sua função.

 

Silvanices

(In Blog O Jumento, 09/11/2018)

silvano

Não sei o que mais incómoda, se a indignação por ver um deputado a ganhar uns cobres de forma indevida ou a vergonha de ter um representante que recorre  a truques, digamos de um bordel, para ganhar mais uns trocos.

Como se tudo isto fosse pouco ainda temos um deputado que, de dia para dia, arranja novas desculpas e um dirigente que nos quis baptizar num banho de ética, armado em parolo a dar respostas em alemão.

O cargo de secretário-geral não é assim tão importante no PSD, está entre a secretária pessoal do líder e o mestre de cerimónias na sede do partido. Ainda assim, e apesar de ser modesto, ao longo dos anos este cargo foi desempenhado por gente com alguma qualidade e merecia mais cuidado por parte do PSD.

Convenhamos que, ter um secretário-geral que rouba fruta na casa do vizinho, não é uma boa ideia. Compreende-se que o senhor precise de ajeitar o ordenado, que uma deslocação para Lisboa tem custos, que provavelmente não são devidamente cobertos pelo que recebe no parlamento. Ma quem não quer ser urso não lhe veste a pele e se José Silvano acha que o cargo não tem compensação financeiramente então que volte para a terra.

É bom lembrar que, na sua primeira intervenção, o agora secretário-geral do PSD declarou que não temia ninguém e como garantia de qualidade invocou a sua condição de transmontano, como se o ser desta  ou daquela região lhe conferisse qualidades, raras noutras regiões. Bem, se não se importa de envergonhar o PSD talvez não fosse má ideia pedir desculpa aos seus conterrâneos.


Fonte aqui