Silvanices

(In Blog O Jumento, 09/11/2018)

silvano

Não sei o que mais incómoda, se a indignação por ver um deputado a ganhar uns cobres de forma indevida ou a vergonha de ter um representante que recorre  a truques, digamos de um bordel, para ganhar mais uns trocos.

Como se tudo isto fosse pouco ainda temos um deputado que, de dia para dia, arranja novas desculpas e um dirigente que nos quis baptizar num banho de ética, armado em parolo a dar respostas em alemão.

O cargo de secretário-geral não é assim tão importante no PSD, está entre a secretária pessoal do líder e o mestre de cerimónias na sede do partido. Ainda assim, e apesar de ser modesto, ao longo dos anos este cargo foi desempenhado por gente com alguma qualidade e merecia mais cuidado por parte do PSD.

Convenhamos que, ter um secretário-geral que rouba fruta na casa do vizinho, não é uma boa ideia. Compreende-se que o senhor precise de ajeitar o ordenado, que uma deslocação para Lisboa tem custos, que provavelmente não são devidamente cobertos pelo que recebe no parlamento. Ma quem não quer ser urso não lhe veste a pele e se José Silvano acha que o cargo não tem compensação financeiramente então que volte para a terra.

É bom lembrar que, na sua primeira intervenção, o agora secretário-geral do PSD declarou que não temia ninguém e como garantia de qualidade invocou a sua condição de transmontano, como se o ser desta  ou daquela região lhe conferisse qualidades, raras noutras regiões. Bem, se não se importa de envergonhar o PSD talvez não fosse má ideia pedir desculpa aos seus conterrâneos.


Fonte aqui

Criticar o hospital não é defender a doença, criticar a polícia não é defender o crime

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 24/10/2018)

Daniel

Daniel Oliveira

Os três alegados autores de vários assaltos a idosos na região do Porto foram, depois de oito meses de investigações, levados ao Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto, onde foi decretada a sua prisão preventiva. Ainda dentro do tribunal, os três suspeitos, dois irmãos gémeos e um sobrinho, conseguiram apoderar-se das chaves da cela do TIC, fugir por uma janela e apanhar um táxi. Foram apanhados 24 horas depois. Vários órgãos de comunicação divulgaram uma imagem dos três fugitivos, algemados e sentados no chão, quando foram recapturados. A divulgação destas imagens foi criticada pela Ordem dos Advogados, pelo Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas e pela Amnistia Internacional. Uma crítica dirigida a quem tirou as fotos, quem as deu aos órgãos de comunicação social e a quem as publicou. Ou sejam, o Sindicato dos Jornalistas fez aquilo que os sindicatos de polícia não fazem: criticou a sua própria classe. A Inspeção Geral da Administração Interna e a própria PSP abriram inquéritos separados para investigar a fuga e a divulgação das fotografias.

Para valorizar o trabalho da PSP, o Sindicato Unificado da Polícia de Segurança Pública decidiu republicar as fotografias com um comentário: “Aqui estão os campeões, obrigaram os polícias, depois de um excelente trabalho, a fazerem horas extra para a recaptura”. Parece-me que o maior crime destes três homens está bem longe de ser o desrespeito pelos horários dos agentes da PSP.

Não é fácil, neste tempo de recuo civilizacional onde todos os valores construídos pelas democracias e em que se baseia o Estado de Direito passaram a receber o carimbo de “politicamente correto”, explicar porque não se devem divulgar fotos de detenções, com pessoas algemadas e sentadas no chão. Porque não cabe à polícia organizar julgamentos internáuticos através da humilhação de suspeitos, por mais abjetos que sejam os seus crimes.

Cabe-lhes investigar, capturar, levar à Justiça (que cabe a outras pessoas) e encaminhar, quando é caso disso, para a reclusão. E não é por a PSP ter falhado neste último passo que se justificam formas mais expeditas de julgamento. E publicar estas fotos não contribui em nada para a execução da Justiça. Apenas contribui para o ambiente geral de abandalhamento institucional. Como deveríamos saber, o abandalhamento institucional não facilita a vida à lei, facilita a vida ao crime.

Criticar um hospital não é elogiar a doença, criticar os militares por causa de Tancos não é elogiar quem roubou as armas, criticar políticos eleitos não é elogiar a ditadura, criticar a polícia não é elogiar os criminosos. Para eles temos tribunais e prisões, um pouco mais eficazes do que a crítica, a que suspeito que serão pouco sensíveis

As investigações internas explicarão as razões da fuga e não serei eu a fazer aquilo que critico nos outros: a julgar sem qualquer dado. Apenas sublinho que era à guarda da PSP que aqueles homens estavam. Criticar a PSP por os ter deixado fugir é tão legítimo como elogiar a PSP por os ter descoberto e capturado antes e por os ter voltado a recapturar. Elogiar e criticar um qualquer organismo público é o que pode acontecer em qualquer sociedade livre. Criticar um hospital não é elogiar a doença, criticar os militares por causa de Tancos não é elogiar quem roubou as armas, criticar políticos eleitos não é elogiar a ditadura, criticar a polícia não é elogiar os criminosos. É fazer o que se faz em democracia. Porque não criticamos os criminosos da mesma forma? Porque para eles temos tribunais e prisões, um pouco mais eficazes do que a crítica, a que suspeito que serão pouco sensíveis. Os dois inquéritos que se mandaram abrir são, por isso, absolutamente legítimos e totalmente independentes dos crimes cometidos por estes três suspeitos, de que os tribunais tratarão.

Infelizmente, a história não acaba aqui. O Sindicato Vertical de Carreiras da Polícia (é outro) ficou irritado por o ministro da Administração Interna ter, como a generalidade das instituições relacionadas com o tema, criticado a divulgação das fotografias. E decidiu publicar uma montagem fotográfica do ministro e de três vítimas idosas com as caras desfeitas pela violência. Diz a legenda: “Por favor, Sr. Ministro do MAI, Srs. da Amnistia Internacional, Sr.ª Cancio e todos os demais….indignem-se”. Não bastasse esta forma informal de um sindicato de forças de segurança comunicar com os cidadãos, como se fosse o nosso vizinho indignado a comentar no Facebook, a montagem pretende induzir-nos em erro. Não se trata de vítimas daqueles três suspeitos. Nem sequer vítimas de qualquer criminoso português. As fotografias que aparecem são de pessoas do Reino Unido e do Brasil e são antigas. Num momento em que nos preocupamos com “fake news” é inquietante ver que há agentes da autoridade que as promovem.

Vamos então rever a matéria dada. A PSP consegue, e muito bem, capturar três suspeitos de crimes contra idosos. Cumprida a sua função e a lei, leva-os ao TIC do Porto. Cumprindo a sua função e ao abrigo da lei, o juiz decreta a prisão preventiva. Falhando na sua função, a PSP não consegue garantir que os três suspeitos à sua guarda cheguem à prisão. Voltando a cumprir a sua função, montam uma operação de busca e conseguem voltar a apanhar os fugitivos. Em violação da lei, surgem nos jornais fotos os três suspeitos algemados e sentados no chão, como se a humilhação viral subsistisse o julgamento ou compensasse a falha de segurança. Cumprindo as suas funções, a PSP abre inquéritos às duas falhas e o ministro da Administração Interna deixa clara a posição do Estado português sobre este tipo de conduta, não faz qualquer julgamento sumário sobre as responsabilidades pela fuga, que deixa às autoridades competentes. Perante tudo isto, dois sindicatos mostram-se indignados com todos os que cumpriram o seu dever, repetem a publicação e um deles divulga imagens enganadoras para manipular a opinião pública. Não é preciso muito mais do que os factos para formar uma opinião. E estar do lado dos factos não é estar do lado dos criminosos. Aliás, estar do lado da lei e do cumprimento de regras é estar contra o crime. Seria bom não invertermos as coisas.

Nota importante: a Associação Sindical de Polícia (ASPP/PSP), o primeiro e mais representativo sindicato de polícias, que conquistou com risco e sacrifício o direito destes homens se sindicalizarem, tem-se pautado sempre por um comportamento responsável e com o rigor institucional que se espera por parte de quem, em nome do Estado, veste uma farda. Infelizmente, a luta consequente por direitos laborais dá menos noticias do que a demagogia incendiária. A multiplicação de microssindicatos oportunistas, muitos deles com ligações à extrema-direita e com o objetivo de minar o Estado de Direito por dentro, não fazem justiça ao que é a maioria da PSP.

“SERÁ QUE NOS PORTAMOS MESMO BEM, Gente?”

(Joaquim Vassalo Abreu, 08/10/2018)

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Catherine Deneuve

Pergunta-se o Brasil e perguntam-se o PT e Lula da Silva, para que conste. E aqui também poderia acrescentar a “Democracia Brasileira”, através dos seus representantes Parlamentares e outros poderes.

Recordo agora e vou mesmo transcrever um texto que aqui publiquei vai fazer precisamente três anos no próximo dia dez deste mês, depois de amanhã, portanto, e a que apelidei de “EU PORTO-ME BEM”! Ora leiam, se fazem favor…

Esta frase aqui escrita e dita por mim não me pertence, descansem! Ela foi proferida por uma grande senhora do cinema Francês e mundial chamada CATHERINE DENEUVE. Todos já a vimos e dela ouvimos falar e uma grande parte considera-a mesmo o exemplo da beleza perfeita. Eu também.

Na verdade, ela tem uma beleza harmoniosa e indefinível, em que a tranquilidade do seu rosto adornado de traços perfeitos nos transmite uma sensação de perene leveza. A idade vai avançando e essa beleza vai-se mantendo retocada pela vida e amaciada pelo tempo, parecendo que não envelhece.

Mas o certo é que tendo sido durante muitos anos o modelo da elegância preferido por grandes marcas da alta costura, ela foi fazendo filmes atrás de filmes, sobrevivendo à passagem do tempo e sem medo desse mesmo tempo. Há coisas que não se explicam e a sua sobriedade e postura distante fazem dela o protótipo da beleza intemporal.

Ela nunca precisou de ter uma vida frívola como a grande maioria das actrizes suas contemporâneas, exceptuando Merryl Streep ou Sofia Loren afirmo eu, para impor a sua presença ao mesmo tempo serena e altiva.

Perguntada há tempos por um jornalista como, sendo ela uma figura tão famosa e rica, uma actriz tão conceituada e reconhecida, uma Diva mesmo, se podia afirmar ou considerar uma mulher de Esquerda, ela respondeu-lhe simplesmente isso : “ Eu porto-me bem!”.

Esta curta e singela resposta concentra no entanto em si uma imensa sabedoria e remete desde logo para o facto de, ao afirmar-se uma pessoa como ela de Esquerda, assumir ser-lhe  de imediato imposto um selo que a impede de ser como os outros. Ela não poderá mais ser frívola ou inconsequente e tem que permanecer uma cidadã exemplar : não poderá fugir ao fisco nem ter contas em offshores como os outros, tem que cumprir as suas obrigações como todos fazem e tem que ser uma figura pública acima de qualquer suspeita. Se assim não for logo todos dirão : afinal são todos iguais!

E esse “ afinal são todos iguais definindo desde logo a distância entre o que pode ser tolerado nuns e noutros não, também atesta da desilusão que seria para quem vive habituado a conviver com os “ são todos iguais”  o ver uma pessoa pertencente aos “ Não são todos iguais” ser, afinal, igual a todos os outros, pois deles se espera melhor comportamento, melhor exemplo e, inconscientemente ou não, uma superioridade moral e ética que implicitamente lhes reconhecem.

Para assim ser e para uma tão curta resposta ter um efeito tão contundente é porque a sociedade tem por assumido que assim é. A vida está aí repleta de casos exemplares e não foi, portanto, impunemente que a grande CATHERINE DENEUVE o intuiu!”. SIC.

A razão por que me lembrei disto e sobre isto dissertei, eu disse na altura que deixava à Vossa imaginação, mas hoje, inquestionavelmente, relembro acerca do Brasil e suas Eleições.

LULA pactuou com a corrupção, é um dado adquirido e, mesmo isso não justificando a sua prisão, no meu modesto entender, o seu procedimento merece a minha discordância e condenação. É que ele pactuou com a corrupção quando acordou num pacto com muitos dos restantes grupos parlamentares ,um autêntico pacto de regime paralelo, levado ou não a escrito, permitindo o chamado “Mensalão”!

É que, pesem todas as virtuosas razões que a isso levaram (a impossibilidade de conseguir uma simples maioria que permitisse a aprovação indispensáveis aos trabalhadores e demais população, de leis tendentes ao apoio integral às suas vidas, ao erradicar da fome, ao progressso das zonas do interior etc  )  e que doutro modo seria de acesso inalcançável, num consenso que englobasse as restantes forças partidárias, ou suas cúpulas, tudo isso acabou por se mostrar ruinoso…

E acabou por se mostrar ruinoso por várias razões: a primeira, imediata, e que consubstancia a entrada em cena, como principal obreiro do esquema, do seu Chefe da Casa Civil (José Dirceu), pessoa bem conhecida da luta à ditadura e a segunda, ainda mais importante, porque tal ignomínia lhe ficou apegada à pele, qual selo, qual marca ou qual tatuagem de impossível erradicação.

E tal sucedeu porque LULA, nunca e em tempo algum, poderia ser apelidado de “Igual aos Outros” ou então do “Afinal Eles são Iguais aos Outros!” E porquê: porque mesmo que LULA não o pretendesse fazer (corrupção), e não fosse assim igual aos outros, aceitando fazê-lo mesmo que para benefício geral e nunca particular, nunca tal poderia ser feito pois teria que se lembrar que, mais cedo ou mais tarde, tal coisa, em efeito boomerang, se haveria de voltar contra si.

E o “Afinal são todos iguais” teve também o condão imediato de, aos olhos do cidadão comum, perante tal pecado de quem os representava, transformar os outros, os detestáveis, em normais, aceitáveis e até presidenciáveis… tipo Bolsonaro.

O rico, em toda a sua ostentação, (meia dúzia dos mais poderosos possuem mais riqueza que todo o Norte e Nordeste , metade do Brasil), usa e manipula a corrupção, as leis, o medo, a hipocrisia e o Trabalho (e a falta dele) como chantagem extrema sobre tudo o que exista procurando apenas um destinatário para o seu usufruto: ele! E a ele, assim, tudo é permitido.

Quem isto ousar questionar, quem isto ousar querer parar, nem que algumas das suas armas pretenda utilizar, nem que a finalidade última seja o bem do Povo, não tem perdão e não o tem porque ousou pretender tocar em algo que sempre foi “sagrado”. Sempre foi seu, por ordem de Deus, louvado Deus, também acrescentam…

Nunca será Balsonaro a acabar com o cancro da corrupção no Brasil e a militarização das ruas, das favelas, das casas e das cidades, só trará mais violência, como se tem visto no Rio nestes meses em que as forças militarizadas tomaram as ruas…sob a égide desse “grande” Governo do Temer…

E esta desgraça de governo brasileiro continuará a sê-lo ainda mais se com ele vier maior repressão, maior exclusão e maior abandono…e nada remediará!

Mas voltando ao tema,  LULA e o PT “não se portaram bem…”. Não, não se portaram…

Mas ainda acredito que vão ser os “Alentejos” do Norte e Nordeste, o Povo pobre, o Povo simples e o Povo ostracizado, quem vai salvar a Democracia Brasileira…

Que os seus Deuses os guiem…

SARAVÁ!