Por que razão Trump pode ganhar as eleições nos EUA

(Por Eugénio Rosa, in http://www.eugeniorosa.com/, 25/10/2024)

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(Contrariamente às montanhas de propaganda que os nossos comentadores debitam a favor de Kamala, mas que não passam dos seus “wishful thinking” – como se os portugueses fossem votar nas eleições americanas -, este é um estudo sério e sem “estados de alma” a favor de Trump. Factos são factos, muitos deles empurrados para debaixo do tapete pela nossa comunicação social acéfala e que nos quer fazer quanto mais acéfalos melhor.

Estátua de Sal, 03/11/2024)

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Como a Rússia deixou de se preocupar e passou a amar as sanções

(António Gil, in substack.com, 10/06/2024)

 E se um dia esse amor se tornar contagioso?

 Nunca entendi a fé ilimitada do Ocidente nas sanções. A verdade é que nunca vi nenhum país vergado pelas ditas, pelo menos num passado relativamente recente. Cuba, Venezuela, Irão, Coreia do Norte vivem há décadas sob sanções ‘mutilantes’, um adjetivo simpático, introduzido na gíria do economês por cortesia dos anglo-saxónicos, esses grandes defensores dos Direitos Humanos. 

Seguiu-se a Rússia,  na extensa lista dos países sancionados. Os ‘génios’ que (pelo menos nominalmente) mandam no ocidente prometeram que os russos ficariam de joelhos numa primeira fase e logo a seguir revoltar-se-iam a tal ponto que no mínimo, espetariam a cabeça de Putin e seus ministros em várias estacas, ao longo de todo o perímetro do Kremlin.

Bom, ninguém sabe onde, nem como, nem porquê esses cérebros brilhantes adquiriram tal certeza. 

Se uma ilha relativamente pequena como Cuba resistiu durante 3 gerações não só a sanções como a um feroz embargo, esperar resultados diferentes com uma nação imensa e plena de recursos é uma loucura selvagem, no mínimo. 

Não seria sensato pensar que o inverso aconteceria? Que as sanções reforçariam a economia russa em vez de a enfraquecerem? Muitas pessoas previram que assim sucederia. Afinal os russos poderiam produzir eles mesmos o que antes compravam, porque razão o não fariam? Recursos materiais e humanos não lhes faltavam, certamente. 

E entre os muitos que fizeram essa previsão, muitos nem sequer frequentaram uma escola superior de economia, não era necessário. 

Bastaria pensar assim: se eu quero muito comer bolo e vivo a milhas de uma pastelaria mas sei que tenho ovos, farinha, leite, chocolate, frutas e um forno, provavelmente poupo muito tempo e dinheiro fazendo-o eu mesmo em lugar de fazer uma longa e dispendiosa viagem e ainda ter de pagar pelo bolo. 

Com a vantagem de saber que nenhum ovo ou leite estragado entrará na confecção, coisa que não está assegurada quando compro um bolo numa pastelaria. 

Então a sério que isto é surpreendente? – Desde que começou a ser sancionada, a Rússia não parou de crescer economicamente, coisa que o ocidente colectivo não se pode gabar. Recentemente a Alemanha e o Japão ficaram para trás. 

E os EUA que se cuidem pois estão a cair continuamente e nem poderia ser de outra forma, sendo os maiores devedores do mundo. Contrair dívidas nunca foi uma boa ideia para enriquecer e se esse item entrasse nas contas, ninguém sabe para que lugar essa nação cairia. 

As sanções sempre foram utilizadas como arma geopolítica mas agora correm o risco de se tornarem um prémio em vez de um castigo. Talvez ainda vivamos uma época em que os povos supliquem aos sancionadores que os incluam na lista:

– Sancionem-nos, sancionem-nos, não se esqueçam de nós, que mal precisamos de vos fazer para merecer as vossas adoráveis sanções?

Fonte aqui.

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Afinal, quem deu cabo da Geringonça?

(Carlos Marques, in Estátua de Sal, 24/11/2023)


(Este texto resulta de um comentário a um artigo que publicámos de Alfredo Barroso ver aqui, mormente a critica ao seguinte excerto:

“Alguns anos depois, quando o BE e o PCP deram cabo daquilo a que a direita e o jornalismo malcriados designavam por “geringonça”.

Pelo seu carácter de quase manifesto, resolvi dar-lhe o destaque que, penso, merece.

Estátua de Sal, 25/11/2023)


Pode-se tirar um palerma do PS, mas o PS nunca sai completamente do palerma.

Parece que meras 9 propostas PEDIDAS pelo BE e outras pelo PCP para, por favor, poderem justificar a aprovação do orçamento, até então SÓ DO PS, eram uma “intransigência” (palavras do traidor Rui Tavares), uma exigência de “extrema-esquerda” (palavras de vários boys de Direita dentro do PS), ou um “dar cabo da Geringonça” (palavra do ex-PS, aqui comentador, Alfredo Barroso).

Imagine-se só o “escândalo” que seria ter um SNS bem financiado, sem greves e sem urgências fechadas (consequência positiva das 3 medidas do BE para a saúde), ter os trabalhadores portugueses menos empobrecidos, em especial nos tempos de inflação que se seguiriam (consequência positiva das 3 medidas do BE para o trabalho), ou ter os pensionistas menos desgraçados com pensões um pouco menos de miséria. Isso é que não podia ser, isso era “dar cabo da Geringonça”.

Car*lhos f*dam estes atrasados mentais que ainda apoiam o PS desta maneira. Portugal é ultraneoliberal, tudo se privatiza, a desigualdade é pornográfica e crescente, e mesmo assim esta gentinha vota no principal culpado, chama-o de “esquerda” e de “moderado”, eterniza-o no poder, impede soluções da real esquerda – que até existem com naturalidade noutros países do Centro e Norte da Europa, e chama-lhes “extremistas”. Até apoiam uma lei eleitoral de batota, que viola a Constituição, por transformar 41% de votos numa maioria “absoluta” de 52% de deputados, fazem tudo para destruir a real esquerda, para f*der o país, e no final garantir que a alternância se faz com o PS laranja, i.e. o PSD.

E nem um colapso iminente deste esquema, com os fascistas do Chega a dispararem nas sondagens, e um mais que provável governo do PSD mais Passista com os Pinochetistas da IL, nem mesmo isso os faz colocar a mão na consciência e dizer: “- Se calhar fomos longe demais, devíamos ao menos ter negociado meia dúzia de medidas simbólicas com a real Esquerda, em vez de termos ido com a nossa ganância até ao fundo do pote tentar a maioria absoluta, com uma campanha porca e desonesta para destruir a real Esquerda”.

Alfredo Barroso e companhia, se a real Esquerda “deu cabo da Geringonça”, então quem é que deu cabo do país sozinho? Após uma p*ta duma maioria “absoluta” ilegítima e inconstitucional, com desgovernação, casos e mais casos, descontentamento popular, austeridade, perda real do poder de compra como não se via desde a troika, e até um apoio descarado a nazis, a vossa desonestidade intelectual ainda vos faz em 2023/2024 repetir a treta rosa de que se há algum mal, a culpa só pode ser da “extrema-esquerda” que “quer coisas a mais” e não aceita a “responsabilidade” do PS de ter “as contas certas”?

P*ta que pariu isto tudo, pá. Este país não aprende.

Controlo de rendas, fim dos Vistos Gold, limite ao alojamento local, proibição de estrangeiros comprarem casas para especular, fim das borlas fiscais aos expatriados, mais habitação do Estado? Não. Isso (coisas que existem na Alemanha, Áustria, e em todos os países nórdico) é “intransigência” da Esquerda, é “dar cabo da Geringonça”. É melhor a especulação e a bolha no imobiliário, ter famílias despejadas, bullying a moradores idosos, segregação nas cidades com base no tamanho da carteira e, depois de culpar a real Esquerda, entregar o país à Direita ainda mais à direita, com o apoio de salazaristas e pinochetistas, para acabarem o trabalhinho iniciado pelo PS.

Salários reais com poder de compra que acompanhe a inflação? Nem pensar…
Leis laborais que acabem com a precariedade? Blasfémia… Promoção do sindicalismo (como o sistema Ghent dos belgas e dos nórdicos)? Ui, que escândalo…

Fechar o offshore da Madeira? Isso seria ser inimigo das empresas…
Medidas reais de apoio aos jovens trabalhadores? Não, o que é preciso é menos IRS para os bodes ricos…

Empresas estratégicas ou monopólios naturais nas mãos de um Estado soberano? Ora essa, o que é preciso é a Vinci ser dona da ANA, a Three Gorges ser dona da EDP, a Lufthansa ser dona da TAP, etc.

Acabar com a miséria das pensões baixas de forma a todos terem dignidade na velhice? Nah, o que é preciso é aumentos de 700€/mês para os juízes, essa classe recordista da produtividade…

E que tal transportes públicos gratuitos para todos os portugueses (em vez de só passes sociais para os das cidades)? Era o que faltava, ainda vamos mas é aumentar o IUC para quem tem carros velhos… Comprem Ferraris novos, se quiserem…

E pronto, fico-me por aqui no desabafo de hoje. E a última frase é o “Não têm pão? Comam brioches” das Marias Antonietas rosas. Como é que trastes destes algum dia podiam gostar do que quer que seja defendido pela real Esquerda? Só gostava de ter uma máquina do tempo para levar estes trastes para o meio da rua no pós-25 de Abril. Seriam os próprios socialistas de então a dar-lhes uma lição e a chamar-lhes fascistas. Ou, dito de outra maneira, se estes pêesses de hoje fossem levados para o Parlamento em 1979, teriam votado contra a Lei de Bases da criação do SNS ao lado da direita reacionária.

E algo me diz que estes “socialistas” de agora, tão amigos de UkraNazis e naZionistas, teriam estado também presentes na base das Lages ao lado de Barroso e da corja do império genocida ocidental (o imperador Bush, o sub-imperador Blair, e o vassalo Aznar), para apoiar a “operação militar especial” contra os “terroristas” do Iraque…

E um dia destes o querido líder A. Costa ainda acaba no tacho da Leyen ou no do Stoltenberg, ou o Centeno no tacho da Lagarde, a repetir a mesmíssima cartilha belicista NeoCon e fascista NeoLib a troco de uns bons dólares…

Mas, hei, não se esqueçam que a Esquerda real é que “deu cabo da Geringonça”… Onde é que já se viu, partidos pedirem meia dúzia das suas próprias medidas, a troco do seu voto no orçamento dos outros… Que “intransigência”, pá. O que é normal é um partido minoritário ter o direito divino a aprovar o seu, e só seu, orçamento sem negociar nada com ninguém… Democracia é o PS mandar e não se fala mais nisso, pá.

Realmente, Alfredo Borroso e Rui Tavares e companhia: “abaixo a Esquerda” e “abaixo a paz”, “viva a oligarquia, viva o batalhão Azov, vivam as IDF”, e “em nome dos EUA, da NATO, e do N€oLiberalismo, Amén”.

Noutra nota, é giro (sem ter graça nenhuma) ver que nem mesmo após uma prostituta (Isabel Pires) do BE ter ido a Kiev apoiar a ditadura UkraNazi e a genocida NATO, nem mesmo após a outra prostituta (Marisa Matias) ter dito sim às armas e mais armas, nem mesmo assim os do costume dão descanso ao BE. Pensavam o quê? Que iam ficar eternamente gratos ao BE e passar a tratá-lo como um dos colaboradores do regime? Passar a tratá-lo de forma mais positiva do que tratam os “malvados” do PCP? Se pensaram, enganaram-se redondamente. Vocês até podiam abrir sede permanente do BE em Kiev, que mesmo assim iam continuar a ser a “extrema-esquerda” “intransigente” e “irresponsável” que “deu cabo da Geringonça”, e que é melhor os portugueses substituírem-na pelo Livre. Isso, sim, é a “esquerda” que o regime gosta e que a NED financia. Mesmo que haja austeridade, fascismo, nazismo, guerra, etc, lá estão eles, prontos a ficar com o eleitorado do BE e a usar esses votos para aprovar orçamentos do PS a troco de nada.

Tudo o que descrevi é a morte do 25 de Abril, e Alfredo Barroso faz parte do grupo dos assassinos. Não é dos que dispararam os tiros, mas é dos que ficaram ao lado a ver.

E bastou-me uma só expressão “deu cabo da Geringonça” para saber isto tudo, pois revela tudo: 23 anos de €uro-ditadura, 4.5 milhões de pobres antes de apoios sociais, salários que não dão para arrendar uma casa em Lisboa. Abram as garrafas de champanhe! O objetivo foi atingido. A riqueza está toda novamente nas mãos só de alguns. Que se lixe o 25 de Abril, viva antes o 25 de Novembro. Que se lixe o Dia da Vitória a 9 de Maio, viva antes o Dia da Europa. E viva a CIA, viva o Bilderberg, viva Davos! Viva a Raytheon e viva a Lockeed Martin! Viva a BlackRock e viva o FMI…

E, nem um dia de luto, para os heróis da liberdade que derrotaram o Salazarismo. Pois claro, fizeram o que não estava nos planos. Sabe Deus o que tem custado aos rosas e laranjas andarem com os cravos na lapela a fazer de conta todos os anos…Tudo isto é o que eu vejo quando leio que a Esquerda real é que “deu cabo da Geringonça”.

Alfredo Barroso, a mim não me enganam mais. Destruam o país tanto quanto quiserem. Com morte lenta ou acelerada.

Ponham 90% do povo a pão e água.

Privatizem tudo. Mudem o nome para Portug-all S.A

Ilegalizem os sindicatos e as greves.

Censurem a TeleSur e o Avante.

Ponham o IRC a zero.

Reabram bairros da lata nas periferias das cidades.

E gastem 2 ou 3% do PIB a financiar a máquina de guerra genocida.

Chamem “intransigente” a quem pede salário para pagar as contas ao final do mês.

Chamem “moderado” a quem apoia Nazis.

Tirem a quem é pobre para dar a quem é banqueiro.

E se PS e PSD descerem ainda mais, deem a maioria absoluta a quem só tem 25% dos votos. Façam o que quiserem. F*odei-vos uns aos outros que a mim não me f*deis mais. Emigrei e não volto.


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