Musk, Trump e o presidente do patronato espanhol explicam como funcionam realmente o capitalismo e a corrupção

(Juan Torres López, in Resistir, 09/07/2025)


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Os intelectuais de esquerda passam a vida a tentar explicar, em milhares de artigos e livros, como funciona o capitalismo. De repente, aqueles que o governam e dele se aproveitam mostram isso com toda a clareza numa frase.

Ler artigo completo aqui.

Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos

(Raquel Varela, in Facebook, 04/06/2025, Revisão da Estátua)


(Antes de mais, o seu a seu dono: o título deste artigo foi tomado de empréstimo pela Estátua ao habitual comentador das publicações do nosso blog, Whale Project, até porque o texto original não tinha qualquer título e considerei que o que escolhi assenta que nem uma luva…

Assim, esta publicação acaba por ter o concurso de mais que um autor, além da Raquel Varela, como decorre deste intróito e de uma das imagens que acompanha o texto, que é do Alfredo Barroso.

Estátua de Sal, 05/06/2025)


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Figura central da direita – Álvaro Santos Pereira – avançou ontem com a necessidade de rever a Constituição para “poder haver despedimentos individuais”, sem justa causa. Porque, diz ele e a UE – leia-se banqueiros e corporações automóvel e militar -, Portugal tem défice. Por volta das 21 horas, é ouvirem. O que está mal? 47% de pobres? Salários miseráveis? Habitação para ricos? Não! O que está mal, diz este cavalheiro do PSD, é que não se podem despedir todos.

Imagem da autoria de Alfredo Barroso e obtida do seu Facebook 🙂

Nunca votei PS na vida, nunca tive ilusões. Mas, quem desta vez votou no Partido fascista Chega, na IL e no PSD agora tem duas coisas a fazer: ou sai para a rua a lutar, ou espera que lhe chegue a casa, a si ou aos filhos e netos, uma cartinha a dizer “despedido” porque “me apetece”, o país precisa de si no olho da rua para combater o “défice” ou seja, remunerar capitais privados através da dívida pública. De caminho vendem, na Banca, a casa que acabaram de perder por serem despedidos – é o “mercado” a funcionar diz o partido fascista Chega, a IL, o PSD e o PS. E, claro, investir em armas “que vêm lá os russos”, diz o Almirante, que quer rever a Constituição, para dar mais poderes a si próprio.

Não acho que a Constituição é o grande centro estratégico da esquerda – para mim é um erro, porque essa linha política não dialoga com milhões de trabalhadores em Portugal que não compreendem o que quer dizer “defender a Constituição”, já que podem ser despedidos a qualquer hora, ou nunca tiveram um contrato digno. E tanta gente de esquerda, que vive no Príncipe Real, e que foi contra greves no tempo da Geringonça, esqueceu-se deles. Mas, o que este Governo, da AD quer – apoiado pelo PS, Chega e IL -, é acabar com os poucos que tinham esse direito, atingir sobretudo transportes, logística, operários fabris e funcionários públicos. Não é por acaso a campanha da AD foi contra a greve na CP.

A luta não pode ser só contra a mudança da Constituição, que para muitos é uma letra morta, nada protege, não os vai mobilizar. Queremos muito mais do que a Constituição, queremos Abril.

O truque é este – não são 50 anos de regime a desmoronar, são 48 anos de regime liberal a desmoronar, e 2 de Revolução de Abril, que foram os melhores anos da nossa vida, mesmo de quem como eu não era nascido. São – exatamente – 48 anos de ditadura, 2 anos de revolução com direitos, e 48 de democracia liberal, cujo texto é a Constituição.

Mas, a Constituição é um texto, o contexto só pode ser de luta, para todos, ninguém fica para trás, sob pena da esquerda ficar a falar sozinha. Todos no país que trabalham ou têm pequenos negócios têm que sair à rua, não só pelo que está bem na Constituição, mas por muito mais: por direitos para todos, incluindo para os pagos a recibos verdes, pequenos empresários, pequenos agricultores, e todos os trabalhadores. Atacar de frente o escândalo das taxas que pagam os pequenos empresários, os impostos altíssimos, a ignomínia dos salários baixos, os horários de trabalho que impedem estar com a família e o ócio. E impedir que o Estado saque dinheiro da Segurança Social, com layoffs escandalosos, e proibir quem não é residente permanente (individual ou empresa) de comprar casas. Esse deve ser o texto do contexto.

Os sindicatos, se querem continuar a existir (a base do que deles resta são estes trabalhadores protegidos), vão ter que lutar na batalha da sua vida – a qual vai ter que ser claramente política e não deve haver medo de a considerar política. Política de enfrentamento com o Governo e com todos os partidos que o apoiam – de frente ou às escondidas e com mais ou menos gritos. Ser apartidário é correto, ser apolítico é um erro que pode ser fatal. Dizer que representam todos é um erro. Os sindicatos só podem representar quem defende direitos.


E para terminar um vídeo em que autora desenvolve o enquadramento histórico-económico que, no seu entender, conduziu à situação política atual.


O Império a ruir – Ray Dalio prevê um colapso, mas ainda não revela o nome do parasita

(TheIslanderNews In canal do Telegram, Sofia_Smirnov74, 15/04/2025)


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“Estou preocupado com algo pior que uma recessão.”

Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, o maior fundo de hedge do mundo, alerta para um colapso iminente da ordem financeira global. Mas, embora Dalio veja a tempestade, ele não menciona o parasita. Ele chama-lhe risco geopolítico e “ruptura tarifária”. O que ele não diz é o seguinte: o colapso não é um acidente, é o resultado inevitável de um império financeiro que esvaziou o seu núcleo produtivo e lhe chamou crescimento.

O medo de Dalio é real, mas a realidade é pior. Não se trata de uma repetição de 2008 ou 1971. Trata-se da convergência de uma falha sistémica: a enorme dívida dos EUA, o desmoronamento da hegemonia do dólar, o surgimento do comércio multipolar e o uso imprudente de armas económicas por uma classe política inepta. As tarifas de Trump, vendidas como uma forma de “trazer empregos de volta” e afirmar a soberania, nada mais são do que instrumentos contundentes manuseados por uma elite rentista que terceirizou a economia real décadas atrás.

As tarifas, isoladamente, nem sequer são o problema. É como estão a ser usadas, não como parte de uma política industrial coerente, mas como retaliação ad hoc por um império falido que tenta fazer bluff para superar o jogo final da supremacia do dólar. Os EUA já não produzem. Extraem. Não investem. Inflacionam. Não constroem. Detonam. Tarifas não vão resolver isso.

Dalio menciona 1971, o ano em que Nixon separou o dólar do ouro, mas não explica porque importa isso. Foi o momento em que os EUA abandonaram a disciplina produtiva em favor do imperialismo da dívida. A partir de então, pagaram as importações globais não com mercadorias, mas com notas promissórias do Tesouro. Forçaram o mundo a manter a sua dívida sob a mira de uma arma. E agora, depois de cinquenta anos dessa farsa, a Maioria Global está a afastar-se.

Este é o fim da era do petrodólar, do “privilégio exorbitante”. O dólar ainda é dominante, sim, mas está cada vez mais ressentido, não mais confiável, não mais neutro. E quando a moeda de reserva mundial se torna uma arma, o mundo encontra alternativas. Blocos de crédito, comércio lastreado em ouro, acordos bilaterais de compensação, toda a arquitectura das finanças multipolares se está a acelerar.

Dalio alerta sobre “lançar pedras na máquina”. Mas qual máquina? A economia americana foi desindustrializada intencionalmente. Wall Street saqueou a indústria e transformou trabalhadores em servos por dívida. Silicon Valley substituiu a inovação pela segmentação comportamental de anúncios. A BlackRock transformou casas em activos de fundos de hedge. O problema não é o método. O problema é que a máquina foi sempre criada para servir às finanças, não à sociedade.

Dalio diz que o risco é a perda de confiança no dólar como reserva de valor. Mas isso já aconteceu. Os EUA deram calote no ouro em 1971. Deram calote na sua base industrial nos anos 1990. Deram calote na classe trabalhadora quando deixaram dívidas médicas, empréstimos estudantis e moradias desabarem sob juros compostos. E agora, sob o peso de US$ 37 biliões em dívidas e os pagamentos de juros que excedem os gastos com defesa, o país está a ficar sem rumo.

O que Dalio não ousa dizer é o seguinte: os EUA não estão a administrar mal o império, estão a monetizar o colapso. Cada crise é uma nova transferência. Outro resgate. Outra guerra para lubrificar os mercados de títulos. Outra ronda de tarifas para desencadear inflação e reduzir as margens.

A tarifa universal de 10% de Trump é uma medida de pânico. Uma flexibilização simbólica. A indústria não vai voltar, porque não há política para apoiá-la. Nenhum investimento público. Nenhuma fiscalização antitruste. E nenhuma tentativa de desfinanceirizar a economia. Sem quebrar o poder do sector FIRE, finanças, seguros, imobiliário, não há recuperação, apenas mais teatro.

Dalio teme algo “pior que uma recessão”. Ele tem razão. Este é o fim de um modelo de civilização. O parasita drenou o hospedeiro. O sistema está a funcionar no limite. E, a menos que alguém quebre o feitiço, a menos que nomeemos o parasita e o arranquemos pela raiz, o futuro dos Estados Unidos pode, infelizmente, tornar-se uma Grande Depressão sem as fábricas, o ouro ou a dignidade.

Fonte aqui