O grande abandono

(José Pacheco Pereira, in Público, 11/03/2017)

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               Pacheco Pereira

Na semana passada a televisão portuguesa fez várias notícias sobre a recepção de refugiados yazidis sírios e iraquianos e as condições que lhes estão a ser preparadas por algumas organizações, autarquias e o próprio Estado. Mostrava-se o interior de uma casa que ia ser entregue a uma família refugiada, e as condições em que iam recomeçar a sua vida em Portugal. Estava a ver essas imagens num café e restaurante popular, onde várias mulheres trabalham na cozinha. Conheço-as pessoalmente – é gente que tem um salário mínimo e que trabalha em muito más condições, num local quente e acanhado, durante imensas horas. Não são estatisticamente pobres, mas são pobres. Têm salário, têm uma profissão, precária que seja, têm famílias e filhos, são umas novas e outras de meia-idade, mas são pobres.

Já várias vezes tinha reparado que, quando há algo que lhes interessa na televisão, que ouvem mas não vêem na cozinha onde trabalham, chegam à porta da sala onde se serve café e ficam a ver. Não saem do espaço da cozinha, mas espreitam de lado. Crimes, raptos, histórias de doenças, pedofilia, prisões têm o seu olhar assegurado. Mas, neste caso, era a história dos refugiados e, perante as imagens da casa preparada para os receber, exprimiam uma profunda reprovação, total, completa: “Vão-lhes dar uma casa melhor do que minha.” “Eu trabalho toda a vida e a mim ninguém me dá nada.”

É verdade. E isto é algo que é sentido como uma enorme injustiça. E é uma injustiça. O bem-estar destas famílias e das pessoas como aquelas que estão ali a trabalhar duramente foi abandonado. E estamos assim a alimentar claramente o populismo, como Trump percebeu, como Le Pen percebeu, como os partidos que alinharam nestes anos de lixo do “ajustamento” não perceberam, socialistas, sociais-democratas, centristas, não perceberam ou lhe foram soberbamente indiferentes. E, com excepção do PCP, com as limitações do seu casulo ideológico, nem o Bloco de Esquerda, nem muita da esquerda mais radical não só não o percebeu, como ajudou a tapar esse enorme ressentimento e sentimento de perda com distracções que, podendo ser em si importantes, ao deslocarem-se para o centro do debate político, como as chamadas “causas fracturantes”, funcionaram como um real abandono destas famílias e pessoas. E como o discurso do Bloco de Esquerda faz muito da agenda política da esquerda, a começar pelo PS, o abandono destas pessoas pela política leva-os a procurar outros meios de representação que lhes dêem voz. É por isso que, como tenho insistido, existe uma correlação entre a política destes anos do “ajustamento” e o crescimento do populismo, e este é um resultado de um grande abandono político, à direita e à esquerda.

Mesmo o discurso, tanta vez abstracto, sobre os pobres ajuda a este abandono. Falar dos pobres é politicamente intangível, toda a gente fala dos pobres, mesmo que não faça nada por eles. E é verdade que os mais pobres sofreram muito com estes anos de política da troika, mas, como as suas expectativas não eram grandes, ficaram no seu gueto cuidadosamente vigiado pela assistência caritativa a que a politica de direita os remeteu. O papel do Estado na criação de um elevador social que lhes desse a esperança de sair da pobreza foi travado e eles ficaram ali, onde já estavam, numa redoma social, que a política do Governo PSD-CDS quis acima de tudo manter com receio da agitação social.

 

Mas, como muitas vezes acontece, a agitação social veio de outros lados, não da parte mais de baixo da escala social. Se analisarmos esses anos, as únicas organizações com algum sucesso em alargar a mobilização social e política foram do “meio” da escala social: os “precários” de diferentes associações, com muitas ligações ao Bloco de Esquerda, e os “reformados” da Apre!, que representavam um sector da “classe média”, profissões liberais, funcionários públicos, muitos que tinham sido eleitores do PSD e do PS. A isso se deve acrescentar, por justiça, e no meio de enormes dificuldades e num período de refluxo, a CGTP e os sindicatos. Sobre estes últimos repito o que já disse: imaginem o que seria o mundo laboral e a legislação do trabalho se não fosse a resistência sindical, e, mesmo assim, muito perderam com a aplicação mais durável e com maior sucesso e zelo do programa da troika pelo Governo PSD-CDS.

As mulheres que se revoltavam com a casa para os refugiados estão na parte mais de baixo desse “meio”, mas aquilo que sentem ter perdido, ou ter direito a ter, não vem em nenhuma estatística. Como acontece com uma parte do eleitorado trabalhador de Trump, não perderam tanto como pensam que perderam, mas o que perderam chega para se sentirem desprezados e abandonados. Conseguem manter algum rendimento, mas têm mais do que um emprego para sobreviver e olham para as ruínas das cidades industriais à sua volta e têm nostalgia da dignidade que lhes vinha de serem trabalhadores numa grande fábrica de automóveis, de terem um trabalho com um certo grau de especialização que era respeitado, nuns EUA que eram a “grande fábrica da democracia”.

Em Portugal, passa-se o mesmo. Podem não ter sido as principais vítimas do processo de “ajustamento”, mas foram-no também. E perderam muito mais coisas que os distinguem dos mais pobres, que esses perderam menos. Perderam a esperança de melhorar no futuro, encontraram no destino dos filhos uma barreira que antes não existia – a de verem a geração que se lhes seguia ter muito menos oportunidades que, mesmo assim, eles tiveram. Ainda conheceram nos seus pais e mães o que era a pobreza, mas têm o sentimento de que saíram dela, por serem mais educados e terem um trabalho que não era no campo. Não têm a certeza de que o mesmo vá acontecer aos seus filhos.

 

Se fizermos a transposição desse olhar de revolta para o plano político, há um factor que convém ter em conta – é que a direita está a perceber mais depressa do que a esquerda a essência do “trumpismo”. Ainda não é capaz de mobilizar esse descontentamento, porque está muito acantonada socialmente e o populismo precisa de líderes e protagonistas vindos da televisão que escasseiam. Mas caminha para aderir ao seu modus operandi naquilo que é mais perigoso – o discurso social e a “pós-verdade” que circula pelas redes sociais.

Não é de agora a proximidade da direita portuguesa ao programa de Trump, já vem de antes, mas falta-lhe a componente populista. Quando se vê um conjunto de cartazes da Juventude Popular, já com alguns anos, é patente a proximidade. Aliás, enquanto o CDS passou a Partido Popular, e depois de novo a CDS-PP, a antiga Juventude Centrista mudou para Juventude Popular e por aqui ficou. Esses cartazes falam de “liberdade”, “segurança” e “impostos”, mas em que termos? A “liberdade” é: “A nossa geração não precisa de subsídios. Só queremos que nos deixem trabalhar.” A “segurança” é: “O Estado protege os criminosos. Quem nos protege a nós?” Os “impostos” são: “Dois milhões de pessoas com rendimento mínimo. Quem pensas que anda a pagar essa avareza?” Para além dos jovens populares não saberem o que significa “avareza”, não se ficam por aqui. Há outros cartazes com imagens, com jovens muito “betos” para serem eficazes fora do círculo social do CDS, mas mesmo assim esclarecedores: “Trabalhas toda a noite num bar para pagares a faculdade, o Estado tira-te 20% para dar a quem não quer trabalhar.” “O Estado rouba-te os sonhos e distribui-os por quem nada quer fazer.” E uma defesa do cheque-ensino ao modo da secretária de Trump para a Educação, Betty DaVos.

Portanto, o programa está cá, falta apenas o salto populista. O abandono a que foram deixados os trabalhadores, os pequenos empresários, os operários, uma massa de gente a quem tiraram o futuro e amachucaram o presente geram ressentimento que, como a água, segue o caminho mais fácil. Ele encontra-se no olhar para a casa limpa e composta que espera os refugiados e não precisa dos mastins da extrema-direita para lhe indicar os alvos.

Eles sabem que o CDS, o PSD, o PS os abandonaram à sua sorte, estão-se literalmente borrifando para as “causas fracturantes” do Bloco de Esquerda, e a “linguagem de pau” do PCP não os mobiliza. Eles esperam no seu fel – até um dia.

O centro-esquerda a caminho da irrelevância?

(Sheri Berman, in SocialEurope.eu, Tradução de José Luís S. Curado)

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A Europa actual está em crise. Economicamente, grande parte do continente sofre de baixo crescimento, alto desemprego e crescente desigualdade, enquanto politicamente, a desilusão com a comunidade europeia, bem como com as instituições e elites domésticas é generalizada. Em parte como resultado, o populismo de direita está a crescer, aumentando ainda mais a instabilidade política e a incerteza. Embora muitos tenham notado uma correlação entre a ascensão do populismo e o declínio da social-democrata ou centro-esquerda, a relação causal entre eles não foi suficientemente salientada. De facto, em grande parte, os falhanços destes últimos explicam a surpreendente popularidade do primeiro (populismo, n.t).

O papel histórico do centro ou da esquerda social-democrata

Embora o declínio da social-democracia e a ascensão do populismo se tenham tornado particularmente perceptíveis desde a crise financeira que começou em 2008, as raízes de ambos situam-se muito mais cedo, nos anos 70. Durante essa década, as mudanças económicas e sociais/culturais começaram a perturbar padrões políticos e eleitorais há muito tempo estabelecidos. Economicamente, a ordem do pós-guerra estava a perder fôlego, e uma mistura tóxica de desemprego e inflação atingiu a Europa. No entanto, os social-democratas não tinham planos bem elaborados para fazer com que as economias se voltassem a mover ou para usar o Estado democrático para proteger os cidadãos das mudanças trazidas pelo capitalismo em constante evolução.

Tais planos eram, é claro, precisamente o que a democracia social tinha oferecido depois de 1945. Naquela época, os social-democratas não só insistiam em que era possível reformar e até mesmo melhorar o capitalismo – eles elaboraram propostas concretas de política para cumprir essa tarefa. Essas políticas permitiram aos governos conter e amortecer as consequências mais destrutivas e desestabilizadoras dos mercados sem os restringir totalmente. Em contrapartida, durante o final do século XX e início do século XXI, os social-democratas propuseram ou a salvaguarda de políticas socioeconómicas que podem ter feito sentido décadas antes, mas se apresentavam agora desfasadas das realidades de uma economia global em mudança, ou versões mitigadas do neoliberalismo (como a “Terceira Via” inglesa ou o “Novo Centro” alemão), o que deixou muitos cidadãos a perguntar-se por que haviam de se preocupar com votar a favor da social-democracia ou do centro-esquerda.

A ausência de uma resposta social-democrata distinta e efectiva aos problemas económicos deu espaço, nos princípios da década de 70, a uma direita neoliberal, que se organizara a reflectir sobre o que via como as desvantagens da ordem do pós-guerra, para libertar o capitalismo de muitas das restrições que lhe tinham sido impostas. E este capitalismo sem restrições, por sua vez, não só ajudou a criar a crise financeira do início do século XXI, como também levou muitos eleitores para os braços da direita populista que explicitamente prometeu reinar e proteger os “verdadeiros” cidadãos dos seus efeitos mais duros.

Ao mesmo tempo que as economias europeias, também as sociedades europeias estavam a mudar. As mudanças sociais e culturais desencadeadas no final da década de 1960 ameaçavam identidades, comunidades e costumes tradicionais, um processo ainda mais exacerbado pela crescente imigração. Juntas, estas tendências contribuíram para a erosão da solidariedade social e do sentido de um objectivo nacional partilhado que tinha alicerçado a ordem do pós-guerra social-democrata e ajudado a estabilizar as democracias europeias nas décadas seguintes à Segunda Guerra Mundial.

Historicamente, os social-democratas reconheceram e de facto promoveram a solidariedade social e um sentimento de propósito nacional compartilhado, identificando-os como necessários à legitimidade de impostos elevados e a um estado de bem-estar forte. Contudo, durante as últimas décadas do século XX, esse facto básico foi demasiadas vezes esquecido ou excluído por um centro ou esquerda social-democrata que não tinham respostas distintas e efectivas para as mudanças sociais, culturais e demográficas as quais enfraqueceram o sentido de solidariedade e o objectivo nacional partilhados em toda a Europa, país após país.

A ausência de uma resposta social-democrata distinta e eficaz à diversidade crescente permitiu que a extrema-esquerda ou a esquerda multicultural se tornassem na mais forte voz de esquerda sobre esta questão. Este campo tende a ver a sociedade como dividida em grupos inconciliáveis, em redor de diferentes valores e tradições. Os esforços para encontrar um terreno comum ou mitigar diferenças, nesta visão, são considerados indesejáveis e contraproducentes.

Esta ênfase na “política de reconhecimento” – ao contrário da ênfase tradicional do centro-esquerda na “política de redistribuição” – era má para a esquerda e má para a democracia. Ela afastou muitos intelectuais da atenção às questões económicas e fragmentou a esquerda de uma maneira tal que tornou difícil construir alianças ou acordos de maioria e ganhar eleições. Também tornou quase impossível gerar a solidariedade social ou o sentido compartilhado de propósito nacional que é necessário para apoiar o resto da agenda de centro-esquerda ou uma democracia saudável, em geral. E, naturalmente, um enfoque prioritário na primazia da identidade racial, religiosa ou sexual sobre a classe ou até mesmo sobre a identidade nacional, denegrindo implícita e muitas vezes explicitamente os que se mostravam preocupados com a natureza das rápidas mutações das suas sociedades, também ajudou a impulsionar muitos eleitores para a direita nacionalista, populista.

A Crise Actual

É hoje bastante comum sublinhar o apoio dado por eleitores tradicionalmente de esquerda ou social-democratas à direita populista. Esta ligação tornou-se evidente no referendo do Brexit, onde muitos redutos e apoiantes trabalhistas tradicionais votaram para deixar a UE, e tem sido uma característica marcante das eleições em todo o continente o apoio dado pelos  eleitores da classe trabalhadora em particular, aos partidos populistas de direita. E, é claro, uma versão disto esteve presente nos Estados Unidos, onde Donald Trump recebeu apoio desproporcionado dos eleitores menos educados e operários. O que vale a pena salientar, no entanto, é a ligação causal entre os fracassos ou os passos em falso do centro ou a da esquerda social-democrata e a ascensão do populismo de direita.

Durante as décadas que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, os partidos do centro-esquerda e social-democratas ofereceram soluções atraentes para os desafios económicos e sociais com que se depararam as democracias europeias. Prometeram aos cidadãos uma ordem económica que nem apagava o capitalismo (como muitos da extrema-esquerda desejavam), nem lhe dava liberdade (como os liberais clássicos e os neoliberais contemporâneos defendiam). Em vez disso, prometeram aos cidadãos os benefícios do dinamismo económico capitalista e da inovação, bem como protegê-los dos efeitos, por vezes destrutivos, do capitalismo.

O centro ou a esquerda social-democrata promoveram também a solidariedade social e um sentido de propósito nacional – os Estados de bem-estar protegeriam a saúde e o bem-estar de todos os cidadãos e o governo comprometia-se a criar uma sociedade igual e próspera que a todos beneficiaria. Porém, nas últimas décadas do século XX, o centro ou a esquerda social-democrata deixaram de ter respostas convincentes para os desafios económicos e sociais mais prementes que as sociedades europeias enfrentam e os eleitores começaram a procurar outras alternativas políticas.

Para muitos antigos eleitores de esquerda ou tradicionalmente de esquerda, a alternativa mais atraente acabou por ser a direita populista, que ofereceu respostas simples e directas aos temores económicos e sociais dos cidadãos. Economicamente, a direita populista promete promover a prosperidade, através do aumento do controle governamental da economia e dos limites da globalização. Socialmente, a direita populista promete restaurar a solidariedade social e um sentido de propósito nacional compartilhado, expulsando estrangeiros ou limitando severamente a imigração; diminuindo a influência da União Europeia e protegendo valores, identidades e costumes tradicionais.

Para aqueles que lamentam a ascensão da direita populista, o desafio é claro: não se pode combater alguma coisa com coisa nenhuma e se a esquerda não puder apresentar soluções mais viáveis e atraentes para os problemas contemporâneos do que as oferecidas pelos seus concorrentes, ela apenas pode esperar que irá continuar a deslizar para para a poeira da história.


Fonte original aqui

Quem cabritos vende e cabras não tem

(In Blog O Jumento, 03/02/2017)
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Parece que a moda em Portugal é falar de populismo, como se os populistas fossem apenas o Trump, o Beppe Grillo e o Nigel Farage, até há quem nos tranquilize porque os eleitores mais dados a votar no populismo têm sido enganados pelo PCP e pelo BE que funcionam como mata-borrão do voto de protesto.
Há algum tempo num acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa, o meritíssimo juiz relator de num importante processo invocou o dito popular”Quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado lhe vêm”. Dito desta forma para que servirão os calhamaços de direito, os princípios constitucionais ou os códigos penal e de processo criminal? Qualquer analfabruto poderia chegar ao acórdão do meritíssimo juiz, aliás, até poderia avocar o processo, promover o arguido a réu e se este não provasse na hora que tinha mesmo cabras, era logo condenado sem direito a qualquer recurso. Foi um bom exemplo do populismo que medra na sociedade portuguesa.
As soluções dos populistas são as que muitos eleitores querem ouvir, são as mais óbvias, as aparentemente aceites pelo senso comum, as que são facilmente entendidas por quem não tem cultura, as facilmente convertíveis em ditados populares. Mas reduzir o populismo ao eleitorado ignorante, frustrado por causa da globalização, que não tem oportunidades pode ser um erro. Não são os pobres, os ignorantes, os desempregados ou os frustrados que produzem o populismo que vai destruindo a democracia.
Quem fez justiça invocando ditados populares não foi um analfabeto, foi um ilustre magistrado de um tribunal superior. Poderíamos continuar a encontrar populismo em barda na nossa justiça dos dias de hoje, não faltam conhecidos magistrados do MP e juízes dando entrevistas onde fazem declarações que fariam corar o Trump ou o Farage.
O que não falta na televisão são comentadores com discursos populistas, desde o jornalista da SIC sem formação económica que até já escreveu um livro para ensinar Portugal a resolver problemas económicos, a um ex-ministro das Finanças, sem formação em economia, que tem um programa só para desvalorizar os políticos e os governos aos olhos dos portugueses.
O perigo do populismo não está no aparecimento de um Trump ou de Beppe Grillo, este tipo de personagens só consegue convencer eleitores que ao longo de anos vão bebendo o pensamento político que lhes vai sendo servido por juízes especializados em cabras, por um fiscalista especializado em mostrar gráficos na TV ou por magistrados que nos dizem para ficar descansados porque nada acontecerá aos honestos.
O problema do populismo não está nos populistas, mas sim na destruição da democracia e da imagem dos políticos aos olhos dos seus eleitores. É por isso que discursos políticos como os de Medina Carreira, do tal juiz da Relação e de muitas outras personalidades insuspeitas são os grandes responsáveis pela abertura da porta ao populismo. Os populistas vencem depois de outros terem ajudado a apodrecer a democracia ou a descredibilizar a democracia e todos os políticos, menos os populistas.