“A noção de horror de António Costa sobre este ataque da Rússia está mal calibrada, para não dizer outras coisas”

(Tiago André Lopes in CNN Portugal, e Bruno de Carvalho in Facebook, 28/08/25)


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António Costa, que tem assumido uma postura de nulidade, assemelhando-se a um morto-vivo, saiu hoje da tumba – qual ressuscitado – para se indignar com a Rússia. A Rússia deve ser o único tónico que o tira da letargia já que as bombas de Israel sobre Gaza e os gritos das crianças decepadas e moribundas devem ser música para os seus ouvidos de capataz do Império.

Isso mesmo nos diz o excelente comentário de Bruno de Carvalho que reproduzimos:

“Von der Leyen anuncia 19.° pacote de sanções à Rússia como resposta ao ataque de hoje à Ucrânia que lamentavelmente provocou a morte de mais de uma dúzia de pessoas.

 António Costa diz-se “horrorizado”. Entretanto, como sublinhou muito bem Tiago André Lopes esta manhã na CNN, a noção de horror do presidente do Conselho Europeu está mal calibrada.

Houve zero sanções e zero declarações de horror contra Israel que assassina funcionários da ONU, jornalistas, trabalhadores humanitários, dezenas de milhares de crianças e mulheres, etc.

A União Europeia pode fazer o que bem entender para enfrentar Moscovo mas não pode fingir que se trata de defender valores democráticos. Há muito que essa mentira jaz debaixo dos escombros da Faixa de Gaza.

Ninguém que tenha uma noção mínima de direito internacional e geopolítica acredita que as intenções dos líderes ocidentais são honestas e desprovidas de interesse.

E sim. A afirmação de Tiago André Lopes, na CNN – “A noção de horror de António Costa sobre este ataque da Rússia está mal calibrada, para não dizer outras coisas”, e que dá título a esta publicação é mais que apropriada. O vídeo – uma excelente análise dos últimos acontecimentos da guerra na Ucrânia -, pode ser visto abaixo.

Estátua de Sal, 28/08/2025


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Fazer futuro – um testemunho amargo de um socialista desiludido

(José Monteiro, in Facebook, 08/07/2025, Revisão da Estátua)


O trauma do 18 de Março poderia ser suficiente para acordar o PS. Mas não foi. E, com boa probabilidade, não poderia ou pode ser. Durante longos anos o PS pretendeu a quadratura do círculo e navegou a bordo da barcaça do anticomunismo. È muito pouco para quem quer governar a sério. Significa, no essencial, amarrar-se ao passado por inabilidade ou incapacidade de olhar para a frente.

Em verdade, o PS já há muito que se foi transformando num “sítio” de linguagem vazia, ensimesmada, redonda, inapta, incapaz de gerar consequência política adequada ao pais que, ele PS, diz que somos. Um discurso sem alma, pobre, insuficiente para frutificar a seiva indispensável a um empoderamento político capaz de fazer futuro.

Assim, nesta rota suicida, perdeu a capacidade de pressentir o amanhã e de olhar o mundo antes de por ele ser esmagado. Ou, talvez pior: como escreve alguém que prezo, “perceberam que não podem perceber” e, para o haraquíri não ser completo, vão fingindo que não percebem.

Não me parece que seja possível que este PS volte a ter alguma relevância política. Há, desde logo, um ciclo mundial de fascização e o exemplo dos outros partidos socialistas europeus.

Há igualmente uma incapacidade de pensamento estratégico suscetível de clarear os próximos dez ou vinte anos e os caminhos necessários a percorrer.Mas há também, ou talvez primordialmente, um primeiro passo que faz deste PS uma verdadeira impossibilidade de ser: deixar de se esconder na metafísica neoliberal, de se embrulhar no mentiroso e putrefacto neoliberalismo político-económico, deixar de ser um PSD com pezinhos de lã e, enfim, de voltar a ser o verdadeiro grito de liberdade que esta terra, tão urgentemente, necessita…

Nota final

Um amigo meu, PS de alma, usa dizer-me que critico mais o PS do que a ”direita”. Riposto: a direita nunca me traiu. Nunca acreditei nela e, por isso, não poderia esperar dela outra coisa senão aquilo que ela faz, ou seja, destruir Abril e, nisso, destruir qualquer futuro para Portugal.  A direita até é eficiente: cumpre os seus objetivos com eficácia e tem a inestimável ajuda daqueles que nunca supusemos capazes de tal.

Quem realmente me traiu foi o PS, foi Costa – o tal amigo de criminosos, ou não seja ele quem chama a Israel, amigo –, foi a rota de apoio aos que foram mandatados para destruir o SNS, a escola pública, a segurança do cidadão e as políticas públicas mais essenciais à minimização da pobreza, à redução dos sem-abrigo, à destruição do sonho de habitação, ao empoderamento dos jovens, etc.

Estive com Costa contra Seguro, estive e estaria com Costa (promessa) contra Passos Coelho, já há muito que estou com Costa (promessa), contra o Costa que se me revelou.

E este PS, na senda do PS de Costa revelado, não permite esperar nada de salubre. Espero apenas que o PS não fique na história como o partido que ajudou a levar a democracia à sepultura.

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O testamento de Costa: Os anéis para Montenegro, as falhas para Pedro Nuno

(Por Cipriano Justo, in Facebook, ‘2/05/2025, revisão da Estátua)


O PS de Pedro Nuno Santos está a pagar pelo que o PS de António Costa podia ter feito e não fez.


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O PS de Pedro Nuno Santos está a pagar pelo que o PS de António Costa podia ter feito e não fez. O que terá ficado na memória dos eleitores foi a maneira como António Costa desbaratou a confiança que os eleitores depositaram no PS, ao dar-lhe, surpreendentemente, uma maioria absoluta.

É verdade que António Costa pouco fez para merecer aquele resultado, gerado pelo medo de a AD abrir as portas a um entendimento com o Chega, mas, mesmo assim, podia tê-lo aproveitado melhor.

Sobre aquele período, sabem-se duas coisas: uma, que António Costa andou numa roda-viva a caminho de Bruxelas para preparar o lugar que viria a ocupar, se não chagasse a tempo lá teria de passar mais quatro anos no país e depois disso eram só incertezas quanto ao desejo de ter um cargo europeu. Com isso descurou a frente interna, e foi o que viu, casos atrás de casos até ao caso que oportunamente lhe proporcionou o argumento para se despedir. A outra, teve a ver com a circunstância de o PSD se ter aliado com o CDS para, formando a AD, não desperdiçar votos, tendo-se revelado uma estratégia acertada para vencer o PS por 50 mil votos, tendo sabido aproveitar a oportunidade que António Costa lhe deu com a mudança de turno.

Pedro Nuno Santos ficou, assim, depositário da herança que o seu antecessor lhe deixou, e nestas eleições irá ter de se defrontar com um governo que teve um ano para dar tudo a toda a gente, sem que as políticas tivessem de ser mudadas, tudo se resumiu a passar cheques nas reuniões de Conselho de Ministros.

Tão feliz que ele está. Corre-lhe bem a vida…

O que as sondagens agora estão a mostrar é, principalmente, o retrato do sentimento de agastamento dos eleitores para com os últimos dias de vida da maioria absoluta do PS, e da maneira como António Costa destratou aquele que lhe viria a suceder na direção do PS, dando um sinal inequívoco de que ele não merecia os seus favores.

Esse sinal serviu, por outro lado, para desmobilizar a fração da base eleitoral de apoio que se revia incondicionalmente em António Costa, e que constituirá uma boa parte dos que agora se manifestam indecisos.

Portanto, as dificuldades que Pedro Nuno Santos e o PS estão a enfrentar são uma síntese de tudo o que se passou desde que António Costa tomou posse à frente do governo de maioria absoluta.

Se, mesmo assim, o líder socialista vier a ganhar as eleições será um feito de se lhe tirar o chapéu, di-lo um eleitor que não é militante nem simpatizante do PS.