(Por Cipriano Justo, in Facebook, ‘2/05/2025, revisão da Estátua)

O PS de Pedro Nuno Santos está a pagar pelo que o PS de António Costa podia ter feito e não fez.
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O PS de Pedro Nuno Santos está a pagar pelo que o PS de António Costa podia ter feito e não fez. O que terá ficado na memória dos eleitores foi a maneira como António Costa desbaratou a confiança que os eleitores depositaram no PS, ao dar-lhe, surpreendentemente, uma maioria absoluta.
É verdade que António Costa pouco fez para merecer aquele resultado, gerado pelo medo de a AD abrir as portas a um entendimento com o Chega, mas, mesmo assim, podia tê-lo aproveitado melhor.
Sobre aquele período, sabem-se duas coisas: uma, que António Costa andou numa roda-viva a caminho de Bruxelas para preparar o lugar que viria a ocupar, se não chagasse a tempo lá teria de passar mais quatro anos no país e depois disso eram só incertezas quanto ao desejo de ter um cargo europeu. Com isso descurou a frente interna, e foi o que viu, casos atrás de casos até ao caso que oportunamente lhe proporcionou o argumento para se despedir. A outra, teve a ver com a circunstância de o PSD se ter aliado com o CDS para, formando a AD, não desperdiçar votos, tendo-se revelado uma estratégia acertada para vencer o PS por 50 mil votos, tendo sabido aproveitar a oportunidade que António Costa lhe deu com a mudança de turno.
Pedro Nuno Santos ficou, assim, depositário da herança que o seu antecessor lhe deixou, e nestas eleições irá ter de se defrontar com um governo que teve um ano para dar tudo a toda a gente, sem que as políticas tivessem de ser mudadas, tudo se resumiu a passar cheques nas reuniões de Conselho de Ministros.

O que as sondagens agora estão a mostrar é, principalmente, o retrato do sentimento de agastamento dos eleitores para com os últimos dias de vida da maioria absoluta do PS, e da maneira como António Costa destratou aquele que lhe viria a suceder na direção do PS, dando um sinal inequívoco de que ele não merecia os seus favores.
Esse sinal serviu, por outro lado, para desmobilizar a fração da base eleitoral de apoio que se revia incondicionalmente em António Costa, e que constituirá uma boa parte dos que agora se manifestam indecisos.
Portanto, as dificuldades que Pedro Nuno Santos e o PS estão a enfrentar são uma síntese de tudo o que se passou desde que António Costa tomou posse à frente do governo de maioria absoluta.
Se, mesmo assim, o líder socialista vier a ganhar as eleições será um feito de se lhe tirar o chapéu, di-lo um eleitor que não é militante nem simpatizante do PS.
António Costa nunca acreditou que o PR tudo faria para o tramar, apesar das muitas ameaças e recados que Marcelo foi fazendo, logo no dia da tomada de posse do Governo.
António Costa, com a política das contas certas, estava a amealhar para em ano de eleições poder dar um bónus aos funcionários públicos, aos aposentados e, eventualmente, até conceder algumas vantagens fiscais, em sede de IRS e IVA. Muito calculismo político e pouco de estadista.
O problema é que o PR não o largou, criou factos, falou em ramos podres no Governo, demitiu ministros e, por fim, a estocada final, em forma de “último parágrafo” caucionado pela PGR.
É só lembrar a perseguição política e jurídica que foi promovida contra o Ministro Galamba, que nunca foi acusado nem ouvido nem constituído arguido, comparar com os dias de hoje, o silêncio que o PR cultiva ou as declarações inócuas que faz, para concluir que António Costa foi bem enrolado na teia que lhe urdiram. Contudo, otimista como diz que é, as coisas correram-lhe de feição, a ponto de acabar por ser o grande beneficiado pela instabilidade política criada.
Hoje, a António Costa não lhe deve ser apenas assacada a responsabilidade pelas dificuldades que o seu PS, e a esquerda em geral, atravessa, também lhe deve ser apontado o dedo, por ser conivente, pelo silêncio, com o genocídio que se abate sobre o povo palestino. O Governo da União Europeia, que António Costa integra, é uma vergonha.
J. Carvalho
Em suma, se Arnaldo de Matos fosse vivo, diria que, de António a Marcelo, não passa tudo dum «putedo»!:)
Um verdadeiro gozo ler Brás Cubas!
Mais um texto dele:
https://www.paginaum.pt/2025/05/02/da-jericanocracia-ou-a-gloriosa-arte-de-governar-com-um-bidao
Parte de um pressuposto errado: o PS é um partido de esquerda, centro-esquerda, social-democrata. O PS não é nada disso. Estamos num país do sul da Europa, sempre atrasado e ignorante, e Avé Maria cheia de graça entre duas idas ao bar de alterne. O PS, isso sim, é um partido republicano (partido democrático da primeira), anticlerical, maçónico nos seus dirigentes, pequeno-burguês. No plano social tenho até o PS por mais conservador que boa parte da direita. Gosta mais do estado que aquela mas não é com preocupações de justiça. Disso ninguém quer saber. Tudo somado, como convém ao GOL, o PS é um negócio, um elevador social. E viva a República! Laica. Não lhes peça mais que a barriga tem horas.
Falta ver é se nestes tempos de pós isto e pós aquilo ainda servem para algum coisa. Duvido.
Muito bem!
O que sempre dissemos: António Costa aproveitou a boleia do «parágrafo» para, tal como um Durão Barroso, deixar, em termos de poder, de cavalgar o que tinha como um pouco prestigiante «burro», para passar a cavalgar um «cavalo»! A ética republicana que evocou para deixar de cavalgar o «burro», já a dispensou para o «cavalo» montar! Saiu-me, politicamente, um bom farsante!