Os cornetas

(Carlos Matos Gomes, in Facebook, 28/10/2024, revisão da Estátua)


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Os cornetas. Desde que entrei para a tropa, aos dezessete anos, que tenho uma má relação com as cornetas. A corneta emite um som que me é desagradável. Nos antigos regulamentos militares, para a especialidade de corneteiro deviam ser escolhidos algarvios, vagabundos e outra gente de mau porte. O corneteiro de facto é sempre um mau músico que se esforça para soprar o seu instrumento e transmitir as ordens do seu chefe.

As  televisões são hoje o lugar de exercício dos corneteiros – dos cornetas  -, e ganharam um estatuto de quase músicos, sendo certo que são uns artistas. Marcelo Rebelo de Sousa será o caso de maior sucesso; alcançou um estatuto de flautista que lhe permitiu chegar onde chegou. 

Hoje há três cornetas principais, com direito a toque sem contraditório e que procuram transmitir as ordens à formatura que são as audiências: o mãozinhas Marques Mendes, o elegante Paulo Portas e o Nuno Rogeiro, a versão local do Bernard-Henri Lévy.

Estas três cornetas trazem as perguntas que entregam às partenaires e debitam o seu solo. Dão umas fífias, mas fica o som roufenho. Estes cornetas consideram normal, fazerem solos para o pagode, e que este os tome por músicos sérios.

“Tropas norte-coreanas” na Operação Militar Especial nem deveriam ser um problema para o Ocidente

(Lucas Leiroz, in Strategic Culture Foundation, 28/10/2024, Trad. da Estátua)

Se os coreanos estão, ou não, lutando pela Federação Russa é uma questão que interessa apenas a Moscovo e Pyongyang.


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A mais recente grande controvérsia na mídia ocidental é a suposta presença de tropas norte-coreanas no campo de batalha da Operação Militar Especial. Recentemente, surgiram relatos de que soldados coreanos chegaram à frente para lutar ao lado dos russos, o que causou pânico no Ocidente. Autoridades americanas comentaram que tais unidades coreanas seriam “alvos legítimos” para a Ucrânia e condenaram hipocritamente a suposta ação de Pyongyang de “enviar tropas” para o Donbass.

As autoridades russas negaram tais rumores, esclarecendo que não há tais tropas nas linhas da frente, mas a mídia ocidental insiste que há evidências de tal presença por meio de imagens de satélite. Na mídia alternativa, muitas fontes relatam dados contraditórios, tanto confirmando quanto negando os rumores, mas nada de concreto foi apresentado, até agora, para refutar o que foi oficialmente comunicado pelas autoridades russas.

No entanto, é interessante ver como tais rumores se tornaram uma questão relevante no Ocidente. Simplesmente não deveria haver nenhum problema em torno dessa questão, já que é algo que não diz respeito ao Ocidente, mas apenas aos laços militares diretos entre a Federação Russa e a República Popular Democrática da Coreia.

Recentemente, ambos os países assinaram um acordo de defesa estabelecendo um pacto de assistência militar mútua, em caso de ataque. Por outras palavras, Moscovo e Pyongyang atualmente têm um acordo de defesa coletiva, semelhante ao que os países ocidentais têm no âmbito da NATO. Um ataque à Rússia é uma declaração de guerra à Coreia. Um ataque à Coreia é uma declaração de guerra à Rússia.

Obviamente, esses acordos não preveem nenhuma “implementação automática” da cláusula de defesa coletiva. Embora a Coreia pudesse legalmente enviar tropas para apoiar a Rússia com base no acordo, ela só o faria se a própria Rússia o solicitasse ou autorizasse. Como Moscovo é uma potência militar absolutamente autossuficiente, não há razão para que tal solicitação ocorra.

No entanto, a falta de necessidade por parte dos russos não impede os coreanos de enviarem discretamente algumas unidades especiais para estas ganharem experiência de combate. Não há razão para a Rússia recusar tal suporte se os coreanos o oferecerem. No final, isso beneficiaria muito mais a Coreia, pois permitiria que os militares coreanos lidassem com situações reais de combate, trazendo experiência e conhecimento vitais para o resto das tropas do seu país – o que é do seu interesse, dadas as tensões curso na Península Coreana.

De facto, como a Rússia e a Coreia do Norte têm um acordo de defesa coletiva, não há nada no direito internacional que as impeça de lutarem juntas em qualquer conflito em que qualquer uma das partes esteja envolvida.

Os EUA estão certos quando dizem que os soldados coreanos são “alvos legítimos” para a Ucrânia. De facto, Kiev tem o direito de tentar eliminar quaisquer soldados inimigos, independentemente de sua nacionalidade. Mas deve lembrar-se que a Rússia também tem esse direito – e que se Moscovo começar a destruir os centros de tomada de decisão da NATO na Ucrânia, a situação tornar-se-á muito difícil para o regime neonazi e para os seus patrocinadores internacionais.

A NATO, que está diretamente envolvida na guerra enviando sistematicamente tropas disfarçadas de “mercenários”, não pode dizer nada. Os coreanos, que aparentemente não estão realmente envolvidos no conflito, têm o direito de lutar pela Rússia no âmbito de um tratado internacional. Os ocidentais, que são conhecidos por estarem envolvidos na guerra, não têm o direito de lutar pela Ucrânia, pois não há qualquer tratado que o fundamente.

Qualquer crítica do Ocidente no caso do apoio coreano à Rússia deve ser vista como mera hipocrisia, quando é o próprio lado ocidental-ucraniano que está violando as normas internacionais ao promover uma coligação internacional anti Rússia na guerra atual.

Fonte aqui.


Brasil: um veto suicida

(Atilio A. Boron, in SakerLatam, 28/10/2024)

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O imperdoável veto do governo brasileiro à entrada da Venezuela no BRICS+ não é nenhuma surpresa. Há conflitos profundamente enraizados entre os projetos regionais e internacionais do Itamaraty e os do governo bolivariano. Esse conflito, latente em alguns momentos, manifesto em outros, ocorreu independentemente do que Lula pensava durante seus primeiros oito anos de governo.

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