A culpa de tudo foi do velho maluco

(António Gil, in Substack.com, 21/12/2024)


Tradução da frase da imagem: “Biden afirmou que os democratas fizeram campanha em “54 estados” em 2018, provocando o ridículo dos seus críticos no Twitter.”

A culpa de tudo foi do velho maluco. (Não de quem o escolheu para dirigir o hospício?)

Com tantas coisas correndo mal para os EUA era -é claro – essencial encontrar um culpado. Se ele não estiver em condições de se defender com alguma energia e convicção, tanto melhor.

Aqueles que não há muito atacavam como leões quem sugerisse que Biden não estava capaz de se tornar presidente dos EUA agora começaram a circular em torno dele, como hienas.

Que tenham sido cúmplices nessa escolha ou tenham aceitado trabalhar para ele, sabendo o que sabiam, não parece atrapalhá-los nem um pouco. A culpa é inteiramente do velho maluco, não de quem o guindou a seu posto.

De repente surgem relatos de todas suas disfunções. Das pessoas que lhe eram mais próximas, lá no ‘office’. Episódios que – estou certo – bastariam para escrever várias antologias que poderiam ser tituladas como: ‘os 4 anos em que, orgulhosamente, trabalhei para um chefe maluco’.

Eu vou sugerir aqui a estrutura toda do livro, para ajudar essas almas confusas a organizar seus depoimentos, pode ser?

O primeiro capítulo deveria ser, é claro: como fingimos que não sabíamos que ele era maluco’ O segundo, intitular-se-ia: ‘ Como difamámos e desacreditámos todos os que diziam que ele era maluco’. O Terceiro capítulo versaria sobre ‘como tomámos decisões malucas dizendo que obedecemos a um maluco’

O Quarto capítulo seria ‘ Como achámos que seria sensato propor o nosso chefe maluco a novo mandato’. O Quinto capítulo ocupar-se-ia dos média: ‘ o que dissemos aos media para dizerem sobre o nosso chefe maluco’. O sexto seria o capítulo do volte-face: ‘Como concluímos que afinal era má ideia negar que o nosso chefe maluco era realmente maluco’.

O sétimo teria como mote: ‘Como convencemos o nosso chefe maluco que deveria afastar-se da chefia porque estava maluco’ O oitavo ocupar-se-ia da escolha de sua substituta: ‘como conseguimos que uma maluca tomasse o lugar de nosso chefe maluco’. O nono capítulo debruçar-se-ia sobre a maluca campanha da alegria e seu título seria: O que dissemos a nossa candidata maluca para dizer para parecer um pouco mais normal do que sabíamos que ela era’

Finalmente como décimo capítulo ou prólogo: ‘Como fomos, todos, vítimas de um maluco e uma maluca, apesar de todos sermos pessoas mentalmente sãs?’

Pronto, está feito. Escrevam sobre isto, por favor, vai ser um best-seller. Não têm nada que agradecer, sempre às vossas ordens!

Malucos do caralho!

Fonte aqui.

A balada do Martim Moniz

(Tiago Franco, in Facebook, 21/12/2024, Revisão da Estátua)

Imagem obtida no mural do Carlos Esperança no Facebook

Costuma dizer-se que não é boa ideia lutar com um porco na lama porque, a dada altura, percebemos que não só o porco está mais habituado como, detalhe importante, gosta de ali estar.

Montenegro escolheu lutar com o Chega no lamaçal em que o partido de André Ventura vive. E assumiu-o dizendo que não é preciso que uma operação policial tenha resultados (apreensões, etc) para que seja um sucesso. Basta que seja visível e tenha um efeito dissuasor.

Assim sendo, as forças policiais sujeitaram-se ao triste papel de espantalhos e foram para o Martim Moniz encostar imigrantes à parede. Com que acusação? O facto de não terem nascido em Portugal.

A foto foi tirada por uma moradora do bairro

Dezenas de pessoas encostadas à parede, com as televisões a postos para que a “sensação de segurança” fosse restaurada. Felizmente um deles tinha um charrozito no bolso e um corta-unhas para dar algum colorido à cena.

Qualquer pessoa minimamente inteligente percebe esta operação de cosmética que consiste, essencialmente, em esvaziar a gritaria de André Ventura, tomando como dores nacionais as habituais bandeiras racistas e xenófobas do Chega.

Há no entanto um problema: Portugal não é composto por uma população cheia de intelectuais ou, vamos lá, de gente que perca tempo a ler noticias para lá dos cabeçalhos e, muito menos, a cruzar fontes. E muitos acreditam nos disparates que são ditos por personagens como, por exemplo, Rita Matias.

Na noite da operação, vociferava ela, (no canal News, julgo), que “se os imigrantes abrissem a porta não havia necessidade de os encostar à parede”. Alguém consegue acreditar neste tipo de disparares? Não conseguem perceber que esta mulher e restantes acéfalos daquela bancada passam o dia a debitar propaganda?

A história dos subsídios, de roubarem empregos, da criminalidade. Tudo desmentido por factos e números. Os imigrantes contribuem 7 vezes mais do que aquilo que recebem, pegam em empregos que português algum quer, a economia está dependente desta força de trabalho, a taxa de desemprego é baixa no nosso país (cerca de 6%) e não há qualquer dado estatístico que relacione a criminalidade com a imigração. Por fim, nós próprios somos um país de emigrantes desde que nos lembramos de ser gente.

Ainda assim, há milhares de pessoas que engolem esta propaganda diária, ignorando os reais problemas do país, como a queda do SNS, da escola pública, os baixos salários, a crise na habitação ou as redes de interesses controladas pela mesma elite corrupta há 50 anos.

Portanto, 50 nepaleses, indianos e paquistaneses encostados a uma parede, deixam-nos logo com aquele quentinho na barriga de estado policial e de boas conversas de café sob o tema “isto não é uma república das bananas”. Os problemas a sério ficam para as década seguintes, quando aqueles que agora fogem de Portugal, um país cada vez mais de Terceiro Mundo, voltarem com novas perspetivas e, quiçá, a tempo de fazer qualquer coisa.

É difícil, muito difícil, quando tudo o que temos para apresentar é uma casta de políticos profissionais que ao longo da vida não tiveram um emprego no mundo real mas que, ainda assim, se arrogam, entre constantes trocas de lugares num sistema fechado, de controlarem os destinos da nação durante décadas.

Enquanto isso, as mentes com algum raciocínio lógico vão abandonado o país em busca de democracias mais fortes e sociedades menos corruptas, onde a economia funcione em benefício de todos.

Por cá, vamos babando na CMTV com operações policiais de cosmética, um governo com preocupações de fascistas e gente, como um Relvas, um Frazão ou uma Rita Matias, no papel de influenciadores da opinião pública.

Quase 9 séculos para chegar a isto. Não nos podemos queixar do destino.

A Ferra Aveia e o terrorismo

(Por Sófia Puschinka, in Facebook, 21/12/2024, revisão da Estátua)


Ah bom…. Helena Ferro Gouveia a comentar o ataque terrorista da Alemanha diz que, “os serviços secretos internacionais já tinham alertado a Alemanha para ataques terroristas em mercados de Natal”.

Ela sabe destas coisas e conhece todos os avisos da Mossad e da CIA. Diz-lhe o pivot mais à frente: “Helena, este homem não estava referenciado como perigoso; não houve uma falha dos serviços de informação?

Responde aquela alma que há milhares de pessoas e que este podia não estar a ser seguido bla bla bla  🤣. Esperem lá. Mas, os tais serviços secretos, que tinham avisado a Alemanha especificamente sobre os mercados de Natal, não o fizeram com base em informações concretas? Foi tipo bola de cristal, ou é só vicio e alucinação desta croma, referenciar os serviços de informação em tudo o que comenta para se armar em Mata Hari?

Bem… Pelo meio, e como se trata de um saudita, oriundo pois de um país que Helena Ferro Gouveia jamais criticou por ser amigo e aliado dos EUA – para ela as mulheres do Irão usarem hijab (um lenço na cabeça) é um atentado contra os direitos das mulheres mas as sauditas é perfeitamente normal usarem burka (uma manta preta pela cabeça abaixo que cobre todo o corpo) -, este homem que vivia na Alemanha desde 2006 (há quase 20 anos), médico psiquiatra que renunciou ao Islão, afinal não é terrorista, é só um desequilibrado até porque ela andou a investigar o perfil do “X” do senhor e acha que ele sofria de transtornos, estava muito confuso!  🤣 🤣 🤣 

Claro que se fosse sírio (como deram a entender as primeiras notícias), iraniano ou palestiniano já não era um desequilibrado e tratar-se-ia de um terrorista perigoso, independentemente daquilo por que pudesse ter passado. Por exemplo, se fosse um sírio que tivesse visto a sua família a ser morta, os seus filhos a serem vendidos em campos de refugiados, as suas filhas de 9 anos a serem vendidas na Turquia para casamento, etc, seria sempre um terrorista perigoso. Este, coitadinho, era só um maluquinho e a sua raiva contra os alemães era só loucura; afinal estava perfeitamente integrado na sociedade e os alemães nem são nada racistas e xenófobos, nunca foram  🙄. As políticas europeias também são muito coerentes e igualitárias são um primor…

Helena Ferro Gouveia, a rainha da hipocrisia e da indecência. A tipa que se contradiz a ela própria em 3 minutos de conversa. A tipa que se diz feminista mas que envergonha qualquer verdadeira feminista e mulher de carácter.