Natal e a «mentalidade de guerra» de Mark Rutte

(Por António Bernardo Colaço, in AbrilAbril, 23/12/2024)

Tanque de guerra alemão Leopard 2, que equipa os exércitos da NATO e da Ucrânia

Natal é um acontecimento social festivo universalmente praticado, pelos cristãos e não-cristãos, independentemente de qualquer credo religioso. É o «tempo» de todos os cidadãos do mundo – tanto os que o celebram, como os que não o podem celebrar –, mas no qual todos anseiam pela PAZ, CONCÓRDIA e SOLIDARIEDADE ENTRE OS SERES HUMANOS. 

Foi, por isso, surpreendente e assombroso o discurso do Sr. Mark Rutte – secretário-geral da NATO, no Carnegie Europe, em Bruxelas, no dia 12.12.2024. Eis alguns chavões:

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No labirinto do “governo invisível”

(Viriato Soromenho Marques, in Diário de Notícias, 21/12/2024)

O turbilhão de acontecimentos que atinge a Europa é deliberadamente ilegível, tal a intensidade de narrativas fabricadas, encarniçadas contra a debilidade da verdade material. Querer substituir a dureza dos factos pelas opiniões convenientes, é receita certa para o desastre. Tentemos, pelo menos, entender o essencial.

Depois de quase três anos de guerra europeia, a sorte das armas favorece a Rússia. Biden, perdidas as eleições, sem autorização de Trump (segundo confissão do próprio), resolve envolver-se diretamente no conflito (com o apoio de Londres), através do uso de mísseis contra alvos na Rússia. É um gesto de temerária e violenta fraqueza, mas arriscando generalizar a guerra. A bandeira da democracia é desfraldada nos discursos dos seus dirigentes, enquanto a UE é cúmplice num golpe de mão contra a Roménia, usando como espada o seu Tribunal Constitucional: o candidato que iria ganhar folgadamente a segunda volta, Calin Georgescu, queria sair da guerra e travar a construção na Roménia da maior base da NATO. Os protestos foram abafados, incluindo com detenções…

A retórica humanista do Ocidente tem coabitado com a perseguição a cidadãos que nos EUA, Alemanha e Reino Unido protestam contra o genocídio e a violência extrema de Israel em todo o Médio Oriente (apoiado por esses países). Von der Leyen desobedeceu à exigência do Tribunal Europeu de Justiça, não-divulgando a sua correspondência privada com o CEO da Pfizer, em 2021, no caso que envolveu a compra bilionária pela UE de vacinas anticovid. Como “punição”, foi reinvestida na presidência da CE… O descontentamento popular com o empobrecimento europeu, muito forte em Paris e Berlim, bate no muro blindado de uma ordem, aparentemente, inamovível.

Como explicar o que paralisa os cidadãos, atrofiando a sua capacidade de pensar e protestar? 
Para perceber o que mudou na estrutura do poder nas democracias representativas, temos de recuar quase um século, até Edward L. Bernays (1891-1995). Eis a tese central do seu seminal livro Propaganda (1928): “A manipulação consciente e inteligente dos hábitos e opiniões organizados das massas é um elemento importante na sociedade democrática. Aqueles que manipulam este mecanismo invisível da sociedade constituem um governo invisível que é o verdadeiro poder governante do nosso país [EUA].

O resto foi explicado por Hannah Arendt, num artigo de 1967, “Verdade e Política”: os interesses instalados criaram uma indústria de “mentira organizada”. As verdades empíricas, os factos, são apresentados como meras opiniões. É onde estamos, numa perigosa encruzilhada. Desprovidos da bússola existencial que separa a verdade da falsidade.

Carlos Moedas – Pequeno edil e grande falsificador

(Carlos Esperança, in Facebook, 22/12/2024)


Carlos Moedas, o maior falsificador da História e o pior demagogo da direita. Consegue passar de contrabando as suas mistificações, depois de fazer «tudo o que o PR e o Papa quiseram». Nunca mais prestou contas sobre os gastos das JMJ nem sugeriu outro nome para substituir o do cardeal que caiu em desgraça na ponte pedonal sobre o rio Trancão.

No entanto, com enorme desfaçatez, conseguiu comemorar o 5 de Outubro na Câmara de Lisboa, um feriado abolido pelo governo em que participou, para apelar aí à exótica comemoração do 49.ª aniversário do 25 de novembro, e transformar a derrota da direita e extrema-direita numa vitória dos derrotados.

Feliz com o sucesso das falsificações onde contou sempre com a cumplicidade do pouco recomendável PR, comemorou o 45.º aniversário da eleição de Krus Abecasis sem lhe lembrarem quem foi o seu antecessor do CDS eleito numa lista PPD/CDS/PPM.

Na foto: Moedas cortou quem estava à direita do PR e à esquerda do PGR para retirar o ex-terrorista Pacheco de Amorim, ali presente em representação do presidente da AR.

Krus Abecasis foi o autarca que: demoliu o cinema Monumental perante o repúdio dos lisboetas; promoveu as Torres sobre o Tejo, que roubavam a Lisboa o rio e deixavam as margens à especulação imobiliária, projeto a que o arquiteto Ribeiro Teles, vereador do PPM, impediu; quis estorvar a exibição do filme de Jean-Luc Godard, Je vous salue, Marie, na Cinemateca Portuguesa, incitando desacatos e ameaçando escaqueirar a sala, numa das primeiras tentativas de censura no atual sistema democrático.

Já se esqueceu o pavoroso incêndio da madrugada de 25 de agosto de 1988 que destruiu o Chiado e provocou a morte a um residente e um bombeiro, feriu 70 pessoas e deixou mais de 300 desalojadas e outras duas mil sem local de trabalho. Esqueceu-se sobretudo que a Rua do Carmo, à data reservada por Abecasis aos peões e enfeitada com canteiros altos de betão, impediu o acesso dos carros de bombeiros para o combate, o que agravou a tragédia.

O pequeno edil Moedas consegue ser um grande falsificador da História, graças à nossa amnésia e à incúria de quem ama a democracia. Não é uma questão de ponto de vista, é a falsificação de quem esperava chegar ao governo numa coligação PSD/CDS/Chega.