Bruno Amaral de Carvalho

(Miguel Castelo Branco, in Facebook, 02/04 de 2025, Revisão da Estátua)


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Na vereda sombria na qual entrámos há três anos e que a todos desde a primeira hora aconselhou mil cuidados no recurso a jogos de habilidade que impedissem aos inquisidores, aos denunciantes e aos perseguidores da liberdade alheia mais impunidade, o nome de Bruno Amaral de Carvalho ocupa um merecido lugar de destaque. Terá sido o único português a arrostar todos os perigos e a deslocar-se para o centro do conflito armado e oferecer aos seus concidadãos o contraditório à carapaça de mentiras que desde 2022 passou a ser lei.

Quando há cerca de um ano a sua obra saiu, a maquineta totalitária pôs-se de imediato em movimento. Sofreu a censura, as ameaças, a perseguição, a difamação e até as tão características esperas em que as polícias políticas informais se especializaram para calar de vez as vozes incómodas. Entretanto, o edifício repressor abriu fendas. Parte da opinião pública foi saindo do estado de embrutecimento, procurou outras fontes e rendeu-se ao trabalho de Bruno Amaral de Carvalho.

No momento em que desaparecem dos escaparates das livrarias as biografias encomiásticas de Zelensky e do seu detestável regime, o Guerra a Leste: 8 meses no Donbass, chega à terceira edição e ascende ao merecidíssimo lugar de destaque. Uma grande vitória para a liberdade e um prémio de valor para o homem que quis contar aos portugueses que aquela guerra era, afinal, a guerra de libertação dos russos da Ucrânia.

Para que serve o rearmamento da Europa?

(Major-General Carlos Branco, in Jornal Económico, 01/04/2025)


Parece não restarem muitas dúvidas de que os líderes europeus não têm nas suas mentes uma estratégia de dissuasão, mas sim outra mais exigente em meios, para além de ser mais perigosa.


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O debate em redor do rearmamento da Europa passou a dominar as manchetes dos jornais e a abertura de telejornais. A Europa está desarmada, qual capuchinho vermelho prestes a ser triturado pelos dentes afiados do lobo mau, que um dia virá de leste. Mas a realidade dos factos é que nem a Europa está desarmada nem a psicose de massas artificialmente fabricada se justifica com uma ameaça russa em aproximação, desprovendo de sentido a urgente corrida armamentista que se anuncia como inevitável e em que a Europa se prepara para embarcar.

É frequente argumentar que o enfraquecimento da capacidade de defesa europeia se deve a décadas de desinvestimento. Contudo, convém relembrar o desinvestimento recíproco da Rússia em defesa, a seguir ao fim da Guerra-Fria. As ameaças, se não desapareceram totalmente, pelo menos desvaneceram-se consideravelmente. Não havendo ameaça, não faz sentido manter uma capacidade militar que vá para além da dissuasão, estratégia de que a Europa nunca prescindiu.

De 2019 a 2023, o valor agregado das exportações de armamento europeias quase que triplicou o valor das exportações russas. Só a França tem maior capacidade exportadora do que a Rússia. Dos oito maiores países exportadores de armamento, a nível mundial, seis são europeus.

Surpreendentemente, os acérrimos defensores do rearmamento urgente devido a um ataque russo são também os mesmos que: (1) argumentam com a superioridade estratégica europeia (demografia, PIB, capacidade industrial, etc.), a qual é, por si própria, um tremendo fator de dissuasão; (2) e acreditam que a guerra na Ucrânia tem mostrado o quão fraco e ineficaz é o exército russo. Conseguem fazer a quadratura do círculo. A Europa vai ser invadida por um inimigo incapaz e incompetente. Portanto, temos de nos armar até aos dentes.

A Europa tenta delinear uma “estratégia” com base naquilo a que George Orwell chamou de double thinking, isto é, acreditar simultaneamente em duas ideias que se excluem mutuamente. O debate sobre o tema deve começar por esclarecer qual a finalidade do rearmamento, para que serve? Após uma análise cuidadosa do White Paper produzido por uma equipa liderada pela Alta Representante para a Política Externa da UE Kaja Kallas, não ficou claro qual seria a finalidade do rearmamento europeu. São tantas as ameaças e tão diferentes (Rússia, China, Ártico, Norte de África), que ficamos sem perceber exatamente o que se pretende.

Embora não seja dito de modo explícito, não restam dúvidas ser a Rússia a ameaça percebida ficando, no entanto, por saber qual a postura estratégica que a Europa vai adotar: dissuasão defensiva, ofensiva ou é todo este esforço apenas para ajudar a Ucrânia? A resposta a esta questão crucial é ambígua.

A definição de uma estratégia passa por identificar claramente, por esta ordem, os objetivos a atingir, os caminhos a seguir e os meios (objectives, ways and means). A proposta da presidente da Comissão europeia ao Conselho Europeu concentrou-se apenas nos meios – como dotar os estados-membros dos recursos financeiros para se rearmarem, sendo omissa quanto aos objetivos e aos caminhos a seguir. Ou seja, Ursula Van der Leyen (VDL) começou e terminou nos meios.

Qual o objetivo?

A proposta da Comissão sobre o rearmamento europeu usava o termo “dissuasão,” sugerindo a adoção de uma estratégica predominantemente defensiva. Mas, as dúvidas sobre este propósito são enormes. Os lugares tenentes de VDL falam em escalar o conflito e confrontar militarmente a Rússia, sem que esta tenha alguma vez repudiado essas declarações.

Kaya Kallas, a mesma cujo marido fazia negócios com a Rússia já depois do início do conflito na Ucrânia, disse que era preciso destruir e fragmentar a Rússia; e o comissário europeu para a defesa e espaço, o lituano Andrius Kubilius afirmou ser necessário prolongar a guerra até exaurir a Rússia e a Europa adquirir capacidades para a destruir.

Exatamente no mesmo sentido foi o alemão Bruno Kahl, diretor do Serviço Federal de Informações, ao afirmar que um acordo de paz não beneficiará a Europa se for alcançado antes dos próximos cinco anos. Segundo ele, a Rússia está a preparar uma grande guerra com a NATO. O grande argumento em abono desta tese é o facto “das perdas russas estarem a ser repostas e a indústria de defesa do país está a produzir mais do que o necessário para a atual guerra.”

Por sua vez, o Inspetor Geral das Forças Armadas alemãs general Carsten Breuer canta segundo a mesma pauta de música. A ministra dos negócios estrangeiros da Alemanha Annalena Baerbock fala em mobilização nacional. O tradicional rigor orçamental alemão está prestes a desvanecer-se, com o governo a preparar-se para contrair uma dívida no valor de mais de 500 mil milhões de euros, a gastar nos próximos 12 anos. Para além disso, o Governo alemão criou um instrumento para aumentar a dívida num total de cerca de um trilião de euros, ou mesmo mais, envolvendo uma alteração constitucional.

Como se não houvesse amanhã, a Dinamarca acelerou a introdução do alistamento militar obrigatório para as mulheres, passando o seu início de 2027 para 2026; o presidente Macron diz que a Rússia é uma ameaça à França e à Europa e, seguindo o exemplo da Suécia, mandou distribuir manuais de sobrevivência à população, como se a guerra estivesse à porta, criando uma ansiedade absolutamente injustificada; as autoridades polacas anunciaram o início dos preparativos para uma possível guerra com a Rússia introduzindo, para o efeito, formação militar em massa da população, e o primeiro-ministro polaco Donald Tusk quer ter armas nucleares e anunciou o aumento das forças armadas para meio milhão de soldados.

Por seu lado, a Comissão teve o despautério de pedir à população para que armazene água, medicamentos, pilhas e alimentos para sobreviver por três dias sem assistência externa em caso de emergência. É difícil não considerar isto uma preparação para a guerra. Este tom reflete a narrativa a que recorrem os países bálticos. Como notou a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, referindo-se a Kaja Kallas “se alguém a estiver a ouvir, parece que estamos em guerra com a Rússia, e essa não é a linha política da UE.”

Independentemente daquilo que se pense, a verdade é que a UE se está a preparar para a guerra. Parece não restarem muitas dúvidas de que os líderes europeus não têm nas suas mentes uma estratégia de dissuasão, mas sim outra mais exigente em meios, para além de ser mais perigosa. Daí a alegada necessidade de um rearmamento urgente.

O desvario

A ideia do rearmamento europeu não pode ser dissociada de outros acontecimentos em curso que influenciam decisivamente a narrativa armamentista. O principal prende-se com a acusação de que os EUA não honrarão as suas obrigações no âmbito do artigo V, em caso de um ataque militar da Rússia. Nada até agora o indicia.

A Estratégia Nacional de Segurança, da Administração Trump, em 2017; era clara: “A aliança da NATO de Estados livres e soberanos é uma das nossas grandes vantagens em relação aos nossos concorrentes, e os Estados Unidos continuam empenhados no Artigo V do Tratado de Washington.” Pretender que os europeus assumam maiores responsabilidades, não pode ser confundido com a retirada das garantias de segurança por parte de Washington. É intelectualmente desonesto misturar factos distintos apresentando-os como fazendo parte de uma única realidade.

Sem os EUA terem alguma vez manifestado intenção de abandonar a proteção nuclear da NATO, e após terem declarado a intenção em a manter, a Alemanha veio sugerir a sua substituição por uma outra proteção a ser fornecido pela França e Reino Unido (RU). Esta proposta do novo chanceler alemão Friedrich Merz, até recentemente alto quadro da BlackRock Germany, representa a sua total descredibilização. A capacidade nuclear agregada dos dois países não só não constitui uma alternativa ao guarda-chuva nuclear norte-americano, como nem sequer se aproxima da proteção por ele conferida.

Começando logo pelo facto do RU não dispor de capacidade nuclear autónoma. O programa nuclear inglês é um prolongamento do norte-americano. Se os EUA quiserem, o RU não dispara nenhum míssil. Depende dos EUA para tudo (manutenção, arquitetura, teste dos submarinos, etc.) e os misseis Trident são alugados aos EUA e encontram-se, na sua maioria, na Geórgia (EUA). Não deixa de ser hilariante a informação dada pelo desbragado almirante britânico Chris Parry de que um submarino com misseis Trident poderia varrer 40 cidades russas da face da terra. Por outro lado, o programa nuclear francês foi concebido para proporcionar dissuasão nuclear à França. Estendê-lo à Europa é uma ideia que tem tanto de perigosa como de ridícula.

Os dirigentes europeus estão amuados com a nova Administração norte-americana que lhes exige uma maior participação financeira na NATO. Despeitados pelo novo patrão os tratar com maior rudeza passaram a comportar-se de um modo insensato, sendo os principais responsáveis pela rotura com Washington a que temos assistido. Sem pensamento estratégico parecem dispostos a arrastar a UE para uma grande guerra contra a Rússia.

A União Europeia caminha sonâmbula para uma guerra perdida, à qual não tem capacidade para alterar o destino, cujo instigador está a abandonar por ter percebido que não a vai ganhar, tal como aconteceu no Afeganistão, coisa que os europeus ainda não atingiram.

Enquanto a necessária modernização das forças armadas europeias se basear em pressupostos errados, nada de bom se poderá esperar dela. Como diz Matos Gomes “este mantra [do rearmamento] assenta num conjunto de sofismas, de deturpações grosseiras… faz parte da comédia de enganos com que os dirigentes da Europa estão a iludir os europeus.” A Europa, que nasceu como um projeto de paz vencedora do prémio Nobel 2014, está a converter-se num projeto de guerra.

Fonte aqui.

A entrevista a Boaventura de Sousa Santos – reflexões

(Raquel Varela, in Facebook, 01/04/2025, Revisão da Estátua)


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Vi a entrevista de Boaventura Sousa Santos que me merece vários comentários, longe dos apedrejamentos costumeiros.

O primeiro é a gravidade do que ali foi dito – destruído nos media e na academia, do qual foi afastado de vários lugares, disse que nunca viu um único documento ou prova contra si. Isto em qualquer Estado de direito basilar era intolerável. Os traços autoritários dos Estados vêm com pés de lã: nos EUA estas políticas começaram por alegadamente proteger as vítimas (mulheres, negros) e hoje servem para despedir mulheres e negros, homens e brancos, desde que se oponham a Trump. A suspensão dos direitos nunca pode ser defendida para ninguém e muito menos por gente de esquerda. Porque acaba a voltar-se contra as pessoas de esquerda. Abre-se a caixa da pandora da inquisição.

A ténue crítica de Boaventura aos media. Os mesmos jornais que têm a agenda do Metoo e nunca publicaram nada sobre dezenas de casos de queixas de assédio por professores de direita e de extrema-direita – alguns deles com processos disciplinares concluídos.

E, aqui, creio que Boaventura não compreendeu inteiramente o que se passou. A sua posição face à Ucrânia não foi determinante.

Boaventura é um dos poucos intelectuais deste país que pensa realmente (e eu discordo das suas teses e sempre discordei, nunca o “bajulei” e nunca deixei de o criticar), mas as suas teses não são estruturalmente incómodas. Por isso o seu projeto Alice, que citou amplamente, foi acarinhado pela UE porque defende a tese de que é possível regular o capitalismo na Europa assegurando direitos. O mesmo para as teses da epistemologia do sul – teses “campistas”, que se opõem à noção de luta de classes substituindo-a por uma noção de lutas autónomas, norte versus sul, homens versus mulheres, negros versus brancos.

Creio que a verdadeira razão foi outra. A Universidade portuguesa mergulhou na Nova Gestão Pública. É preciso afastar os catedráticos, para substituir as direções das universidades por gestores.

Boaventura é o alvo perfeito: o catedrático emérito de esquerda, coordenador de um projeto milionário, abatido, em direto. Se ele foi, os outros que tenham medo! Foi essa a mediatização. O último reduto da autonomia universitária está na figura do catedrático, que por conservadorismo resistia ao produtivismo gestionário.

Com os Conselhos Gerais das universidades dominados por externos á Academia, e com as faculdades a mudar estatutos para que não-catedráticos sejam eleitos, em breve teremos professores-gestores auxiliares a mandar nos professores catedráticos. Foi o que aconteceu nos hospitais, onde enfermeiros-gestores mandam em médicos; e irá acontecer também nos advogados, com a mudança do estatuto dA carreira imposta pelo PRR. A ideia é acabar com a autorregulação do trabalho.

Não vou perder tempo a explicar que o catedrático é uma figura fundamental. Pior que a Universidade conservadora medieval é a Universidade gestionária, liderada por métricas e plataformas, geridas por gestores-professores, que são autênticos sociopatas. E em que, claro, se criarão – e já criaram – condições para que o assédio sexual e moral seja muito pior do que no velho sistema medieval.

A isto juntam-se as avaliações da FCT, que divide o dinheiro pelos laboratórios de Humanidades – abatendo o CES sobra mais para os concorrentes.

E agora a parte mais importante da entrevista. O erro fulcral. Boaventura disse que estas mulheres não estiverem à altura em entrevistas, textos, artigos e contratos e por isso nunca conseguiram um lugar.

Tenho sincero desprezo pelos métodos inquisitoriais destas mulheres mas o que não falta neste país são milhares de mulheres e homens doutorados que concorrem aos projetos da FCT e ganharam, escreverem bons artigos, fazem investigação, são excelentes docentes e…não têm lugar. E é isso que cria este pântano – não é que “não estiveram à altura“. É que 75% do trabalho universitário é feito por precários. A quem prometem que “talvez” se ele fizer mais um concurso vai ter um lugar. Ora, estamos a falar de doutorados. Quem é doutorado deve ter um emprego seguro, para a vida, o doutoramento é a prova máxima.

E o que tem acontecido é que os poucos lugares são distribuídos de forma injusta. E serão sempre, porque todos os doutorados estão em pé de igualdade, por isso inventam-se critérios alegadamente justos mas arbitrários. Os defensores dos precários, muitas vezes, usam a cenoura de que “talvez venha um lugar para ti“, para ter os seus votos na luta dentro das instituições e depois negoceiam lugares para os seus apoiantes, esperando que os outros, cansados, emigrem. É este sistema que gera o assédio, que gera a denúncia caluniosa, e que gera todo o mal-estar existente nas universidades.

Lamento não ter visto Boaventura dizer isso mesmo – acusar o neoliberalismo, mas dizer que quem trabalha bem teve lugar, é uma contradição. A Universidade portuguesa transborda de pessoas que trabalham e não têm lugar. O lugar é dado aos obedientes, e como não há lugar para todos os obedientes, sobram também os ressentidos, e as falsas denúncias e, claro, os assediadores, que perseguem quem se lhes opõe.

A única forma de combater isto é defender lugar para todos os doutorados e autogestão democrática. Onde se criam relações de confiança e em que pode haver abraços, e ainda bem, sim ainda bem que nos abraçamos! É porque há confiança.

É preciso recusar-se a participação na distribuição de lugares a uns, deixando outros de fora. Mas isso chama-se greve. Nunca foi feito. É preciso uma luta coletiva que corporize a recusa a fazer parte do jogo pernicioso. Ou fazemos como um dia fizeram os estivadores, até serem despedidos na pandemia – ou há lugares para todos ou ninguém trabalha -, ou então vamos assistindo a diretores de institutos e instituições a distribuirem lugares para 25% deixando os outros 75% com a cenoura do “se publicares muito, se fores a muitos congressos, vais ter lugar…“.

Tudo correu mal neste episódio de “vigiar e punir” e que uniu a esquerda pós-moderna e a direita “atira a pedra ao Boaventura“. Depois deste episódio mais homens vão ter medo de galantear – sobra-lhes, no fim, apenas o Tinder, uma depressão por falta de afetos, e um contrato formal de consentimento jurídico. E muito mais mulheres – vítimas de assédio que apresentam provas e queixas nos lugares corretos, os tribunais – vão ter medo de o fazer porque o que estas mulheres fizeram foi mais um contributo para descredibilizar todas as mulheres.

Boaventura podia ter aproveitado esta entrevista para defender um sistema universitário com carreiras para todos, justas. E por isso, liberdade científica. O que fez foi defender a lei do mais forte (alegadamente em função do mérito) nos contratos.

Cabe-me – por fim – dizer que sou a favor do piropo; que acho o assédio moral e sexual deplorável, que sou contra a denúncia anónima, que acho que as custas judiciais devem ser eliminadas, e deve haver advogados bem pagos pelo público para defender as mulheres; que piropo, galanteio, assédio e violação são TRÊS COISAS muito DIFERENTES.

E que a notoriedade que se dá a tudo isto na Academia, e o desprezo pelas mulheres violadas ao sair do seu trabalho por turnos na periferia das cidades, só demonstram a total falta de noção da “bolha académica e mediática“.

Pode ver a entrevista a Boaventura aqui