As Universidades americanas estão em crise

(Por George Friedman, in A Viagem dos Argonautas, 12/10/2019)

As universidades de elite estão mais uma vez à procura de conformistas sociais em vez de perturbadores….


Continuar a ler aqui: A AMÉRICA VISTA ATRAVÉS DA CRISE EM GERAL E A DO ENSINO EM PARTICULAR – III – AS UNIVERSIDADES AMERICANAS ESTÃO EM CRISE, por GEORGE FRIEDMAN


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As praxes e as Universidades

(Carlos Esperança, 05/06/2019)

Neste antigo reino, onde a clerezia era influente, foi criada a Universidade que os padres dominavam. A teologia era a ciência oculta que a engrandecia, a única sem método nem objeto. Os padres, geralmente cultos, dominavam o conhecimento, que divulgavam com a superstição, à mistura, vigiando as heresias e proscrevendo os réprobos.

Durante séculos foi única, os hereges eram banidos e tinha lugar de relevo a fé. Depois de numerosas vicissitudes foi arejada pelos ventos do liberalismo e a laicidade penetrou naquele antro com odor a sacristia.

O reino passou a República e a laicidade, que era a prática, a obrigação. Veio a ditadura depois e, mais tarde, uma democracia moderna. No eterno retorno, as vestes talares dos docentes e discentes foram o veículo da recuperação das piores tradições e da criação de outras que contaminaram numerosas escolas, às vezes em vãos de escada, com cursos exóticos e diplomas por equivalência, sem dispensarem as praxes.

As cerimónias iniciáticas substituíram o vinho pela cerveja na consagração académica, e o sexo, simulado ou explícito, saiu à rua. Há escolas onde uma caloira exibe um mamilo por um copo de cerveja, os dois por outra bebida, com a saciedade a privar do êxtase a turba gulosa, enquanto um colega exibe o traseiro, de borla, perante o fastio geral, antes de cair de bêbedo.

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A entrada faz-se com carros roubados a supermercados, desfilando de pijama e cartazes vexatórios pelas ruas das cidades, e a saída com a bênção das pastas. Da cerveja à água benta, em três anos de Bolonha, ficam fotos que comprometem e desatinos que pontuam a futilidade de atos embaraçosos, na ausência de causas para quem se presta a humilhar e a ser humilhado num percurso onde a ciência devia ser o objetivo e a genuflexão uma postura a evitar.

Mas há coisa mais bonita do que ver estudantes em coma alcoólico ou enlevados com a aspersão da água benta na cabeça, na batina e na pasta?

Ámen.


A exótica Universidade de Coimbra e a laicidade

(Por Carlos Esperança, 22/02/2019)

UCOI

A Universidade de Coimbra não é apenas uma fonte de ciência, é a fossa onde desagua a fé, onde a liturgia a coloca como exclave de uma universidade pública e a transforma em confessional, onde o cargo máximo exige missa prévia, com genuflexões, aspersões de hissope e homilia sacra.

conviteO Professor Decano, Professor Doutor Aníbal Traça de Carvalho Almeida, encarregado da cerimónia de posse do novo Reitor, mais preocupado com a salvação da alma do que com a separação da Igreja e do Estado, quiçá ignorante da laicidade a que está obrigada a Universidade pública, quem sabe se ungido pelo Divino, introduziu na cerimónia de posse do novo Reitor uma santa missa. A missa de 1 de março vai merecer o prémio da inovação.

No próximo 1 de março, a missa é a novidade da posse do Magnífico Reitor, Professor Doutor Amílcar Celta Falcão Ramos Ferreira, mas na posse do posterior Reitor será já uma tradição, um uso que se perpetuará para maior glória do cargo e deleite pio. Espera-se que o capelão seja experiente e não dê a comunhão ao novo Reitor e a extrema-unção ao piedoso Professor Decano ou vice-versa.

Não há coisa tão bonita como ver o corpo docente de joelhos e a Universidade pública a desfilar ao som do cantochão, com professores em vestes talares, de borla e de capelo.

Se a moda for contagiante a tomada de posse do presidente do Conselho de Reitores vai abrir com solene Lausperene e Te Deum, seguidos de procissão com o Senhor Exposto, passando sucessivamente de igreja para igreja, por entre aplausos dos profanos.

Nos Politécnicos há de ser também a missa a preceder a posse de diretores. Em escolas integradas a posse exigirá, pelo menos, uma novena e na creche o terço há de preceder a entrada em funções de cada novo diretor.

Os juramentos de fidelidade à Constituição e ao cumprimento das leis da República são obsoletos. O futuro está na Bíblia, na Tora e no Corão, e a Universidade de Coimbra na vanguarda das cerimónias pias.

Do Vale dos Caídos, onde ainda jaz Francisco Paulino Hermenegildo Teódulo Franco Bahamonde Salgado-Araujo y Pardo de Lama, doutor honoris causa pela Universidade de Coimbra, só não mandou felicitações pela cerimónia pia porque, felizmente, continua morto.