(Major-General Carlos Branco, in Jornal Económico, 01/04/2025)

Parece não restarem muitas dúvidas de que os líderes europeus não têm nas suas mentes uma estratégia de dissuasão, mas sim outra mais exigente em meios, para além de ser mais perigosa.
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O debate em redor do rearmamento da Europa passou a dominar as manchetes dos jornais e a abertura de telejornais. A Europa está desarmada, qual capuchinho vermelho prestes a ser triturado pelos dentes afiados do lobo mau, que um dia virá de leste. Mas a realidade dos factos é que nem a Europa está desarmada nem a psicose de massas artificialmente fabricada se justifica com uma ameaça russa em aproximação, desprovendo de sentido a urgente corrida armamentista que se anuncia como inevitável e em que a Europa se prepara para embarcar.
É frequente argumentar que o enfraquecimento da capacidade de defesa europeia se deve a décadas de desinvestimento. Contudo, convém relembrar o desinvestimento recíproco da Rússia em defesa, a seguir ao fim da Guerra-Fria. As ameaças, se não desapareceram totalmente, pelo menos desvaneceram-se consideravelmente. Não havendo ameaça, não faz sentido manter uma capacidade militar que vá para além da dissuasão, estratégia de que a Europa nunca prescindiu.
De 2019 a 2023, o valor agregado das exportações de armamento europeias quase que triplicou o valor das exportações russas. Só a França tem maior capacidade exportadora do que a Rússia. Dos oito maiores países exportadores de armamento, a nível mundial, seis são europeus.
Surpreendentemente, os acérrimos defensores do rearmamento urgente devido a um ataque russo são também os mesmos que: (1) argumentam com a superioridade estratégica europeia (demografia, PIB, capacidade industrial, etc.), a qual é, por si própria, um tremendo fator de dissuasão; (2) e acreditam que a guerra na Ucrânia tem mostrado o quão fraco e ineficaz é o exército russo. Conseguem fazer a quadratura do círculo. A Europa vai ser invadida por um inimigo incapaz e incompetente. Portanto, temos de nos armar até aos dentes.
A Europa tenta delinear uma “estratégia” com base naquilo a que George Orwell chamou de double thinking, isto é, acreditar simultaneamente em duas ideias que se excluem mutuamente. O debate sobre o tema deve começar por esclarecer qual a finalidade do rearmamento, para que serve? Após uma análise cuidadosa do White Paper produzido por uma equipa liderada pela Alta Representante para a Política Externa da UE Kaja Kallas, não ficou claro qual seria a finalidade do rearmamento europeu. São tantas as ameaças e tão diferentes (Rússia, China, Ártico, Norte de África), que ficamos sem perceber exatamente o que se pretende.
Embora não seja dito de modo explícito, não restam dúvidas ser a Rússia a ameaça percebida ficando, no entanto, por saber qual a postura estratégica que a Europa vai adotar: dissuasão defensiva, ofensiva ou é todo este esforço apenas para ajudar a Ucrânia? A resposta a esta questão crucial é ambígua.
A definição de uma estratégia passa por identificar claramente, por esta ordem, os objetivos a atingir, os caminhos a seguir e os meios (objectives, ways and means). A proposta da presidente da Comissão europeia ao Conselho Europeu concentrou-se apenas nos meios – como dotar os estados-membros dos recursos financeiros para se rearmarem, sendo omissa quanto aos objetivos e aos caminhos a seguir. Ou seja, Ursula Van der Leyen (VDL) começou e terminou nos meios.
Qual o objetivo?
A proposta da Comissão sobre o rearmamento europeu usava o termo “dissuasão,” sugerindo a adoção de uma estratégica predominantemente defensiva. Mas, as dúvidas sobre este propósito são enormes. Os lugares tenentes de VDL falam em escalar o conflito e confrontar militarmente a Rússia, sem que esta tenha alguma vez repudiado essas declarações.
Kaya Kallas, a mesma cujo marido fazia negócios com a Rússia já depois do início do conflito na Ucrânia, disse que era preciso destruir e fragmentar a Rússia; e o comissário europeu para a defesa e espaço, o lituano Andrius Kubilius afirmou ser necessário prolongar a guerra até exaurir a Rússia e a Europa adquirir capacidades para a destruir.
Exatamente no mesmo sentido foi o alemão Bruno Kahl, diretor do Serviço Federal de Informações, ao afirmar que um acordo de paz não beneficiará a Europa se for alcançado antes dos próximos cinco anos. Segundo ele, a Rússia está a preparar uma grande guerra com a NATO. O grande argumento em abono desta tese é o facto “das perdas russas estarem a ser repostas e a indústria de defesa do país está a produzir mais do que o necessário para a atual guerra.”
Por sua vez, o Inspetor Geral das Forças Armadas alemãs general Carsten Breuer canta segundo a mesma pauta de música. A ministra dos negócios estrangeiros da Alemanha Annalena Baerbock fala em mobilização nacional. O tradicional rigor orçamental alemão está prestes a desvanecer-se, com o governo a preparar-se para contrair uma dívida no valor de mais de 500 mil milhões de euros, a gastar nos próximos 12 anos. Para além disso, o Governo alemão criou um instrumento para aumentar a dívida num total de cerca de um trilião de euros, ou mesmo mais, envolvendo uma alteração constitucional.
Como se não houvesse amanhã, a Dinamarca acelerou a introdução do alistamento militar obrigatório para as mulheres, passando o seu início de 2027 para 2026; o presidente Macron diz que a Rússia é uma ameaça à França e à Europa e, seguindo o exemplo da Suécia, mandou distribuir manuais de sobrevivência à população, como se a guerra estivesse à porta, criando uma ansiedade absolutamente injustificada; as autoridades polacas anunciaram o início dos preparativos para uma possível guerra com a Rússia introduzindo, para o efeito, formação militar em massa da população, e o primeiro-ministro polaco Donald Tusk quer ter armas nucleares e anunciou o aumento das forças armadas para meio milhão de soldados.
Por seu lado, a Comissão teve o despautério de pedir à população para que armazene água, medicamentos, pilhas e alimentos para sobreviver por três dias sem assistência externa em caso de emergência. É difícil não considerar isto uma preparação para a guerra. Este tom reflete a narrativa a que recorrem os países bálticos. Como notou a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, referindo-se a Kaja Kallas “se alguém a estiver a ouvir, parece que estamos em guerra com a Rússia, e essa não é a linha política da UE.”
Independentemente daquilo que se pense, a verdade é que a UE se está a preparar para a guerra. Parece não restarem muitas dúvidas de que os líderes europeus não têm nas suas mentes uma estratégia de dissuasão, mas sim outra mais exigente em meios, para além de ser mais perigosa. Daí a alegada necessidade de um rearmamento urgente.
O desvario
A ideia do rearmamento europeu não pode ser dissociada de outros acontecimentos em curso que influenciam decisivamente a narrativa armamentista. O principal prende-se com a acusação de que os EUA não honrarão as suas obrigações no âmbito do artigo V, em caso de um ataque militar da Rússia. Nada até agora o indicia.
A Estratégia Nacional de Segurança, da Administração Trump, em 2017; era clara: “A aliança da NATO de Estados livres e soberanos é uma das nossas grandes vantagens em relação aos nossos concorrentes, e os Estados Unidos continuam empenhados no Artigo V do Tratado de Washington.” Pretender que os europeus assumam maiores responsabilidades, não pode ser confundido com a retirada das garantias de segurança por parte de Washington. É intelectualmente desonesto misturar factos distintos apresentando-os como fazendo parte de uma única realidade.
Sem os EUA terem alguma vez manifestado intenção de abandonar a proteção nuclear da NATO, e após terem declarado a intenção em a manter, a Alemanha veio sugerir a sua substituição por uma outra proteção a ser fornecido pela França e Reino Unido (RU). Esta proposta do novo chanceler alemão Friedrich Merz, até recentemente alto quadro da BlackRock Germany, representa a sua total descredibilização. A capacidade nuclear agregada dos dois países não só não constitui uma alternativa ao guarda-chuva nuclear norte-americano, como nem sequer se aproxima da proteção por ele conferida.
Começando logo pelo facto do RU não dispor de capacidade nuclear autónoma. O programa nuclear inglês é um prolongamento do norte-americano. Se os EUA quiserem, o RU não dispara nenhum míssil. Depende dos EUA para tudo (manutenção, arquitetura, teste dos submarinos, etc.) e os misseis Trident são alugados aos EUA e encontram-se, na sua maioria, na Geórgia (EUA). Não deixa de ser hilariante a informação dada pelo desbragado almirante britânico Chris Parry de que um submarino com misseis Trident poderia varrer 40 cidades russas da face da terra. Por outro lado, o programa nuclear francês foi concebido para proporcionar dissuasão nuclear à França. Estendê-lo à Europa é uma ideia que tem tanto de perigosa como de ridícula.
Os dirigentes europeus estão amuados com a nova Administração norte-americana que lhes exige uma maior participação financeira na NATO. Despeitados pelo novo patrão os tratar com maior rudeza passaram a comportar-se de um modo insensato, sendo os principais responsáveis pela rotura com Washington a que temos assistido. Sem pensamento estratégico parecem dispostos a arrastar a UE para uma grande guerra contra a Rússia.
A União Europeia caminha sonâmbula para uma guerra perdida, à qual não tem capacidade para alterar o destino, cujo instigador está a abandonar por ter percebido que não a vai ganhar, tal como aconteceu no Afeganistão, coisa que os europeus ainda não atingiram.
Enquanto a necessária modernização das forças armadas europeias se basear em pressupostos errados, nada de bom se poderá esperar dela. Como diz Matos Gomes “este mantra [do rearmamento] assenta num conjunto de sofismas, de deturpações grosseiras… faz parte da comédia de enganos com que os dirigentes da Europa estão a iludir os europeus.” A Europa, que nasceu como um projeto de paz vencedora do prémio Nobel 2014, está a converter-se num projeto de guerra.
Fonte aqui.
Ursula Van der Pfizer também deve ganhar um por fora, claro, como ganhou quando era ministra da defesa da Alemanha.
A neta de nazi morto na Ucrânia tem de revelado também campeã da corrupção.
No meu caso concreto, não consigo olhar para a criatura sem sentir um arrepio no espinhaço.
Quando me lembro da criatura a por a hipótese de tornar o veneno da Pfizer obrigatório em toda a União Europeia entra me medo em estado puro.
Penso no que teria sido a minha vida se tivesse tido de abandonar o meu emprego, a minha casa, o meu país para salvar a vida.
Já me via a varrer ruas em Irkutsk. Com a vassoura não se fala e ninguém por lá tinha razão alguma para facilitar a vida a quem para lá fugisse desta Europa de ladrões que já nessa altura dizia cobras e lagartos, só faltando chamar lhes canibais.
E a criatura queria tornar a coisa obrigatória, reforço atrás de reforço porque mediante uma choruda comissão tinha aceite comprar uma quantidade obscena de vacinas.
E como ninguém fora da Europa as queria, em África chegaram a alegar que os lotes doados estavam fora de prazo ou até não tinham meios de conservar aquilo, a ideia era obrigar os desgraçados aqui.
Vou viver sempre com medo que apareça outra doença qualquer e outra vacina mal amanhada. Nunca mais me sentirei em segurança depois do que foram capazes de nos fazer.
E depois disto tudo, ainda querem enfiar nos numa guerra.
Quanto ao sinistro almirante que também deu a cara pelo nefasto processo de vacinação, não o consigo comparar com personagem nenhum.
Considero a criatura pior que Bolsonaro pois que esse pelo menos não meteu o povo numa guerra, mas este não hesitara em sacrificar quantos forem pedidos por gente como a Van der Pfizer.
“Vamos morrer onde tivermos de morrer”. O senhor já o disse, por isso se quiserem votar na criatura e fizerem a asneira de tornar presidente da República um doido que acha que impediu uma invasão russa não digam que não foram avisados quando os seus filhos ou eles próprios receberam guia de marcha para a Ucrânia.
Mas acho que sim, vao fazer essa asneira e eu já ouco o nhanhanhanhanha vindo dos Estados Unidos, Brasil e Argentina.
¿ para que se forre ursula von der pfizer?
Para que serve o rearmamento da Europa? Resposta simples (ainda que possam dizer «populista»): encher os bolsos dos acionistas de fábricas de armamento! Já viram a subida de cotação que na bolsa as mesmas começaram a ter?🤑
Não se lembram da Úrsula a prometer “a bazuca europeia”, já em preparação da agenda Vinte-Trinta, que começou com o Covid-19 e as promessas “vai ficar tudo bem”?
A “bazuca europeia”, que supostamente era um plano de investimento promovido pela UE para revitalização da economia, rapidamente se transformou nos Javelin para a Ucrânia (e mísseis, e tanques, e aeronaves, e armas e munições), e então surgiu o PRR, cujos efeitos práticos nas infra-estruturas e economia do país tardam em ser palpáveis, e todos estes 5 anos de 2020 até aqui sempre com inflação galopante e perda do poder de compra, que se reflecte na alimentação, na saúde e na habitação, com degradação dos serviços públicos e das instituições, nomeadamente da Justiça e da Política.
Agora vem aí o Rearm Europe, que é uma espécie de “bazuca europeia”, desta vez com o carácter armamentista e militarista assumido, sem floreados, e que junta a ela as fórmulas de um PRR, porém maioritariamente subsidiado pelos estados membros em vez do Banco Central Europeu. Onde vão eles buscar o dinheiro para financiar a autêntica e prioritária “bazuca para rearmar a Europa”? Deixo à consideração de cada um, relembrando as verbas do PRR que ainda não foram aplicadas, a exploração laboral crescente, o plano para a imigração “regulada”, o “arresto” de contas bancárias, a especulação financeira, imobiliária, no futebol, o militarismo apoiado na propaganda, com os almirantes salvadores da pátria, etc… tudo integrado no modus operandi habitual do sistema capitalista neoliberal.
«Capitão Iglo»! Boa! 😂
Enquanto isso, o farsante do capitão iglo ainda ontem veio dizer que é “inevitável” o rearmamento do país, para nos “defendermos”, como se os Russos já estivessem no Cabo da Roca, prontos a lançar uma operação anfíbia contra as Berlengas.
O capitão iglo teve a desfaçatez de afirmar que esse rearmamento seria “benéfico” para a economia nacional. Como, não disse. Não temos qualquer indústria de armamento, made in Portugal só os fardamentos, nem as balas são por cá feitas, tudo terá que ser comprado a peso de ouro no estrangeiro.
Também se esqueceu de dizer que investir na compra de armas é tirar dinheiro à Saúde, à Educação, e à Habitação, em suma ao Estado Social.
Mas isso, para o farsante do capitão iglo, é coisa de somenos. O mais sinistro de tudo é que, mercê das gigantescas campanhas de propaganda que nenhuma “ong” denuncia, dentro de uma ano e meio, quase certamente, o capitão iglo será Presidente deste jardim à beira mar plantado. Que asco.
Serve para encher a barriga a gulosos e serve para este bando de psicopatas que nos governa tentar mais uma vez o que Napoleão e Hitler não conseguiram.
Devem pensar lá na deles que há terceira e de vez.
E tendo em conta as armas que existem hoje e as armas que a Rússia tem e provável que seja a terceira que seja de vez porque isto vai tudo raso.
Mas até lá já quem se encheu a custa da nossa miseria se pirou para a Áustralia ou Nova Zelândia que a Austrália e muito quente.
E para isso que serve o rearmamento da Europa. Mas se esta gente não acorda não há nada a fazer.