Estará rompida a “mística” de Trump? Será que o MAGA se sente traído?

(Alastair Crooke, in Resistir, 31/07/2025)


A nuvem Epstein está a propagar-se e a convergir num profundo afastamento popular.


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A nuvem Epstein está a propagar-se e a convergir num afastamento popular em relação a certos estratos dominantes. O público, relutantemente, resignou-se a aceitar que os seus “governantes” habitualmente mentem e roubam, mas, mesmo assim, eles (em especial dentro da ala MAGA) começaram vagamente a perceber que pode haver vícios dentro do poder público que consideram demasiado repugnantes para sequer imaginar. As pessoas começaram a perceber que Trump, de uma forma ou de outra (mesmo como espectador), estava ligado a toda àquela cultura degradada.

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A nova Lei dos estrangeiros e os atores políticos

(Carlos Esperança, in Facebook, 29/07/2025)


A Lei não é apenas inconstitucional, é iníqua e perigosa. Não interessa que, no espaço de um ano, o Primeiro-ministro desse uma cambalhota de 180 graus, para se colar ao Chega.

Montenegro não se move por convicções ou pela ética, na política ou nos negócios pessoais. Aliás, a teia de interesses tecida entre Espinho e Braga está na origem do seu duplo sucesso.

A política de imigração é definida pelo Governo, mas a ética não pode ser exonerada da lei nem os interesses do país preteridos pela vozearia dos que sabem que o medo rende votos. E a Constituição é uma referência obrigatória da democracia!

Não incenso o Presidente da República pelo envio dessa lei, parida no conúbio espúrio entre Montenegro e Ventura, para o Tribunal Constitucional. E também não lhe farei a ofensa de considerar tal decisão vingança contra o Primeiro-ministro que lhe deve o cargo e não o respeita. Montenegro não confia em Marcelo, como quase toda a gente, e ignorou-o até quando era obrigatória a sua anuência, na escolha do Procurador Geral da  República e do governador do Banco de Portugal.

O que não atribuo a Marcelo é o respeito pela Constituição. Já promulgou leis inconstitucionais para afetar o PS, quando laboriosamente procurava levar a direita ao poder. A violação da lei travão ao aumento de despesas pela Assembleia da República, é um exemplo. Foi inevitável o chumbo do Tribunal Constitucional, mas então ainda trocava os pergaminhos de jurista pela militância partidária.

Agora sente-se livre para evitar a vergonha, e o constitucionalista reconvertido já não quer passar pelo opróbrio de ser cúmplice da lei constitucionalmente inaceitável.

Por sua vez, Montenegro sabe que a lei é inconstitucional, mas a sua postura em modo Chega rende votos. Ao PS, prefere a extrema-direita e, para manter o poder, não deixará de se aliar a ela quando precisar.

O que nauseia é a decadência ética de um governo cúmplice do genocídio em Gaza pelo silêncio, covarde a seguir o exemplo de vários países europeus e ignorando o Secretário Geral da ONU nos esforços para manter um mínimo de decência nas relações internacionais.

Montenegro é o herdeiro de Passos Coelho, produto da madraça cavaquista e dos golpes de Marcelo. No fundo, o Luís é a síntese da galáxia partidária em que se dividiu o PPD, PSD, IL e Chega.

Percebe-se o motivo por que o Luís pensa que na SPINUMVIVA não há nada de ilegal. É a mesma posição sobre a canhestra Lei dos Estrangeiros negociada com André Ventura.

O que devia evitar era a chantagem sobre o Tribunal Constitucional. Percebe-se a pressa na substituição dos Conselheiros, a combinar com o Chega.

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Se ainda apoias Israel em 2025, algo está mal contigo como pessoa

(Caitlin Johnstone, 18/07/2025, Trad. Estátua de Sal)


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Às vezes, acho impressionante a agressividade com que os apoiantes de Israel trabalham para reprimir as críticas a Israel. Então, lembro que essas pessoas também apoiam o assassinato em massa de crianças; tentar tirar.me o direito de me exprimir é um de seus objetivos menos perversos. Tal não deveria chocar-me.

Vi alguém a falar online sobre como é insano que grupos musicais que se manifestam contra as atrocidades de Israel estejam começando a formar alianças entre si, na tentativa de neutralizar a campanha para os silenciar e destruir as suas carreiras, dizendo que não deveria ser necessário formar uma aliança para se opor a um genocídio em andamento. E é verdade, não deveria ser necessário. Mas também não devemos surpreender-nos com o facto de pessoas que acham que bombardear hospitais é aceitável, tentarem cancelar músicos por criticarem Israel.

Um erro que os ocidentais continuam a cometer é pensar nos apoiantes de Israel como pessoas normais, com padrões morais normais, só porque os conhecemos e interagimos com eles nas nossas comunidades. Eles parecem-se conosco, falam como nós, vestem-se como nós e agem como nós, então presumimos que eles também devem pensar e sentir muito como nós.

Mas não. Se tu ainda apoias Israel no ano de 2025, há algo seriamente errado contigo como pessoa. Tu não tens um senso normal e saudável de empatia e moralidade.

Estamos em 2025. Soldados israelitas estão dizendo à imprensa israelense que estão recebendo ordens para massacrar civis famintos que tentam obter comida em centros de assistência. Inúmeros médicos têm dito ao mundo que atiradores israelitas estão rotineiramente a disparar deliberadamente na cabeça e no peito de crianças em toda a Faixa de Gaza. A Amnistia Internacional a Human Rights Watch e todos os principais especialistas em genocídio autoridades de direitos humanos estão dizendo que um genocídio está a ser perpetrado em Gaza. O New York Times acabou de publicar um artigo de opinião de um estudioso sionista do genocídio que finalmente admite que se trata de um genocídio.

Não há como negar o que isso significa. Se tu ainda apoias Israel em 2025, não é porque não acredites que Israel esteja a cometer atrocidades horríveis. É porque tu acreditas que essas atrocidades horríveis são boas e queres vê-las cometidas mais vezes.

A maioria dos apoiantes de Israel negará que isso seja verdade, porque mentem. Mentem constantemente. Eles não têm problemas morais em mentir. Eles não têm problemas morais com queimar crianças vivas , então é claro que não têm problema em mentir.

É aí que as pessoas se enganam. Presume-se que os apoiantes de Israel não podem estar a mentir sobre as suas preocupações com o “antissemitismo” para promover os interesses informativos de Israel, porque ninguém poderia ser tão maligno. Mas os apoiantes de Israel acham aceitável matar bebés à fome intencionalmente, bloqueando a entrada de leite em pó em Gaza. É claro que eles são mesmo malignos.

As pessoas presumem que os apoiantes de Israel não encenariam deliberadamente falsos incidentes antissemitas ou inflacionariam artificialmente os números do antissemitismo  nos seus próprios países para que os seus governos implementassem medidas autoritárias para reprimir as críticas a Israel em nome do combate ao antissemitismo, porque presumem que ninguém poderia ser tão depravado. Mas essas pessoas acham aceitável que as Forças de Defesa de Israel (IDF) assassinem sistematicamente jornalistas palestinianos para os impedir de dizer a verdade. É claro que eles são mesmo depravados.

Claro que tentariam silenciar a nossa voz. Claro que tentariam mandar os nossos filhos para a guerra com o Irão. Claro que se esforçariam por manipular o nosso governo. Claro que poluiriam o ecossistema de informação com montanhas de mentiras. Eles apoiam um genocídio transmitido ao vivo. São pessoas más.

Apoiar Israel e suas ações não é uma opinião política como a sua posição sobre impostos sobre a propriedade ou a legalização da maconha. Não se trata apenas de algumas pessoas terem um ponto de vista que precisamos respeitar e tratar como igual ao nosso sobre o assunto. Elas estão a trabalhar para tornar possível a condução de uma campanha de extermínio de horror insondável. Isso é tão político quanto uma violação coletiva, e igualmente digno de respeito.

Não há realmente nada que se possa ignorar em relação aos apoiantes de Israel neste momento. Eles vão mentir. Eles vão manipular. Eles vão fingir acreditar em coisas em que não acreditam. Eles vão fingir sentir coisas que não sentem. E farão tudo isso para facilitar algumas das piores atrocidades que se possa imaginar.

É isso que os apoiantes de Israel são. Eles mostram quem são todos os dias.

Fonte aqui.