O silêncio vergonhoso

(Miguel Castelo Branco, in Facebook, 15/01/2025)


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A primeira troca de prisioneiros entre Israel e a Palestina contempla 30 mulheres, idosos e crianças israelitas e 999 crianças e mulheres palestinianas detidas em Israel.

O mais assustador reside no facto de Israel manter encarceradas milhares de crianças entre os 5 e os 12 anos de idade, algumas condenadas a penas de 20 e 30 anos de prisão após sessões expeditas e sem direito a defesa.

Ademais, servindo-se do artifício legal de tais pessoas estarem sob jurisdição militar em territórios ocupados, a autorização para torturar os prisioneiros com vista à obtenção de prova é requerida a um juiz e habitualmente concedida.

Ou seja, a chamada «única democracia do Médio Oriente» é, de facto, tão desrespeitadora das convenções internacionais como seriam os regimes inscritos no «Eixo do mal».

Há, entre nós, quem aplauda um Estado que tortura legalmente e sentencia a décadas de prisão menores inimputáveis. Os nossos jornalistas e políticos deviam ter vergonha por ocultar e censurar tal miséria.

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Esta mulher não presta

(Miguel Castelo Branco, in Facebook, 30/12/2024)


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A respeito da mais sórdida intervenção que me foi dado ver num plateau televisivo, ser-me-á decerto permitido neste final de ano um saudável desabafo a respeito da abominável, nefanda e inapresentável cavalheira Helena F. Gouveia.

 Acusar os pais das crianças palestinianas de inabilidade por as deixarem morrer de frio, aplaudir o assalto, as mortes e a evacuação dos hospitais pelos sicários de Netanyahu e duvidar dos números da contabilidade de crianças mortas, é algo que ultrapassa as medidas toleradas pelas narinas e pelos estômagos mais resistentes.

 Esta mulher não presta. A uma ignorância sem freio e a uma notória falta de inteligência, junta uma crueldade, uma falta de escrúpulos e uma assustadora imoralidade que a colocam na categoria de hominídea, nunca da humanidade.

Deixou-se que estes monstros entrassem e dispusessem de tribuna a que em tempos se chamou liberdade de expressão, sem que alguém lembrasse que, depois de aberto o vomitório, ninguém poderia voltar a fechar a porta que leva aos espetáculos destinados à canalha e representados pela canalha.

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A camisa-de-onze-varas

(Por Miguel Castelo Branco, in Facebook, 19/09/2024)


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Já todos terão compreendido que a camisa-de-onze-varas em que voluntariamente se meteu a Europa vai requerer uma habilidade extrema no retorno a um clima de desanuviamento e boa vizinhança com essa metade do continente que é a Rússia.

O futuro da Europa foi comprometido, pelo que não só o Leste corre grande perigo, mas também a Europa central e ocidental, pois o fito desta luta foi o de separar a Europa da Rússia, do Médio Oriente e da Ásia Central, privando-a de mercados e debilitando-a para a converter num mero apêndice norte-americano. Mas tão ameaçada como a Europa da UE foi a Rússia, ou não é esta o último Estado europeu com projeção mundial? Quem a quis ver destruída?

Para saber o motivo do ódio contra a Rússia de Putin, há que compreender o aspecto psicológico das fracas lideranças ocidentais, ou seja, a incontida raiva dos pequenos contra tudo o que é grande, posto que os adoradores do McDonald´s não queriam que o mundo terraplanado com que sonhavam, fosse contrariado pela aspiração à grandeza e à força saudável que emana de Moscovo.

Por ora, e já que subitamente todos falam de negociações e de paz, Putin venceu a partida e parece-nos que era bem exagerada a tese que dava a Rússia como vencida. Há dez anos, quando se começaram a adensar as nuvens que levaram à presente guerra, Putin fez os primeiros comentários verdadeiramente azedos e lúcidos às diferenças que separaram a Rússia dos EUA. Na altura, afirmou ter sido, «A América construída sobre o extermínio de milhões de homens e que a essa limpeza étnica se juntou a escravatura», para logo duvidar que «se Estaline, em Abril de 1945, possuísse a bomba atómica a teria mandado lançar sobre a Alemanha, tal como os EUA o fizeram sobre o Japão, uma nação sem essa arma». Indiferentemente de ter sido Estaline responsável por inumeráveis crimes, não queria ver a Europa desfeita, pelo simples mandato da geografia nos impor o facto de vivermos no mesmo continente.

Se, como tudo indica, a guerra não sobreviver até ao próximo ano, curiosos ficamos por saber quais os Estados europeus – e quem em sua representação e com que argumentos -, se voltarão a sentar à volta de uma mesa com os russos.