“Desinteresse noticioso”

(Por Hugo Dionísio, in Facebook, 19/12/2022)

Criança em Dnipropetrovsk a desenhar uma suástica e a família a apoiar

Fosse num qualquer país do “eixo do mal” e as manifestações deste fim de semana em Duisburgo, Leipzig ou Neubrandenburg, contra as sanções e a NATO, pela melhoria das condições de vida e contra a submissão da Alemanha aos EUA, seriam tema de abertura da generalidade dos noticiários da imprensa corporativa do Atlântico Norte. Tratando-se de um país paradigmático da relação de subserviência europeia, toda e qualquer cobertura perde “interesse noticioso”.

O que também não tem qualquer “interesse noticioso” são osTwitter Files. Por si só, a divulgação, em partes e de forma organizada, pelo jornalista Matt Taibbi (proscrito pela revista Rolling Stone por dizer a verdade), da informação que lhe foi sendo passada pelo seu ex-empregador Elon Musk, deveria fazer rebentar revoluções em todo o Ocidente.

Então, os maiores arautos da liberdade de expressão, opinião e imprensa, não são mais do que um bando de hipócritas, paranoicos e lunáticos, doidos por controlar a informação de todo e qualquer cidadão que destoe da narrativa que vendem nos órgãos de comunicação social do “fact-checking”? O que é que tem isto de “desinteressante”?

A lista de violações grosseiras, das mais básicas liberdades individuais e coletivas, em todo o mundo, é extensa, comprovando que o lançamento das redes sociais (e do Google), primeiro como experiências de foro militar e de inteligência, e mais tarde, apropriadas pelo “mercado”, como meios de controlo, predição, monitorização e tráfico de dados pessoais, foi tudo menos um acaso.

Elon Musk – de quem eu não sou admirador -, depois de ameaçado pela Apple e Google, com a remoção do Twitter das suas lojas, por se recusar a cumprir as diretrizes – nunca assumidas frontalmente – da Casa Branca e das suas agências de segurança, não esperou mais pela revelação do que seria um escândalo de proporções épicas à escala global, se o mundo que nos mostram nos ecrãs do Império não fosse, na essência, um faz de conta.

O que já sabíamos ser verdade (confirmado parcialmente por Zuckerberg em entrevista a Joe Rogan), apenas se provou definitivamente. Desde reuniões entre Twitter, Facebook, FBI, CIA e NSA, para coordenação dos “ataques” informativos contra personalidades controversas, perfis de países, empresas e órgãos de comunicação não corporativos; trocas de mensagens de email em que o agente em questão pedia diretamente para se bloquear, perseguir ou censurar o perfil “Y” ou “Z”; o envio de diretrizes para criação e mecanismos de censura de determinadas mensagens, palavras ou ideias; a monitorização e cancelamento, mesmo de pequenos perfis (às vezes com menos de 100 seguidores (!!!)), mas em que se identificava sentido de humor. O “sentido de humor” é identificado pelas agências de segurança como perigosíssimo para a transmissão de ideias “subversivas”.

A STASI, a KGB? Deixem-me rir! As Twitter files provam que o objeto do controlo é o próprio pensamento! Já não são os atos que importam, são os pensamentos mais íntimos! Este controlo é perpetrado em todo o mundo, em todas as línguas.

As redes sociais de Silicon Valley são um veículo de submissão, perseguição, controlo, erradicação e isolamento de toda uma população, perpetradas por um gangue imperial cada vez mais louco e paranoico, que não olha a meios para atingir os fins. O paradoxo? Convencerem as massas de que são livres!

Ao tratamento das redes sociais e Google como meras subsidiárias, tentáculos, das agências de três letras do maior aparato securitário do mundo e da história da humanidade, a imprensa corporativa do Atlântico Norte não achou qualquer piada e, ainda menos, interesse. Eis em quem depositam, milhões de seres, a tutela da sua liberdade de expressão!

Também subsidiária da Casa Branca, a EU não se atrasou e, em resposta às Twitter Files, veio a comissária europeia para a “transparência e valores europeus” (uma espécie de ministério da verdade e dos bons costumes), dizer a Elon Musk que “ou combates a desinformação e o discurso de ódio” ou em 2024 o Twitter será cancelado. “A EU é muito agressiva no combate à desinformação”! Ora se é! 2024 será para nós uma espécie de entrada direta em 1984, com a entrada em vigor do Digital Services Act (até se chama “act” como nos EUA, veja-se lá de onde vem). É a isto que estamos destinados.

Interesse algum também não tem o facto de o orçamento americano, uma vez mais destinar 500 milhões de euros para produzir campanhas mediáticas que visem denegrir a China. Sabendo-se que a imprensa corporativa segue os comunicados do “State Department” como a verdade em si, eu deixo a questão: quem é que pode confiar numa notícia que seja sobre a China? Ah! Mas o fact-checking… O Polígrafo… Tudo gente séria!

O que isto prova à saciedade é que a China tinha toda a razão em não querer o Google no seu território, ou, pelo menos, um Google como os outros. Afinal quem é o ditador agora? Quem bloqueia o Google porque sabe para que serve, ou quem o usa para controlar, subverter, perseguir, branquear e censurar?

E enquanto tudo isto sucede e nos apresentam, sobre o Perú, o golpe ao contrário, fazendo crer que os golpistas defendem a democracia e os democratas são os próprios golpistas – ao que chega a desfaçatez do faz de conta – a primeira-dama da farsa, de seu nome, Ursula, vem pedir mais armas para a Ucrânia e mais sanções para o país de Putin. Claro, umas e outras têm dado um resultadão… para os seus chefes.

Já dizer, como disse Tucker Carlson da FOX, que enviou um jornalista ao país de Putin, para saber como se vive nesse país “arrasado” pelas sanções, para descobrir que o povo patriota apoia o seu governo, mesmo que nele não vote, que a minoria neoliberal, não apoiando, não está contra e os que não querem saber da política, dizem estar bem, porque nada mudou, as prateleiras estão cheias e o custo de vida não se agravou por aí além… É razão para, uma vez mais, questionar os que defendem as sanções: têm a certeza de que elas são contra eles? Ou serão contra nós?

Não discutindo nada do que interessa, também não discutem por que raio a Europa teve de perder 1 trilião de euros só em transações de gás durante 2022, tudo por causa de uma guerra desnecessária, que não é a sua e foi encomendada para beneficiar quem está do outro lado do Atlântico. E no meio disto, quem está do outro lado, ainda ordena a este lado que reforce o envio de armas e mais armas para “ganhar a guerra”. Não importa fazer a paz, importa “ganhar a guerra”. Mas o que não se discute, também, é que “ganhar a guerra” pode significar uma guerra mundial, sendo razão para questionar se não será esse mesmo o sentido da coisa.

Acreditar que o país de Zelensky. poderia ganhar aquela guerra seria o mesmo que acreditar que a URSS não derrotou o nazismo e que foram os EUA! Bem disseram os generais da altura que “A Europa não nos vai perdoar a derrota do fascismo”!

Enquanto ouvimos Zaluzny, o general comandante do exército ucraniano, ir à revista TIME (revista porta-voz dos neocon) pedir um exército novo, porque o que formou ao longo de 8 anos já era, sob pena de ter de se render, deveríamos perguntar àquele comentador da SIC Notícias o que ele acha disso quando, ao tempo de um telefonema entre Putin. e Erdogan – durante a retirada de Kherson – este referiu que o segundo estava, com toda a certeza, a pedir ao primeiro que abandonasse a guerra pois o seu exército estava um caco. E ouve-se a IL falar de meritocracia do capitalismo e, constantemente, todos os dias, ouvem-se tiradas destas e continua-se a ver quem as diz, do alto do seu poleiro de “sapiência”, inventar quotidianamente novas tiradas com que nos entreter…

Mas o cúmulo do “desinteresse noticioso” é atingido quando a imprensa corporativa do Atlântico Norte, a tal que tutela as nossas liberdades como 4º democrático poder, decide que uma rejeição de uma resolução a condenar o nazismo, pelo nosso país e pelos países da EU, da NATO e outras colónias dos EUA, sem sequer referir o país de Zelensky, não tem qualquer importância. Nem tão pouco, tem importância, o facto de mais de 140 países, a nível mundial, representando mais de 80% da humanidade, a terem aprovado sem pestanejar. Afinal quem é que está a isolar quem?

Mas o nazismo agora já é uma coisa relativa? Depende de quem o combate?

Não, não é! O nazismo representa o estado avançado do fascismo enquanto forma capitalista extremamente agressiva, representa a negação de toda e qualquer liberdade. O que visa esconder quem rejeita uma resolução destas é que no país de Zelensky foi montado um estado nazi, agora em progresso também na Polónia – recentemente inaugurado pelo governo o programa “treinar com o exército” para jovens a partir dos 15 anos -, como instrumentos avançados da luta hegemónica do pai de todos os fascismos – o capitalismo.

E enquanto, em Dnepropetrovsk, é possível ver – em vídeo – uma criança a desenhar um mural com uma suástica nazi, como se de algo de vitorioso se tratasse, temos de apanhar com o Zelensky – depois de enviar para o genocídio mais de 200 mil jovens e adultos do seu país (com os transplantologistas americanos a salivarem com o negócio milionário dos seus órgãos) -, a desafiar Putin. para a porrada!

É razão para dizermos: agarrem-me senão eu mato-o à pancada!


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui.

Afinal, quem são os bárbaros?

(Por Hugo Dionísio, in Facebook, 15/12/2022)

A série televisiva de produção alemã “Bárbaros” (Barbarians), da Netflix (não, não estou a fazer publicidade!), retratando as campanhas romanas contra os povos germânicos, constitui um retrato muito fiel de como atua um Império com uma pretensa vocação “civilizadora”. Não sei se a intenção foi a de estabelecer qualquer tipo de paralelo, mas se não foi… A introdução, durante a ação, de referências culturais, políticas e filosóficas que constituem paralelismos evidentes entre o Império Romano e o Império Estado Unidense, é demasiado incisiva para não ser propositada. E na Alemanha de hoje…

Pensava eu que iria assistir a mais uma série de pancada. Mas não. Todos os elementos usados pelo Império romano e pelo americano estão presentes, deixando-nos uma certeza: a construção do império anglo-saxónico estado-unidense, nos seus aspetos constitutivos, nada tem de casual. Todos os pilares da sua afirmação, expansão e domínio, estão ali presentes. Todos. Mais do que com qualquer outro Império, é com o Império romano que o Império atual mais semelhanças tem, podendo dizer-se mesmo ser seu herdeiro.

• A construção de uma classe política subserviente, através da educação, em Roma, dos filhos dos mais importantes chefes tribais, que de lá vêm romanos autênticos e, quando colocados na chefia da tribo, prosseguem os interesses do Império. Hoje, este papel é realizado através da captação pelas universidades da Ivy League, ou de universidades proeminentes inglesas (London School of Economics, p.e.), de jovens de todo o mundo, que, quando de lá vêm, já não vêm portugueses ou espanhóis, vêm americanos, defensores acérrimos da ordem liberal que, tal como a pax romana funcionava para o Império romano, a ordem liberal funciona para o Império estado-unidense.

• A ideia de que a submissão à lei romana constitui um requisito fundamental do que se pensa ser a civilização. Hoje, temos a constantemente afirmada “rules based order” (ordem baseada em regras) como matriz reguladora do que constitui a ordem liberal. Tal como a lei romana era feita pelos romanos, a regras da RBO são feitas pelos EUA: (“a RBO é uma comunidade aberta, admitindo todos os estados que lhe queiram aderir; com essa adesão passarão assim a ter uma palavra na feitura das regras”, disse o presidente dos EUA a seguir ao G7).

• A ideia de “pax romana”, ou seja, a submissão ao direito romano não apenas é condição de paz, como garante a continuidade da paz, uma vez que ao garantir a manutenção da superioridade do Império face ao povo assimilado, acaba por unir o que antes estava desunido. Atualmente, este papel é assumido pela submissão à RBO, pois os estados que não se lhe submetem são sancionados, bloqueados, desestabilizados e, por vezes, invadidos, uma vez que a RBO constitui o formato, a normalização, o receituário e o código de conduta que garante a superioridade e a hegemonia imperial.

• A ideia de “bárbaro” como alguém que não partilha da ideologia romana, hoje materializada na ideologia fracionária e intolerante “woke”, na cultura corporativa empresarial que funciona como um exército económico fardado em que todos se vestem, comportam e pensam igual (aqueles fatinhos azuis…) e no papel que os “direitos humanos” assumem, em matéria de RBO, para designar como “bárbaros” todos os que a RBO diz não os cumprirem.

• A ideia de que só pode haver uma forma justa de vida, a romana. As culturas germânicas, tribais, são vistas como atrasadas. A ordem liberal é uma versão moderna desta realidade. Para o ocidente coletivo, a aplicação das regras só pode levar a um estado de desenvolvimento, o estado capitalista liberal. Todas as outras formas de estado ou organização coletiva são apresentadas como atrasadas, ditatoriais, só havendo lugar a um modelo.

• O desrespeito romano pela diversidade de crenças, formas de organização, culturas, consideradas suprimíveis porque não se inserem na sua filosofia civilizadora, o que hoje é mais do que evidente com o processo de ocidentalização de sociedades não ocidentais, num desprezo absoluto por outras formas de vida, levando os povos, pelo domínio dos meios de comunicação, a acreditarem que a sua cultura é de algum modo inferior, nem que seja por considerarem a ocidental mais moderna e sofisticada, garantindo a manutenção da suposta superioridade cultural do ocidente.

• A acusação constante, por parte dos romanos, de que os povos germânicos é que são violentos, sanguinários, injustos e mal-intencionados, branqueando, justificando ou desvalorizando, ao mesmo tempo, todos os atos violentos que o Império usa para submeter esses povos.

• O uso da traição, da corrupção e da subserviência como armas do domínio, colocando umas tribos contra as outras, afirmando a lógica do dividir para reinar, tal como se faz hoje, usando diferenças étnicas e outras, para fazer colapsar nações e povos inteiros; tal como antes, a exploração da dimensão individualista (da liberdade e da identidade) era utilizada como veículo de submissão, na medida em que era mais fácil atrair cada um, de per se, do que toda uma comunidade. Daí a exploração do egoísmo, da ganância, das liberdades meramente individuais, uma vez que são as coletivas (base das diferenças) que são perigosas para a manutenção da lógica de submissão.

• O papel do Latim como língua da civilização. Hoje é o inglês que cumpre essa função a que Orwell chamou de “novilíngua”, fazendo sentir-se complexado quem não o fala, como se, de algum modo, estivesse numa (falsa) posição de inferioridade em relação aos que, por o dominarem, têm acesso ao coração da civilização. Num e outro caso, a língua deixa de ser um veículo de cultura, para se tornar num sistema operativo que garante a submissão constante.

• A superioridade racial, traduzida no sentimento de que o “ser romano” é ser superior, hoje bem presente na ideia de que são os EUA que têm de liderar o mundo e que mais ninguém o pode fazer. Uma ideia absolutamente supremacista com a qual tão bem convivem os mais efusivos “antirracistas” “woke”, para os quais todas as discriminações são importantes, menos a mais importante de todas, a material.

Todos os elementos estão bem presentes e, a cada cena, nos surge a mensagem explícita de que os povos têm direito às diferenças que constituem a sua identidade, a sua liberdade. Esta liberdade não nos é apresentada, apenas, como sendo individual, mas sobretudo, coletiva.

As cenas, inclusive as de guerra, vão-se desenrolando, mostrando que todos os presentes, homens e mulheres, romanos ou germânicos, são capazes da barbárie e da bondade, sendo o contexto em que vivem e em que operam que mais decisivamente influencia o que fazem e não a ideologia ou filosofia de vida que assumem. E, com esta mensagem, não podemos, no final, deixar de pensar que: quanto mais poderosos, mais violentos!

A utilização da ideologia civilizadora, pelos impérios, foi uma constante no ocidente (não exclusivamente), principalmente desde o nascimento do que consideramos constituir o seu pilar fundador, concretamente, a civilização greco-romana. A ideia de “civilização” trouxe substância ideológica e filosófica, a toda uma lógica imperial expansionista e de tendência global. Os romanos chamavam bárbaros a todos os que não partilhavam os pilares constitutivos da sua civilização, como a sua religião, língua, cultura e, principalmente, o direito romano, elemento fundamental para a “pax romana”.

No caso dos impérios ocidentais, em virtude da falta de matérias-primas, da pequenez dos seus domínios, inclusive em matéria de mão-de-obra, esta realidade material moldou-os de forma diferente dos demais. Todos eles, desde as cidades-estado italianas ao português e espanhol primeiro, ao francês e ao holandês depois, e, por fim, o inglês, qualquer um destes pendeu para a expansão global, transcontinental. Outros, como o russo ou o austro-húngaro, tendiam a afirmar-se como potências continentais, junto das suas fronteiras mais próximas.

Esta tendência transcontinental, global, observável, porventura, também nos mongóis e nos povos muçulmanos, constitui a pedra de toque da ideia inicial de “globalização”. Se os romanos aproveitaram a sabedoria, a experiência e o conhecimento gregos para os integrarem na sua conceção de civilização (até os deuses copiaram), os EUA herdaram a vocação global britânica e a ideia civilizadora da “common law”, lei esta que constitui uma transposição da antiga “lei romana”, a que hoje ouvimos chamar “ordem baseada em regras” (rules based order). No âmbito da EU, nunca tanto como hoje se ouviu falar de “estado de direito”, desconsiderando, contudo, quem faz e que direito faz, porque o faz e como o faz.

É esta assunção que permite classificar como “ditadores” todos os que não se conformam às suas regras, pois é a “RBO” (Rules Based Order) que determina o que é, e não é, democracia e liberdade. A mesma lógica prevalece em matéria de direitos humanos, não porque estes não estejam devidamente tipificados na Declaração Universal, mas porque as avaliações das variáveis relativas à sua aplicação são definidas através da “RBO”. A própria “RBO” determina o que é e não é “civilizado”, na medida em que é fonte das regulações sobre os pilares do que se considera constituir a “civilização”.

Neste sentido, a série “Bárbaros” não deixa de constantemente nos alertar: quem são, afinal, os bárbaros?


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui.

Sem dó, nem piedade!

(Por Hugo Dionísio, in Facebook, 05/12/2022)

Se até aqui, os governadores das províncias europeias, vinham chafurdando, degrau a degrau, em novos níveis de profundidade, na fossa em que se (nos) enfiaram; desta feita, desconfiando da sua convicção escavadora, os seus mestres mandaram parar simplesmente de chafurdar, ordenando a passagem à fase da dinamitação do poço, com toda a gente lá dentro! Menos os mestres, claro!

Primeiro, as sanções… Por muito que venha a ladainha do costume, “foi a guerra”, “a guerra provocou a crise”, ou, identificando em Vladimir Putin. a personagem expiatória perfeita, acrescentam “a culpa é do Putin”; como toda a gente séria avisou, a UE iria sofrer ricochete. Foi o que se viu.

Mas, não contente, a corporação que é a UE, escalou, não um, mas nove (!!!!) pacotes de sanções, nove bombardeamentos, cada um mais poderoso que o anterior. Parecem aqueles filmes em que o torturador vai dedo a dedo, até ao fim. Em cada um deles, os povos europeus viram perdidas novas parcelas de subsistência.

Não era difícil de prever: matérias-primas e produtos intermédios mais caros, resultam em produtos finais mais dispendiosos e/ou com menor valor acrescentado; o que equivale a perda de competitividade, perda de valor, destruição de emprego, menor receita fiscal; numa espiralada pescadinha de rabo na boca, que nunca acaba.

Não passando da teoria à prática, lá ouvimos o cavalo de Troia Analena Berbock ou o Ministro da Economia Francês a reclamarem com os EUA, ou porque não têm gás suficiente, ou porque, com a sua energia barata e os seus subsídios à economia, os EUA atingem as economias europeias, adquirindo uma vantagem artificial, distorcendo o mercado livre” (é nisto que dá acreditar no Pai Natal e votar em quem acredita nele).

Já no final da semana passada, sabendo que “Toy” Biden vai atribuir 350 mil milhões à indústria automóvel, para produção de carros elétricos e baterias, apenas beneficiando as empresas situadas no seu território, não tardou a que Sholz visse nisso o que é: um ataque direto à indústria automóvel alemã e criticasse a medida como “protecionista” (não me digam!). Pois… e… porquê alemã?

Primeiro, porque a francesa não vende para os EUA. A italiana, também pouco. Mas a alemã… vende mesmo muito. Ora, como as fábricas alemãs vendem para lá, mas não beneficiam do apoio e, ainda por cima, compram gás – americano – e metais mais caros (ou por causa das sanções ao principal fornecedor, ou, por terem de comprar… aos próprios EUA), estas perdem competitividade. Assim: o apoio concedido por “Toy” Biden é um convite direto à deslocalização das empresas alemãs para território americano, ou, à assinatura de um tratado de livre comércio que acabará, definitivamente, com qualquer soberania produtiva que ainda reste (caso do México e Canadá).

Perante a fila crescente de empresas alemãs (holandesas, belgas, suecas…) que se deslocalizam para os EUA, ou para a China, assistir ao autêntico ato de guerra em que consistiu o rebentamento do Nord Stream, e sem exprimir a mais ínfima reação…

Depois disto tudo e perante a confirmação de todas as previsões – e avisos – de que toda esta experiência se destinava a arrasar com a economia europeia (em especial com a alemã), a separá-la do seu fornecedor de matérias-primas baratas e do seu comprador preferido que é a China (ainda falta essa parte…), eis que a CEO desta grande empresa americana que é a UE, decide enterrar-nos a todos, sem exceção.

Antes, os sinais: aos dias de hoje já sabemos que será uma empresa americana a dirigir o consórcio que se encarregará do grande negócio que será a reconstrução do país de Zelensky; que será o Departamento de Transportes da Casa Branca a monitorizar, fiscalizar e acompanhar a reconstrução das infraestruturas de transportes e energia e que já estão a ser constituídos fundos de investimento por multimilionários anglo-saxónicos para captar “investimento”. Ou seja, a guerra é na Europa, a propaganda diz que “a guerra é para defender a Europa”, mas no final, quem reconstrói são os… americanos.

E perante um sinal destes, que até um cego seria capaz de ver e um surdo de ouvir, a CEO Van Der Lata, pega em mais um rolo de dinamite e toca de mandar aplicar a “oil cap” (tecto de preço) ao petróleo do país de Putin., fixando-o em 62$ (não, não é em €). Como todas as medidas que aplicou até aqui, cada uma representou a explosão de mais um dos pilares da construção desarmoniosa que é a UE. Os EUA, cheios de petróleo, lá continuarão a abrir exceções (como nas sanções todas); a UE, sem petróleo algum, terá de ir comprar mais longe, o que antes comprava perto, com o consequente aumento de preço que decorrerá, da retirada do mercado internacional de petróleo, da parte que a UE deveria comprar ao país de Putin, e que este já avisou que não lhe vendia. Com o aumento de preço, lá estarão todos os produtores a ganhar, incluindo o Tio Sam, ao passo que as colónias todas, com pequenas exceções, terão que pagar mais pelo mesmo produto. É de mestre!

Claro que, a solidariedade europeia nestes dias é tão sólida, que cada rato, cada traidor, se comporta como se não houvesse amanhã (e se calhar não se enganam), e, cada um, procura ganhar o mais que pode à custa dos mais bem-comportados (em que se inclui esta nossa província). Por exemplo, de acordo com a própria Bloomberg, a França compra petróleo ao país da tundra, mais barato e com contrato a longo prazo (contrariando as sanções que ela própria votou para aplicar), e revende-o ao preço corrente aos outros países “irmãos”, dos quais se destaca a… isso! A Alemanha!

E se, este “oil-cap”, já constitui um erro cósmico, capaz de gerar um buraco negro que nos sugará a todos, eis que, Sua Excelência, a CEO Úrsula Va Der Lata, vem com mais uma carta na manga, diretamente retirada do seu cérebro de galinha poedeira. Confiscar, definitivamente, as verbas que estão congeladas do país dos ursos. Ou seja, já não é apenas um gestor, um manager, Úrsula passa diretamente ao gangsterismo. Só que, para se ser gangster é preciso poder sê-lo. OS EUA podem, os outros não. Como se provará, para o nosso necessário mal.

A música é simples, tem sempre a mesma melodia, a Casa Branca quer reconstruir o país de Zelensky (vamos lá a ver se ainda vai existir no fim disto tudo), mas para lançar o vultuoso negócio, precisa de capital, capital que não tem. Logo, os 300 mil milhões vêm mesmo a calhar. Mas os 300 mil milhões são fundos soberanos, logo, vedados pela lei internacional a qualquer tipo de confisco unilateral. É aqui que entra a CEO. Consultados os advogados ao seu dispor, todos disseram – incluindo Portugal, veja-se só – que não podia ser. E ela questionou: então e se o país em causa for criminalmente condenado? Ao que eles questionam: “Um país inteiro”? “Assim em abstrato”? “Todo o povo”? “Todos os ministérios”? “O banco central”?

“Bem, comecemos por uma resolução que condene o país em causa como estado terrorista”, que “tenha no artigo 12.º a possibilidade de este pagar a reparação”, “e depois vamos andando”. Poderíamos questionar como fazer isto sem fazer o mesmo aos EUA e ao seu braço militar na Europa. Contudo, ao dia de hoje, já 80% dos países do mundo viram costas ao Ocidente por este tipo de dualidades.

Mas trata-se de negócio, puro negócio! É tudo negócio, condimentado por centenas de milhares de mortos escusados. Ato contínuo, eis a França de Macron Mackinsey a iniciar a constituição de um tribunal para julgamento dos “crimes de guerra”. Como o TPI não poderia ordenar o confisco, o que faz a UE? Faz o mesmo que critica Putin. de ter feito: cria um tribunal, à medida da sua pretensão.

A questão é esta: o que acham que sucederá se este brilhante projeto for para a frente? O que acham que farão aqueles países que têm reservas na UE e não se consideram parte, província ou empresa dos EUA S.A.? Pois… será uma tal fuga de capitais da EU que os bancos europeus ficarão de rastos, totalmente descapitalizados… E quem terá de os capitalizar? Têm um espelho? Ainda bem. E quais serão os benévolos “amigos”, os que compartilham “os valores”, que emprestarão dinheiro a rodos, saído ainda quentinho da máquina rotativa de verdinhas e a juro mais elevado do que o normal? Pois… São os J.P. Morgan, os Golden Sachs e toda a reserva federal americana, que rebentará tanto de rir (da estupidez do povo e da cobardia endémica dos governadores) como da pança cheia.

Em suma, os mestres, os acionistas da grande corporação que é a UE, fazem tudo bem. Num período em que sabem tudo estar em causa e em que o centro do poder mundial se desloca perigosamente para oriente, aproveitam para capitalizar e reforçar a sua dimensão económica. Somos nós que fazemos tudo mal. E o grave é que a maioria nem vê isto chegar!

Se existir um manual para o suicídio económico, político e social, a burocracia eleita e não eleita da UE e das províncias que a compõem, estudaram-no com um afinco tal que cegaram completamente. A única satisfação é que, lá mais para a frente, será inevitável o julgamento destas gentes como traidores que são…

E nesse dia, contem comigo para os condenar! Sem dó, nem piedade!


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui.