Xácara do Macedo

(João Mendes Fagundes, in Facebook, 03/02/2017)

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Chegou Paulo Macedo tremebundo
A trazer ordem aos currais de tão má fama,
Que Vulcano em sua ira pôs no fundo
E o Macedo vai resgatar desta moirama.

Tremei de seus feitos, gente lusa,
Que nunca tal se viu no vosso império,
Que de Mercúrio o Macedo traz a tusa
E de Vénus tem colhido o refrigério.

Coroado de louros, o gerente,
Lança-se em fero ímpeto ao trabalho;
Será ele o condutor da nobre gente
Neste alto desidério, este saralho.

Quem cabritos vende e cabras não tem

(In Blog O Jumento, 03/02/2017)
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Parece que a moda em Portugal é falar de populismo, como se os populistas fossem apenas o Trump, o Beppe Grillo e o Nigel Farage, até há quem nos tranquilize porque os eleitores mais dados a votar no populismo têm sido enganados pelo PCP e pelo BE que funcionam como mata-borrão do voto de protesto.
Há algum tempo num acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa, o meritíssimo juiz relator de num importante processo invocou o dito popular”Quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado lhe vêm”. Dito desta forma para que servirão os calhamaços de direito, os princípios constitucionais ou os códigos penal e de processo criminal? Qualquer analfabruto poderia chegar ao acórdão do meritíssimo juiz, aliás, até poderia avocar o processo, promover o arguido a réu e se este não provasse na hora que tinha mesmo cabras, era logo condenado sem direito a qualquer recurso. Foi um bom exemplo do populismo que medra na sociedade portuguesa.
As soluções dos populistas são as que muitos eleitores querem ouvir, são as mais óbvias, as aparentemente aceites pelo senso comum, as que são facilmente entendidas por quem não tem cultura, as facilmente convertíveis em ditados populares. Mas reduzir o populismo ao eleitorado ignorante, frustrado por causa da globalização, que não tem oportunidades pode ser um erro. Não são os pobres, os ignorantes, os desempregados ou os frustrados que produzem o populismo que vai destruindo a democracia.
Quem fez justiça invocando ditados populares não foi um analfabeto, foi um ilustre magistrado de um tribunal superior. Poderíamos continuar a encontrar populismo em barda na nossa justiça dos dias de hoje, não faltam conhecidos magistrados do MP e juízes dando entrevistas onde fazem declarações que fariam corar o Trump ou o Farage.
O que não falta na televisão são comentadores com discursos populistas, desde o jornalista da SIC sem formação económica que até já escreveu um livro para ensinar Portugal a resolver problemas económicos, a um ex-ministro das Finanças, sem formação em economia, que tem um programa só para desvalorizar os políticos e os governos aos olhos dos portugueses.
O perigo do populismo não está no aparecimento de um Trump ou de Beppe Grillo, este tipo de personagens só consegue convencer eleitores que ao longo de anos vão bebendo o pensamento político que lhes vai sendo servido por juízes especializados em cabras, por um fiscalista especializado em mostrar gráficos na TV ou por magistrados que nos dizem para ficar descansados porque nada acontecerá aos honestos.
O problema do populismo não está nos populistas, mas sim na destruição da democracia e da imagem dos políticos aos olhos dos seus eleitores. É por isso que discursos políticos como os de Medina Carreira, do tal juiz da Relação e de muitas outras personalidades insuspeitas são os grandes responsáveis pela abertura da porta ao populismo. Os populistas vencem depois de outros terem ajudado a apodrecer a democracia ou a descredibilizar a democracia e todos os políticos, menos os populistas.

Imigração: o nosso Muro do México é o Mediterrâneo

(Luís Salgado de Matos, in Blog O Economista Português)

 

O Presidente Trump não precisaria de construir um muro se o Mediterrâneo separasse o México dos Estados Unidos. A UE não tem autoridade moral para criticar os Estados Unidos na questão dos imigrantes.


Concordo em absoluto. Andamos todos distraídos com o que se passa no nosso “muro” marítimo. Morre gente todos os dias e o Trump é que é o mau da fita. A Europa neoliberal é um exemplo de cinismo e de hipocrisia acabada. E o que mais lamento é que há um coro de assanhados, da direita à esquerda, a comprar estas fábulas de embalar crianças crescidas.

Estátua de Sal, 03/02/2017


O Economista Português ouviu a chancelarina Merkel criticar os Estados Unidos por não respeitarem os direitos humanos no campo da imigração, contrapondo-os à política da União Europeia (UE) face aos imigrantes. Anteontem era um obscuro ministro de um antigo país pesqueiro, há anos transformado em emirato nórdico do petróleo, que acusava os Estados Unidos de não estarem à altura dos «padrões» morais do emirato pós luterano. Os nórdicos riem pouco, o ministrozinho boneco acusava sem se rir, o que dava à cena noticiosa uma irresistível e triste comicidade.

A política da UE face aos imigrantes é igual ou pior à do Presidente Trump. O muro de Trump chama-se Mediterrâneo e lá morrem todos o dias muitos candidatos à imigração ilegal para a UE porque a UE não tem imigração legal – criou a fantasia de só acolher refugiados políticos. A metáfora mediterrânica aplica-se tanto à imigração mexicana  (aliás mais económica do que demográfica) e à suspensão da imigração proveniente de oito países.

O Economista Português gostava de ver a Sr.^ª Merkel e o Sr. do emirato nórdico a contarem as suas larachas dos direitos humanos europeus  num mercado africano ou asiático. Veriam como eram corridos.  A Sr.ª Merkel aprendeu no comunismo alemão que o nazismo nunca tinha existido e, como o emir nórdico., atribuiu-se a boa consciência que os mass media do regime da UE debitam todo o tempo. O nazismo não existiu, o colonialismo é uma invenção leninista. O próprio fato de ser possível esta intoxicação alemã mostra quão baixo caiu a opinião pública europeia.  Os bapas portugueses dão-lhes por cá entusiástica sequência, à esquerda e à direita  (Bapas = BAtedores de PAlmaS aos nossos queridos credores).

A UE apenas tem uma política securitária face à imigração. Depois que os italianos se recusaram causar um massacre naval no Mediterrâneo, a Alemanha decidiu-se à tardia imposição de cláusulas de retorno de imigrates aos países beneficiários de ajuda da UE e substituir a aliança com os Estados Unidos pela compra de dois vassalos disfarçados, A Turquia e Marrocos. Marrocos, mais decente do que os otomanos, substitui a Líbia (tenta substituir, veremos se consegue). Esta política lembra a de Roma, ao comprar as tribos invasoras mais dóceis, e durará pouco.  A UE esquece-se de promover o desenvolvimento económico nos países pobres, de onde vem a imigração, mitifica o conflito sírio (que ela própria alimentou) e olvida que os imigrantes, além de carteira, têm alma.

O Economista Português continua a defender uma política de colaboração  económica, social, política e militar entre a UE e os Estados do Sul, quer os de África, quer os da América. O Economista Português  defende  que a UE proponha um Plano Marshall para o Sul, para usar a expressão a que os mass media do regime lançam mão nos momentos da sua maior elevação espiritual. Devemos também propor-lhe uma NATO contra o terrorismo, islâmico e não só.  Talvez ainda vamos a tempo de evitar a guerra convencional na «ocidental praia lusitana». Mas a Srª Merkel prefere estender a UE ao Donetz, para experimentar na carne dos seus cidadãos se os carros de combate russos são tão resistentes como parecem. Ninguém na UE enfrenta a antiga comunista que hoje manipula o eleitorado alemão para evitar a derrota e sabe Deus que mais  A França deixou de ser um país mas hoje é apenas uma designação geográfica. A Itália trata dos secos e molhados. Ninguém leva a sério a Espanha, ao que parece nem ela própria. O Reino Unido percebeu o saco de lacraus em que tinha caído e foi à vida, para ser ela a escolher as suas guerras. O resto da UE aspira ao elevado estatuto de Bapa ou prepara à socapa com o Presidente Trump uma saída rápida (a UE quer apresentar uma fatura alta a Londres para não ter que salgar a contribuição da Europa de Leste). Qual será o melhor caminho? Os nossos Bapas continuarão a apoiar o alargamento da UE para o Donetz e a esquecer o resto do mundo que (outr)os portugueses criaram?


Fonte: Imigração: o nosso Muro do México é o Mediterrâneo | O Economista Português