Imigração: o nosso Muro do México é o Mediterrâneo

(Luís Salgado de Matos, in Blog O Economista Português)

 

O Presidente Trump não precisaria de construir um muro se o Mediterrâneo separasse o México dos Estados Unidos. A UE não tem autoridade moral para criticar os Estados Unidos na questão dos imigrantes.


Concordo em absoluto. Andamos todos distraídos com o que se passa no nosso “muro” marítimo. Morre gente todos os dias e o Trump é que é o mau da fita. A Europa neoliberal é um exemplo de cinismo e de hipocrisia acabada. E o que mais lamento é que há um coro de assanhados, da direita à esquerda, a comprar estas fábulas de embalar crianças crescidas.

Estátua de Sal, 03/02/2017


O Economista Português ouviu a chancelarina Merkel criticar os Estados Unidos por não respeitarem os direitos humanos no campo da imigração, contrapondo-os à política da União Europeia (UE) face aos imigrantes. Anteontem era um obscuro ministro de um antigo país pesqueiro, há anos transformado em emirato nórdico do petróleo, que acusava os Estados Unidos de não estarem à altura dos «padrões» morais do emirato pós luterano. Os nórdicos riem pouco, o ministrozinho boneco acusava sem se rir, o que dava à cena noticiosa uma irresistível e triste comicidade.

A política da UE face aos imigrantes é igual ou pior à do Presidente Trump. O muro de Trump chama-se Mediterrâneo e lá morrem todos o dias muitos candidatos à imigração ilegal para a UE porque a UE não tem imigração legal – criou a fantasia de só acolher refugiados políticos. A metáfora mediterrânica aplica-se tanto à imigração mexicana  (aliás mais económica do que demográfica) e à suspensão da imigração proveniente de oito países.

O Economista Português gostava de ver a Sr.^ª Merkel e o Sr. do emirato nórdico a contarem as suas larachas dos direitos humanos europeus  num mercado africano ou asiático. Veriam como eram corridos.  A Sr.ª Merkel aprendeu no comunismo alemão que o nazismo nunca tinha existido e, como o emir nórdico., atribuiu-se a boa consciência que os mass media do regime da UE debitam todo o tempo. O nazismo não existiu, o colonialismo é uma invenção leninista. O próprio fato de ser possível esta intoxicação alemã mostra quão baixo caiu a opinião pública europeia.  Os bapas portugueses dão-lhes por cá entusiástica sequência, à esquerda e à direita  (Bapas = BAtedores de PAlmaS aos nossos queridos credores).

A UE apenas tem uma política securitária face à imigração. Depois que os italianos se recusaram causar um massacre naval no Mediterrâneo, a Alemanha decidiu-se à tardia imposição de cláusulas de retorno de imigrates aos países beneficiários de ajuda da UE e substituir a aliança com os Estados Unidos pela compra de dois vassalos disfarçados, A Turquia e Marrocos. Marrocos, mais decente do que os otomanos, substitui a Líbia (tenta substituir, veremos se consegue). Esta política lembra a de Roma, ao comprar as tribos invasoras mais dóceis, e durará pouco.  A UE esquece-se de promover o desenvolvimento económico nos países pobres, de onde vem a imigração, mitifica o conflito sírio (que ela própria alimentou) e olvida que os imigrantes, além de carteira, têm alma.

O Economista Português continua a defender uma política de colaboração  económica, social, política e militar entre a UE e os Estados do Sul, quer os de África, quer os da América. O Economista Português  defende  que a UE proponha um Plano Marshall para o Sul, para usar a expressão a que os mass media do regime lançam mão nos momentos da sua maior elevação espiritual. Devemos também propor-lhe uma NATO contra o terrorismo, islâmico e não só.  Talvez ainda vamos a tempo de evitar a guerra convencional na «ocidental praia lusitana». Mas a Srª Merkel prefere estender a UE ao Donetz, para experimentar na carne dos seus cidadãos se os carros de combate russos são tão resistentes como parecem. Ninguém na UE enfrenta a antiga comunista que hoje manipula o eleitorado alemão para evitar a derrota e sabe Deus que mais  A França deixou de ser um país mas hoje é apenas uma designação geográfica. A Itália trata dos secos e molhados. Ninguém leva a sério a Espanha, ao que parece nem ela própria. O Reino Unido percebeu o saco de lacraus em que tinha caído e foi à vida, para ser ela a escolher as suas guerras. O resto da UE aspira ao elevado estatuto de Bapa ou prepara à socapa com o Presidente Trump uma saída rápida (a UE quer apresentar uma fatura alta a Londres para não ter que salgar a contribuição da Europa de Leste). Qual será o melhor caminho? Os nossos Bapas continuarão a apoiar o alargamento da UE para o Donetz e a esquecer o resto do mundo que (outr)os portugueses criaram?


Fonte: Imigração: o nosso Muro do México é o Mediterrâneo | O Economista Português

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3 pensamentos sobre “Imigração: o nosso Muro do México é o Mediterrâneo

  1. O problema não reside em muros ou mares. A realidade reside no facto histórico de as nações com mais capacidade e autoridade sobre a organização social dos respetivos territórios invadirem outros, menos ou nada organizados, para deles extrair egoística e violentamente os bens naturais que a Natureza lhes proporcionara. Gratuitamente Invadiram, minaram, extraíram, cortaram e saíram nada deixando de válido quer na organização dessas sociedades quer na formação de mais valias pela transformação local dos seus próprios bens. Este espirito de rapina, que não é exclusivo das sociedades modernas, é a causa da pobreza e dos conflitos permanentes e nível mundial. Os países detentores de riquezas no subsolo, como é o caso do petróleo, ao não se aceitarem a sua exploração sem o seu consentimento e supervisão pagaram caro. E a história parece não parar aqui…

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  2. É curiosa a tentativa de se demonizar a Sra Merkel. Não é nenhuma santa, mas daí a transformá-la numa leninista encartada vai uma grande distância. E abriu as portas da Alemanha aos refugiados sírios. Poderíamos tecer críticas mais duras a Obama ou a Cameron, Sarkozy e a Hollande pelos disparates líbio e sírio. Parece que há quem prefira a honestidade brutal de Trump. Eu prefiro a hipocrisia dos nossos políticos falíveis. É sinal de vergonha, que é um poderoso constrangimento à ação. Isto é mais um sinal da pulsão de morte que alimenta um certo conjunto de pessoas, algumas que viram os seus sonhos de juventude desabar como castelos de cartas e agora procuram uma vingança da qual não ganharão nada, contentando-se em ver outros a sofrer, mesmo se para isso tiverem eles próprios que experimentar o sofrimento. Hannah Arendt disse algo a este respeito: ‘Totalitarianism begins in contempt for what you have. The second step is the notion: “Things must change—no matter how, Anything is better than what we have.” Totalitarian rulers organize this kind of mass sentiment, and by organizing it articulate it, and by articulating it make the people somehow love it.’

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