O show de palhaçadas Trump-Netanyahu: o polícia bom e o polícia mau

(BPartisans, In Fórum da Escolha, in Facebook, 14/06/2026, Revisão da Estátua)


Ajude a Estátua de Sal. Click aqui

Porque raio é que o Bibi teve de lançar um ataque? Fiquei tão irritado… Ele não tem o mínimo bom senso.

Este é o desabafo de Donald Trump como marido traído perante o Axios, fingindo surpresa ao descobrir que Benjamin Netanyahu agiu sem aviso prévio. Nesta altura, só faltam os violinos e uma lágrima no canto do olho.

O problema é que esta indignação soa tão credível como um piromaníaco a explicar que está chocado com o cheiro a fumo. Poucas horas antes, o Axios tinha revelado que Trump tinha dado luz verde a um ataque israelita ao Líbano. Mas, de repente, quando se trata do Irão, devemos acreditar que Washington está a descobrir as iniciativas do seu aliado mais próximo através da leitura dos jornais. Que ingenuidade comovente. Durante meses, os Estados Unidos têm fingido querer uma solução diplomática, ao mesmo tempo que permitem que Israel mantenha uma pressão militar constante. É a velha tática do “polícia bom, polícia mau”: um aperta a mão enquanto o outro estrangula. Depois, o primeiro volta atrás para explicar que está na altura de negociar com calma. Diplomacia digna de extorsão de rua: “Seria uma pena se vos acontecesse alguma coisa no caso de rejeitarem a nossa oferta de paz.”

O verdadeiro objectivo não é, provavelmente, acabar com as hostilidades, mas sim garantir os interesses estratégicos americanos, especialmente a livre passagem pelo Estreito de Ormuz, a artéria vital para a economia global em termos energéticos. A paz torna-se apenas um slogan de marketing; a prioridade continua a ser manter o fluxo de petroleiros.

Por outro lado, o Irão nunca deixou de repetir que Gaza e o Líbano são partes integrantes da equação regional e que nenhum acordo duradouro pode ignorar estas questões. Pode-se concordar ou discordar desta posição, mas ela é pública e consistente. Imaginar que Teerão irá abandonar estas linhas vermelhas só porque Washington levanta a voz é mais ilusão do que estratégia.

Portanto, o ataque israelita durante uma fase de negociação não é apenas um “acidente diplomático”. Parece mais um teste: até onde aguentará o Irão antes de retaliar? Enquanto isso, Trump interpreta o presidente exasperado, como se Netanyahu fosse um adolescente rebelde que fugiu com as chaves do carro sem permissão.

A parte mais fascinante é esta encenação incessante, onde todos afirmam querer a paz enquanto, na verdade, deitam mais achas para a fogueira. Bombardeamos para negociar, ameaçamos para tranquilizar, provocamos para apaziguar.

A diplomacia ao estilo Washington-Tel Aviv transformou-se num espetáculo onde o guião é sempre o mesmo: o polícia bom repreende o polícia mau e, de seguida, ambos fogem no mesmo carro.

Depois de tratarem o mundo como uma plateia crédula durante tanto tempo, esquecem-se de uma regra básica: quando a cortina se abre todos os dias para a mesma peça, o público acaba por reparar nos fios do teatro de marionetas.

Quando é que iremos começar a chamar a Bibi “Presidente dos EUA” ?

(Martin Jay, in SCF, 06/06/2026, Trad. da Estátua)

Estaremos prestes a entrar numa nova fase?


Ajude a Estátua de Sal. Click aqui

Como é que os anos de Trump no cargo serão registados nos livros de História? Recentemente, uma série de cenários impensáveis ​​concretizaram-se, marcando Trump e o ano de 2026 como um ponto de viragem sísmico na história dos Estados Unidos, que mudará para sempre a identidade e a posição do país no mundo. A decisão de Trump de atacar o Irão a 28 de Fevereiro foi notável, uma vez que foi tomada praticamente ignorando o seu chefe de gabinete e a maior parte do círculo de decisores à sua volta, em favor do que Israel insistia ser uma guerra rápida e vencível num fim de semana.

A acreditar nos palavrões explosivos proferidos por Trump a Netanyahu num telefonema, parece que o maior pesadelo do mundo sobre os Estados Unidos — o de que o país é governado inteiramente por Israel — se tornou realidade. A raiva e a frustração de Trump podem ser reais, mesmo que o que foi noticiado possa ter sido exagerado para fins políticos, mas a realidade é que Israel está a bloquear qualquer acordo que Trump acredite poder fechar com o Irão.

E, pior do que apenas bloquear o acordo, com base na declaração de Netanyahu sobre o Líbano, Bibi não impediu as tropas das Forças de Defesa de Israel de transformarem o sul do Líbano numa nova Gaza. Os assassinatos continuam, a destruição sistemática de propriedade e a guerra com o Hezbollah não cessaram, o que coloca Trump numa situação ainda mais delicada do que imaginava estar há apenas algumas semanas.

Ele próprio é incapaz de atacar o Irão, uma vez que os parceiros do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) negaram veementemente o apoio militar necessário às suas forças armadas. Na realidade, porém, estes governos e as suas elites — em particular o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman (MbS) — têm desempenhado o papel de travão às ideias insanas de Trump, algo que Washington não conseguiu fazer por si próprio. A demissão de todos os chefes de gabinete da época de Biden e a sua busca por bajuladores impreparados permitiram a Trump cultivar as ideias mais absurdas, e só os líderes do Médio Oriente lhe podem dizer que não. Chega!

Atualmente, aquilo a que estamos a assistir na região é à divisão dos países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) – aqueles que são aliados de Israel através dos Acordos de Abraão – e aqueles que formaram uma nova aliança anti Israel com a sua própria dissuasão nuclear, um grupo composto pela Turquia, Arábia Saudita e Paquistão, que ainda não tem nome, mas que é agora um pacto informal.

E no meio de toda esta loucura, surge mais. Agora, ouvimos falar de planos para que Israel avance com projetos que garantiriam a transferência militar anual de 3,8 mil milhões de dólares dos EUA durante os próximos 20 anos, envoltos em ainda mais secretismo através de um projeto de lei no Congresso que, essencialmente, fundiria o governo israelita com o aparelho de Washington, tornando numa única força militar as Forças de Defesa de Israel e as forças armadas americanas.

Esta fusão das forças de Israel e dos EUA ocorre numa altura em que Israel percebe que os futuros governos e o Congresso exigirão maior transparência sobre a forma como a verba anual destinada à defesa é gasta e sobre as intenções de Israel em futuras guerras. Ocorre também numa altura em que a opinião pública parece ser contrária ao apoio americano a Israel e aos seus objectivos regionais.

Por exemplo, segundo a Al Jazeera, uma sondagem realizada este mês pelo The New York Times e pelo Siena College revelou que 57% dos eleitores norte-americanos se opõem a fornecer a Israel apoio económico e militar adicional.

Além disso, 62% afirmaram desaprovar o conflito israelo-palestiniano. A guerra genocida de Israel contra Gaza, iniciada em 2023, já matou mais de 75 mil pessoas, provocando uma ampla condenação, segundo a Al Jazeera.

Existe alguma resistência de ambas as câmaras legislativas em relação à chamada Secção 244, embora aqueles que se opuseram a ela tenham sido previsivelmente chamados de «antissemitas».

Mas o simples facto de Israel estar a usar a sua influência sobre os congressistas que estão na sua folha de pagamentos para aprovar um projeto de lei que “coordenaria” todas as acções militares em que tanto os EUA como Israel estão envolvidos demonstra o quão avançado Israel está no seu controlo absoluto sobre Washington.

Atingimos um novo patamar de servilismo, e o segundo mandato de Trump tem sido o catalisador desta nova ordem mundial, que tornará qualquer acordo com o Irão ainda mais difícil – em primeiro lugar, de ser assinado, mas, mais importante, de ser implementado, o que, obviamente, os iranianos sabem, o que explica o seu ritmo letárgico nas negociações em comparação com a palhaçada desesperada de Trump.

Para crédito de Trump, este pelo menos ofereceu alguma resistência ao envio de forças americanas para a morte quando Israel elevou a pressão e insistiu em envolver-se num conflito mais longo e complexo com o Irão.

Os céticos apressam-se a salientar que Israel utilizará uma união mais estreita apenas para vender no mercado aberto todos os segredos militares americanos, mas o ponto principal está a ser ignorado. Se este artigo 244 for aprovado, será apenas uma questão de tempo até que um primeiro-ministro israelita possa simplesmente ordenar às tropas americanas que lutem em qualquer batalha que desejar. Os dias de discussões acesas, ameaças e até chantagens serão recordados com alguma nostalgia como uma era dourada em que um presidente americano ainda tinha a palavra final sobre o envio de tropas americanas.

A identidade de Netanyahu durante três décadas foi construída com base na sua arrogância em afirmar que ele e Israel governavam os Estados Unidos, mas esta alegação permaneceu praticamente incontestada até agora. Estaremos prestes a entrar numa nova fase?

Fonte aqui

A hora da resistência: da ordem morta à independência definitiva

(La Tizza in Resistir, 26/05/2026)


Não compreendemos naquele momento que em Gaza não se estava a violar o direito internacional; estava-se a fundar uma nova ordem, uma em que a barbárie é pública, consentida e televisionada. E essa é a ordem sob a qual um porta-aviões hoje ameaça Cuba.


Ajude a Estátua de Sal. Click aqui

Se há algo de valioso na linguagem de Donald Trump, é que ela é crua. Não se esconde em eufemismos nem se demora em circunlóquios diplomáticos. A sua ameaça de enviar um porta-aviões para tomar Cuba assim que o trabalho no Irão estiver concluído não é uma hipérbole de campanha, nem mais uma peça do seu caótico estilo de negociação, nem uma piada de uma improvável sobremesa imperial. É a confissão textual de uma política que nunca foi outra coisa senão a preparação do golpe final.

Continuar a ler o artigo completo aqui.