A Europa está a armar-se ou a desarmar-se?

(Boaventura Sousa Santos, in Brasil247, 15/03/2025)


Ó Costa, diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és…

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Toda a normalidade induz e tolera um certo tipo de extremismo. Para além de um certo limite, ou o extremismo é neutralizado ou o extremismo instaura uma nova normalidade. A normalidade nos EUA é o cumprimento da Constituição e, no que se refere às relações internacionais, é pôr esse cumprimento ao serviço dos interesses dos EUA, o único aliado incondicional dos EUA. Digo incondicional no sentido mais forte do termo: quem puser em causa esses interesses será neutralizado, mesmo que seja o Presidente. A neutralização está a cargo do deep State, o Estado profundo que, de facto, governa os EUA que conhecemos. O termo deep State só começou a usar-se com referência aos EUA durante o primeiro mandato de Trump, muitas vezes invocado por ele como bode expiatório dos seus fracassos. Pretende designar a existência de interesses muito poderosos e bem organizados que, sem qualquer escrutínio democrático, decidem os destinos do país em momentos identificados como sendo de grave crise. É nesses momentos que ocorrem acontecimentos dramáticos, ou decisões obscuras cujas causas nunca são plenamente esclarecidas. Por exemplo, o assassinato do Presidente John Kennedy (1963); Watergate (1972); Irão-Contra (1981-1986); o ataque às Torres Gémeas de Nova Iorque conhecido como 9/11 (2001); a invasão do Iraque “justificada” por inexistentes armas de destruição massiva (2003). Concebido de várias formas, o deep State é hoje um tema incontornável e a sua aplicação é tão pertinente nos países considerados autoritários como nos países considerados democráticos. (Para o caso dos EUA ver, por exemplo, Peter Dale Scott, The American Deep State: Big Money, Big Oil and the Struggle for Democracy, 2015; Mike Lofgren, The Deep State: The Fall of the Constitution and the Rise of a Shadow Government, 2016).   Por enquanto, o governo de Donald Trump é uma excepção autorizada e o espectáculo de um extremismo. Se a normalidade vai sucumbir ou prevalecer, se o extremismo de Trump se mantém ou não nos limites do tolerável, são, por enquanto, questões em aberto. Tal como o futuro de Trump. Por agora, legalmente, só o sistema judicial tem algum poder para deter Trump. Quanto ao deep State, nada saberemos antes da sua intervenção estar consumada. 

O espectáculo gera um processo de retro-alimentação permanente: Donald Trump abre em dias consecutivos os noticiários de quase todas as televisões do mundo. O mundo surge como virado do avesso. De um dia para o outro, os EUA são (ou parecem ser) aliados da Rússia contra a Ucrânia e a Europa. Quem podia imaginar que os EUA votassem na ONU ao lado da China, da Coreia do Norte e do Irão na resolução que visava condenar a invasão da Ucrânia pela Rússia? O problema maior para o mundo não é Trump, mas o modo com os líderes do mundo lidam com as suas posições. Por outro lado, ao contrário do que a espuma dos dias nos retrata, o comportamento de Trump é menos errático ou imprevisível do que se imagina. Os eixos principais da sua política à luz dos seus primeiros passos são os seguintes: 

  1. O negócio une e a política divide. Deve recorrer-se à divisão política para melhorar os negócios, e não para os destruir. Neste domínio, a Rússia é mais promissora que a Europa.

2. O armamento é crucial para a economia norte-americana, mas para ser vendido, não para ser usado, e muito menos pelos EUA.

3. Em termos de rivalidade económica só a China conta. 

4. O capitalismo tem de fazer valer o seu DNA colonialista. O colonialismo é pilhagem de recursos naturais. Sem ela não há capitalismo. Os palestianianos são índios. Tal como os congoleses.

5. Uma nova normalidade vai emergir não só nos EUA como no mundo: oligárquica, autoritária, fascista na substância, democrática nas formalidades. É o verdadeiro fim da história que só os ingénuos (como Francis Fukuyama) viram residir no liberalismo capitalista.

A resposta da Europa

O confronto “nunca visto” com Zelensky na Sala Oval da Casa Branca teve pouco a ver com Zelensky. Com perfeita encenação, Trump quis acima de tudo humilhar a Europa, humilhando o herói desta, o grande campeão da democracia. Quis também humilhar Joe Biden por este ter impedido que a guerra terminasse dois meses depois de ter começado; e também por estar convencido de que Biden está morto nos EUA, mas vivo na Europa. E a Europa comportou-se como Trump esperava de dirigentes medíocres que nada sabem de negócios. A Europa entrou na guerra por pressão dos EUA via NATO. A NATO é os EUA, pouco mais. A invasão pela Rússia foi ilegal e condenável, mas está hoje plenamente documentado de que foi provocada pelos EUA, convencidos de que enfraquecer a Rússia era enfraquecer um aliado-chave da China. Trump tem um entendimento oposto. Por um lado, para ele, só uma aliança calibrada com a Rússia pode enfraquecer a China. Por outro lado, a Europa tem características contrárias ao que Trump antevê para os EUA e o mundo: é demasiado secular e liberal; tem sistemas públicos de saúde e de educação robustos (até agora); “excessiva” protecção dos trabalhadores; “excessiva” protecção do meio ambiente e “excessiva” regulação estatal.  Em suma, a Europa é fraca por ter um Estado forte, por não ter recursos naturais e por não poder defender-se de ataques externos sem o apoio dos EUA. 

O que os líderes europeus não entendem é que a verdadeira fraqueza da Europa (não a fraqueza segundo Trump) foi querida e induzida pelos EUA desde o fim da União Soviética. Os EUA desde cedo temeram que a Europa se tornasse num global player e com isso alimentasse o multipolarismo, sempre temido pelos EUA, que não imaginam (e temem) deixar de ser o único global player. Quando o Presidente Chirac da França e o chanceler Gerhard Schröder da Alemanha se opuseram à invasão do Iraque, os EUA tomaram nota de que os aliados europeus eram futuros rivais num mundo multipolar.  Essa suspeita aumentou com o Tratado de Lisboa de 2007, com a inauguração, em 2011, do primeiro gasoduto Nord Stream para fornecer energia barata russa à maior economia europeia (e a outros estados europeus) e com o fortalecimento, no mesmo ano, do pacto fiscal para fortalecer a integração europeia. Aliás, a preferência da Alemanha pelo Nord Stream e a da Itália (de Berlusconi) pelo South Stream aumentava a suspeita contra estes dois países vistos como parceiros estratégicos da Rússia. A mesma suspeita contra um multipolarismo que enfraqueceria os EUA está na base do apoio dos EUA ao Brexit (2016-2020).

Ou seja, os medíocres líderes europeus da última década não entenderam que os EUA procuraram enfraquecer a Europa para agora a poderem desprezar…por ser fraca.

Retirado o apoio dos EUA à continuidade da guerra, os líderes europeus, bem oleados pelo lobby da indústria de armamentos dos EUA, em vez de se sentirem aliviados por se verem livres de uma guerra que lhes foi imposta e os levará à ruina financeira – e à destruição da Ucrânia –, assumiram a continuidade da guerra e a preparação para outras guerras como sua missão histórica, e pretendem vender esta ideia suicida aos europeus, inventando um novo perigo: a ameaça russa. Em suma, a Europa mordeu o isco lançado por Trump: vai rearmar-se para continuar a desarmar-se social e politicamente. As armas mais complexas e caras serão compradas à indústria militar dos EUA. De novo Trump atinge o seu objectivo: o material bélico é crucial para fazer negócios, não para fazer a guerra. Ao rearmar-se, a Europa transfere o investimento nas políticas sociais e na transição energética para o investimento nas armas e, em consequência, aumenta a desigualdade social e a polarização social, e ignora o perigo do colapso ecológico. Abre um campo fértil onde pastam as ideias e as políticas de extrema-direita. Ou seja, transforma-se numa réplica rasca dos EUA. O autoritarismo fascista com fachada democrática está no horizonte, tal como Trump deseja para a Europa e para o mundo. 

Em suma, ao rearmar-se, a Europa desarma-se. Em poucas décadas, a economia europeia no seu conjunto não estará entre as dez maiores economias do mundo. E do desarme social só beneficiará a extrema-direita, que neste momento, pelo menos pela voz de Viktor Orban, parece ser mais a favor da paz e mais resistente contra a orgia da preparação para a guerra que outras forças políticas de direita e de esquerda.   

Há uma ameaça russa?

A Europa só seria um rival-aliado a respeitar se se tivesse mantido unida à Rússia, o país com a maior superfície do mundo e com recursos naturais em grande medida inexplorados. Era a proposta que dominou o eixo Paris-Berlim nas duas primeiras décadas do século XXI. Haverá hoje uma ameaça russa contra a Europa quando Putin pede aos empresários europeus para regressar à Rússia? Trata-se da transferência subliminar do anti-comunismo para a russofobia? A russofobia é algo muito mais antigo e vem desde, pelo menos, o final do século XIX. Fiel ao seu projecto revolucionário, o próprio Karl Marx pode ser considerado russófobo nas cartas que escreveu em 1878 a Wilhem Liebknecht, pai de Karl Liebknecht. Tratava-se então de combater o reacionário império russo na altura em guerra com o não menos reacionário império otomano. Perante a passividade da Inglaterra e da Alemanha, Marx desabafava em francês:  «il n’y a plus d’Europe». Depois da Segunda Guerra Mundial, a russofobia metamorfoseou-se no anti-comunismo. O grande pilar do anti-comunismo na Europa foi o catolicismo conservador e, nos EUA, o Macarthismo. Mas a russofobia também alimentou a ideologia comunista da China de Mao Tse Tung e a ideologia imperial do Japão durante décadas. No Ocidente, os acordos de Yalta mantinham sob controle os impulsos mais extremistas. Convém recordar que em 1955 o exército soviético (pertencente ao regime comunista) retirou-se da Áustria em troca da neutralidade desta. O mesmo tipo de proposta foi feita por Gorbachov em 1990 ao aceitar a reunificação da Alemanha. 

A ideia da ameaça russa era sobretudo compreensível nos países da Europa do Norte e Oriental. Lembremos que, para Lenine, o tempo da Revolução Russa foi condicionado pela necessidade de terminar a guerra a todo o custo. E o custo foi alto porque a Rússia perdeu cerca de 30% do território que antes fazia parte do Império russo. Os Bolcheviques aceitaram a independência da Finlândia, Estónia, Letónia, Lituânia, Ucrânia e Bielorrússia, os últimos cinco países ocupados então pela Alemanha. Foi um tratado de pouca dura, dado o desfecho da guerra, mas as guerras locais que se seguiram (entre a Ucrânia e a Polónia, por exemplo) e a Segunda Guerra Mundial voltaram a mudar o mapa geopolítico desta região, uma região que, até à guerra da Ucrânia, era considerada periférica, tal como os Balcãs, e de pouca importância para grandes projectos europeus (isto é, do eixo Paris-Berlim). A russofobia regressa precisamente porque agora o centro da Europa parece ter-se deslocado para a Ucrânia, a Europa Oriental e os países bálticos.

Em minha opinião, a maior ameaça para a Europa decorre da sua incapacidade de se aproximar da Ucrânia, distanciando-se de Zelensky. Trump tentou mostrar aos europeus que Zelensky era parte do problema, e não da solução. Os líderes europeus, dando provas da sua indigência política, fazem vista grossa dos partidos democráticos proibidos, da censura, dos democratas presos na Ucrânia e da forte presença nazi no exército ucraniano. Ao entronizar um presidente de credenciais democráticas duvidosas, praticam “regime change” ao contrário, fazendo tudo para que não surjam outros líderes na Ucrânia que, em eleições livres e justas e não dominadas pela paranoia russofóbica, reconstruam o país e façam prosperar a democracia. O povo mártir da Ucrânia merece isso e muito mais.

Que futuro para a Europa?

Até à guerra da Ucrânia, a Europa parecia um oásis num mundo em convulsão. Para quem a observava de fora, a Europa juntava três características difíceis de reunir em qualquer outra parte do mundo: liberdade individual (democracia considerada robusta), solidariedade social, e paz. Para quem vivia na Europa, essas características eram em parte verdade e em parte ficção. As desigualdades sociais aumentavam; Bruxelas era mais uma comunidade de lobistas e burocratas escandalosamente bem pagos do que de democratas focados nos interesses dos cidadãos; a xenofobia crescia, como causa e consequência da polarização vinda da extrema-direita em ascensão.

Um mal-estar estava instalado depois de trinta anos de crítica alimentada sobretudo pelo neoliberalismo interno e internacional, para quem o Estado de bem-estar era inviável e a privatização das políticas públicas (sobretudo das mais vinculadas ao bem-estar das populações: saúde, educação, sistema de pensões) era a solução. 

A primeira Guerra Mundial fez desaparecer quatro impérios, três dos quais europeus (russo, alemão, austro-húngaro e otomano); a Segunda Guerra Mundial fez sucumbir o império japonês, emergir o império soviético e consolidar o império norte-americano, enquanto os impérios europeus agonizavam no Sul global (onde incluo as Caraíbas). Só para mencionar os casos mais salientes, o império holandês, na Indonésia, o inglês, na Índia, o francês, na Argélia e nos países do Sahel, e o português, na África sub-sahariana. Subrepticiamente reemergia um velho-novo império, a China.

A Europa está fora do jogo inter-imperial e decidiu tragicamente optar pela política perdedora, quer ante o império norte-americano, quer ante o império chinês. Enquanto as ex-colónias europeias aprenderam a tirar vantagens das rivalidades inter-imperiais, a Europa, de tão viciada pela memória do seu passado imperial, recusa-se a aprender com as suas ex-colónias, e prefere um não lugar, uma espécie de subcontinente sem abrigo. Tal como as populações sem abrigo, estará sujeita a todas as intempéries. 

Fonte aqui.

As raízes nazis da NATO

(GABRIEL ROCKHILL, in Observatoriocrisis, 28/12/2024, Trad. da Estátua)

Que a NATO seja na verdade NAFO, a Organização Fascista do Atlântico Norte, não é brincadeira. É uma realidade mortalmente séria e precisa de ser mudada. A luta contra a NAFO é uma parte essencial da luta contra o fascismo e o imperialismo.


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Os historiadores burgueses descrevem frequentemente o nascimento da NATO como uma organização de defesa do Atlântico Norte necessária para conter a chamada ameaça soviética. O que os historiadores burgueses não mencionam é que a ideia de uma aliança militar anticomunista entre a Europa Ocidental e os EUA foi fortemente apoiada por uma figura importante na política alemã e que a NATO tem sido por vezes considerada uma criação sua. Este homem era Heinrich Himmler, famoso pelo seu papel como líder das SS e um dos principais arquitetos do Holocausto nazi.

O coração da Segunda Guerra Mundial estava no Leste, onde Hitler, com o apoio financeiro dos principais capitalistas ocidentais, prometeu destruir o que catorze estados capitalistas não conseguiram erradicar na sequência de 1917: o socialismo realmente existente.

Assim que se tornou claro para Himmler que esta guerra tinha falhado, começando com a Batalha de Estalinegrado em 1943, ele começou a fazer propostas secretas ao Ocidente para formar uma aliança que lhes permitisse, coletivamente, fazer o que os nazis (bem como os fascistas japoneses) eram incapazes de fazer sozinhos.

Esta ideia atraiu sectores da elite ocidental e figuras poderosas dos principais países imperialistas partilharam a opinião de Himmler. Allen Dulles, o futuro diretor da CIA, queixou-se de que o seu país estava a combater o inimigo errado porque os nazis eram cristãos arianos pró-capitalistas, enquanto o verdadeiro adversário era o comunismo ateu.

Dulles, que trabalhava na altura na instituição antecessora da CIA, o Gabinete de Serviços Estratégicos, foi um dos interlocutores de Himmler para a planeada aliança anticomunista do Atlântico Norte. O general Karl Wolff, antigo braço direito de Himmler, ofereceu a Dulles, em troca de uma amnistia pós-guerra, o desenvolvimento, com os seus aliados nazis, de uma rede de inteligência contra Estaline.

Foi exatamente isso que aconteceu, e Dulles integrou muitos outros nazis e fascistas nas fileiras de uma internacional anticomunista. Isto incluiu o chefe dos serviços de inteligência nazis centrados na URSS, Reinhard Gehlen, que foi nomeado pela CIA para chefiar a inteligência da Alemanha Ocidental após a guerra, onde passou a contratar muitos dos seus colaboradores nazis.

Também incluiu, como parte da Operação Italian Dawn, Valerio Borghese, o homem conhecido como o Príncipe Negro e um dos principais líderes do fascismo do pós-guerra, que foi salvo de cair nas mãos soviéticas pelo OSS e mais tarde trabalhou para a CIA.

O oficial japonês que assinou a declaração de guerra contra os Estados Unidos, Nobusuke Kishi, conhecido como o “Diabo de Shōwa” pelo seu governo brutal de uma colónia japonesa no nordeste da China, também foi reabilitado pela infame Agência, que financiou a sua ascensão a Primeiro-ministro do Japão. Contudo, estes exemplos são apenas a ponta do iceberg, uma vez que um número incontável de fascistas foi reabilitado após a Segunda Guerra Mundial, sendo que, pelo menos 10.000 foram trazidos diretamente para os Estados Unidos.

Quando a NATO foi oficialmente criada em 1949, Portugal foi um dos seus membros fundadores. Naquela altura, Portugal era uma ditadura fascista, o que só prova o facto: a NATO foi, desde a sua fundação, uma aliança militar das potências imperialistas (fossem democracias burguesas ou estados fascistas) contra o comunismo, que era precisamente o que Himmler tinha em mente. .

A Grécia aderiu à NATO em 1953, depois de os comunistas, que desempenharam um papel de liderança na libertação do país dos nazis, terem perdido uma guerra brutal contra os novos ocupantes anticomunistas: o Reino Unido e os Estados Unidos. Tendo sido reintegrado o rei pró-fascista e depois estabelecido um governo fantoche de direita, as potências imperialistas ocidentais acolheram a Grécia na NATO assim que esta se tornou num Estado cliente anticomunista fiável. Estes padrões são visíveis ao longo da longa história da NATO, e a Ucrânia é apenas uma das versões mais recentes de um Estado cliente neofascista

A Alemanha Ocidental aderiu à NATO em 1955, o mesmo ano em que o rearmamento da República Federal da Alemanha foi autorizado através dos Acordos de Paris. O governo da Alemanha Ocidental selecionou os voluntários e admitiu 61 generais e almirantes nazis da Wehrmacht no seu novo exército, bem como muitos mais em escalões inferiores.

Entre os oficiais nazis de mais alta patente que se juntaram ao exército da Alemanha Ocidental estavam Hans Speidel e Adolf Heusinger, que foram empossados ​​como os seus dois primeiros tenentes-generais. Speidel tornou-se “chefe do Departamento de Forças Combinadas do Ministério da Defesa” e serviu como um dos principais conselheiros militares do Chanceler Konrad Adenauer (posição posteriormente ocupada por Heusinger). Heusinger, a quem Hitler se referiu como “meu fiel e leal colaborador”, tornou-se o oficial militar de mais alta patente da Alemanha Ocidental, o equivalente ao presidente do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos. Ele também atuou como avaliador-chefe da Organização Gehlen da CIA, desempenhando sua tarefa tão bem que a Agência o “considerou seriamente” para o cargo de Gehlen, de acordo com documentos internos. Heusinger, foi também como agente da CIA, que “continuou a consultar e a confiar nos representantes da CIA”, que relataram que “consideravam que as opiniões políticas de Heusinger favoreciam claramente os interesses dos EUA”. Estes dois líderes nazis foram promovidos e tornaram-se os primeiros generais de quatro estrelas da Alemanha Ocidental.

Ambos aqueles dois altos oficiais nazis desempenharam papéis importantes na NATO. Em 1954, Speidel foi nomeado o principal “negociador sobre a questão da entrada da Alemanha na NATO”. Supervisionou a integração das forças armadas da Alemanha Ocidental na NATO e foi nomeado chefe das Forças Terrestres Aliadas na Europa Central. Isto significava que Speidel era “o comandante operacional sénior de todas as divisões alemãs, americanas, francesas e britânicas atribuídas à Região Central da NATO”. E Heusinger, um oficial nazi de alta patente diretamente envolvido na guerra genocida contra a URSS, teria sido o principal comandante terrestre da NATO se a guerra eclodisse com os países do Pacto de Varsóvia. Esta figura tornou-se “oficial militar superior e principal conselheiro militar do secretário-geral” da NATO, servindo como presidente do Comité Militar da NATO, “o posto mais alto no ramo não civil da organização”.

Speidel e Heusinger, como muitos outros que aderiram à NATO, não eram nazis de baixa patente. Speidel foi promovido a tenente-general em janeiro de 1944 e condecorado com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro pelos seus serviços na guerra de eliminação antissoviética.

De acordo com um folheto informativo de 1961 do senador Wayne Morse, Heusinger tornou-se “chefe de operações do estado-maior de Hitler” em 1941 e foi “responsável pelo planeamento militar de todas as invasões nazis depois disso”. Ele chefiou os esquadrões especiais de extermínio (Einsatzgruppen) que tinham a tarefa de liquidar “todos os judeus e outros grupos”.

Heusinger explicou a sua opinião sobre estas questões com notável franqueza: “Sempre foi minha opinião pessoal que o tratamento da população civil e os métodos de guerra anti partidária (extermínio) apresentavam aos líderes políticos e militares uma oportunidade de levar a cabo os seus planos, nomeadamente, o extermínio sistemático do eslavismo e do judaísmo.”

Speidel e Heusinger não foram os únicos alemães a seguir o caminho dos nazis rumo à NATO, mas as suas posições de liderança revelam quão descarada tem sido a NATO no que diz respeito aos seus laços com o fascismo. Ambos também estiveram envolvidos na criação de exércitos “restantes”, que eram milícias fascistas secretas cujo suposto propósito original era servir como forças militares que permaneceriam atrás das linhas inimigas para realizar atos de sabotagem, espionagem, no caso de uma invasão soviética.

Na Alemanha, o coronel nazi Albert Schnez criou uma rede de cerca de 2.000 oficiais nazis e 10.000 soldados, alegando ser capaz de mobilizar 40.000 combatentes em caso de guerra. Eles tinham apoio financeiro do mundo dos negócios e compartilhavam regularmente informações com a Organização Gehlen. O próprio Gehlen era “o pai espiritual do Stay Behind na Alemanha”. A organização de Schnez também tinha contactos com duas outras redes nazis, ambas financiadas secretamente pelos EUA: o Technischer Dienst (Serviço Técnico) e a Liga da Juventude Alemã.

Os exércitos de retaguarda que estes líderes nazis estabeleceram na Alemanha Ocidental faziam parte de uma rede da Europa Ocidental de milícias fascistas secretas criadas pela CIA, MI6 e NATO.

Estas organizações recrutaram nazis, fascistas e outros anticomunistas de extrema-direita, forneceram-lhes armas e munições e equiparam-nos totalmente para travar a guerra. Foram ativados para cometer ataques terroristas de bandeira falsa contra a população civil, que foram atribuídos aos comunistas para justificar a repressão e obter apoio para os chamados governos da lei e da ordem.

Esta estratégia anticomunista de tensão foi extremamente letal: matou centenas de pessoas e feriu milhares. A NATO esteve por detrás destes ataques terroristas de bandeira falsa e os nazis da NATO estiveram, no mínimo, envolvidos na criação das organizações que os cometeram.

A conhecida piada de que a NATO é na verdade NAFO, a Organização Fascista do Atlântico Norte, não é brincadeira. É uma realidade mortalmente séria e precisa de ser mudada. A luta contra a NAFO é uma parte essencial da luta contra o fascismo e o imperialismo.

(*) O autor é professor de Filosofia na Universidade de Vilanova.

Fonte aqui.


 

A Ferra Aveia e o terrorismo

(Por Sófia Puschinka, in Facebook, 21/12/2024, revisão da Estátua)


Ah bom…. Helena Ferro Gouveia a comentar o ataque terrorista da Alemanha diz que, “os serviços secretos internacionais já tinham alertado a Alemanha para ataques terroristas em mercados de Natal”.

Ela sabe destas coisas e conhece todos os avisos da Mossad e da CIA. Diz-lhe o pivot mais à frente: “Helena, este homem não estava referenciado como perigoso; não houve uma falha dos serviços de informação?

Responde aquela alma que há milhares de pessoas e que este podia não estar a ser seguido bla bla bla  🤣. Esperem lá. Mas, os tais serviços secretos, que tinham avisado a Alemanha especificamente sobre os mercados de Natal, não o fizeram com base em informações concretas? Foi tipo bola de cristal, ou é só vicio e alucinação desta croma, referenciar os serviços de informação em tudo o que comenta para se armar em Mata Hari?

Bem… Pelo meio, e como se trata de um saudita, oriundo pois de um país que Helena Ferro Gouveia jamais criticou por ser amigo e aliado dos EUA – para ela as mulheres do Irão usarem hijab (um lenço na cabeça) é um atentado contra os direitos das mulheres mas as sauditas é perfeitamente normal usarem burka (uma manta preta pela cabeça abaixo que cobre todo o corpo) -, este homem que vivia na Alemanha desde 2006 (há quase 20 anos), médico psiquiatra que renunciou ao Islão, afinal não é terrorista, é só um desequilibrado até porque ela andou a investigar o perfil do “X” do senhor e acha que ele sofria de transtornos, estava muito confuso!  🤣 🤣 🤣 

Claro que se fosse sírio (como deram a entender as primeiras notícias), iraniano ou palestiniano já não era um desequilibrado e tratar-se-ia de um terrorista perigoso, independentemente daquilo por que pudesse ter passado. Por exemplo, se fosse um sírio que tivesse visto a sua família a ser morta, os seus filhos a serem vendidos em campos de refugiados, as suas filhas de 9 anos a serem vendidas na Turquia para casamento, etc, seria sempre um terrorista perigoso. Este, coitadinho, era só um maluquinho e a sua raiva contra os alemães era só loucura; afinal estava perfeitamente integrado na sociedade e os alemães nem são nada racistas e xenófobos, nunca foram  🙄. As políticas europeias também são muito coerentes e igualitárias são um primor…

Helena Ferro Gouveia, a rainha da hipocrisia e da indecência. A tipa que se contradiz a ela própria em 3 minutos de conversa. A tipa que se diz feminista mas que envergonha qualquer verdadeira feminista e mulher de carácter.