Ataque a aeródromos no interior da Rússia: brincar com o fogo

(Scott Ritter, in Resistir, 03/06/2025)


A operação Spider’s Web da Ucrânia ultrapassou o limiar de uma reação nuclear russa. A reação da Rússia e dos EUA pode determinar o destino do mundo.


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Em 2012, o Presidente russo Vladimir Putin declarou que “as armas nucleares continuam a ser a garantia mais importante da soberania e da integridade territorial da Rússia e desempenham um papel fundamental na manutenção do equilíbrio e da estabilidade regionais”.

Nos anos que se seguiram, analistas e observadores ocidentais acusaram a Rússia e os seus líderes de invocar irresponsavelmente a ameaça das armas nucleares como um meio de exibição de força (sabre-rattling), um engano estratégico para esconder as deficiências operacionais e tácticas das capacidades militares da Rússia.

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As conversações preliminares em Istambul são um começo… o verdadeiro espetáculo que se avizinha é Trump e Putin

(SCF, in Resistir, 18/05/2025)


Para as conversações terem alguma probabilidade de êxito, o lado americano terá de assumir a responsabilidade pela guerra que começou e alimentar.


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As conversações desta semana em Istambul oferecem uma perspetiva de paz. Vale a pena sublinhar que a guerra por procuração de três anos poderia ter sido evitada se a diplomacia tivesse sido permitida por Washington no início de 2022, ao invés de ser sabotada.

Três anos depois, temos um novo presidente na Casa Branca e parece haver uma política mais esclarecida. Ou talvez seja uma admissão implícita de que a agenda da guerra por procuração dos EUA é um fracasso e não pode continuar.

Em todo o caso, Trump e os seus enviados estão a dizer inequivocamente que querem parar o derramamento de sangue na Ucrânia. É uma grande mudança em relação ao seu antecessor, Joe Biden, que prometeu apoiar a Ucrânia durante o tempo que fosse necessário, numa busca fantasiosa e imprudente de derrotar estrategicamente a Rússia.

Foi a administração Biden, juntamente com o governo britânico, que interveio para impedir as nascentes conversações de paz em março de 2022 entre a Rússia e a Ucrânia para um acordo de paz. Washington e Londres persuadiram o regime de Kiev a continuar a lutar com promessas de mais armas.

O resultado: mais três anos de conflito intenso, que causou milhões de vítimas, principalmente do lado ucraniano. A guerra por procuração aproximou-se perigosamente da provocação de uma guerra mundial entre potências nucleares.

Trump parece querer a paz. Se essa intenção for genuína, o Presidente americano terá de abordar as causas profundas do conflito. A Rússia tem explicado de forma consistente as causas mais profundas da agressão da NATO e da militarização da Ucrânia como uma cabeça de ponte hostil nas suas fronteiras desde o golpe de Estado orquestrado pela CIA em Kiev, em 2014.

O presidente americano tem mostrado petulância em alguns momentos, instando a Ucrânia e a Rússia a chegarem a um acordo de paz. Chegou mesmo a ameaçar a Rússia com mais sanções económicas (inúteis). O que a administração Trump precisa de compreender é que a resolução das causas profundas do conflito exige negociações proporcionais e um compromisso realista com acordos de segurança geopolítica duradouros.

As conversações em Istambul, esta semana, para explorar uma resolução pacífica foram iniciadas pelo Presidente russo, Vladimir Putin, num anúncio feito na semana passada.

A delegação da Rússia foi chefiada pelo assessor sénior de Putin, Vladimir Medinsky. Este facto é revelador de coerência e empenhamento. Medinsky liderou as conversações de paz há três anos em Istambul, que foram depois sabotadas em abril de 2022 pela intervenção americana e britânica.

Esta semana, a parte russa manteve conversações bilaterais preliminares com os americanos, lideradas pelo Secretário de Estado Marco Rubio. Posteriormente, os delegados russos e ucranianos participaram numa reunião convocada por diplomatas turcos. Foi o primeiro encontro direto entre funcionários russos e ucranianos desde as negociações de março de 2022.

Não está claro se serão realizadas reuniões subsequentes. Mas, pelo menos, pode dizer-se que houve conversações.

A chave para qualquer perspetiva de acabar com o conflito depende de Washington demonstrar o compromisso necessário. Trump voltou a dizer esta semana que gostaria de realizar uma cimeira com Putin “o mais rapidamente possível”. O Kremlin também afirmou que é desejável uma reunião presidencial formal.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, advertiu que, em primeiro lugar, deve haver uma preparação adequada para discussões significativas. Isto implica que qualquer reunião de alto nível deve ter em conta as exigências da Rússia no sentido de uma resolução que aborde as causas históricas e sistemáticas da guerra por procuração.

Os políticos e os meios de comunicação ocidentais que negam a perspetiva da Rússia estão a delirar ou a ser enganados. Afirmar que o conflito tem tudo a ver com a “agressão russa não provocada” contra a “Ucrânia democrática” e o “expansionismo russo” em direção à Europa é uma farsa. É uma narrativa falsa que impede uma resolução pacífica. Trump parece estar ciente disso. Mas ele precisa de ir além de uma charada superficial de “mediador de paz”.

Se Trump quer uma grande cimeira com Putin para obter audiências de relações públicas, como a sua digressão pelo Médio Oriente esta semana ilustra a sua vontade egoísta, pode esquecer.

As reuniões desta semana na Turquia podem ser vistas como discussões técnicas preliminares.

No entanto, o Presidente Trump tem de assumir a liderança. Apropriadamente, uma resolução pacífica só acontecerá ao nível sénior dos governos dos EUA e da Rússia. Isto porque os Estados Unidos são o principal protagonista na guerra por procuração contra a Rússia.

É evidente, pelas palhaçadas e teatralidades do regime de Kiev esta semana, que não há perspectivas de uma paz significativa e duradoura se as negociações se limitarem a esse nível. O Presidente ucraniano Vladimir Zelensky nem sequer tem legitimidade constitucional depois de ter cancelado as eleições do ano passado. O seu comportamento errático de arrogância e de atirar lama para cima dos esforços diplomáticos russos prova que ele não é capaz de realizar negociações substantivas.

Os líderes europeus são também um impedimento à consecução de um autêntico acordo de paz. Mesmo antes de as delegações se reunirem esta semana em Istambul, vários políticos europeus sem personalidade própria já estavam a depreciar a iniciativa diplomática da Rússia. Macron, Starmer, Merz, Von der Leyen e Kallas estavam a tentar desesperadamente insultar o Presidente russo, cedendo à manobra de relações públicas de Zelensky, que exigia uma reunião cara a cara com Putin em Istambul.

A União Europeia também anunciou esta semana a duplicação do fornecimento de munições de grosso calibre à Ucrânia. Outra provocação.

Macron, da França, tentou impor uma condição prévia para as conversações, exigindo um cessar-fogo de 30 dias. Esta foi uma tentativa flagrante de sabotar as negociações antes mesmo de elas começarem.

Estas pessoas não são honestas quanto a pôr fim à pior guerra na Europa desde o final da Segunda Guerra Mundial. De forma vergonhosa, querem que o derramamento de sangue continue para a sua sobrevivência política e para satisfazerem as suas obsessivas fantasias russofóbicas.

Se Trump quiser acabar com a guerra por procuração da NATO contra a Rússia, terá de pôr de lado os opositores europeus e o regime fantoche de Kiev. O seu envolvimento é contraproducente. Suspeita-se que Trump já sabe disso.

Um acordo americano e russo ao mais alto nível é a única forma de pôr fim à guerra. Não vale a pena o lado americano fingir que é um mero mediador de paz. Eles são o principal protagonista, não os cães de colo europeus nem o regime de Kiev.

As conversações preliminares estão muito bem. Mas são apenas isso. Preliminares. Se as conversações têm alguma hipótese de serem bem sucedidas, o lado americano tem de assumir a responsabilidade pela guerra que começou e alimentou.

Fonte aqui.

Moscovo mobiliza-se, a NATO falha: a verdadeira guerra militar-industrial

(In canal do Telegram, Sofia_Smirnov74, 05/04/2025, Revisão da Estátua)


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Na longa guerra de logística, coordenação e arte de governar, a Rússia está a provar que a mobilização industrial vence batalhas antes mesmo que elas sejam travadas. Um relatório contundente do Royal United Services Institute (RUSI) da Grã-Bretanha (quão mau isso é quando autoridades do Reino Unido estão a ter que admitir uma realidade parcial) expôs o que a elite de defesa do Ocidente se recusa a admitir: o complexo militar-industrial da Rússia não é apenas resiliente, é dominante.

Enquanto a Europa Ocidental hesitava, enredada em burocracia e ideologia de mercado neoliberal, a Rússia executou uma estratégia industrial de guerra centralmente coordenada. A economia de guerra de Putin, longe de entrar em colapso devido às sanções, redirecionou fundos, redirecionou a produção nacional e empurrou a produção de defesa para uma velocidade de ponta, operando 24 horas por dia com linhas de crédito apoiadas pelo Estado e uma única estrutura de comando centralizada e focada. O resultado? Armas modernas, produção crescente e entrega real às linhas da frente. Compare isso com a Europa Ocidental e os EUA, sem centralização, apenas a capacidade de oferecer enormes incentivos para aumentos mínimos na produção, a um custo extorsivo.

A Europa, é claro, nem sequer tinha um plano. O RUSI admite que os membros europeus da NATO não tinham os dados nem a coordenação para se mobilizarem. Em vez de produzirem armas de forma eficiente, estão a sufocar em mercados de defesa fragmentados e cadeias de abastecimento pesadas, onde parafusos custam o preço do ouro e os prazos de entrega rivalizam com épocas geológicas. Incentivar empresas privadas de armas com sinais de mercado não é mobilização, é ideologia capitalista de casino disfarçada de estratégia. O resultado são milhares de milhões em gastos desperdiçados em produções pouco úteis. Um keynesianismo militar baseado em fantasias, que alimenta burocratas e acionistas, mas não soldados ou defesa soberana.

O contraste é gritante: o orçamento de defesa da Rússia atingiu 6,3% do PIB em 2024, e é agora 32,5% da despesa total do estado, enquanto o complexo militar industrial ocidental ainda depende de promessas alavancadas e ciclos de debate e promoção exagerados, esperando que startups de drones, tipo boutiques, possam igualar a produção prodigiosa da Uralvagonzavod ou da Kalashnikov Concern. Na Rússia de Putin, as linhas de produção zumbem, não por lucro, mas por sobrevivência e soberania. Os contratos de defesa ocidentais, entretanto, são preenchidos com comissões de lobistas, comissões de doadores e lixo sobrefaturado.

E apesar do barulho, a campanha de rearmamento da NATO parece mais um golpe de Wall Street do que uma estratégia de guerra. Com todo o dinheiro investido, onde estão as munições? Os projéteis de artilharia? O equipamento básico? Em lado nenhum. Em vez disso, a Ucrânia está a ficar seca, o complexo militar industrial dos EUA está ocupado a contar os lucros trimestrais, e a Europa não consegue sequer coordenar as compras sem que Paris e Berlim tropecem um no outro.

Esta não é apenas uma guerra no terreno, é uma guerra de modelos. A economia de guerra, verticalmente integrada e liderada pelo Estado russo está a superar a arquitetura de defesa desregulamentada, privatizada e inflacionada do Ocidente em todas as métricas significativas: velocidade, volume, custo-eficiência e resultados.

Até o Pentágono admite discretamente que o seu Retorno do Investimento (ROI) é uma piada comparado ao retorno múltiplo da Rússia na mobilização industrial.

E aqui está o verdadeiro problema: a Rússia não precisa de gastar mais que a NATO. Ela só precisa de construir mais, durar mais e ter mais estratégias. Isso já está a acontecer. O Ocidente está a apostar em crédito infinito, mercados especulativos e campanhas de relações públicas. A Rússia está a apostar em aço, soldados e soberania.

Quando a próxima fase desta guerra for escrita, ela não será decidida em livros brancos de think tanks ou em cimeiras para aquisição de armas. Ela será decidida nas trincheiras e nas linhas de montagem. E agora mesmo, as linhas de montagem da Rússia estão, fácil e indiscutivelmente, a vencer.

Fonte aqui