(Major-General Raúl Cunha, in Facebook, 15/06/2026, Revisão da Estátua)
Da esquerda para a direita: Chouriço, Urineu, Nojeira e Milhafre
Ultimamente, tem havido um grande e agitado debate comunicacional em torno da campanha da Ucrânia para, alegadamente, “isolar a Crimeia” através de ataques com drones de longo alcance.
No entanto, esta campanha é apenas a mais recente de um reciclado conjunto de iniciativas ucranianas de guerra de informação e operações psicológicas que aparecem anualmente, em simultâneo com as ofensivas russas de verão, com a finalidade de controlar a narrativa de forma favorável à Ucrânia e assim desviar a atenção do público das realidades no campo de batalha.
O propósito é sempre o de criar uma onda divergente que dê a ideia de uma “crise iminente” na operação das forças russas de forma a afastar a atenção das próprias imensas perdas da Ucrânia no campo de batalha, que estão agora concentradas sobretudo na frente de Konstantinovka, que está a colapsar e onde as forças russas pretendem confirmar a captura de mais uma grande “cidade-fortaleza” no Donbass.
Isto não significa que esta recente campanha da Ucrânia sobre a Crimeia não tenha tido qualquer efeito, mas sim que esses efeitos estão a ser grandemente exagerados pelas habituais agências de propaganda ocidentais e difundidos serviçalmente pelos media e comentadores avençados do sistema.
Esta campanha de informação já atingiu um nível tão desesperado que chegou a utilizar imagens de videojogos para tentar aumentar as impressões sobre os efeitos que os próprios ataques são incapazes de produzir.
Aqui na terrinha, os maiores farsantes podem ser vistos no NOW com o Chouriço e o Urineu e na SIC com o Nojeira e o Milhafre, o que aliás já não é novidade nesses canais.
(Por Vanessa Martina-Silva, in Diálogos do Sul, 10/06/2026)
Anúncios feitos em São Petersburgo reforçam a aproximação entre Havana e Moscou e apontam para uma ampliação da cooperação em setores estratégicos da economia cubana.
A Rússia anunciou uma nova etapa de sua cooperação econômica com Cuba. Durante o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo (SPIEF), realizado entre 3 e 6 de junho, o vice-primeiro-ministro russo Dmitri Chernyshenko afirmou que empresas russas estão prontas para investir em projetos de longo prazo na ilha, ampliando sua presença em setores considerados estratégicos para a economia cubana.
A declaração foi feita durante o painel “Rússia-Cuba: cooperação em condições turbulentas. Investimentos, turismo e tecnologias”, título que, por si só, revela o contexto em que a aproximação ocorre: de um lado, Cuba enfrenta uma das fases mais difíceis de sua crise econômica; de outro, Moscou busca aprofundar relações com parceiros do Sul Global em meio ao prolongado confronto geopolítico com o Ocidente.
Diferentemente de anúncios genéricos frequentemente feitos em encontros diplomáticos, as declarações apresentadas em São Petersburgo vieram acompanhadas de setores prioritários, projetos em andamento e interesses empresariais já identificados. Energia, alimentos, transporte, mineração, turismo, saúde, biofarmacêutica, infraestrutura e tecnologia aparecem no centro da estratégia russo-cubana.
A questão central não é se houve um anúncio. Houve. A pergunta relevante é outra: até que ponto essa nova ofensiva econômica russa pode ajudar Cuba a enfrentar o bloqueio econômico dos Estados Unidos e aliviar gargalos históricos da economia da ilha?
O que a Rússia anunciou concretamente
A afirmação mais importante partiu do próprio Chernyshenko. Segundo a agência estatal russa RIA Novosti, o vice-primeiro-ministro declarou que empresas russas continuam ampliando sua presença em Cuba e estão dispostas a investir recursos em projetos de longo prazo, apesar do que chamou de “pressão externa”. A informação foi reproduzida por veículos econômicos russos e posteriormente repercutida pela imprensa cubana.
O anúncio não veio acompanhado de um valor agregado de investimentos nem de uma lista completa de contratos assinados. Ainda assim, as declarações foram além da retórica diplomática.
As autoridades russas identificaram áreas específicas para expansão dos negócios:
energia e combustíveis;
agroindústria;
mineração;
infraestrutura;
turismo;
transporte;
saúde;
indústria biofarmacêutica;
tecnologia da informação;
cibersegurança;
telemedicina;
automação empresarial.
O governo cubano, por sua vez, respondeu oferecendo oportunidades de investimento e incentivos para empresas russas interessadas em atuar nesses setores.
Alimentos: 90 empresas russas querem entrar no mercado cubano
O setor mais avançado das negociações parece ser justamente o mais sensível para Havana: o abastecimento alimentar. Segundo informações divulgadas por veículos russos especializados e reproduzidas pela imprensa cubana, cerca de 90 empresas russas manifestaram interesse em exportar alimentos para Cuba. A lista inclui:
carnes;
produtos lácteos;
pescado;
trigo;
derivados agrícolas.
Também existem discussões envolvendo processamento de trigo, produção de farinha e fabricação de rações para animais. O tema não é secundário. Cuba importa uma parcela significativa dos alimentos consumidos pela população e sofre há anos com dificuldades para obter as divisas necessárias ao financiamento de compras internacionais. O bloqueio econômico dos Estados Unidos agrava o problema ao restringir operações bancárias, elevar custos de transporte e dificultar transações financeiras.
Nesse contexto, garantir fornecedores estáveis tornou-se uma questão de segurança nacional. Mais importante ainda é que a proposta russa não se limita à venda de mercadorias. Parte das discussões envolve a instalação de capacidades produtivas e de processamento local, algo que poderia reduzir a dependência cubana das importações no médio prazo.
Energia: o setor capaz de produzir impacto imediato
Se a questão alimentar é estratégica, a energética talvez seja a mais urgente. Nos últimos anos, Cuba enfrentou sucessivas crises elétricas, com apagões prolongados afetando residências, hospitais, escolas e indústrias. Por isso, a energia aparece como prioridade absoluta nas conversas entre Havana e Moscou.
Oscar Pérez-Oliva Fraga, vice-primeiro-ministro cubano e ministro do Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro, afirmou durante o encontro que Cuba está aberta a investimentos russos em geração elétrica, distribuição de energia, eficiência energética e fontes renováveis. O dirigente cubano também mencionou oportunidades relacionadas a refinarias e à comercialização de combustíveis.
A cooperação energética não começou agora. Em abril deste ano, durante reunião da Comissão Intergovernamental Rússia-Cuba, os dois países já haviam discutido iniciativas voltadas à recuperação da produção petrolífera em Boca de Jaruco, um dos principais campos de petróleo do país. Na mesma ocasião, autoridades cubanas destacaram a chegada de embarcações russas transportando petróleo para a ilha, em um momento de forte escassez energética. Caso os projetos anunciados avancem, esse poderá ser o setor com maior capacidade de produzir resultados concretos no curto prazo. Menos apagões significam maior produtividade industrial, funcionamento mais estável dos serviços públicos e redução de um dos principais focos de insatisfação social da população cubana.
Transporte: Moskvich, KamAZ e o retorno da indústria automotiva russa
Outro anúncio concreto envolve o setor de transportes. Fontes russas informaram que Moscou transferirá 50 automóveis Moskvich para a frota de táxis de Havana. Além disso, autoridades russas citaram o fornecimento de veículos das marcas GAZ, UAZ, KamAZ e Lada. Embora 50 veículos estejam longe de resolver os problemas estruturais da mobilidade cubana, o significado político e econômico da medida vai além dos números. A presença crescente de fabricantes russos indica a reabertura de canais comerciais que haviam sido reduzidos após o colapso da União Soviética. Mais relevante ainda é a possibilidade de retomada da montagem local de veículos e equipamentos, tema já discutido anteriormente pelas autoridades dos dois países.
Tecnologia, cibersegurança e soberania digital
Um dos aspectos menos comentados dos anúncios feitos em São Petersburgo envolve tecnologia. Empresas russas demonstraram interesse em fornecer soluções para:
tecnologia da informação;
cibersegurança;
telemedicina;
automação empresarial;
digitalização de processos.
Embora esses temas recebam menos atenção do que energia ou alimentos, eles têm importância crescente para países submetidos a sanções econômicas. Nos últimos anos, Washington transformou instrumentos financeiros, sistemas de pagamento e plataformas tecnológicas em mecanismos de pressão geopolítica. Para países como Cuba, reduzir a dependência dessas estruturas passou a ser uma questão de soberania. Nesse sentido, a cooperação tecnológica com a Rússia busca criar alternativas ao ecossistema dominado por empresas ocidentais.
Mariel e a disputa pelas rotas comerciais
Outro elemento relevante da aproximação envolve logística e comércio internacional.
Porto de Mariel em Cuba
Autoridades ligadas à União Econômica Eurasiática confirmaram discussões sobre o uso da Zona Especial de Desenvolvimento de Mariel como plataforma para integração entre países do bloco eurasiático, a América Latina e o Caribe. Mariel ocupa posição estratégica na costa norte de Cuba e há anos é visto pelo governo cubano como peça-chave para atrair investimentos externos.
A ideia é transformar o porto em um centro logístico capaz de conectar novos fluxos comerciais fora da órbita tradicional dos Estados Unidos. Embora o projeto ainda enfrente obstáculos financeiros e operacionais, sua inclusão nas negociações revela que Moscou não está pensando apenas em exportar produtos para Cuba. O objetivo parece envolver a construção de corredores econômicos mais amplos.
Por que isso acontece agora
Os anúncios russos não ocorreram em um vácuo político. No início de junho, o governo dos Estados Unidos ampliou sanções contra entidades ligadas ao Estado cubano, incluindo organizações associadas aos setores militar e de segurança. Paralelamente, instituições financeiras internacionais passaram a reduzir operações na ilha. Empresas estrangeiras dos setores de hotelaria, transporte e serviços financeiros também vêm diminuindo sua exposição ao mercado cubano por receio de punições estadunidenses.
É nesse espaço que a Rússia busca avançar. Durante o próprio fórum em São Petersburgo, representantes cubanos argumentaram que a retirada de empresas ocidentais cria oportunidades para investidores russos ocuparem setores anteriormente dominados por concorrentes europeus e estadunidenses. Em outras palavras, aquilo que Washington apresenta como isolamento de Cuba está sendo interpretado por Moscou como abertura de mercado.
Entre o anúncio e a realidade
A narrativa mais entusiasmada sobre o encontro fala em um “giro definitivo” para a economia cubana. Os documentos e declarações disponíveis, contudo, não permitem chegar tão longe. O que está comprovado é a existência de um esforço coordenado para ampliar a presença econômica russa em Cuba. Estão confirmados os interesses empresariais, as negociações setoriais e alguns projetos concretos em áreas como energia, transporte e alimentos.
O que ainda não existe é um pacote fechado de investimentos com valores globais definidos, cronogramas públicos detalhados e contratos amplamente divulgados. A diferença é importante. A história econômica latino-americana está repleta de anúncios grandiosos que nunca saíram do papel. Também está cheia de projetos inicialmente modestos que acabaram produzindo transformações profundas.
No caso cubano, o impacto dependerá menos das declarações feitas em São Petersburgo e mais da capacidade de converter intenções políticas em infraestrutura, produção, abastecimento e geração de energia. Ainda assim, o significado geopolítico do movimento já é evidente.
Em um momento em que Washington amplia sua pressão econômica sobre Havana, Moscou anuncia justamente o contrário: mais investimentos, mais comércio e maior presença estratégica na ilha.
O que está em disputa não é apenas a recuperação de setores da economia cubana. O avanço russo na ilha faz parte de uma disputa geopolítica mais ampla sobre quem ocupará os espaços abertos pelo enfraquecimento da ordem internacional unipolar. Nesse tabuleiro, Cuba volta a assumir um papel estratégico muito além de seu tamanho econômico.
* Com informações de RIA Novosti, Fishnews, Comissão Econômica Eurasiática, Granma, Juventud Rebelde, Reuters e OFAC/Tesouro dos Estados Unidos.
(*) Texto em português do Brasil, de acordo com a fonte aqui
(Por Brian McDonald, in Substack.com, 01/06/2026, Trad. Estátua)
O Ocidente venceu a Guerra Fria oferecendo uma vida melhor, não policiando o pensamento. Os colunistas e membros dos think tanks parecem determinados a esquecer essa lição.
Na semana passada, O Guardian deu-nos um curioso vislumbre do declínio acelerado do pensamento político na Europa Ocidental. O ensaio de Timothy Garton Ash, “Como Derrotar Putin”, apresentado três dias depois como uma “Visão do Conselho” pelo grupo de lobby financiado pela UE, ECFR, começa, como costuma acontecer, com a premissa sensata de que o bloco precisa de uma estratégia séria para a Rússia, mas termina num ponto muito mais sombrio, com uma receita para salvar a democracia tornando-a menos democrática.
Tudo isso faz parte da doença contemporânea recorrente em que o autor deseja que a UE se torne mais autoritária para derrotar os autoritários. Podemos chamar a isso “Von der Leyenismo”, enraizado naquela peculiar corrente de pensamento da Europa Ocidental que acredita que nem tudo associado à Alemanha da década de 1930 era ruim, e que havia mais do que alguns aspetos positivos. Um velho truque, disfarçado de bom senso, que insiste que devemos policiar a liberdade de expressão para a defender, algo muito semelhante a copular para manter a virgindade. Tudo construído sobre a crença de que a dissidência deve ser tratada como traição, desde que o dissidente use o vocabulário errado e venha do lado errado do espectro político.
A frase “eliminar os nossos próprios nacionalistas” é a grande pista aqui, e expõe a verdadeira agenda. Se significasse derrotá-los nas eleições, atendendo às preocupações dos eleitores, seria justo, porque é assim que a política deveria funcionar. Mas todos sabemos que o novo arsenal envolve guerra jurídica, censura, vigilância, exclusão de plataformas digitais, pressão financeira, interferência de serviços de inteligência, campanhas nos média e a incessante insinuação de que qualquer partido fora do centro aprovado por Bruxelas está, de alguma forma, carregando uma boneca matrioska recheada de dinheiro do Kremlin.
Para que o plano tenha sucesso, a democracia liberal terá que ser substituída por uma nova forma de “democracia administrada”, desta vez com a marca ocidental. Basicamente, o Surkovismo russo dos anos 2000 remodelado, com alfaiataria melhor, cotas de género, menos cigarros, menos rap, mais diversidade, bandeiras do arco-íris, pronomes e uma vida noturna bem mais sem graça.
A tragédia é que o autor quase se lembra da verdadeira lição da Guerra Fria do século XX, mas depois passa por ela a toda velocidade, como se fosse um potro de viseiras correndo nas 14h40 em Sandown. O Ocidente sobreviveu à União Soviética porque oferecia uma vida melhor, e não porque conseguia policiar o pensamento com mais eficiência. Até mesmo os filhos de Khrushchev e Estaline emigraram para os Estados Unidos, mas o clã Kennedy e os Roosevelt não fugiram para o leste, nostálgicos da vida comunitária de Leningrado.
O Ocidente ostentava instituições mais livres, padrões de vida mais elevados, debates mais abertos, mais espaço para o indivíduo e uma sensação mais profunda de que o amanhã poderia ser moldado por ti, em vez de algo imposto por um comitê de homens grisalhos que se tratavam por “camaradas” e tinham o estranho hábito de se beijarem na boca.
A juventude aprisionada do bloco oriental não olhava para o outro lado da Cortina de Ferro com inveja dos comunicados da NATO; o que eles invejavam eram supermercados, liberdade de viajar, universidades, discos de jazz, calças jeans, carros melhores, livros sem censura, Michael Jackson e a possibilidade de viver sem um pequeno censor alojado permanentemente no crânio.
Foi isso que tornou o Ocidente atraente, mas agora observe o programa oferecido pela classe liberal de articulistas. Envolve uma UE permanentemente securizada, isolada da energia e das matérias-primas russas baratas e comprometida com o rearmamento, com sanções, tensão industrial, queda do padrão de vida e doutrinação moral interminável. Será que Ash realmente acredita que isso se tornará o grande polo de atração do século XXI? E com base em quê? Será com base em eletricidade cara, desindustrialização, alto desemprego juvenil, desigualdade crescente, crises migratórias e uma classe política que chama os eleitores de perigosos quando reclamam?
A Alemanha é o exemplo mais óbvio de alerta porque, durante décadas, o seu modelo de sucesso baseou-se em energia barata, manufatura avançada, infraestruturas sólidas, uma sociedade coesa e acesso tanto a mercados desenvolvidos quanto a mercados em desenvolvimento.
Desde 2021, esse modelo tem sido abalado, com fábricas sob pressão, custos de energia em alta, o país absorvendo cada vez mais migrantes (muitas vezes de utilidade questionável para a sociedade em geral) e a antiga segurança industrial a tornar-se cada vez mais frágil, ao mesmo tempo que até a rede ferroviária se está a deteriorar. No entanto, em vez de questionar se os membros da UE podem realmente prosperar, permanentemente separados do maior país da Europa, os estrategas do continente buscam mais uma lição.
O que eles não conseguem entender é que a UE não pode censurar e moralizar para se tornar atraente, nem pode construir unidade fingindo desonestamente que o populismo é uma infeção exclusivamente estrangeira. Os figurões da UE preferem a mentira de que os eleitores foram hipnotizados por Moscovo porque não conseguem processar a verdade, que é a de que cada vez mais pessoas não acreditam que a classe política atual (ou seja, eles próprios) seja capaz de governar. E embora chamar aos seus oponentes agentes, enganados, racistas, “pró-russos” ou extremistas seja mais fácil do que lhes responder, também é suicídio político.
Agora, nada disso significa que a Europa Ocidental deva ser fraca e que os seus diversos países não devam, obviamente, defender-se. Eles devem ter exércitos funcionais, fronteiras que tenham significado, indústrias substanciais, identidades claras e líderes capazes de dialogar com Washington, Moscovo, Pequim e Kiev sem parecerem estagiários num painel de um think tank.
Mas uma União Europeia séria também entenderia geografia e aceitaria que a Rússia não é um fenómeno climático passageiro, mas sim o maior país da Europa, uma potência nuclear, uma importante fonte de recursos naturais e um facto permanente no continente.
Tentar excluir a Rússia do projeto europeu enquanto se inclui todos os outros ex-estados soviéticos sempre foi uma forma absurda de pensamento ilusório, e isso também teve implicações estruturais para a própria Rússia.
Se a UE tivesse agido de forma diferente, poderia ter esperado que a geração Putin passasse – geração essa que está compreensivelmente ressentida com o colapso soviético e a humilhação da década de 1990. Então, poderia ter lidado com uma liderança mais internacional e liberal, que nem sequer se lembrasse da URSS, e que certamente viria a seguir.
Nunca devemos esquecer que, apenas um mês antes dos primeiros protestos do Maidan em Kiev, Alexei Navalny ficou em segundo lugar nas eleições para prefeito de Moscovo, mas depois que a UE e os EUA apoiaram incondicionalmente o derrube do governo eleito da Ucrânia, as elites russas concluíram, quer queiramos quer não, que o compromisso do Ocidente com a democracia e as regras não passava de uma farsa.
Isto não é um apelo para que a UE se renda a Moscovo, mas sim uma sugestão para que construa uma arquitetura de segurança europeia que inclua tanto a Rússia como a Ucrânia, porque não se pode construir uma ordem estável fingindo que uma delas pode simplesmente desaparecer.
Se a UE continuar a empobrecer, a tornar-se mais censória, menos livre e mais receosa dos seus próprios eleitores, continuará a trilhar o caminho para a ruína.