RESPONSABILIDADES POLÍTICAS

(Eldad Manuel Neto, 10/10/2018)

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1- PAULA TEIXEIRA DA CRUZ

Esta senhora, ex-ministra da Justiça do governo PSD/CDS, foi a responsável pelo crash dos tribunais e do sistema Citius durante meses consecutivos. Perante os factos, aliás graves, por si praticados e apesar dos repetidos alertas dos seus serviços e subordinados persistiu na entrada em vigor da sua reforma e foi o caos. Face à gravidade do APAGÃO culpou os técnicos do seu ministério e pediu desculpa aos portugueses. E continuou no exercício do cargo até ao fim da legislatura. Não pediu a demissão. Não assumiu responsabilidades. E Cristas ou Portas não vieram a terreiro exigir a demissão da ministra nem dela sacar responsabilidades políticas. Todos os culpados eram os técnicos do Ministério.

2 – AZEREDO LOPES

O Ministro da Defesa, face à gravidade dos factos relacionados com o desaparecimento de armas de Tancos, espera, tal como o Presidente da República, que todos os factos que estão a ser investigados sejam cristalinamente apurados. Quais os factos? Houve roubo ou furto? Ou nem uma coisa nem outra? Qual a teia de autores e cúmplices? O inquérito criminal revelará o que se conseguir apurar.

Eis que, de repente, um militar de patente vem do estrangeiro expressamente revelar ao MP factos, explicações e delações.
E, perante a total ausência de indícios, factos e provas, vêm o CDS de Cristas e o PSD exigir a demissão do ministro. Ministro que, de resto, negou, completa e categoricamente, o conhecimento dos factos. Factos que ainda nem sequer conhecemos.

3 – JOANA MARQUES VIDAL

A Senhora Procuradora, na pendência do seu mandato de seis anos, disse em entrevista ao Boletim da Ordem dos Advogados que, em seu entender e da leitura que fazia das normas aplicáveis, o mandato de Procurador Geral é único e não renovável. Foi, no termo do mesmo, nomeada nova Procuradora Geral pelo senhor Presidente da República. Que, ao que sabemos, perfilha exactamente o mesmo entendimento da pretérita senhora Procuradora. O mandato é único e não renovável. Leitura jurídica que, embora não consensual, parece lógica e bem fundamentada.

Joana Marques Vidal vem agora sugerir que o Parlamento deveria ter, neste processo, considerável peso e apreciação. Mas para tanto seria preciso alterar a Constituição. O que pergunto é o seguinte: não será um pouco tarde para tomar públicas posições sobre a matéria?

4 – MANUELA MOURA GUEDES

A senhora procuradora Manuela Moura Guedes bolçou uns palpites vazios e rasteiros na televisão e terminou atirando o seu veneno ao Ministro da Defesa, ao Governo e ao Presidente da República. Já lhe conhecemos o ódio há muito. E também a mediocridade “jornalística”. Um verdadeiro flop!

5 – ANDRÉ VENTURA

No palco da vida pública vem, agora um tal Ventura, ex-candidato a autarca por Loures apoiado por Pedro Passos Coelho, ao tempo presidente do PSD, revelar que abandona o partido e que vai fundar um novo (novo?) que se chamará CHEGA. Tirando o eventual erotismo da sigla, pode o Tribunal Constitucional consentir a existência de partidos com conteúdos programáticos inconstitucionais?

Se bem repararmos, no mundo de hoje a democracia é um sistema belo mas frágil. E só com democratas se pode defender a democracia. E o Estado de Direito. E os Direitos Humanos. E uma Justiça livre e independente.

EXIJO QUE SE APUREM OS RESPONSÁVEIS

(Joaquim Vassalo Abreu, 23/11/2017)

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Exigir apenas “que se apurem as responsabilidades” é muito curto e eu exijo mais: exijo os responsáveis!

Mas não só: exijo também que se forme uma Comissão de Inquérito, que até pode ser permanente e por tempo indeterminado, pois assim estará sempre “in time” e vigilante, nem que ela apenas sirva como retaguarda de apoio ao TIC do Alexandre- O Grande, não o da Macedónia mas o de Mação e do seu fiel Rosarovski.

Para quê? Para apurar os responsáveis, pois que coisas paranormais se vão sucedendo em catadupa e tem forçosamente que haver culpados. Tem que haver nomes, tem que se encontrar nomes, nem que no fim ela se desintegre e desfaça porque, parca ração, só conseguiu encontrar um nome, o suspeito do costume: Sócrates! O único CDT (culpado de tudo)!

Os jornais irão cumprir o seu papel, que é o de manterem o povão informado e serão o seu permanente eco, ou mata borrão se assim entenderem, porque a culpa não pode morrer solteira, quanto mais divorciada ou viúva abandonada! É que a sua experiência é já legendária na coisa…

Mas como já estamos todos fartos de casos de enorme complexidade, tanto na investigação como no alinhamento dos cordelinhos, todos nas mãos do Alexandre- O Grande, não o da Macedónia mas o de Mação, mais o seu fiel Rosarovski, todos eles emaranhados nos milhares e milhares de páginas do Processo do Marquês, que se confunde com o dos Salgados, para quê desperdiçar mais tempo e dinheiro, quando os meios são o que são, apesar deles não quererem mais?

Para quê investigar as Tecnoformas, os Submarinos, o roubo e a compra de material militar, os sobreiros, o BES, as privatizações da EDP, da REN, da NAV, dos Correios, mais a queda do Banif e a recapitalização da Caixa, o Montepio, a PT, a CP, a RTP e tudo o que acaba em “P”, se tudo isso é de uma complexidade “muito mais maior” e, no fim, ainda acaba tudo no tal CDT (culpado disto tudo)? Seria tempo e dinheiro gasto e perdido. Mas a Comissão permanente essa tem que ficar de pé.

E tem que ficar de pé para concluir que aqui neste cantinho à beira mar plantado, podem suceder as coisas mais surreais mas mais que indicativas, as mais pungentes mas divertidas, as mais obscuras mas elucidativas, as mais distantes mas concludentes, as mais profundas mas emergentes, as mais radicais mas complacentes que, à falta de outrem, terão sempre todas um único culpado e não poderia ser outro: o CDT! Mas porquê? Porque está tudo na sua Operação: a do Marquês!

Mas, se mesmo assim for demasiado ostensivo acusar o dito, essa Comissão de Inquérito permanente e adstrita ao Grande, não da Macedónia mas de Mação, e ao seu fiel Rosarovski, vai apreciar coisas bem mais simples e de muito maior linearidade na acusação, de muito mais escorreita investigação e apreciação e de muito maior facilidade em proferir a acusação.

No entanto, pese o facto de até se mostrarem de nula complexidade, como são imensas e a perder de vista, desde logo se prevê que tudo isso vá demorar tempos infindos, até haver a dita acusação, pelo que, no fim, não podendo as mesmas prescrever, terão como único acusado os eternos “INCERTOS”. E tudo acabará em bem, com um condizente relatório e o gáudio pelo dever cumprido dos comissários inquiridores. Algumas delas, mas só algumas:

  • A SECA! Que culpado investigar e indiciar? O S. Pedro? Será que ele receberá a convocatória e virá responder nem que seja pelo crime de reincidência agora agravada?
  • O AQUECIMENTO GLOBAL! Chama-se quem? O Trump? Mas esse mandará é um estridente “Fuck”!
  • OS FURACÕES! Chamava-se o Poseidon, o Neptuno, ou até o Juno, para serem indiciados de crime por inércia. Pois, é que eles mandam dizer que aos anos que deixaram de mandar nos mares e nos ventos…Há muito que não exercem…
  • AS TROVOADAS? A Santa Bárbara, claro! Mas ela também manda dizer que isso já não é com ela. Que se fale com a Cristas!
  • A LEGIONELLA! Para esta podia-se chamar para depor uns Cruzados ou uns Cavaleiros de Malta, mas estes também mandam dizer que o seu trabalho há muito caducou. Que mandem chamar o Pedro pois a proibiu e terão é que saber quem a sua ordem não cumpriu!
  • A DESERTIFICAÇÃO DO INTERIOR! Só se poderá chamar não o próprio Interior, que seria o mais capacitado não estivesse ele no exterior, mas o “anterior”. E o anterior ao anterior e assim sucessivamente…e até o Salazar era de chamar!
  • A FOME NO MUNDO! Aqui é muito fácil: chama-se uns quantos comilões!
  • O ISIS! Aqui chama-se o Califado e o Daesch, se ainda estiverem vivos…
  • A CORRUPÇÃO! Isso é tão complicado, tão complicado, que é melhor nem chamar ninguém! Porque uns vão argumentar esquecimento por cansaço “celebral”, outros porque nem lá estavam, outros porque só cumpriram a Lei, outros ainda porque apenas fizeram o que os outros faziam, os do esquecimento, pelo que aqui só resta chamar dois nomes: Marcelo e Marques Mendes!

Admirados? Então raciocinem comigo. O Prof. Dr. MARCELO e Marcelo: Ele sim, pois passa a vida a pedir responsabilidades e a querer responsáveis por tudo e por nada mas, como não é de coisas pequenas, não as pede para a Tecnoforma, para os Submarinos e outras tretas…mas disto certamente saberá pois, depois de muito estudo, ainda lhe resta a experiência de muitos anos de comentador!

o MARQUES MENDES? Este também sim, porque sabe de tudo! Ou será que disso nada sabe pois a sua memória é, como a daqueles tais, muito selectiva?

Conclusão: Acho que a culpa ainda vai morrer não viúva mas…SOLTEIRONA!


Fonte aqui

Sondagem – Portugueses não querem demissões de Constança Urbano de Sousa e Azeredo Lopes

(Mariana Lima Cunha, In Expresso Diário, 14/07/2017)

 

ministros

A direita não consegue estar de acordo com o país. Quer demissões e os portugueses não querem. Quer novos ministros e os portugueses não querem. Diz mal do governo e a maioria do país não diz. Ataca a Geringonça e a maioria do país bate palmas a Costa. Em suma, com esta oposição António Costa pode dormir descansado por muitos berros que a direita dê em toda a comunicação social que domina e controla, mesmo a pública como a RTP, e a qual usa e da qual abusa de forma cada vez mais descarada.

Estátua de Sal, 14/07/2017


Apesar de acreditarem que o Governo sai fragilizado dos casos de Pedrógão Grande e Tancos, os portugueses não acham que os ministros da Administração Interna e da Defesa devessem ter saído na sequência das duas crises, mostra o barómetro da Eurosondagem para o Expresso e a SIC.

Os portugueses não queriam que a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, e o ministro da Defesa, José Azeredo Lopes, se demitissem na sequência dos incêndios de Pedrógão Grande e do furto de material militar em Tancos, mostram os resultados de um estudo de opinião conduzido pela Eurosondagem para o Expresso e a SIC nos dias 10, 11 e 12 de julho.

Apesar de os dois casos terem valido duras críticas ao Governo e marcado o tom do debate do Estado da Nação nesta quarta-feira, para os inquiridos as demissões não se justificavam: 47% acham que Constança Urbano de Sousa não deveria ter-se demitido após os incêndios, e só 33,7% preferiam que o tivesse feito. No caso de Azeredo Lopes, 43% acham que o ministro não deveria ter pedido a demissão, e 36,9% discordam.

Mas a opinião dos portugueses sobre a forma como o Governo geriu e como sai destas semanas de crises sucessivas não é linear: mesmo assim, a maioria (55,2%) acredita que o Executivo liderado por Costa “ficou fragilizado na sequência dos incêndios e do furto de armamento” e 52,4% afirmam mesmo que o primeiro-ministro deve remodelar o Governo.

Note-se que o trabalho de campo foi feito no início desta semana, quando já eram conhecidos os pedidos de exoneração dos secretários de Estado dos Assuntos Fiscais (Fernando Rocha Andrade), Internacionalização (Jorge Costa Oliveira) e Indústria (João Vasconcelos) no âmbito do ‘Galpgate’ e a intenção do primeiro-ministro de mexer no Governo, mas sem tocar nos ministros.

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O furto de Tancos foi noticiado na mesma altura em que António Costa tinha planeado ir de férias com a família, decisão que manteve e com a qual os portugueses concordaram: é que 44,8% não acham que o primeiro-ministro devesse ter interrompido as suas férias, contra os 40,5% que acreditam que a prioridade de Costa não deveria ter sido a semana em Palma de Maiorca – para onde viajou logo a seguir aos incêndios de Pedrógão Grande e ao furto de Tancos, deixando o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, à frente dos destinos do Governo, até ao seu regresso, no sábado passado. Logo de seguida, no domingo, seriam conhecidas as notícias da primeira vaga de demissões no Governo e as intenções de Costa de mexer no elenco governativo.

Apesar da imagem de fragilidade que ficou do Governo, as instituições do Estado, como as Forças Armadas, a Proteção Civil, o IPMA ou a GNR, parecem ter saído menos beliscadas dos dois casos mais mediáticos das últimas semanas: 56,5% dos inquiridos asseguram confiar da mesma forma nas instituições públicas após Pedrógão e Tancos.


Ficha técnica Estudo de Opinião efetuado pela Eurosondagem S.A. para o Expresso e SIC, de 10, 11 e 12 de julho de 2017. Entrevistas telefónicas, realizadas por entrevistadores selecionados e supervisionados. O Universo é a população com 18 anos ou mais, residente em Portugal Continental e habitando em lares com telefone da rede fixa. A amostra foi estratificada por Região (Norte – 20,2%; A.M. do Porto – 13,6%; Centro – 29,5%; A.M. de Lisboa – 27,2%; Sul – 9,6%), num total de 1.001 entrevistas validadas. Foram efetuadas 1.184 tentativas de entrevistas e, destas, 183 (15,5%) não aceitaram colaborar Estudo de Opinião. A escolha do lar foi aleatória nas listas telefónicas e o entrevistado, em cada agregado familiar, o elemento que fez anos há menos tempo, e desta forma aleatória resultou, em termos de sexo, (Feminino – 52,0%; Masculino – 48,0%) e, no que concerne à faixa etária, (dos 18 aos 30 anos – 16,9%; dos 31 aos 59 – 51,0%; com 60 anos ou mais – 32,1%). O erro máximo da Amostra é de 3,10%, para um grau de probabilidade de 95,0%. Um exemplar deste Estudo de Opinião está depositado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social.