(Por José Gabriel, in Facebook, 01/02/2025)

(Parece que a corda já vem a caminho… 🙂
Os comentadeiros já se esqueceram desta declaração do Almirante ou, se não a esqueceram, é com afinco que desejam pôr um troca-tintas na Presidência da República. E não julguem que a declaração é uma fake-new da Estátua. Não, não é. Podem constatar consultando aqui.
Estátua de Sal, 01/02/2025)
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É extraordinário como os comentadores televisivos conseguem falar, em torrentes de banalidades, sobre mais uma sondagem mixuruca destinada a criara “factos políticos”, como dizia o outro. O mais surpreendente é que todos tenham imenso a dizer sobre o vencedor fantasma da eleição presidencial.
O nível dos comentários tem o tom das conversas de cabeleireiros ou do café da esquina. É que não têm objeto, já que Gouveia e Melo nunca mostrou ter uma ideia, uma noção do papel e funções do cargo a que, parece, se quer candidatar. Gouveia e Melo tem vontade de qualquer coisa, ambições, vagas intenções, uma visão quase infantil – com a correspondente perversidade polimorfa – do país e da vida.
Não é possível discutir o seu pensamento político porque não mostra tê-lo. Mas tem uma vontade de poder cujos patéticos afloramentos mostram um homem de carácter mais que discutível – a cena da repreensão humilhante à tripulação do Mondego face à comunicação social, adrede convocada, não deixa dúvidas -, um ostentoso oportunista – como provou nos aparecimentos em ridículo camuflado nos locais de vacinação em cujo processo teve um papel muito longe do que lhe é atribuído e que ele próprio se atribui, uma vez que estava a lidar com um dos melhores sistemas de vacinação do mundo, que teria feito o que havia a fazer com ou sem Almirante.
Ainda mais grave, é o seu pensamento – se se lhe pode dar esse nome – sobre política internacional e, sobretudo, sobre as situações de guerra que se vivem.
A sua declaração de que devemos ir morrer onde a UE decidir, o seu apoio ao projeto pornográfico dos 5% do PIB para a Defesa e os acéfalos argumentos com que sustenta esse ponto de vista, é o que temos do incensado Almirante.
Não lhe detetamos qualquer vestígio de um projeto para a função que ambiciona, qualquer conhecimento sustentado do que seja uma democracia, nomeadamente esta democracia, como deixou amplamente demonstrado na Grande Entrevista, em que se exibiu num mar de vulgaridade, lugares-comuns, segredos de Polichinelo.
Tudo resumido, apenas lhe detetamos um ambicioso caminho de oportunismo assente na convicção de que o povoléu ignaro está ansioso pela sua chegada salvífica.
Dir-se-ia que as sondagens lhe dão razão, mas as sondagens, nesta altura, nestas condições e com estas limitações técnicas, não valem um caracol. Porém, os telecomentadores adoram coisas que não valem um desses moluscos gastrópodes.




