E se saíssemos da NATO?

(Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 11/04/2025)

Nem Portugal nem a Europa têm vantagem em manter-se numa NATO ao serviço dos humores e interesses dos Estados Unidos.


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NATO foi a resposta ocidental ao desastre da Conferência de Ialta (na Crimeia russa…), estavam os Aliados encaminhados para derrotar o III Reich. Perante um Roosevelt em estado de saúde terminal e um Churchill mal preparado, Estaline viu reconhecido o direito de abocanhar todos os territórios que, na sua contra-ofensiva até Berlim, a URSS conquistasse à Alemanha nazi. Assim nasceu aquilo a que depois um despeitado Churchill chamaria a “Cortina de Ferro” — consumada com o bloqueio de Berlim pelos russos em 1948 e a tomada de poder comunista na Checoslováquia no ano seguinte. Para responder a essa ameaça soviética na Europa, a NATO nasceria, assim, em 4 de Abril de 1949, através do Tratado de Washington, uma aliança militar mútua de autodefesa tendo como princípio fundamental o do artigo 5º do Tratado, segundo o qual o ataque a um dos seus membros era um ataque a todos, obrigando à mobilização de todos. O seu raio de abrangência ficou definido a norte do Trópico de Câncer — Europa e América do Norte. Nas palavras do seu primeiro secretário-geral, lord Ismay, o grande objectivo da NATO era “manter a Rússia fora, os Estados Unidos dentro e a Alemanha sob controle”, mas quando a URSS viu recusada a sua entrada e viu a Alemanha Federal ser admitida, respondeu criando o Pacto de Varsóvia, em 1955, reunindo militarmente todos os países sob o seu domínio.

Os dois blocos viveriam desde então 36 anos sem se confrontarem directamente, cumprindo o objectivo estratégico da NATO: dissuasão e distensão (détente). Até que, em 1991, Gorbatchov, vencido e convencido, poria fim à URSS e ao Pacto de Varsóvia. Com o fim de ambas as amea­ças ao Ocidente, discutiu-se na altura se faria sentido a manutenção da NATO ou, em alternativa, se não se deveria convidar a Rússia para a integrar. Ambas as hipóteses foram rejeitadas, mas, em contrapartida, o secretário de Estado americano James Baker prometeu aos russos que a NATO não cresceria “nem uma polegada para oriente”, visto que em Moscovo já não havia um inimigo, mas um parceiro estratégico. Sabe-se o que se seguiu: a NATO nunca mais parou de crescer para oriente, em direcção às fronteiras russas, arrolando no seu seio 14 ex-países membros do Pacto de Varsóvia, mais os historicamente neutrais Suécia e Finlândia, e louvando-se, neste caso, por ter acrescentado mais 1200 km de fronteira com a Rússia. Mas faltava-lhe a Ucrânia, no Sul da Rússia, e a Geórgia, nas suas costas.

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Conhecem a minha tese: Putin não quer restaurar o controle sobre o espaço da antiga URSS ou do Pacto de Varsóvia, ao contrário do que nos dizem e do que o PCP imagina e aspira, mas sim o da antiga Rússia Imperial, no que ele considera ser a “mãe Rússia” — a Rússia dos czares e não a dos sovietes. E a NATO quer cercar a Rússia por todos os lados, isolando-a e desgastando-a militar e economicamente. A guerra da Ucrânia resultou do confronto entre estas duas aventuras, quando o Ocidente incentivou a Geórgia e a Ucrânia a aderirem à NATO. A invasão da Ucrânia pela Rússia foi um acto ilegal e intolerável na sua violência, que trouxe a destruição e morte a um país soberano. Mas, podendo evitá-la, o Ocidente preferiu antes provocá-la, tirando vantagens estratégicas da invasão russa com objectivos bem definidos e também à custa dos ucrania­nos. Mas isto são histórias passadas e opiniões pessoais. O que agora me interessa é o papel de Portugal na NATO à luz dos últimos desenvolvimentos. Portugal foi um dos 12 países fundadores da NATO, que actualmente conta já com 32. E, voltando a lord Ismay, a Rússia (já não a URSS) continua de fora, os Estados Unidos dentro ou fora, conforme o seu interesse, e a Alemanha vai rearmar-se a sério com o apoio de todos os parceiros. É outra NATO e é a esta luz que eu levanto as minhas dúvidas sobre o interesse de Portugal em continuar a fazer parte dela. Pelas seguintes razões:

— Não é do interesse da Europa. Marco Rubio veio dizer aos parceiros europeus que há uma “histeria” sobre as intenções de Trump acerca da NATO: afinal ele não quererá abandonar a Europa. Mas um documento do Pentágono conhecido na semana passada diz que os EUA devem concentrar-se no plano único de acorrer a Taiwan em caso de invasão chinesa e, para tal, a defesa da Europa face à Rússia deve ser tarefa essencial dos europeus, para deixarem que os EUA se foquem na região do Indo-Pacífico. Se assim é, a Europa deve avançar para uma estrutura de defesa própria, que poderá ou não contar com os americanos, mas que deverá deixar de ter o comando militar americano e de estar politicamente sob a alçada da NATO. Os EUA só querem o rearmamento da Europa e a manutenção da NATO para que, integrada nesta, a Europa esteja pronta para os seguir na Ásia-Pacífico.

— A Europa não tem dinheiro. A presidente da Comissão Europeia, Von der Leyen, do nada propôs um plano de “rear­mamento” europeu no valor de €800 mil milhões para fazer face à invocada ameaça russa de invasão da Europa. Mas, com excepção do número de ogivas nuclea­res, a Europa, no seu conjunto e com o Reino Unido, já dispõe de superioridade sobre a Rússia em tudo: homens, aviões, tanques, artilharia. Por outro lado, a súbita febre bélica europeia fez esquecer à srª Von der Leyen que tem pendente o Plano Draghi, por si encomendado, e que prevê os mesmos €800 mil milhões para restabelecer a competitividade europeia naquilo que é essencial: reindustria­lização, descarbonização e digitalização da economia, desenvolvimento da investigação e ciência, combate ao empobrecimento demográfico e envelhecimento populacional e defesa do sistema social europeu. A duas despesas juntas não são sustentáveis, assim como os 5% do PIB em despesas com a defesa que os Estados Unidos exigem que os outros membros da NATO passem a gastar para os dispensarem da sua tarefa histórica de defenderem a Europa contra a Rússia. Investir na NATO nas condições determinadas pelos americanos é investir nos seus interesses, em prejuízo da construção de uma defesa europeia não dependente dos Estados Unidos.

— Será que a ameaça existe? Alguém lançou a ideia, outro e outros foram atrás, e tornou-se doutrina não contestável e, essa sim, uma histeria imparável nos areópagos europeus: a Rússia vai invadir-nos. Mas, por mais que nos assustem, até com o “kit de sobrevivência”, ainda não vi ninguém fornecer uma explicação com sentido sobre a vontade, as vantagens e a capacidade militar e económica da Rússia para invadir a Europa — ela que, segundo a inteligentsia ocidental, ao fim de três anos de guerra estará arruinada economicamente e terá já perdido 900 mil soldados em combate, sem conseguir tomar mais do que um quinto da Ucrânia. Os únicos que eu vi propor o upgrade da guerra da Ucrânia para uma guerra europeia foram Emmanuel Macron, ao defender o envio de soldados europeus para enfrentarem a Rússia na Ucrânia, depois secundado pelo cata-vento Keir Starmer.

— Portugal não tem interesse. Uma coisa era fazer parte da NATO quando existia uma ameaça real da URSS na fronteira alemã e em todos os mares, outra é integrá-la face a uma ameaça imaginada por parte da Rússia. Não nos cabe defender especificamente os vizinhos da Rússia, mas a Europa, como um todo, e na proporção da eventual ameaça que enfrentamos: se a Rússia viesse por aí adentro, quando cá chegasse ou a guerra já teria terminado ou já não existiria Europa. Não é, pois, exigível que todos os países europeus gastem a mesma percentagem do PIB em defesa, independentemente da suposta ou real ameaça a que estão expostos: se a ameaça viesse de Marrocos, nós estaríamos na linha da frente; vinda da Rússia, a linha da frente é a Finlândia, os países bálticos, a Polónia — se se sentem directamente ameaçados, cabe-lhes gastar mais. Além de que a posição portuguesa dentro de uma organização colectiva de defesa — europeia ou atlântica — tem de ser conciliável com o específico interesse nacio­nal. E este é pôr à disposição colectiva, como fizemos sempre, o porta-aviões natural dos Açores e defender a nossa parte do Atlântico e as nossas águas territoriais. Para isso precisamos de corvetas, lanchas rápidas, porta-drones, navios-patrulha ou aviões de reconhecimento, e não de mais submarinos, tanques ou os já cobiçados F35 — além do mais, armadilhados pela Lockeed Martin a mando do Pentágono.

— Portugal não tem dinheiro. E depois não temos, nem de longe, o dinheiro que nos exigem, seja para a NATO, seja para o rearmamento europeu, seja para ambos os destinos. Para chegarmos aos 3% do PIB em defesa, vamos precisar de gastar mais €8600 milhões todos os anos; para atingir os 3,5% que exigem já, seriam mais €10 mil milhões, e para chegar aos 5% exigidos por Washington, seriam mais €14,2 mil milhões — um PRR e quase o orçamento anual do SNS. Mas, mesmo que entrássemos nesta loucura despesista, haveria que a seguir resolver um problema: ou se transformava a carreira militar numa carreira de ricos ou não teríamos voluntários para tantas armas. E creio que, neste caso, não seria possível importá-los dos PALOP ou do Bangladexe.

Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia

União Europeia – Manipulação informativa para ocultar a crescente agitação social com as despesas militares

(Ángeles Maestro, in Resistir, 10/04/2025)


Apesar de toda a gigantesca manipulação de informação, cada vez mais pessoas estão convencidas de que os verdadeiros inimigos dos povos são os seus governos, a Comissão Europeia, a NATO e, acima de tudo, a oligarquia que puxa os cordelinhos nos bastidores.


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Nos países de uma UE que se precipita no abismo, as classes dominantes e os seus governos estão conscientes de estarem sentados sobre um barril de pólvora. Para tentar evitar a explosão, dedicam-se com zelo inusitado à tentativa de ocultar a realidade.

Ler artigo completo aqui.

Guerra na Ucrânia: e a Segurança Europeia?

(Gabriel Camilli, in VelhoGeneral, 07/04/2025, Revisão da Estátua)

Imagem gerada por inteligência artificial. Espanta como a IA retrata tão bem a Ursula… 🙂

A elite europeia quer liderar uma competição de força militar sem uma população coesa e motivada, sem as matérias-primas necessárias, sem uma estrutura de produção eficiente e sem armas nucleares; somente os tolos podem considerar isso uma boa estratégia.


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Depois da derrota em Kursk, os ucranianos tentaram algumas escaramuças em direção à área de Belgorod. Ao mesmo tempo, eles devem impedir que os russos avancem pela fronteira em direção ao território ucraniano. No entanto, as condições são ideais para a Rússia explorar o avanço. Acreditamos que as partes em conflito estão longe de um cessar-fogo.

Resumo da situação geral:

• As Forças Armadas da Federação Russa (FAFR) têm vantagem em todas as três frentes;

• A estratégia das FAFR visa tomar uma zona-tampão no território ucraniano no norte e maximizar os ganhos territoriais nas outras duas frentes, aproximando-se das fronteiras das províncias ocupadas;

• As FAFR continuam a atacar maciçamente o território da Ucrânia, visando principalmente a infraestrutura de comando, comunicações e logística em Poltava, Dnipropetrovsk e Kharkov.

No nível político

Estas foram as notícias do campo de batalha. Vejamos agora o que está acontecendo no nível político entre os aliados europeus da Ucrânia. A segurança europeia é exaltada?

O perigo para a segurança europeia não vem de fora. De acordo com alguns analistas sérios, “o perigo está dentro das nossas próprias fronteiras, e ele é representado por essa autoproclamada elite europeia”.

São pessoas exaltadas, completamente desconectadas da realidade, que, depois de terem condenado e culpado todas as formas de apego às suas raízes e identidade em nome do globalismo, agora de repente tornam-se tão orgulhosas e patriotas que estão prontas para qualquer coisa, até mesmo uma guerra total, para se destacarem em relação ao suposto inimigo.

Depois de demonizarem todo sentimento de pertença patriótica durante anos (lembro-me de todos aqueles políticos: verdes, pacifistas), qualificando todas as exigências por soberania popular como nacionalismos fanáticos anacrónicos, hoje descobrimos que eles são mais fanáticos do que todos os chamados “nacionalistas” juntos, porque querem criar um tubo de ensaio ainda maior e um nacionalismo estranho, falso e megalomaníaco: o europeu. E, em seu nome, querem envolver-se num conflito perpétuo com o resto do mundo.

Eles já não se escondem mais, e analistas sérios continuam a argumentar: “Eles dizem-nos que devemos ser mais fortes, maiores, mais poderosos e bem armados. Eles são os primeiros a cegarem por esse fanatismo extremista que até ontem pairava como um fantasma, dizendo-nos que essa forma de pensar levava diretamente à guerra, quando a guerra ainda era considerada uma coisa ruim.”

Dessa forma, eles gostariam de liderar um continente inteiro para “competir”, em termos de força militar e dissuasão, sem ter uma população motivada, coesa e homogênea por trás deles; sem ter as matérias-primas necessárias para satisfazer o seu desejo bélico; sem ter uma estrutura de produção comprovada e eficiente; sem ter armas nucleares.

Somente os tolos totalmente turvados pela fumaça do fanatismo supremacista poderiam considerar isso uma boa estratégia.

Duplo padrão

Esses líderes europeus, como costumamos salientar nesta coluna, usa dois pesos e duas medidas. Vejamos um exemplo. Esta notícia mostra isso. Lemos recentemente: “A Finlândia anuncia a sua intenção de se retirar da Convenção de Ottawa sobre a Proibição de Minas Antipessoal e aumenta os gastos com defesa.” Minas antipessoal. Elas eram ruins e agora já não são? Eis o duplo padrão.

Sim, a Finlândia iniciará oficialmente o processo de retirada da Convenção de Ottawa, que proíbe o uso de minas antipessoal. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro Petteri Orpo durante uma conferência de imprensa sobre política externa e segurança. A decisão é baseada em recomendações de líderes militares do país. Ao mesmo tempo, ele anunciou que os gastos com defesa vão aumentar para 3% do PIB até 2029. Isso representa aproximadamente 3 biliões de euros a mais do que o nível de financiamento atual (fica claro o montante de dinheiro?) O objetivo é aumentar as capacidades de defesa, fortalecer as forças terrestres e reconstruir o arsenal, incluindo minas antipessoal, que, conforme o ministro da Defesa Antti Hakkänen, são económicas, confiáveis ​​e adequadas ao terreno da Finlândia (como?).

Principais medidas

• Início da retirada da Convenção de Ottawa (o documento será elaborado pelo Ministério das Relações Exteriores). Após aprovação parlamentar e assinatura do presidente, será iniciado um procedimento internacional com duração de seis meses;

• A reforma das forças terrestres é um projeto de grande escala, com duração de 10 anos, com investimentos entre 10 e 15 biliões de euros;

• Eles planeiam estabelecer a produção de minas no país, para garantir o fornecimento;

• As minas não serão colocadas antecipadamente, mas serão utilizadas somente em caso de guerra. Ao mesmo tempo, mapas digitais de campos minados serão usados ​​para desminagem (Eles são muito bons!!!);

• O financiamento para a polícia, guarda de fronteira, forças especiais e segurança cibernética será aumentado separadamente.

Porque é que a Convenção de Ottawa surgiu? A Convenção de Ottawa, também conhecida como Tratado de Proibição de Minas Antipessoal, é um acordo internacional que proíbe o uso, armazenamento, produção e transferência de minas antipessoal. O seu objetivo era acabar com a morte e o sofrimento de civis, especialmente mulheres e crianças em áreas rurais de zonas de conflito, facilitar o retorno seguro de refugiados e deslocados e, acima de tudo, responder ao sofrimento generalizado causado pelas minas (feridos, mutilados, etc.).

Tambores de guerra

Políticos atlantistas e o Alto Comando da NATO invocam gritos de guerra, por exemplo, as palavras do almirante Rob Bauer, presidente do Comitê Militar: “Devemos dar-nos conta de que viver em paz não é algo garantido. E é por isso que nós (NATO) estamos a preparar-nospara um conflito com a Rússia”, e ele diz mais, “Toda a sociedade estará envolvida no conflito, quer gostemos quer não… Teremos que nos organizar para termos água, um rádio a bateria e uma lanterna a bateria para nos ajudar nas primeiras 36 horas.” Recomendamos assistir ao vídeo em que a comissária europeia Hadja Lahbib recomenda que os europeus preparem seus kits de sobrevivência.

O Livro Branco da defesa europeia, publicado recentemente, será seguido pela formulação da estratégia da União, que definirá uma abordagem integrada de múltiplos riscos para a preparação para conflitos e crises, e pela estratégia de segurança interna da UE.

As lacunas prioritárias identificadas como preocupações, no entanto, foram defesa aérea e antimísseis, munições (e mísseis), mobilidade militar, IA, domínio cibernético, tecnologia quântica. E também facilitadores estratégicos e proteção de infraestrutura crítica: incluindo aeronaves de transporte aéreo estratégico e reabastecimento aéreo, inteligência e vigilância, conscientização do domínio marítimo, etc. uso e proteção do espaço e outros ativos de comunicação seguros e infraestrutura de combustível militar.

Estas são as ferramentas de implementação. Agora vem a parte interessante. Colocar dinheiro… e muito.

Para padronizar as aquisições militares usando a OCCAR (Organização para Cooperação Conjunta de Armamento) e cobrir essas lacunas, a Comissão iniciará imediatamente um diálogo com a indústria de defesa para discutir possíveis medidas, identificar obstáculos regulatórios e abordar desafios. Em seguida, apresentará uma proposta dedicada para simplificar o ecossistema de defesa até junho de 2025.

Entre os objetivos desta proposta estão a intenção de remover obstáculos ao acesso ao financiamento, facilitar a troca de informações confidenciais e sigilosas e agilizar os programas industriais de defesa da UE para reduzir os prazos de entrega. Por meio de políticas específicas, a UE deve apoiar a indústria de defesa europeia em seis direções estratégicas: apoiar, fortalecer e promover capacidades industriais em toda a UE; garantir o fornecimento de fatores de produção críticos para a indústria e reduzir dependências; criar um verdadeiro mercado europeu para equipamentos de defesa; simplificar as regulamentações existentes e reduzir a burocracia; promover a investigação e o desenvolvimento para incentivar a inovação; reter, atrair e desenvolver talentos, aprimorar competências e experiência no setor de defesa.

A UE propõe, portanto, cinco pilares para o aumento dos gastos com defesa: um novo instrumento financeiro específico (o SAFE, Security Action for Europe), ativação coordenada da cláusula de substituição do Pacto de Estabilidade, maior flexibilidade para os instrumentos existentes, contribuições do Banco Europeu de Investimento e mobilização de capital privado. À frente de tudo isso está a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Nascida na Bélgica, ela entrou para a política depois de retornar à Alemanha com o partido de seu pai, a CDU. Em 2009, ela se tornou membro do parlamento e, em 2013, tornou-se ministra da Defesa da Alemanha.

Ela então se dedicou à política europeia e foi nomeada Presidente da Comissão em 2019, com o apoio decisivo do presidente francês Emmanuel Macron. Desde então, sua gestão tem sido duramente criticada principalmente pelos seguintes motivos:

• Ser a força motriz por trás da Agenda 2030 e sua implementação na União Europeia. Algo de que ela se gaba publicamente;

• Gestão da pandemia: confinamentos, vacinação obrigatória, acordos não esclarecidos com empresas produtoras de vacinas, o chamado Pfizergate – pelo qual seu marido é acusado de enriquecer com um contrato de distribuição de vacinas. A sua demissão foi pedida porque ela é alvo de um processo criminal. Ela também é citada e criticada por criar um caos generalizado e pela falta de uma coordenação unificada na resposta sanitária a nível europeu e pela incapacidade de gerir um sistema económico pós-covid que permitisse a recuperação europeia. Ao invés, a dívida pública de Bruxelas aumentou para mais de 80%;

• Críticas sobre o tratamento de parceiros europeus. Confronto com o governo nacionalista de Orbán (Hungria), versus cumplicidade com o governo esquerdista de Sánchez (Espanha);

• Ela também é acusada de apoio irresponsável à imigração desregulamentada, possivelmente o principal problema da Europa hoje;

• Controle de informações. A iniciativa “Escudo Europeu da Democracia”, que usa uma IA supostamente projetada para “combater a desinformação”, pode ser um instrumento de controlo e repressão das vozes dissidentes e uma arma para tentar anular qualquer eleição cujo resultado não lhe seja favorável (veja o caso recente da Roménia com a proibição do candidato nacionalista Georgescu).

A isto se soma o lançamento e a promoção do “euro digital”, que permitirá não apenas um controle exaustivo sobre os gastos dos cidadãos, mas também, possivelmente, num futuro próximo, o bloqueio de contas de quem expressar opiniões divergentes.

A tudo isso, devemos acrescentar uma postura absurda sobre a guerra na Ucrânia e a perda de importância da Europa. Ela fomentou um forte (e desnecessário) confronto com a Rússia, exagerando até mesmo o papel que os Estados Unidos impuseram a Bruxelas.

E agora está obstruindo qualquer opção de paz e optando por uma postura belicosa contra a Rússia. Nesse aspecto ela tem um “complemento perfeito” na sua vice-presidente, a estoniana Kaja Kallas com as suas constantes declarações ameaçadoras contra a Rússia e Putin – apesar de ser reduzida a capacidade da UE, na hora atual, ameaçar seja quem for.

Fonte aqui.