A subserviência dos vassalos: todos eles elogiam as “regras” europeias

(Filipe Tourais, in Facebook, 29/05/2024, Revisão Estátua de Sal)

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O Parlamento Europeu pode não servir para nada, mas dos debates de campanha podem extrair-se mensagens importantes. No de ontem, ouviram-se os dois candidatos dos dois partidos que nos têm governado a elogiarem as regras orçamentais europeias que nos são impostas por Bruxelas. Os elogios não poderiam ser mais esclarecedores.

Do que estamos a falar é do teto de 3% do PIB para o défice orçamental e da ameaça de sanções para países com dívidas públicas que excedam os 60% do PIB, caso aquele limite seja excedido. É a imposição destas regras, via “poupanças”, que desde a adesão ao euro condena ao declínio o nosso SNS, a nossa escola pública, os nossos serviços públicos, e ao empobrecimento contínuo, todos os seus profissionais.

Este desinvestimento, filho daquelas regras, tem como consequências a substituição da prestação de serviços, que deveriam ser prestados dentro do SNS – por no SNS serem sempre incomparavelmente mais baratos -, por serviços adquiridos ao negócio da saúde privada, muito mais caros.

As regras começam por proibir a substituição de equipamentos velhos por equipamentos novos quando estes chegam aos limites impostos pela duração da sua vida útil, sempre largamente excedida. As aquisições de equipamentos pesam no défice. As reparações vão-se tornando cada vez mais frequentes, demoradas e caras. As regras voltam a proibir a sua reparação quando os equipamentos avariam. As reparações pesam no défice, quanto mais caras, mais pesam. As listas de espera e as aquisições de bens e serviços a privados vão resolvendo, provisoriamente, o que poderia ser resolvido em definitivo, se a ideia não fosse a de condenar o SNS a uma coisa que deixa insatisfeita cada vez mais gente, a privatizar quando a maioria o sentenciar. Um serviço público que vai ficando cada vez mais caro, porque recorre aos privados – mas defrauda pelo que obriga a esperar e a desesperar -, não serve, não satisfaz nem pode satisfazer.

Da mesma forma, as mesmas regras proíbem atualizações de grelhas salariais e melhorias nas condições de trabalho oferecidas aos profissionais de saúde, empurrando-os para o sector privado, com cada vez mais facilidade em recrutar, à medida que os salários se desvalorizam e as condições de trabalho se degradam. Os salários e as condições de trabalho não são melhorados porque pesam no défice. Vai-se remediando a falta de profissionais recorrendo ao privado, contratando tarefeiros aos quais se oferecem remunerações muito melhores. O público vai ficando cada vez mais caro e prestando um serviço cada vez menos satisfatório, com esperas de mais de 24 horas em urgências caóticas e listas de espera intermináveis. Culpam-se os profissionais de saúde, na comunicação social e onde quer que seja. Chama-se-lhes “corporações”, das poderosas, nada a ver com corporações frágeis,  e como tal, acarinhadas, como é o caso das do sector financeiro, da energia e dos combustíveis.  A insatisfação sentenciará a privatização desejada quando o caos exceder os limites do tolerável.

Regressando ao debate de ontem, os dois candidatos não foram confrontados com as consequências das regras que elogiaram. Nunca são. Por isso elas se tornaram tão populares. Os candidatos sabem que ganham votos se as elogiarem.

Os portugueses são o povo da Europa que mais confia nas políticas europeias que nunca ou muito raramente são questionadas de forma aberta e sistematizada, com a repetição própria de um amplo debate público.

Será que um país como o nosso – que viu a sua dívida pública quase duplicar quando, por uma motivação bastante óbvia, a de criar condições para impor a agenda política da troika que aterrou na Portela pouco depois, o BCE se negou a intervir numa escalada de juros que chegou aos 17% logo a seguir à chamada crise das dívidas soberana de 2008 -, está proibido de ter um Serviço Nacional de Saúde e serviços públicos universais e de qualidade?

As regras europeias respondem que sim, que está. E eles elogiam as regras europeias. E a grande vencedora do debate voltou a ser a convicção, quase generalizada, de que as regras europeias fazem muito bem ao país.

i.

Mentirolas e a “arte” do pianista

(Joaquim Camacho, in Estátua de Sal, 29/05/2024, revisão da Estátua)


(Este artigo resulta de um comentário a um texto que publicámos, de Whale project,, sobre a vinda de Zelensky a Portugal, (ver aqui). Pela sua atualidade e assertividade de pontos de vista, resolvi dar-lhe destaque.

Estátua de Sal, 29/05/2024)


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Ora vamos lá a discorrer um pouco sobre OS MENTIROSOS.

Acabei há pouco de ver o Telejornal de ontem da RTP-1, que não consegui ver em direto. Completamente empapado, no bacoquismo patético do acompanhamento da visita de Sua Excelência Herr Zelensky von Pandora Papers ao nosso florido jardim, era vê-las, às húmidas bacoquices, enriquecidas por algumas aldrabices, florir como percevejos. Dir-me-ão, a abrir, que o aldrabão sou eu, porque os percevejos não dão flor. Porra, que já fui apanhado, admito que faltei à verdade, processem-me!

Mas adiante. Entusiasticamente postado à porta do palácio de Belém, esperando o momento previsivelmente excitante da saída de Sua Excremência… perdão, Sua Excelência Herr Zelensky, perorou o alegado jornalista Vítor Gonçalves, ipsis verbis, o seguinte:

“Por outro lado, Zelensky também foi informado de que Portugal está empenhado na cimeira da paz que o presidente da Ucrânia está a lançar e que vai ocorrer nos próximos dias 15 e 16 de Junho na Suíça. Essa cimeira está a ser encarada como um momento para lançar a paz para a Ucrânia, APESAR DE A RÚSSIA JÁ TER DITO QUE NÃO FARÁ PARTE DESSE ENCONTRO.”

Ora, não acredito que o alegado jornalista Vítor Gonçalves não saiba que está a impingir-nos o filme ao contrário. Ou seja, não foi a Rússia que disse que não estaria presente no encontro, foi o próprio organizador, o comediante canastrão de Kiev, que declarou, preto no branco, que a Rússia não estaria presente porque não seria convidada, pois ele não a queria lá. Ora, é sabido, porque ampla e repetidamente divulgado, que a dita conferência de paz tem um programa e condições pré-definidas. Lembro-me das seguintes:

1) Retirada da Rússia de todos os territórios ocupados, incluindo a Crimeia e todos os do Donbass controlados pelas forças separatistas desde 2014.

2) Pagamento, pela Rússia, de todos os estragos causados à Ucrânia pela guerra.

3) Julgamento, em tribunal internacional, dos responsáveis russos pela invasão, nomeadamente o próprio Vladimir Putin.

É claro que, com tais “conclusões” previamente estabelecidas e há muito conhecidas, nunca a Rússia aceitaria um eventual convite, mas não é essa questão. No frenesim subserviente do nosso mainstream merdia, a mensagem transmitida pelo alegado jornalista Vítor Gonçalves foi a seguinte:

“Vocês estão a ver como aqueles pretos das neves da Moscóvia são uns mauzões que não querem ouvir falar de paz, recusando-se a ir a uma conferência de promoção da dita pela generosidade e boa vontade de Herr Zelensky?”

Passo à mentirola seguinte. Uns minutos depois, o pivot Adelino Faria entrou em “esclarecedor” diálogo com a editora de política internacional da RTP, Márcia Rodrigues, que nos informou do “enorme choque” sofrido há um ano pelo canastrão de Kiev, magnífico artista que em tempos se especializou em “tocar” piano com a pila. E que choque inesperado, sofrido há um ano, foi esse? De acordo com D. Márcia, resultou de ter sido o genial pianista fálico informado de que não iria a Ucrânia ser imediatamente admitida na NATO. Ora, eu também não acredito que a alegada jornalista Márcia Rodrigues, editora de política internacional da RTP, não saiba que os estatutos da NATO proíbem expressamente a admissão de países em guerra, como é o caso da Ucrânia, e que o dono da pila pianista estava igualmente farto de o saber, pelo que é absolutamente falso que, HÁ UM ANO, tenha sofrido um enorme choque ao ser informado disso.

Enfim, é a paisagem merdiática que temos, não há volta a dar.

Para quem duvida de que o magnífico artista “tocava” mesmo piano com o pirilau, eis a prova. Ver aqui.

Que Herr Zelensky venha e desapareça daqui depressa que trastes já temos cá muitos

(Whale project, in Estátua de Sal, 28/05/2024, revisão da Estátua)


(Este artigo resulta de um comentário a um texto que publicámos, de Resistir, sobre a vinda de Zelensky a Portugal, (ver aqui). Pela sua atualidade e assertividade de pontos de vista, resolvi dar-lhe destaque.

Estátua de Sal, 28/05/2024)


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A visita começou em Espanha, o que tem lógica. Espanha precisa de mostrar desesperadamente, a quem manda, que continua bem comportada.

Sánchez mantém-se no poder, devido a uma geringonça mal-amanhada incluindo os independentistas catalães, que deitam Espanha pelos olhos. Logo, a última coisa de que precisa é que alguém se lembre de ensaiar, por lá, ondas de protesto e uma espécie de “revolução colorida”.

Depois do reconhecimento do estado da Palestina – uma medida meramente simbólica que não impede Israel de continuar a matar os palestinianos, como quem mata cães -, ter desatado, contra Sánchez, todos os cães sionistas, o beija-mão a Herr Zelensky tornava-se ainda mais necessário. É preciso mostrar que, no essencial, no que toca à guerra por procuração para sacar os recursos da Rússia, a Espanha continua do lado dos bons. Afinal de contas, Sánchez não quer ser destronado, ou pior, acabar numa cama de hospital a lutar pela vida, ou ter ainda menos sorte que a que teve Robert Fico.

Já Portugal manteve-se igual a si próprio. Quem é que ainda se lembra de Portugal ter votado, na Assembleia Geral da ONU contra um voto de condenação do apartheid e pela libertação de Nelson Mandela, ao lado dos Estados Unidos e da Inglaterra? Nem os sionistas votaram contra mas, Portugal, tratou de sujar a cara bem suja. Nessa altura, talvez pudéssemos explicar cinicamente a coisa, com a necessidade de impedir que a grande comunidade portuguesa sofresse represálias. Mas, isso dificilmente aconteceria, pois o regime do apartheid tinha nessa comunidade os seus meninos mais bem comportados.

Já o apoio a uma personagem sinistra, como Herr Zelensky, só Freud o pode explicar. Não temos nenhuma comunidade portuguesa na miserável Ucrânia, e mesmo se tivéssemos. Por isso, o apoio a Herr Zelensky, só se explica por uma necessidade desesperada de provar que continuamos a ser bons alunos. Ainda assim, Costa não se livrou de um lawfare à brasileira, lá por ter ido ao beija-mão a Herr Zelensky e lhe ter dado 250 milhões de euros, que muita falta nos fazem.

Depois, tivemos a infâmia que foi pôr o traste a discursar por videoconferência na sessão solene do 25 de Abril. Um liberticida, cujo país tem prisões tão letais que é preciso queimar os corpos dos mortos, podia até discursar em qualquer outra data, mas nunca numa data que assinalou a nossa liberdade. Nunca o poderia ter feito, quando, antes dessa data, centenas de pessoas também desapareceram em masmorras, durante 48 longos anos.

Herr Zelensky é uma personagem sinistra. Não só por ser corrupto. É por ser um aldrabão e um sanguinário. Zelensky fez-se eleger prometendo levar a paz às províncias de Leste. Acabar com coisas, tais como os “safaris” onde estrangeiros e membros do Azov iam caçar “ruskies”. Dar-lhes autonomia, deixar que falassem a sua língua e que vivessem em paz. Acabou a fechar os olhos a todas as depredações. Promulgou a infame Lei dos Povos Autóctones e, dias antes da invasão russa, tinha uns 200 mil soldados às portas de Donetsk e Lugansk dando, a quem lá vivia, as mesmas hipóteses que Israel dá aos palestinianos: a morte ou a expulsão.

Na Conferência de Segurança de Munique, no domingo antes da invasão russa, Zelensky prometeu recuperar militarmente a Crimeia e todos esses territórios e ter armas nucleares quando chegasse o Verão. O fogo-de-artifício estava, por essa altura, a cair bem rijo das alturas, em Donetsk e Lugansk. Todos os trastes sabiam disso mas a vontade de pilhar os recursos da Rússia foi mais forte que qualquer sentido de humanidade e bom senso. Subestimámos as capacidades da Rússia e achámos boa ideia apoiar uma gente fanática e sedenta de sangue. Zelensky aceitou liderá-los, pensando ganhar alguma coisa com isso. E, até ao momento, tem ganho.

Agora pede armas de longo alcance e letalidade para atacar no interior da Rússia. A NATO, que não pode pensar na ideia de mais uma derrota, já disse que lhas vai dar. Sabendo nós que, a soldadesca ucraniana privilegia tentar matar todos os civis que pode, porque de lutar percebem pouco, é provável que seja desta que a Rússia não tenha outro remédio senão despejar umas quantas armas nucleares táticas. Porque um novo Yeltsin, ou a desintegração da Rússia em cinco ou vinte, é a única alternativa que lhe damos, e isso a Rússia já disse que não vai aceitar. Toda a gente sabe quanto lhes custou o Yeltsin.

Nesse contexto, pode ser que não tenhamos de sustentar o traste durante 10 anos. O traste vai retirar-se para um dos palácios que comprou e a Ucrânia também não terá mais miséria que a que já tinha antes da guerra. Já agora, o traste não convocou eleições para provar que nós iremos sempre atrás dele nem que dê um peido. Alguém acredita que havia alguma possibilidade de o traste perder as eleições? O Leste não vota e o Ocidente está dividido entre os nazis fanáticos e os desgraçados que até ja acreditam que se votarem contra os nazis terão maneira de saber.

Mas, não fazer novas eleições, foi mesmo a forma de Herr Zelensky provar que terá o apoio do Ocidente, seja qual for a aleivosia que faça. Que, ao dia de hoje, se traduz no facto de o sujeito ser o ditador, de facto, da Ucrânia, pois o seu mandato como Presidente da Ucrânia terminou a 20 do corrente mês.

Nada que tire o sono a quem pôs no poder ditadores como Pinochet, Videla ou a Junta militar grega. Nessa altura era em nome do combate ao comunismo. Hoje é só em nome da pilhagem.

Enfim, que Herr Zelensky venha e desapareça daqui depressa, que trastes como ele já cá temos muitos.