“Quem não é aqui não é lá”!

(Joaquim Vassalo Abreu, 05/04/2019)

O Rangel com cara de Moedas e o Moedas com cara de Rangel

O Sérgio Godinho há uns anos atrás escreveu uma canção, querendo dizer isso mesmo, e a que deu o título de “Pode Alguém Ser Quem Não É?”. Mas, mesmo sendo o Sérgio um mestre da simplificação, o Povo consegue sê-lo ainda mais e este dito popular serve que nem luva para o que a seguir vou escrever!

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Vem a propósito daquele cartaz que diz “ MARCAR a DIFERENÇA”, não só na Europa mas também aqui e em que, por debaixo de uma foto, aparece o nome de Paulo Rangel. Quando há dias o vi achei-o muito estranho, e antes mesmo de vociferar o “ marcas a diferença é o…”, parei o carro e olhando bem para a foto pensei: és o Rangel o tanas…és mais um “ porta moedas”!

É que de tanto a foto ter sido retocada ele virou um quase Moedas, o seu ídolo! Ora reparem…! Para mim só existe uma explicação plausível que é a de, tendo os supra sumos do marketing escolhido aquele “slogan”, encontrarem alguma referência que ao mesmo desse alguma credibilidade! Daí o terem travestido de “ porta moedas” do Moedas!

Porque o “ Marcar a Diferença”, mas pela positiva, exige não ter-se apenas algo mas sim muito mais do que o simples ocupar de um lugar onde pretensiosamente, mas sem a concordância dos seus pares, ele afirma que é o melhor ou dos melhores. A ponto de, num assomo de ridícula soberba, afirmar ser o seu principal adversário “muito fraco”.

Mas “Marcar a Diferença” num lugar que se ocupa já há muitos anos deveria ter como pressuposto único o tê-lo feito ao longo desses mesmos anos. E não é o bastante estar disso convencido no seu narcisismo parolo: é preciso que os outros o reconheçam! É que não basta reconhecer que há verve: é preciso que haja conteúdo!

E quanto ao seu Moedas recordo um episódio demonstrativo do que é não “marcar qualquer diferença” e, mesmo assim, possuir-se a arrogância de quem se acha muito! Enquanto Secretário de Estado e Ministro adjunto de Passos foi ele o grande ideólogo daquela peregrina ideia de subir a TSU aos empregados e descê-la aos patrões.

Num Expresso da Meia Noite estavam a discutir o caso e entre eles estava o Augusto Santos Silva, Professor na FEC do Porto e Ministro de várias pastas. ASS contestava tal medida e o Moedas, num assomo que só poderia ser por brincadeira (mas não era) diz para Santos Silva: mas eu posso “ensinar-lhe” os porquês da bondade da medida! O Santos Silva, apalermado, retorquiu-lhe: Você vai-me ensinar?

E, quanto ao conteúdo, o que é que durante estes anos todos em que é deputado no Parlamento Europeu foi notícia ser de sua lavra determinada posição, intervenção ou iniciativa? Apenas uma: a de ter apelado à Comissão para que penalizasse Portugal pelo défice excessivo…Mas que vergonhosa porca miséria!

“Marcar Diferença” seria ter conseguido ser uma voz de Portugal ouvida e escutada mas na defesa dos nossos interesses, do Povo quero eu dizer, e não só da sua vidinha…

E, já agora, do seu ídolo, do alforge Moedas, que dizem as crónicas da sua actuação enquanto Comissário? Nada vezes nada! O mesmo que o “porta moedas” Rangel e o sempre esquecido Constâncio: andaram e andam por lá! Trataram das suas vidinhas, é óbvio, mas que mais? Marcaram a diferença? O “tanas”! Vão marcar agora? O “tanas” também…

Mas o “porta moedas” do Moedas para além de andar por lá, preferencialmente fazendo tudo o que pode para denegrir o Governo progressista do seu próprio País, e é apenas isso que dele se ouve, anda ao mesmo tempo por cá! É que como deve ganhar pouco por lá, precisa de andar por cá para compor os seus parcos proventos…

Mas até pode ganhar muito dinheiro, mas não vale nada, nem aqui nem lá!

Porque quem não é aqui, nunca o será lá!


O “Senhor dos Rangeis”… Ou Família é sempre Família!

(Joaquim Vassalo Abreu, 27/03/2019)

Paulo Rangel

E por isso se diz, aqui já não de uma Família porque Família é sempre Família, que naquela Clube, naquela agremiação ou naquele Grupo, eles são “ uma Família ” ou mais prosaicamente são “como uma Família”!

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E, recordo bem, sempre ouvi falar dos Socialistas como a “Família Socialista”, porque bem quista! Como a minha a “Familia Vassalo Abreu” o é, porque acima dos Abreus só Deus, e como qualquer Família que se preza, pois se essa Família é uma verdadeira Família, é porque se une em torno de causas comuns, rema toda para o mesmo lado e tem objectivos claros e concretos que são de todos e a todos afectam…E ainda se gostam!

E se o Povo determinou ser essa Família, esse ser indissolúvel, firme e duradouro, e tem-no sido durante estes quatro anos, a que tem dirigido e  vai continuar a dirigir os destinos do País, para interesse de todos enquanto comunidade, é justo e lógico que sejam os seus membros a ocuparem os lugares de gestão, de direcção e de apoio.

Não vejo, portanto, quaisquer problemas nisso, pois se confio confio mesmo, e só me pergunto o que desejariam esses enfastiados dirigentes do PSD? Que ao invés, para que o “poder” fosse infestado de seres para quem “Família” quer dizer “interesse”, fossem chamados mulheres de dirigentes desse Partido, seus filhos, concubinas ou amantes?

Para já ao Rangel nem mulher se lhe conhece. Mora lá para a Terra Média…Ao Rio nem sequer afluentes se lhe indicam…queriam que fossem à lista telefónica? Que fizessem um concurso geral e universal, onde aos candidatos fosse exigido saberem a história do Socialismo, o que é a luta de classes e o que é a repartição das mais valias?

Lhes fosse exigido saberem o que é a solidariedade e a redistribuição? O bem comum e os direitos? Mais o seu programa e compromissos com os Aliados?…Estavam bem servidos!

Agora o que era bom e eles não o dizem de tão escandalizados que estão, é o que acontece quando estes nomeiam para cargos de confiança pessoas em quem realmente confiam, e vice-versa, e eles nomeavam preferencialmente quem melhor os servia: nos seus múltiplos, insuspeitos e insondáveis interesses, para preparação do futuro…

Essa tal “rede” de que falou Pacheco Pereira, uma “rede” que nesses infaustos tempos tomou o Estado! Nos Fornecimentos e Serviços Externos , na aquisição de bens diversos etc… que formavam as tais gorduras que o Portas jurou erradicar e que, mercê da sua previdente actuação enquanto Ministro de Estado no seu Governo…aumentaram!

Escreveu o ex Ministro da Economia do Governo Passos-Portista que Portas não assinava fosse o que fosse de estrutural e sério sem contrapartidas. De quê? De lugares! De lugarzitos! Onde? Na rede, na estrutura…

Família é sempre Família sim, mas um espaço onde ninguém funciona estanque e onde não é admissível qualquer particular favorecimento. E não me venham estas virgens ofendidas, tipo Paulo Rangel, dizer que é “nepotismo” ( dá-me uma vontade de rir…) quando ele, sendo supostamente Deputado ao Parlamento Europeu, que funciona em Estrasburgo e em Bruxelas, acumula diferentes fontes de rendimento! Como o Melo e muitos mais…

Ele e todos esses quantos para quem o tempo é elástico e dá para tudo: para manter o emprego, manter as avenças, manter as prestações televisivas, a cadeira na Faculdade a hibernar, os casos em mãos sempre a andar e o dinheiro, qual maná, a entrar…Claro que pode este “Senhor dos Rangeis” reclamar desta importância para  a qual outros não demonstram a sua competência…

O que eu poderei dizer, em jeito manso e até um pouco desleixado, é que estes familiares de membros do Governo que foram requisitados certamente que ao Instituto de Emprego, apesar de apresentarem curriculum apreciáveis, não passam de uns tristes que precisam de um emprego lá num gabinete qualquer a atender jornalistas e pedintes…como tarefeiros que o são!

Não têm a estirpe de todos aqueles que o Passos e o Portas contrataram, assim às dúzias porque às dúzias era mais barato, apesar de termos visto que os salários eram bem maiores do qualquer um de nós com postos de chefia ganhava, mas enfim, todos esses que foram para motoristas, Jardineiros e Especialistas! Não têm essa estirpe, não…Esses sim foram contratados pela lista interna…

Nem os Ministros, seja ele quem for, tem a categoria de um Pires de Lima que aceitou perder ( deixar de ganhar, pronto…) aí uns setecentos mil por ano para ser Ministro da Pátria! Quem ousa dizer que tem categoria assim? Nem o Portas que teve que ir para caixeiro viajante e dar lições de estratégia na TV! Centeno? Nem uma centena de Centenos… Ele, Pires de Lima, que foi dos sumos para as cervejas, e mais o tal Monteiro, formaram uma sociedade que trata de altos assuntos… estão a ver?

De que é que tratam essas tarefeiras, mulheres ou namoradas de Ministros e Secretários de Estado, que além disso são primas de um cunhado de um ex Ministro e que até já fora casado com a tia da sobrinha da cunhada…estão a ver… quem são elas à beira do “ Senhor dos Rangeis”?

Eles eram os maiores e não são mais; eram os da “TINA” ( os do “ no alternative”) e, já não bastam os do Banco Mundial, gente, pois agora até o Shauble…; eram os insubstituíveis até ao momento em que deixaram de o ser…e têm o “Senhor dos Rangeis” como o único com verdadeira categoria para ser deputado europeu! Ele devia ocupar os lugares todos que o seu Partido possa eleger…

Assim é que era, para mostrar àquele incompetente do Marques, que de competente só tem o Pedro, quem sabe, quem age e quem é determinante! E que foi interveniente essencial na aprovação de importantes resoluções do PE, como por exemplo…esgotou-se-lhe a pilha…ele depois volta!

Ah, mas a resolução por ele proposta de sanções a Portugal por ultrapassagem do seu (dele) déficit não foi aprovada! E agora quanto é o déficit, ó meu cata macacos?


Alinháceos

(Por Júlio, in Blog Aspirina B, 28/03/2018)

 

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Criei agora este neologismo para designar as aves da capoeira que desde ontem cacarejam freneticamente para que o governo português alinhe com os nossos aliados e expulse imediatamente diplomatas russos.

Paulo Rangel e Fernando Negrão são os primeiros a merecer o crisma de alinháceos. Para eles, alinhar com a histeria de Teresa May é um dever patriótico de todo o bom português. Pensar, reflectir, usar de prudência, ponderar os nossos interesses de país independente é antipatriótico e indigno. Alinhar é que é baril — nem que seja alinhar com o MI-6, o serviço de espionagem de sua majestade.

É caso para o PSD apresentar rapidamente uma proposta de lei para a alteração do hino nacional. Onde originalmente estava, pela pena de Henrique Lopes de Mendonça, contra os bretões, marchar, marchar, que depois a República oportunista amansou para contra os canhões, marchar, marchar, espera-se que o PSD de Rangel e Negrão proponha agora pelos bretões, alinhar, alinhar.

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P.S. 1: Não faço a mínima ideia se Putin mandou envenenar aquele agente duplo russo que foi parar ao hospital. Quanto ao governo de Teresa May, penso que das duas, uma: ou também não faz a mínima ideia quem foi, mas convém-lhe enormemente que tenha sido o Putin, ou sabe perfeitamente quem foi, mas nunca o confessará. Num caso como no outro, o lema de Rangel e Negrão de “alinhar com os nossos aliados” é imbecil. Que é que Portugal tem que ver com essas merdas de espiões ingleses e agentes duplos russos?

P.S. 2: Lembre-se que a mais recente invenção da direita inglesa contra o popular líder trabalhista Jeremy Corbyn foi acusá-lo de ter sido colaborador dos serviços secretos da Checoslováquia comunista. O jornal Independent publicou sobre isso há um mês uma reportagem hilariante, recordando a velha história de acusações falsas com que a imprensa de direita britânica (quase toda a imprensa britânica!) sempre tentou difamar os dirigentes trabalhistas insinuando a sua ligação ao Kremlin. Depois de Harold Wilson, também Michael Foot e Neil Kinnock foram alvo dessas acusações porcas, vindas de gente ligada aos serviços secretos britânicos e disseminadas pelos jornais do costume. Assim, não me custa nada imaginar que por detrás da actual histeria de Teresa May esteja simplesmente um plano cozinhado por ela e pelo MI-6 para atacar a popularidade de Corbyn. Desde as últimas eleições, os conservadores ingleses estão mesmo assustados com a perspectiva de uma próxima vitória trabalhista.

P.S. 3: E porque é que foram Rangel e Negrão a cacarejar pela cor laranja? Não há galo naquela capoeira?


Fonte aqui