O palpite

(Carlos Matos Gomes, in Facebook, 06/03/2017)

pacto

Palpite. Para o BCE é muito mais importante manter no seu posto um dos seus banqueiros, seja ele incompetente ou corrupto, desde que seja obediente, do que atirar para a miséria milhões de pessoas, sejam gregos ou portugueses. É a lógica das mafias. Defender os seus é mostrar força e exigir respeito. Carlos Costa é um dos deles. Não será o governo português, nem o BE ou o PCP, nem todos os eleitores portugueses que o derrubarão.

Aos padrinhos de Frankfurt basta fechar um pouco a torneira dos euros emprestados. Sair do Euro também não adianta. Dito isto, quem vai estar no centro dos próximos capítulos é Ricardo Salgado. Se abrir a boca e denunciar os mafiosos que foram seus cúmplices, aqueles a quem pagou e de quem recebeu favores, matam-no (condenam-no a uma pesada pena, vá lá); se respeitar a omerta, o código de honra das organizações mafiosas , se cumprir o voto de silêncio, os padrinhos de Frankfurt aceitam trocar o silêncio por uma pena ligeira.

O juiz Alexandre e o procurador Teixeira é que estão feitos! Foram tótós e associaram Espírito Santo – um grande padrinho – ao processo Marquês de um pequeno capo. Isto é, infectaram um sistema assente na vigarice com uma pequena vigarice dentro do sistema. Em vez de se limitarem a rebentar uma pequena borbulha e colocarem um desinfectante à volta, picaram mais fundo e expuseram um corpo gangrenado pela corrupção até ao âmago. Tinham colocado o pé em cima de uma bosta, deram mais um passo e caíram dentro da fossa.

O sistema vai deixá-los lá dentro a esbracejar e vai limitar os danos. O que passa por estas cenas de beija-mão…. Frankfurt não é muito diferente da Sicília… Por fim, em vez da morte violenta, há a inevitável a morte do tempo… Os offshores e os milhares de milhões vão sair sorrateiramente de cena, como saíram os Panama Papers…

Goodfellas

(In Blog O Jumento, 24/02/2017)
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Há pouco tempo, quando surgiu o caso dos Panama Papers, os jornalistas do Expresso e da TVI desdobravam-se com denuncias, asseguravam o envolvimento de muitas empresas, sugeriam um lado negro da economia. Como aqui se previu a montanha pariu um rato, limitaram-se a aproveitar uma má fase do dono da Bial para o sacrificarem e, como era de esperar, o tema acabou por ir parar ao Caso Marquês. Ainda recentemente o Expresso se gabava de terem sido os seus jornalistas a descobrirem a conexão entre Bataglia e os dinheiros de Carlos Silva.
Quem agora ouve um tal Tiago na SIC Notícias ou a Graça Franco na RTP  chega a pensar que as offshores são espaços financeiros mais transparentes do que a agência da CGD da esquina. Que há acordos de dupla tributação, que os impostos podem ser cobrados passados 12 anos, que o dinheiro pode servir para pagar mercadorias, enfim, tudo coisas muito transparentes.
Se o dinheiro vai ali e volta porquê pagar a um escritório de advogados para criar uma empresa numa ilha desconhecida onde apenas tem uma caixa de correio? Será para pagar mercadorias que se manda milhares de milhões de euros para ilhas onde não se deixava a esposa ir passar férias sozinha sem meia dúzia de guarda-costas?
De um dia para o outro as malditas offshores são paraísos no bom sentido, locais mais confiáveis do que o banco da esquina. Aliás, o dinheiro dos nossos capitalistas honestos vai para as offshores, só os pobres e os traficantes de droga é que usam os bancos nacionais.
Depois de tão grande procissão de crentes nas virtudes das offshores não seria de admirar que se venha a registar uma correria de velhinas em direcção aos escritórios de advogados para constituírem empresas offshore para lá guardarem as poupanças que agora estão escondidas debaixo do colchão.
Os bandidos, afinal, são os funcionários do fisco, ou são descuidados e distraídos, ou incompetentes, ou, como sugeriu o tal fiscalista da SIC, há aqui a mão de corruptos. Os nossos capitalistas não fogem, intencionalmente ao fisco, os funcionários do fisco é que são distraídos e não lhes cobram os impostos. Os nossos políticos e os seus homens de mão dos altos cargos do Estado são tudo gente muito empenhada, honesta e competente, os funcionários mais modestos é que são descuidados, incompetentes e corruptos.
No fim disto tudo os que levaram o dinheiro pela porta do cavalo são empresários modelo, os políticos estão acima de qualquer suspeita, os altos dirigentes escolhidos por critérios de confiança desses políticos são gente dedicada, a culpa é dos outros e cabe à IGF encontrá-los.
Mais uma vez vale a pena contar a anedota do comadre que foi ao bordel e ao meio do divertimento com duas meninas foi apanhado pela rusga. A primeira menina era cabeleireira, a segunda era manicura e o pobre homem perguntava aos guardas “querem ver que a puta sou eu?”.
PS: Agora que anda por aí tanto DG e ex-secretário de Estado a assegurar que o fisco era uma máquina, talvez valha a pena recordar a famosa lista Lagarde. O que é feito dela? Recorde-se que segundo o Expresso nesta lista constavam 200 portugueses, o que não é nada mau para um país de tesos. Como o Prof. Azevedo Pereira vai ao parlamento, talvez fosse boa ideia questioná-lo sobre esta lista, na ocasião o SEAF disse que lhe tinha dado instruções sobre esta lista. Com ordens ou sem ordens do governo era obrigação da AT actuar, será que o fez ou a pica persecutória e repressiva é ou era só para quem se esquece de pagar 100 euros de IRS?

Talvez não fosse má ideia juntar a lista Lagarde, os Panamá Papers e os 10.000.000.000 de dinheiro de gente exemplar e comparar a eficácia do fisco na cobrança de multas do imposto de circulação ou a vender casas de pobres com o que faz no combate à evasão fiscal por parte de ricos.

Queriam os papéis do Panamá? Tomem lá um chapéu…

(Por Estátua de Sal, 10/12/2016)

Afinal, do Panamá, não vem papéis nenhuns com revelações bombásticas, que revelem que, cá na urbe, há muita gente importante com muito dinheiro oculto numa qualquer caverna do Ali Bábá. Sim, porque do Panamá, não vem papéis mas apenas um chapéu que torna o cromo que o usa muito mais apessoado, como se pode avaliar pela imagem:panama_chapeuDiz a Wikipedia que, o chapéu do Panamá, afinal é fabricado no Equador, coisa estranha, já que me lembrei que o Julian Assange – que raio de coincidência -, está há vários anos asilado em Londres na Embaixada do Equador, com polícias e agentes secretos à porta, à espera que ele saia para lhe deitarem a mão. E revela ainda a Wikipédia que o chapéu do Panamá, se chama assim porque o Roosevelt o usou numa visita que fez a Canal do Panamá em 1906. (Ver artigo na Wikipédia aqui).

Ou seja, quando julgávamos que os ditos papéis nos iam trazer políticos, empresários e jornalistas servidos numa bandeja de prata e nos dessem algumas pistas sobre as maquinações financeiras das élites, eis que o Expresso, que durante semanas tanto prometeu, afinal em vez de papéis manda-nos um chapéu para que os futebolistas não se constipem durante os treinos. Podem dizer que é pouco, e eu concordo. Mas já viram a pinta com que o Ronaldo não ficava com um chapeuzinho do Panamá? O rapaz, que já de si é esbelto e espadaúdo, aí sim, ficava um verdadeiro Adónis.

E sempre podia fazer uma campanha publicitária, de chapéu, e mandar a massa, não para os offshores do costume, mas para auxiliar a Wikileaks e o próprio Assange. Ficava-lhe bem e em vez de vir dizer que quem não deve não teme, passaria a ser mais apropriado dizer que uma mão lava a outra.

Quanto ao Expresso, só me resta perguntar que raio de mal é que o Jorge Mendes lhes fez, para que não tenham perdido os papéis da bola tal como perderam os outros. Não tenho qualquer pista concreta. Será que o Balsemão anda incomodado por os futebolistas lhe andarem a disputar o mercado publicitário e a engordar as comissões que o Mendes encaixa, à grande e à francesa?  É uma hipótese.

Só lamento que o Expresso se tenha enganado nas estações do ano. Um Panamá, em plenoumbrela dezembro, não é lá muito útil. Dava-nos mais jeito um chapéu de chuva. É que, pelos meus cálculos, ainda há-de vir aí chuva, e da grossa. E se nos querem provar que os putos da bola são uns sortudos porque ganham milhões – coisa que estamos todos fartinhos de saber -, deviam era dizer então que, quem lhes paga tanto, ganha seguramente muito mais, e nem sempre de forma transparente.

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