O Sr. Araghchi vai à Rússia

(Pepe Escobar in Resistir, 29/04/2026)


A partir de agora, é evidente que nenhuma solução será possível – nem realista – sem a influência russa.


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Eis uma abertura repleta de significado.

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, embarcou numa viagem diplomática de alto risco a Islamabad, Mascate e São Petersburgo a bordo do voo “Minab 168” da Meraj Airlines.

Em memória, claro, das 168 alunas de Minab mortas pelo Império do Caos, das Mentiras, da Pilhagem e da Pirataria.

Continuar a ler o artugo completo aqui.

Carta de um cidadão europeu envergonhado a Mojtaba Khamenei, Líder Espiritual do Irão

(Alcídio Torres, in Telegram, canal Resistir, 28/04/2026, Revisão. da Estátua)

Fighter jets diving over a city skyline during sunset with glowing lights and a colorful sky
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Senhor Mojtaba Khamenei

Sou um cidadão europeu sem filiação religiosa, e venho pedir-lhe desculpa em nome de um continente que se calou enquanto o seu pai era assassinado.

No dia 28 de Fevereiro de 2026, os EUA bombardearam o Irão. O seu pai foi assassinado. Centenas de crianças, mulheres e inocentes morreram. A Europa (a minha Europa) não condenou. Não protestou. Não se moveu.

Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Polónia, República Checa, Hungria, Bélgica, Países Baixos, Portugal, TODOS em silêncio. O meu país, Portugal, permitiu o uso da Base das Lajes para abastecer os caças que bombardearam o seu povo. Não pago impostos para isto.

A Europa gosta de se chamar “continente dos direitos humanos”. Nesse dia, os direitos humanos iranianos não constavam da agenda.

Não confunda o silêncio de Bruxelas com a vontade de quem vive em Lisboa, Madrid, Berlim ou Paris.

Há uma coisa que me envergonha ainda mais. Os mesmos países que agora se calam sobre o Irão são os maiores fornecedores de armas a Israel. Enquanto Gaza era arrasada, eles enchiam os navios. Enquanto o seu pai era assassinado, eles negociavam novos contratos.

O senhor e o seu pai apoiaram a Palestina. Condenaram o genocídio em Gaza. Nunca esperei ouvir isso de um líder europeu. Mas ouvi do senhor. E isso, confesso, desarmou-me.

Sei distinguir hipocrisia de coerência. E a Europa, hoje, é hipocrisia armada até aos dentes.

O senhor Mojtaba, as suas forças armadas e o seu povo fizeram mais em 40 dias contra o imperialismo do que milhares de discursos vazios em Bruxelas.

A verdade é que eles pensavam que o Irão era apenas mais uma civilização para eliminar do mapa. Não esperavam que, de debaixo dos túneis, dos rochedos e das montanhas, saíssem mísseis hipersónicos capazes de pôr o maior exército do mundo em sentido.

Vocês derrubaram um F-15. Cegaram radares. Fecharam o Estreito de Ormuz, obrigaram a um “cessar fogo” no Líbano. Mostraram que um país médio pode sangrar um superpoder.

Estamos no intervalo de uma guerra e os vossos inimigos continuam a bloquear o estreito e, em simultâneo, a quererem sentar-se à mesa das negociações.

É inacreditável tanto amadorismo, tanta arrogância e tanto desrespeito por uma civilização milenar.

Muitos europeus têm vergonha das suas elites. Mas a luta do povo iraniano dá-nos força para continuar a nossa própria luta. Por uma Europa ao serviço da paz e da justiça, não das guerras imperialistas e do silêncio cúmplice.

O senhor e o seu povo enfrentaram o Império de frente. Nós, europeus comuns, enfrentamos a indiferença e a hipocrisia dos nossos líderes. Mas ao ver-vos combater de frente contra inimigos poderosos, sabemos que é possível resistir.

Atenciosamente, Alcídio Torres, alcidiotorres@gmail.com – um cidadão europeu cansado de pagar, em silêncio, guerras que não escolheu, e envergonhado pelo comportamento das suas elites políticas.

Fonte aqui


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Reflexões sobre a guerra com o Irão

(Major-General Raúl Cunha, in Facebook, 25/04/2026, Revisão da Estátua)

Earth showing tectonic plate boundaries glowing with lava cracks engulfing the planet
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Fazendo uma análise estratégica e política da guerra com o Irão, focando menos nos combates e mais nas implicações geopolíticas e nos erros de cálculo envolvidos, podemos salientar os seguintes aspetos:

1. Matar líderes não resolve o conflito

A ideia de eliminar figuras-chave (no caso, os líderes iranianos) não enfraqueceu necessariamente o regime. Pelo contrário, tendeu a radicalizar a liderança restante, a fragmentar o poder em grupos ainda mais difíceis de controlar e a prolongar o conflito.

2. O fim desta guerra é mais importante que o seu início

A questão central não é “quem ganha”, mas sim como a guerra termina. Vejamos, os seguintes possíveis cenários: uma vitória declarada sem resolver o problema (o conflito continua); um acordo negociado (muito difícil dada a falta de confiança mútua); uma guerra de desgaste muito longa (talvez o mais provável).

Ou seja, podemos deduzir que as guerras modernas raramente terminam com um completo esclarecimento.

3. Uma escalada imprevisível (ex: Estreito de Ormuz)

Esta guerra mostra que algumas “linhas vermelhas” podem ser ultrapassadas.

Um exemplo é o bloqueio do Estreito de Hormuz – algo antes considerado improvável –  e que levou ao aumento do preço do petróleo e à perturbação do comércio global.

4. Um impacto económico global imediato

Mesmo países distantes acabaram por sofrer efeitos diretos deste confronto, como por exemplo, a energia mais cara, as cadeias logísticas bastante afetadas e a inviabilização de muitos projetos económicos.

Esta guerra regional alastrou rapidamente acabando por se tornar num problema global.

5. O regime iraniano pode sobreviver

Apesar de todos os ataques e da morte de alguns líderes, não houve colapso pois os regimes autoritários tendem a resistir sob pressão e até porque uma eventual queda deste regime poderá gerar um caos ainda pior (ex: Iraque, Líbia)

6. A ordem mundial está em transformação

De facto, esta guerra está a contribuir para acelerar mudanças bem maiores, enfraquecendo a influência dos EUA, dando mais importância e visibilidade para a China e a Rússia e, também, aumentando a relevância dos atores não estatais (ex: proxies, milícias).

7. Esta guerra é sintoma de um sistema global frágil

Este conflito está a revelar algo mais profundo:  Que as instituições internacionais são incapazes de evitar guerras; que muitas decisões estratégicas se basearam em perceções erradas e que a actual interdependência global amplifica as crises

A ideia que fica: Esta guerra com o Irão não é um conflito “limitado”, mas sim um evento que está a expor erros estratégicos, riscos de escalada e a fragilidade da atual ordem internacional.

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