E o que diria Olof Palme?

(Manuel Loff, in Público, 17/05/2022)

Manuel Loff

A aventura de Putin na Ucrânia deu o melhor pretexto à NATO e a quem manda nela de, ao fim de praticamente 15 anos consecutivos de crise económica, apresentar a nova corrida aos armamentos como dever irrenunciável de segurança e oportunidade de desenvolvimento económico e tecnológico.


Nada como uma boa guerra para simplificar escolhas e lembrar aos incautos para que servem as alianças militares! Ano e meio depois de o presidente da segunda maior potência da NATO ter assegurado que esta estava em “morte cerebral” (Le Monde, 7/11/2019) tornou-se consensual dizer que a decisão de Putin de invadir a Ucrânia fez mais pela NATO e pela militarização da UE do que vinte anos de guerras ilegais ocidentais (Sérvia, Afeganistão, Iraque, Líbia). Se até há pouco o Pentágono parecia considerar a expansão da NATO na Europa oriental como um simples acessório do desafio mais importante (cercar a China no Pacífico, disputar-lhe todos os mercados), a aventura de Putin na Ucrânia deu o melhor pretexto à NATO e a quem manda nela de, ao fim de praticamente 15 anos consecutivos de crise económica, apresentar a nova corrida aos armamentos como dever irrenunciável de segurança e oportunidade de desenvolvimento económico e tecnológico.

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São também estes os argumentos usados pelos governos finlandês e sueco para pedir a adesão à NATO. Além do facto evidente de, como dizia a ministra alemã dos Negócios Estrangeiros, ambos serem “já membros da NATO [mas] sem um cartão de associado” (PÚBLICO, 15/5/2022), vários são os equívocos e as omissões na explicação do que está em causa. Em primeiro lugar, o não-alinhamento finlandês (como o austríaco, já agora) nada tinha a ver com o sueco. Ele resultava da II Guerra Mundial: a Finlândia tinha sido aliada da Alemanha nazi, a Áustria integrara o III Reich. Depois de dez anos de ocupação pelas quatro potências aliadas, a Áustria recuperou a sua soberania e adotou um estatuto de não alinhamento. Por isso mesmo, ao contrário da Alemanha, o país não foi dividido em dois, com a parte ocidental, por vontade angloamericana, a integrar a NATO mal a França levantasse o seu veto. Hoje, não só o governo austríaco reafirmou a sua política de não alinhamento, como uma sondagem recente confirmava uma ampla maioria (75% contra 14%) contrária à adesão (The Local, 6/5/2022). A Finlândia, cuja independência da Rússia resultou da revolução de 1917, manteve com o seu vizinho uma relação muito tensa até 1948 (disputa de território conquistado à Rússia na guerra civil de 1918-21, invasão soviética de 1939-40, e guerra de 1941-44 ao lado da Alemanha). O não-alinhamento que se seguiu desde então até hoje permitiu à Finlândia uma relação económica privilegiada com a URSS e, depois do fim desta, uma relação política muito mais fluida que aquela que a Rússia tem com as repúblicas bálticas ou a Polónia.

O não-alinhamento sueco tem uma origem totalmente diferente. Desde o fim das guerras napoleónicas que a Suécia foi o único país escandinavo que consegiu não se envolver nas guerras europeias. O predomínio político dos sociais-democratas num país que não quis aderir à NATO em 1949 propiciou, ao contrário dos seus correligionários dentro da NATO, manter uma crítica acesa do colonialismo britânico, francês, holandês e português (todos fundadores da Aliança) e da política imperial dos EUA, em especial sob o governo de Olof Palme (1969-76 e 1982-86), tão detestado em Washington por, entre outras coisas, ter comparado o bombardeamento norteamericano de Hanói (1972) com o de Guernica e com os massacres nazis. O não-alinhamento como opção estrutural, que deu à Suécia um reconhecimento internacional que nenhum dos seus vizinhos escandinavos tem, desaparece ao fim de três meses de guerra na Ucrânia. Com a Finlândia decidida a entrar na NATO e com as direitas dos dois países, favoráveis à adesão, decididas a fazer da questão pretexto para derrubar os dois governos minoritários, a adesão sueca vai provocar tensões quando tentar cumprir a rejeição da presença de equipamento nuclear da NATO, e não esconde a divisão na sociedade, com o Partido da Esquerda, os ecologistas e uma grande parte dos sociais-democratas contra.

“Gostamos de pensar que as ações [das grandes potências] são deliberadas, mas ninguém sabe com certeza onde reside o limite, onde a cautela se transforma em ação desesperada”, dizia Palme. “A nossa reação ao mundo do equilíbrio do terror é clara e inequívoca: A paz deve ser preservada”. Nem me permito perguntar o que faria ele hoje se fosse vivo. Tenho é a certeza que nada no pedido de adesão sueco cumpre estes princípios.


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Von Der Leyen a morder a lingua!

(Pierre Olivier in jeune-nation.com, 16/05/2022)

(Publico este texto porque ele revela a estupidez da Comissão Europeia e da dona Úrsula. As sanções servem apenas para roubar os haveres da Rússia e dos seus cidadãos, e para a comunicação social continuar a enganar o público. A Europa está atada de pés e mãos à energia russa, mas também está amarrada às ordens que vêm da NATO e dos EUA. E quando as amarras entram em conflito o resultado só pode ser a destruição do amarrado. É o que está a suceder e vai concluir-se nos tempos que aí vêm.

Estátua de Sal, 18/05/2022)


Segundo a agência Bloomberg*, 20 empresas europeias já abriram contas no GazpromBank para pagar o gás russo convertendo euros em rublos. Outros 14 clientes solicitaram os documentos necessários para as abrir. E 4 já fizeram o pagamento em rublos!

De fato, o tempo está se esgotando, os prazos de pagamento dos envios de abril, para os principais compradores da Europa Ocidental, estão a aproximar-se este mês.

Em 11 de maio, o primeiro-ministro italiano chegou a anunciar que a Alemanha já havia começado a pagar o gás russo em rublos. Além disso, os gastos alemães com importações de bens da Rússia aumentaram 77,7% em março (ou 4,4 bilhões de euros). E seus números são impulsionados pelo aumento dos preços do petróleo e do gás…

A Comissão Europeia de Von Der Leyen está a morder a lingua. Mas, para não parecer ultrapassada pela realidade, a Comissão anuncia que elaborou um plano para comprar gás da Rússia que não viola as sanções. O órgão executivo da UE, numa reunião à porta fechada, permitiu que os governos dos países europeus abrissem contas em rublos no GazpromBank para a compra de gás russo.

É o Rei Ubu: a Comissão anuncia que autoriza as empresas a contornar o seu próprio embargo ao novo sistema de pagamento de gás desenvolvido pela Rússia!

A União Europeia é, portanto, forçada a permitir que os importadores de gás violem as suas próprias sanções ao comprar combustível na Rússia, atendendo às exigências de Vladimir Putin de usar o novo sistema de pagamento : abrir uma conta no GazpromBank. Este último recebe os pagamentos na moeda do contrato (euros, dólares, yuans, etc.), converte-os em rublos e os transfere para a Gazprom.

Para não perder a face, a Comissão espera que as empresas de gás façam uma declaração clara de que consideram cumpridas as suas obrigações quando pagam em euros ou dólares de acordo com os contratos existentes.

Longe vão todas as declarações dos líderes dos países da UE, num discurso de “grandes machos”, afirmando que “não pagariam o gás russo em rublos”. Hoje todos esses charlots preferem não comentar a situação para que esta não pareça uma capitulação em toda a linha frente ao mestre do Kremlin.

Original aqui


  • Nota – A Bloomberg é um grupo financeiro americano especializado em serviços para profissionais do mercado financeiro e em informações económico-financeiras tanto como agência de imprensa quanto diretamente, por meio de diversos meios de comunicação.

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A social-democracia europeia e a guerra

(José Luís Fiori, in Outras Palavras, 13/05/2022)

Joe Biden e o chanceler alemão Olaf Sholz, que cedeu a todas as demandas dos EUA na guerra da OTAN contra a Rússia

Há fortes evidências históricas de que foi no período
em que se consolidou a utopia europeia da “paz perpétua” e
se formulou pela primeira vez o projeto de uma ordem mundial
baseada em valores e instituições compartidas
que se travaram as guerras mais numerosas
e sanguinárias da história

Fiori, J. L. “Dialética da guerra e da paz”


Foi no dia 28 de setembro de 1864 que nasceu, na cidade de Londres, a Associação Internacional dos Trabalhadores – chamada de Primeira Internacional – com a proposta de abolir todos os exércitos nacionais e todas as guerras do mundo. A mesma tese pacifista e radical que foi depois referendada pelo congresso da Segunda Internacional, realizado em Paris em 1889, e que depois foi uma vez mais confirmada pelo Congresso Social-Democrata de Stuttgart, em 1907. Apesar disso, no dia 3 de agosto de 1914, a bancada parlamentar do Partido Social-Democrata alemão apoiou por unanimidade a entrada da Alemanha na Primeira Guerra Mundial e aprovou de imediato o orçamento militar apresentado por seu Imperador, Guilherme II.

Depois dos alemães, o mesmo aconteceu com os partidos social-democratas austríaco, húngaro, polonês, francês, belga, inglês, italiano, português e espanhol. E com exceção dos social-democratas russos, quase todos os socialistas europeus deixaram de lado o “pacifismo” e o “internacionalismo” de seus antepassados e adotaram a retórica patriótica de seus Estados e governos nacionais durante a Primeira Guerra Mundial. E já então a maioria dos social-democratas incorporou o tradicional medo dos conservadores europeus com relação ao que consideravam uma ameaça permanente à civilização ocidental, representada pelos “russos” e pelos “asiáticos”. Devem-se destacar, entretanto, algumas dissidências individuais notáveis que se opuseram à guerra ou defenderam a neutralidade dos socialistas, naquele momento, como foi o caso, entre outros, de Kautsky, MacDonald, Karl Liebknecht, Rosa de Luxemburgo, Lênin e Gramsci.

Depois da Revolução Russa de 1917, e da criação da Terceira Internacional, em 1919, os Partidos Comunistas da Europa e de todo o mundo adotaram uma posição internacional convergente com a política externa da União Soviética frente à Segunda Guerra Mundial (1938-1945), à Guerra da Coreia (1950-1953), à Guerra do Vietnã (1955-1975), frente às Guerras de Libertação Nacional da África e da Ásia, nas décadas de 1950 e 60, e frente a todos os demais conflitos do período da Guerra Fria, até o fim da própria União Soviética e a perda de importância generalizada dos partidos comunistas. Assim mesmo, os partidos comunistas europeus não chegaram a ser governo ou só tiveram um papel secundário de apoio a algum governo de coalizão, e não tiveram que formular uma política externa própria dentro da “Europa Ocidental”. Mas este não foi o caso dos partidos socialistas, social-democratas e trabalhistas, que seguiram um caminho completamente diferente, desde o primeiro momento em que foram governo, e muito mais ainda durante e depois da Guerra Fria.

Logo após a Primeira Guerra, os social-democratas participaram de vários governos de coalizão na Dinamarca, na Alemanha e na Suécia, entre outros, e os próprios partidos socialistas participaram de governos de Frente Popular Antifascista, na França e Espanha, durante a década de 30. Em todos os casos, foram governos que acabaram absorvidos pela administração da crise econômica europeia do pós-guerra e pelas consequências da crise financeira dos anos 30. E em nenhum desses casos, os social-democratas e mesmo os socialistas se destacaram por sua política externa, e quase nenhum desses partidos ou governos tomou uma posição clara de condenação da intervenção militar das grandes potências ocidentais na guerra civil russa, no início da década de 20, nem tampouco tiveram uma posição unânime contra a intervenção militar dos fascistas italianos e dos nazistas alemães na Guerra Civil Espanhola, na segunda metade da década de 30.

E mesmo depois da Segunda Guerra Mundial, os socialistas, social-democratas e trabalhistas europeus não conseguiram formular uma política externa comum e consensual frente ao desafio das novas guerras que se sucederam a partir daí, por três razões fundamentais: em primeiro lugar, porque foram galvanizados pelo início da Guerra Fria, e pela política americana de contenção permanente da URSS que esteve na origem da criação da OTAN; em segundo, porque depois da formação da “Aliança Atlântica” e da criação da OTAN, a Europa foi transformada na prática num protetorado atômico dos Estados Unidos; e por fim, porque esse protetorado assumiu a forma de uma ocupação militar direta, no caso da Alemanha Federal, sede histórica do principal partido social-democrata europeu. Estes três fatores deixaram pouquíssimo espaço para o exercício de uma política externa autônoma por parte dos Estados europeus, em particular no caso dos governos social-democratas que se submeteram, na maior parte do tempo, aos desígnios da chamada “Aliança Atlântica” liderada pelos Estados Unidos, e apoiaram incondicionalmente a formação da OTAN, adotando muitas vezes uma posição cúmplice com seus Estados nacionais frente às guerras de independência de suas colônias na África e na Ásia.

Salvo engano, a única contribuição original da política externa social-democrata desse período foi a Östpolitik proposta pelo ministro das Relações Exteriores e depois chanceler social-democrata alemão, Willy Brandt, no início da década de 70, que promoveu uma relativa normalização das relações da República Federal da Alemanha com os países da Europa do Leste, incluindo a Alemanha Oriental e demais países comunistas do Pacto de Varsóvia. Mas fora da Östpolitik alemã, os socialistas, social-democratas e trabalhistas europeus não estiveram presentes nem apoiaram o projeto inicial de formação da Comunidade Econômica Europeia, que foi concebido e liderado pelos conservadores e democrata-cristãos na década de 50, e só contou com o apoio dos social-democratas e dos socialistas muito mais tarde, já na década de 70. Além disto, esta parte da esquerda europeia apoiou, com algumas exceções honrosas, quase todas as guerras americanas ao redor do mundo, começando pela Guerra da Coreia, submetendo-se ao argumento de George Kennan sobre a “natureza expansiva” e ameaçadora dos russos. Mesmo quando a guerra fosse muito longe da Europa, como no caso da Guerra do Vietnã, que também foi definida pelos norte-americanos como uma guerra de “contenção” do expansionismo comunista na Indochina. Neste caso, a única grande exceção foi a da social-democracia sueca, que se opôs sempre à guerra, ao lado de vários grupos de ativistas e militantes de esquerda em vários países da Europa cuja mobilização cresceu de importância com o passar do tempo e o avanço da resistência dentro dos próprios Estados Unidos.

Mas não há dúvida de que a grande surpresa nesta história um tanto repetitiva foi o comportamento dos social-democratas europeus depois do fim da União Soviética e da Guerra Fria, em 1991.

Apesar de não haver mais a necessidade de “conter” o expansionismo comunista, a maior parte do socialismo europeu seguiu apoiando os Estados Unidos e a OTAN nas suas “guerras humanitárias” da década de 90, incluindo o bombardeio aéreo da Iugoslávia, em 1999, durante 74 dias seguidos, responsável pela morte de centenas de civis e destruição quase completa da infraestrutura e da economia iugoslavas.

E depois, já no século XXI, com raras exceções, os socialistas e social-democratas europeus seguiram apoiando as guerras norte-americanas e da OTAN no Afeganistão, no Iraque, na Síria, na Líbia e no Iêmen. Mais do que isto, no caso do Iraque, em 2003, foi o governo trabalhista inglês de Tony Blair que liderou, junto com os Estados Unidos, o bombardeio aéreo, a invasão terrestre e a destruição daquele país, com mais de 150 mil mortos, sem que tenha sido apresentada nenhuma “causa justa” ou motivo legítimo para este ataque devastador feito à revelia do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

No entanto, deve-se destacar, neste caso, a oposição ao ataque anglo-americano por parte do governo social-democrata alemão de Gerhard Schröder. Quase todos os demais partidos socialistas e social-democratas – defensores entusiastas dos “direitos humanos” – mantiveram seu apoio a essas guerras sucessivas dos Estados Unidos e da OTAN, em nome do combate ao “terrorismo”, concentrado no mundo islâmico do Oriente Médio, do Norte da África e da Ásia Central, apesar de que estas guerras tenham deixado atrás de si um rastro de milhões de mortos, feridos e refugiados que depois foram barrados ou expelidos do próprio território europeu. Nesse tempo, alguns socialistas e social-democratas mais idealistas acreditaram que as “guerras humanitárias” dos anos 90 seriam o preço a pagar por um novo mundo pacífico e sem fronteiras, como nos sonhos dos primeiros socialistas europeus do século XIX. Mas no caso da chamada “guerra global ao terrorismo” declarada pelos Estados Unidos, o que se viu foi uma esquerda europeia socialista, social-democrata ou trabalhista inteiramente desfibrada e submetida aos interesses estratégicos dos Estados Unidos e da OTAN.

Resumindo o argumento, hoje se pode afirmar, depois de quase um século e meio de história, que de fato os socialistas e social-democratas europeus nunca tiveram uma posição comum sobre a política internacional, nem jamais praticaram uma política externa independente e diferenciada. Repetiram um discurso retórico de defesa da paz, do pacifismo e dos direitos humanos como valores abstratos e universais, inteiramente descolados dos contextos históricos particulares em que se originaram as guerras, e cada uma das guerras em particular. Desta perspectiva história de mais longo prazo, não surpreende inteiramente, mas choca negativamente o fato de que nesta nova conjuntura de guerra na Europa, tenha tocado a um governo social-democrata alemão tomar a decisão de rearmar a Alemanha, expandir a OTAN e participar ativamente, ao lado dos EUA e da própria OTAN, de uma nova guerra europeia, dentro do território da Ucrânia.

A poucos dias da comemoração da derrota nazista pelas tropas russas na Segunda Guerra Mundial, a Alemanha decidiu pagar o preço provável da destruição de sua economia industrial e da implosão da própria União Europeia, mostrando-se inteiramente incapaz e impotente de mediar um conflito que vinha se anunciando há muitos anos e que poderia ter encontrado uma solução diplomática e pacífica dentro da própria Europa.

Porque, na prática, os social-democratas, socialistas e os trabalhistas ingleses, de forma muito particular, se transformaram numa força-auxiliar da estratégia militar norte-americana dentro da Europa.


1 É quase impossível encontrar hoje alguma posição consensual de esquerda sobre qualquer assunto que seja da agenda política internacional. No passado talvez fosse mais simples, mas mesmo assim, nossa pesquisa histórica neste artigo analisa apenas a posição dos partidos social-democratas europeus mais tradicionais, no campo da política externa, e em particular frente ao desafio das guerras. Foram partidos que participaram regularmente de eleições, tiveram bancadas parlamentares e chegaram a ser governo, ou participaram de governos de coalizão, nos séculos XX e XXI. Falamos genericamente da “social-democracia europeia”, mas estamos sempre pensando nas suas três vertentes mais importantes: os partidos social-democratas propriamente ditos, com maior presença na Alemanha e nos países nórdicos; os partidos socialistas, com maior força na França, na Itália e nos países ibéricos; e os partidos trabalhistas, sobretudo o caso inglês, e só mencionamos de passagem os partidos comunistas pelo motivo exposto no próprio artigo. E mesmo no caso das três principais vertentes “social-democratas”, restringimos nossa análise às grandes linhas e diretrizes de suas bancadas parlamentares e de seus governos, reconhecendo que muitas vezes esses governos divergiram da posição de suas direções partidárias, e muito mais ainda, da posição de seus militantes dispersos por uma infinidade de tendências e correntes divergentes.


O Autor: JOSÉ LUÍS FIORI

Professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Economia política Internacional, PEPI. Coordenador do GP da UFRJ/CNPQ, “O poder global e a geopolítica do Capitalismo”. Coordenador adjunto
do Laboratório de “Ética e Poder Global”. Pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis, INEEP. Publicou, “O Poder global e a nova geopolítica das nações”, Editora
Boitempo, 2007 ; “História, estratégia e desenvolvimento”, Boitempo, em 2011 ; e, “Sobre a Guerra”,
Editora Vozes Petrópolis, 2018.


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