O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, embarcou numa viagem diplomática de alto risco a Islamabad, Mascate e São Petersburgo a bordo do voo “Minab 168” da Meraj Airlines.
Em memória, claro, das 168 alunas de Minab mortas pelo Império do Caos, das Mentiras, da Pilhagem e da Pirataria.
(Alcídio Torres, in Telegram, canal Resistir, 28/04/2026, Revisão. da Estátua)
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Senhor Mojtaba Khamenei
Sou um cidadão europeu sem filiação religiosa, e venho pedir-lhe desculpa em nome de um continente que se calou enquanto o seu pai era assassinado.
No dia 28 de Fevereiro de 2026, os EUA bombardearam o Irão. O seu pai foi assassinado. Centenas de crianças, mulheres e inocentes morreram. A Europa (a minha Europa) não condenou. Não protestou. Não se moveu.
Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Polónia, República Checa, Hungria, Bélgica, Países Baixos, Portugal, TODOS em silêncio. O meu país, Portugal, permitiu o uso da Base das Lajes para abastecer os caças que bombardearam o seu povo. Não pago impostos para isto.
A Europa gosta de se chamar “continente dos direitos humanos”. Nesse dia, os direitos humanos iranianos não constavam da agenda.
Não confunda o silêncio de Bruxelas com a vontade de quem vive em Lisboa, Madrid, Berlim ou Paris.
Há uma coisa que me envergonha ainda mais. Os mesmos países que agora se calam sobre o Irão são os maiores fornecedores de armas a Israel. Enquanto Gaza era arrasada, eles enchiam os navios. Enquanto o seu pai era assassinado, eles negociavam novos contratos.
O senhor e o seu pai apoiaram a Palestina. Condenaram o genocídio em Gaza. Nunca esperei ouvir isso de um líder europeu. Mas ouvi do senhor. E isso, confesso, desarmou-me.
Sei distinguir hipocrisia de coerência. E a Europa, hoje, é hipocrisia armada até aos dentes.
O senhor Mojtaba, as suas forças armadas e o seu povo fizeram mais em 40 dias contra o imperialismo do que milhares de discursos vazios em Bruxelas.
A verdade é que eles pensavam que o Irão era apenas mais uma civilização para eliminar do mapa. Não esperavam que, de debaixo dos túneis, dos rochedos e das montanhas, saíssem mísseis hipersónicos capazes de pôr o maior exército do mundo em sentido.
Vocês derrubaram um F-15. Cegaram radares. Fecharam o Estreito de Ormuz, obrigaram a um “cessar fogo” no Líbano. Mostraram que um país médio pode sangrar um superpoder.
Estamos no intervalo de uma guerra e os vossos inimigos continuam a bloquear o estreito e, em simultâneo, a quererem sentar-se à mesa das negociações.
É inacreditável tanto amadorismo, tanta arrogância e tanto desrespeito por uma civilização milenar.
Muitos europeus têm vergonha das suas elites. Mas a luta do povo iraniano dá-nos força para continuar a nossa própria luta. Por uma Europa ao serviço da paz e da justiça, não das guerras imperialistas e do silêncio cúmplice.
O senhor e o seu povo enfrentaram o Império de frente. Nós, europeus comuns, enfrentamos a indiferença e a hipocrisia dos nossos líderes. Mas ao ver-vos combater de frente contra inimigos poderosos, sabemos que é possível resistir.
Atenciosamente, Alcídio Torres, alcidiotorres@gmail.com – um cidadão europeu cansado de pagar, em silêncio, guerras que não escolheu, e envergonhado pelo comportamento das suas elites políticas.
(Major-General Raúl Cunha, in Facebook, 25/04/2026, Revisão da Estátua)
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Fazendo uma análise estratégica e política da guerra com o Irão, focando menos nos combates e mais nas implicações geopolíticas e nos erros de cálculo envolvidos, podemos salientar os seguintes aspetos:
1. Matar líderes não resolve o conflito
A ideia de eliminar figuras-chave (no caso, os líderes iranianos) não enfraqueceu necessariamente o regime. Pelo contrário, tendeu a radicalizar a liderança restante, a fragmentar o poder em grupos ainda mais difíceis de controlar e a prolongar o conflito.
2. O fim desta guerra é mais importante que o seu início
A questão central não é “quem ganha”, mas sim como a guerra termina. Vejamos, os seguintes possíveis cenários: uma vitória declarada sem resolver o problema (o conflito continua); um acordo negociado (muito difícil dada a falta de confiança mútua); uma guerra de desgaste muito longa (talvez o mais provável).
Ou seja, podemos deduzir que as guerras modernas raramente terminam com um completo esclarecimento.
3. Uma escalada imprevisível (ex: Estreito de Ormuz)
Esta guerra mostra que algumas “linhas vermelhas” podem ser ultrapassadas.
Um exemplo é o bloqueio do Estreito de Hormuz – algo antes considerado improvável – e que levou ao aumento do preço do petróleo e à perturbação do comércio global.
4. Um impacto económico global imediato
Mesmo países distantes acabaram por sofrer efeitos diretos deste confronto, como por exemplo, a energia mais cara, as cadeias logísticas bastante afetadas e a inviabilização de muitos projetos económicos.
Esta guerra regional alastrou rapidamente acabando por se tornar num problema global.
5. O regime iraniano pode sobreviver
Apesar de todos os ataques e da morte de alguns líderes, não houve colapso pois os regimes autoritários tendem a resistir sob pressão e até porque uma eventual queda deste regime poderá gerar um caos ainda pior (ex: Iraque, Líbia)
6. A ordem mundial está em transformação
De facto, esta guerra está a contribuir para acelerar mudanças bem maiores, enfraquecendo a influência dos EUA, dando mais importância e visibilidade para a China e a Rússia e, também, aumentando a relevância dos atores não estatais (ex: proxies, milícias).
7. Esta guerra é sintoma de um sistema global frágil
Este conflito está a revelar algo mais profundo: Que as instituições internacionais são incapazes de evitar guerras; que muitas decisões estratégicas se basearam em perceções erradas e que a actual interdependência global amplifica as crises
A ideia que fica: Esta guerra com o Irão não é um conflito “limitado”, mas sim um evento que está a expor erros estratégicos, riscos de escalada e a fragilidade da atual ordem internacional.