Já não escutam só jornalistas…

(Dieter Dellinger, in Facebook, 23/01/2021)

O Ministério Público anda a escutar o Primeiro-ministro António Costa nas conversas com os seus ministros Matos Fernandes, João Galamba e Siza Vieira.O Expresso diz que foram apanhados em escutas. O jornalixo do Balsemão devia saber que ninguém é apanhado em escutas telefónicas. Há é pessoal corrupto do Ministério Público que anda a escutar, utilizando a aparelhagem que dispõe para ver se consegue chantagear o governo ou atirar-se a ele por um motivo inventado, o que é sempre fácil.

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E há uma invenção que seria o hidrogénio verde em estudo pelos governantes sem que tenha sido tomada alguma decisão ou iniciado sequer um estudo por parte de técnicos contratados. Este caso como a perseguição pidesca a jornalistas revela que há uma máfia dirigida pela Lucília com o objetivo de arranjar uma intriga para deitar abaixo o governo atual, a braços com o problema da pandemia e da crise económica. A judicatura deve estar com o fascismo e gostaria de arranjar uma crise política, aproveitando os problemas atuais. Para o MP, parece que o governo só pode estudar e discutir um assunto com a autorização de pessoas que não foram eleitas para governar e tentam arranjar uma intriga a antecipadamente a qualquer decisão. O assunto foi ao presidente do Supremo Tribunal de Justiça António Piçarra que mandou destruir as escutas por não terem nada de relevante ou matéria criminal. Sucede que um governo só trata e estuda ou discute assuntos relevantes. O governo não é um grupo de procuradores e oficiais de justiça que cometem o crime de escutar aos modos da Pide os membros de um governo. Apesar da ordem do Presidente do STJ, o MP recorreu e quer manter as escutas. Os jornalixos do Expresso utilizam uma terminologia malévola ao escrever que o governo foi apanhado em escutas. Ora, ninguém é apanhado em escutas. Os procuradores é que com uma mentalidade de pides ou agentes dos serviços secretos chineses ou russos é que iniciam escutas ilegais e altamente mafiosas. Mesmo que não se tratasse de um governo, o que é gravíssimo, mas de simples cidadão, o MP não deve colocar ninguém em escuta que é algo não autorizado automaticamente aos procuradores sem ordens de um juiz. Em Portugal, o MP considera-se o dono disto tudo e quer ser mais que o governo, a Constituição, a Assembleia da República e a própria presidência da República.

O António Costa anda a ser manietado pelo MP. Por isso encarregou um empresa estrangeira para selecionar as pessoas para a nova direção da RDP/RTP e também por isso pediu ao Quartel-general da Nato para estudar qual a arma mais adequada para substituir as velhíssimas e gastas G-3. Assim, o MP e a Lucília que escutem a NATO e tentem processá-la. Do modo de atuar do MP temos de tirar ilações lógicas nada abonatórias da honra, dignidade e profissionalismo dos atuais procuradores. Podemos dizer que são politicamente corruptos no sentido de estarem a trabalhar para intrigar a opinião pública contra um governo. Sabem que podem acusar quem querem, fazer uma espécie de julgamento através dos pasquinas e daqui a dez anos talvez a falsa acusação chegue à sala de um tribunal. Veja-se o caso Sócrates que foi condenado ilicitamente na praça pública em corrupção com o pasquim CM pela judicatura e passados cerca de dez anos não foi a julgamento.

Há em Portugal uma grande admiração pelas ditaduras assassinas e parece haver uma vontade da judicatura de instaurar uma ditadura. Como as Forças Armadas não podem ser utilizadas para o efeito porque a União Europeia não deixa ou cortava logo os dinheiros, nada como inventar processos-crime com a aparência de serem legais.

São muitas as pessoas que admiram as ditaduras chinesa e russa e daí atacarem-me sempre escrevo críticas a essas ditaduras. O meu objetivo é precisamente destruir os argumentos daqueles que querem uma ditadura para Portugal. Sim quem gosta da ditadura chinesa é porque desejava que existisse o mesmo na nossa Pátria, são os inimigos de Portugal.

O Ministério Pública com as suas escutas à Pide, Gestapo, etc. viu o seu futuro derrotado no terceiro lugar do fascista Ventura, aquele que se pudesse legislava a favor da liberdade do poder judicial escutar e, por Ventura, prender e torturar indiscriminadamente. O vírus está lá e vimos como os agentes policiais do SEF assassinaram um pacato cidadão ucraniano. Claro, isto é exagero meu, mas mais uma dedução ou ilação do pensamento anti extremista.


No sótão da presidência

(Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 10/09/2016)

AUTOR

                                     Miguel Sousa Tavares

Do sótão da Presidência de Cavaco Silva emergiu um livro da autoria do seu ex-assessor para a imprensa, campanhas eleitorais e assuntos afins, que confirma aquilo que seria de esperar: de um autor menor nunca sairá uma história maior. A história das frustrações longamente recalcadas de Fernando Lima — pelo que por aí tem vindo citado e referente às únicas coisas que justificarão a curiosidade pela pequena história — é apenas um relato pessoal, parcial e por vezes assumidamente vingativo do seu autor. Se alguma coisa ilustra, por osmose e pelo exemplo em causa, é a miséria ética e política de uma Presidência que acabou com um descrédito e um desprezo geral nunca antes alcançado por aquelas bandas. No sumo e no sangue não vai além do registo das miudezas da relação entre dois homens sem dimensão, cada um à sua maneira, cada um na sua função: Cavaco Silva, como primeiro-ministro e Presidente, e Lima, naquele triste papel de ex-jornalista que se recicla em cortesão do poder. Durante longos vinte anos (com excepção dos últimos seis, vividos em confessado desterro no sótão de Belém), o assessor imaginou-se influente na tarefa de aconselhar o homem que nunca se enganava, raramente tinha dúvidas e, presumidamente, não precisava de qualquer conselho. Já que se decidiu a escrever as suas memórias destes vinte anos perdidos ou mal gastos, teria sido interessante que o ex-jornalista se tivesse concentrado na descrição do personagem que serviu, além da máscara, que nos falasse da formação do seu pensamento político, se é que algum, do seu processo de tomada de decisões, da sua relação com amigos e inimigos. Que nos tivesse contado, por exemplo, alguma coisa de novo sobre aqueles dez anos determinantes no palácio de São Bento, em que Cavaco Silva dispôs de uma oportunidade histórica e irrepetível de mudar de cima a baixo o país, a sua forma de pensar, de agir e de crescer, e preferiu antes gastar as montanhas de dinheiro vindas da Europa a construir estradas, centros de congressos e rotundas, a aumentar a dimensão do Estado até ao ponto de insustentabilidade e a financiar o abandono de todas as actividades produtivas. Como e porquê se seguiu por esse caminho? Quem foram os conselheiros de Cavaco, então? Que discussões houve sobre o caminho a seguir e o destino a dar àqueles preciosos biliões? Que reflexão política foi feita sobre o futuro do país, se é que alguma?

É para isso que servem os livros de memórias dos Sir Humphreys que servem os poderosos. Mas não este: o livro de Fernando Lima não vai além dos arrufos de comadres, dos estiletes de ocasional veneno distribuídos por não nomeados (ou, ainda a medo, pelo chefe), da descrição de alguns lances de baixa e baixíssima política, das mais bacocas banalidades apresentadas como informações importantíssimas e das paranóias conspirativas e securitárias em que tanto o autor do livro como o seu amo do Palácio sempre gostaram de se consumir e de se imaginar alvo. Tudo convergindo para o único episódio que, bem espremidas as 400 páginas, era, como se adivinhava, o fim principal do autor: contar a sua versão do triste e célebre caso das “escutas a Belém” que José Sócrates teria mandado instalar.

Vale a pena recordar a história, até pelo que ela teve de insólito e de inimaginável nas relações institucionais entre o Presidente da República e o primeiro-ministro. No dia 18 de Agosto de 2009, no final do primeiro governo Sócrates, o jornal “Público” fazia manchete desta notícia estrondosa: “Presidência suspeita estar a ser vigiada pelo Governo”. Ao longo do texto, todo feito de insinuações e suspeitas de fonte não nomeada, vendia-se a ideia de que “Belém” tinha fortes indícios de que estaria a ser escutada, vigiada, espiada por São Bento, e, nomeadamente, através de um assessor de Sócrates que, entre outras ocasiões, se teria aproximado demasiadamente de pessoal do Presidente, durante uma visita à Madeira, com o fim evidente de escutar o que diziam. A “notícia” só não morreu de imediato de um ridículo atroz porque havia ali um dado que, esse sim, era evidente e grave: com fundamento ou sem ele, Belém desconfiava do Governo, o PR desconfiava do PM, e queria que se soubesse. E se Sócrates tratou logo de desmentir a parte que lhe dizia respeito, Cavaco manteve-se num sibilino silêncio, a pretexto de não interferir com o ambiente político, numa altura em que se avançava para eleições legislativas. Obviamente que o silêncio foi lido como confirmação das suspeitas de Belém, e obviamente que interferiu com a campanha, permitindo ao PSD afixar cartazes onde anunciava que a liberdade estava em perigo. Não foi uma jogada de mestre, foi uma jogada típica de Cavaco Silva: nem que sim nem que não, atira a pedra e esconde a mão.

O assessor imaginou-se influente, na tarefa de aconselhar o homem que nunca se enganava, raramente tinha dúvidas e, presumidamente, não precisava qualquer conselho

A 18 de Setembro, o “Diário de Notícias” divulga a verdadeira bomba: toda a história tinha sido congeminada entre Belém, através de Fernando Lima, e a direcção do “Público”, chegando-se ao ponto de orquestrar a forma e o conteúdo da notícia inicial, conforme resultava claro da correspondência electrónica entre dois jornalistas do “Público”, divulgada pelo “DN”. Jamais, que me lembre, assisti a tamanha manipulação da imprensa, a tamanha promiscuidade entre o poder político e o jornalismo. (Mas, para que a vergonha fosse ainda maior, a entidade que julgou a actuação jornalística absolveu o “Público” e condenou o “DN” por divulgação de “fonte” alheia!). Com isto sabido e passadas as eleições, Cavaco Silva decide, enfim, prestar esclarecimentos ao país. Fê-lo numa comunicação televisiva que ficará para a história da hipocrisia e da cobardia política. Sobre o assunto em si mesmo, sobre o fundamento das tais suspeitas ou ausência dele, Sª Exª disse nada. Em vez disso, informou o país de que, tendo nesse mesmo dia chamado uns “técnicos”, estes lhe haviam revelado que até o seu computador podia ser infiltrado. E, já agora, um tal de Fernando Lima era descartado das suas funções, mas mantendo-se ao serviço — no tal sótão, a ler jornais até ao fim dos tempos. Típico de Cavaco: não se atreve a despedir o homem com medo das represálias, mas também não se atreve a não fazer nada, com medo da reacção política. Não se atreve a confirmar as suspeitas levantadas pela sua Casa Civil, mas também não se digna a negá-las.

O desterrado conta agora, seis anos volvidos, que Cavaco levou o seu descarte ainda mais longe, ao ponto de fingir que não viu o seu antigo assessor quando com ele se cruzou em público. E, tendo-o reconduzido nas funções de sótão para o seu segundo mandato, nunca mais lhe quis pôr a vista em cima.

Magoado, “chocado”, Lima seguiu em silêncio o seu “caminho das pedras”, cinco anos fechado no seu sótão a ruminar esta pífia vingança. 400 e tal páginas em que deixa sem resposta as únicas perguntas que interessavam: quem, afinal, congeminou a tal conspiração das escutas — foi ele, foi Cavaco, foram ambos ou foi outrem? E Cavaco sabia, consentiu, aprovou, acompanhou? E, enfim, a pergunta que qualquer ser decente se fará ao ler esta longa recriminação: por que razão alguém, assim distratado e publicamente humilhado por quem serviu tantos anos, se mantém em funções, em lugar de se demitir imediatamente?


Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia