AS RECEITAS EXTRAORDINÁRIAS- Do Passos…

(Joaquim Vassalo Abreu, in 07/04/2017)

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Eu estive distraidamente a ouvir a entrevista de Passos Coelho à SIC, e quando digo distraidamente é porque já pressupunha não esperar dali nada de novo nem de extraordinário, o que não aconteceu como previa pois, por incrível que pareça, coisa que nenhum pós opinador notou ou referiu, nem agora na Quadratura do Círculo sequer que, por curiosidade, acabei por ver, ele disse realmente algo de extraordinário!

Confusos? Mas não fiquem pois, estando já estão habituados à minha redonda maneira de pensar e analisar, eu não atribuo facilmente a qualidade de “extraordinário” a uma coisa qualquer. Tem que ser mesmo extraordinária!

É que Passos Coelho, reconhecendo que o Governo atingiu realmente a meta do Défice só a alcançou porque “Mudou de estratégia e recorreu a medidas extraordinárias”. Que, para ele, seriam o tal Plano “B”. E que, assim, até ele…

Ora, facilmente concluo, e quer-me parecer, que Passos Coelho nunca entendeu nada do que são essas tais “medidas extraordinárias”! Ou melhor, “Receitas Extraordinárias”. No seu Governo isso nunca aconteceu(!) e se aconteceu foi sem seu conhecimento, claro. Isso foi lá com o Gaspar, com a Marilu ou fosse lá com quem fosse! Com ele? Com ele nunca!

Portanto, segundo ele, e concluindo, para que sigam atentamente, este Governo só conseguiu o Défice que conseguiu com recurso às tais “Receitas Extraordinárias”. Está dito e redito.

Mas, meu caro Passos Coelho, eu que não tenho o canudo em Economia, como você, mas que dela conheço assim uns princípios, vou tomar a liberdade de lhe explicar o que é, realmente, uma “Receita Extraordinária”. E, desde logo, é fácil: é o contrário da “ordinária”!

Por exemplo, aqui na minha casa e na minha Família: para além da receita “ordinária” (sem qualquer sentido pejorativo na sua dimensão), que são as Pensões minha e da minha esposa, que podiam ser ordenados também, “Receita Extraordinária” seria sair-nos o Euromilhões! Ou a “Raspadinha, pronto! Ou como uma Empresa receber assim um donativo, como recebem muitas Misericórdias, de alguém que não tem a quem deixar o dinheiro, ou então, o que ainda mais extraordinário é, o Estado receber 20% dos Euromilhões que vêm cá para este quadradinho à beira mar plantado e que disso não se pode queixar. E tem sido extraordinário, não tem?

Isto que eu enumerei, e podia até elencar mais algumas situações, é que são “Receitas Extraordinárias”, meu caro Passos Coelho! Querem dizer simplesmente que são receitas para além do ordinário, do comum, do espectável, do normal, do corrente, do não previsto e por aí adiante…

Mas, na sua confusa perplexidade, perguntar-me-á: Então, não sendo extraordinárias, quer dizer que são ordinárias? A sua pergunta, meu caro, por ser da ordem do pertinente, merece a minha resposta: SÃO!

Pois repare: Uma Empresa, por exemplo. Tem uma série de clientes com dívidas já em Mora e, a não se fazer algo, vão para contencioso. Qual é a função, a obrigação, coisas que resultam do bom senso e da boa gestão, dessa Empresa? É colocar um objectivo para a recuperação dessa Crédito Malparado e desenvolver todas as “démarches” possíveis, com acordos de pagamento, com perdões de juros, com renegociação de prazos, de modo a manter o crédito vivo e recebível! É do senso comum e da gestão comum, meu caro. É ORDINÁRIO! Como nos Bancos, como deve saber e não me vou repetir…

E vamos agora ao Governo ou ao Estado. Em cada exercício anual e orçamental estipular como objectivo a recuperação de Créditos Duvidosos, de Impostos em Mora, de Prestações em incumprimento etc. não será um acto de gestão “ordinário”? Extraordinário seria nada fazer e com todos os devedores a continuarem alegremente sem pagar, nem a isso serem chamados.

Mas se não sabe eu digo-lhe: os seus Governos fizeram-no todos os anos, este também o fez e os vindouros também o farão. E fá-lo-ão em nome de muitas coisas: da justiça, da equidade, do dever, da obrigação e, finalmente, da boa gestão. Não percebe? Nem agora?

Portanto, meu caro e inefável Passos Coelho, arranje lá outra explicação, homem. Diga, por exemplo que, sem essas tais “Receitas Extraordinárias” teria conseguido melhor! Porque não diz e, mais que dizer, explica?

Eu sei que você também meteu aí na embrulhada a redução do Investimento Público, cortes nos Serviços etc. mas, francamente, quem é você para isso criticar? Eu sou obrigado a concluir que, na realidade, você não tem mesmo noção de como governou. Mas será que governou mesmo?

E sabe mais, Passos Coelho: é que enquanto você afirmava que ia cortar 600 milhões nas Pensões, que era imperativo, este Governo fez reversões, actualizou salários, repôs rendimentos e diminui drasticamente o desemprego. Donde resulta menos pobreza, sabe? Aquela que você promoveu, para não aplicar outro verbo menos simpático.

Mas, a contragosto, lá conseguiu reconhecer que foi bom este Governo ter atingido o défice que atingiu. E, acrescentou, que foi melhor tê-lo conseguido do que o não ter alcançado, inspirando-se aqui, sem margem para dúvidas no Monsieur de La Palisse!

Mas, sabe, notei-o mais cândido, mais sóbrio, diria mole até, o oposto daquele animal ferido e feroz naquela primeira bancada da Assembleia, de dedo em riste e quase perdendo a respiração (por força da claustrofobia, claro)…Quem o terá aconselhado? O Montenegro? Não acredito! O Rangel? Muito menos! Terá sido o Presidente? Quem sabe…apesar daquela da Teodora! “Vichyssoise”, está bom de ver…

Por último: Ó Passos Coelho, você nem imagina o quanto eu estou carente de uma “Receita Extraordinária”. É que, sabe, eu de um “ordinário” não passo: É que ninguém me deve nada!

Yours Sincerely, que em Português quer dizer: Continue assim…


Fonte aqui

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O BERNARDITO e o RICARDITO!

(Joaquim Vassalo Abreu, 23/01/2017)

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Parece dupla de palhaços, mas não é, descansem. São jornalistas e foram engravatados, entrevistar o Sr. Presidente.

Era a sua coroa de glória: Iam entrevistar o mestre dos baralhos, um sábio prestidigitador, o cenografista maior do reino, três estrelas Michelin em vichyssoises, nadador emérito, beijoqueiro empedernido, mais tudo o que à cabeça agora não me vem, mas Sr. Professor Doutor e Sr. Presidente da República, até agora isento e sem mácula.

Tarefa árdua para qualquer um, que não para eles. Um, o Ricardinho, jornalista encadernado e experiente, mais timorato e prudente. O outro, o Bernardito, tendo Ferrão no nome, pensou ser uma serpente e, num assomo de sedução e enleio, como se na sua frente uma Cleópatra estivesse, tentou com veneno atingi-lo.

Mas o Bernardito, coitadito, pensando que sendo um Ferrão, podia ser também galifão, para tal só possuía um ferrãozito…coitadito.

É que o Bernardinho, coitadinho, que mesmo sendo Ferrão não tem mais que um ferrãozinho, não passa, afinal, de um pintinho…coitadinho.

E foi mandado, ele mais o Costa, mas o outro, para entrevistar o Marcelo. Que bom, era o seu dia de glória. Mas diante de um inteligente, superinteligente aliás, e com as características todas acima enunciadas, mais ainda outras tantas que todos sabemos e conhecemos, o normal seria, indo às mais profundezas do seu ser, buscar toda a inteligência que por lá pudesse encontrar. E, convencido essa inteligência toda ter encontrado ela, afinal, não passava de esperteza. Mas da saloia, como o povo diz. Coitado, coitadinho, do Bernardo, do Bernardinho.

E a sua espertezazinha, diante de um inteligente, superinteligente, mais uma vez corrijo, calejado e avisado, instruído e informado, perspicaz e arguto oponente, transformou-se e transformou-o em coisinha…coitadinha. Até dava peninha…

Ter-lhe-á passado, pela sua cabeça de periquito, enrascar o Marcelo? Deu-se mal, como seria óbvio para todos, menos para o Bernardinho, coitadinho…Que irá dizer, depois, ao seu “chefezinho”? Mas ele estava ali ao lado, caladinho, resguardadinho, e deixou-o queimar-se em fogo lento, lentinho, ouvindo o contrário do que queria ouvir, insistindo em perguntar o queria perguntar para o tentar enrascar, mas sendo repetidamente atropelado, mesmo que serenamente, por um inteligente, um superinteligente, reafirmo, que não apenas esperto.

E saiu de lá feito num coitadinho. Imagino que vociferando contra o colegazinha, mas também chefezinho, por não o ter escudado, o tadinho. Tadinho do Bernardinho. Que mesmo sendo Ferrão, deve-o ter bem pequeninho, que pensando veneno expelir, este não passava de vinho. Mas água pé, que só se bebe com castanhas…castanhinhas e quentinhas.

Que o tempo tinha passado depressa…pois tinha! Não tinha era mais perguntas, daquelas de fel tornado mel, pelo Marcelo !

O Ricardito, o Costa, mas o outro, deveria estar farto de se rir por dentro. Não com as respostas do Marcelo, mas com a figura do Bernardito, tão pequenito, coitadito.

Ó Marcelo, assim também não vale! Desculpe, Sr. Presidente, assim não vale! Estava V. Exª nos seus aposentos, rodeado de quadros e de artes várias, de livros e carpetes, de flores e jardins, de malmequeres e querubins e vão-lhe perguntar “se não se sentia só”? Eu até enfatizo, para destacar o topete. Se não tinha vida e coisas assim? Coisas assim tão transcendentes, assim como se pensassem que na sua frente estava um “Trump” qualquer…eu, que estava a ver a coisa com um cunhado, olhei de soslaio para ele, e desatamos numa gargalhada tal, que só visto. Coitadinhos…

Pois, mas…e a Dívida, Sr. Presidente? E os Juros, Sr. Presidente. Apanhámo-lo, devem ter pensado, assim como quem pergunta: este governo, que tanto apoia, resolveu? Deviam ter imaginado com quem se iriam meter. E o que lhes disse o Marcelo? Que queria um governo forte, mas também uma oposição forte. Eles não entenderam…

Eu se fosse ao Marcelo, tinha era pegado num chinelo…


Fonte aqui

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Entrevista Inédita a Mário Soares de 07 Jan 2017

 

Este é um documento histórico que nos dias de hoje ganha outra dimensão. As tecnologias atuais são assim. Trazem-nos a imagem e a voz de alguém que acabámos do perder e que nos fala do passado para o presente, para o hoje do seu passamento físico. Na altura, provavelmente não demos ao documento e ao testemunho a importância que ele tinha. Hoje, que Soares partiu, é seguro que ele será visto com outro olhar. Mas em qualquer caso ficam as histórias de uma vida e das lutas pelas ideias de quem as conta. Mas a grande importância das histórias que Mário Soares conta na primeira pessoa de forma magistral é que, mesmo sem querermos nem o sabermos, todos nós éramos personagens das suas narrativas. Tal acontece quando a história pessoal de alguém se confunde com a história de um Povo e de uma Nação. Poucos conseguem esse feito, e poucos estão destinados a consegui-lo. Mário Soares talvez estivesse. E não escapou nem desmereceu esse destino. (Estátua de Sal, 10/01/2017)

Fonte: Entrevista Inédita a Mário Soares de 07 Jan 2017 – RTP Play – RTP