(Tiago Franco, in Facebook, 15/04/2026, Revisão da Estátua)
Acho que vocês estão a ser algo injustos com o camarada Pacheco.
Ele prestou um serviço à causa e mostrou, a quem tem alguma atividade cerebral, que é perfeitamente possível mostrar as debilidades do Andrezito.
Todos percebemos que o Ventura se refugiou nos gritos, nas interrupções, na mistura de temas, nas respostas fora de contexto e na tentativa, absolutamente idiota, de comparar 5 décadas com 2 anos.
Ao fazê-lo está obviamente a validar a ditadura e a criar aquela balança do “foi igualmente mau”. É um pouco como este discurso ensaiado pelos Migueis Morgados da vida que há 5 anos introduziram a “extrema-esquerda” nas discussões políticas, tentando criar um espelho para o outro lado do Chega.
Mas enfim, para quem percebe o que foi discutido, o Ventura chegou a dar pena e até alguns ares de quando discutia futebol com o Aníbal não sei quantos na CMTV. Para a cheganada, a mensagem não era o detalhe histórico que Pacheco Pereira tinha para lhes dar. A mensagem era apenas “terrorismo de esquerda e de direita é igualmente mau…tire as palas”. E pronto, mais do que isto o chegano comum não conseguia compreender naquele debate.
E é por isso que Pacheco Pereira foi corajoso. Porque sabia perfeitamente ao que ia, debater com alguém que não tinha capacidade, conhecimento ou cultura geral para argumentar com um historiador, mas tinha todo o jogo de cintura para, em frente às câmaras, parecer estar a dominar a coisa.
A primeira frase de Pacheco Pereira foi: “você mete-se em cada sarilho…”, aludindo ao primeiro disparate dito pelo Ventura. E depois foi desfazendo, um por um, cada populismo que o pastor tentava ensaiar. Claro que no fim o Ventura já tinha a sondagem preparada para as redes sociais, o Pacheco Pereira até lhe deu a borla do “Ventura arrasa”, repetiu a história das palas sempre que não sabia o que dizer e foi interrompendo sempre, mas sempre, o raciocínio de um homem já com alguma idade, sem que o moderador lhe dissesse, por uma vez, “cala-te facho”.
Mais para o fim, claramente, o Pacheco Pereira foi perdendo a paciência e meteu-se por campos desnecessários (como por exemplo dar importância às candidaturas de Loures) mas louvo a coragem do homem.
Meteu-se a jeito para ser o meme da cheganada por uma semana: tem não sei quantos broncos, que não faziam ideia de quem ele era, a escorrer insultos e ainda teve que tentar ser educado em frente a um porco demagógico.
Contudo, mostrou a quem quis aprender, que o conhecimento é sempre a forma mais direta de se abalroar um populista. Dir-me-ão que deu palco a Ventura mas, convenhamos, para alguém que dá entrevistas “exclusivas” todas as semanas, que não são mais do que momentos de propaganda, acaba por ser serviço público vê-lo a ser entalado pelos factos e a ter necessidade de puxar de todos os truques dos tempos da CMTV.
Para o milhão que Ventura falou, nada muda. Muitos foram ontem ver o que era aquilo do PREC. Li uma apoiante de Ventura a dizer que, depois de ver o trauma do avô em resultado da guerra colonial, não tinha que estar a ouvir comunistas. Portanto, entre esta espécie particular de burros, há quem imagine que os comunistas é que mandaram os avós para África.
Para os outros 9 milhões, que estavam entre os alvos de Pacheco Pereira, certamente alguns ficaram mais esclarecidos sobre a diferença entre um facto e uma mentira. Ou até sobre formas básicas de misturar conceitos, criar narrativas e comparar o incomparável. Esteve lá tudo. Era só ouvir e depois, pensar.
1. Pedro Nuno Santos, na melhor tradição do faz-de-conta, chega atrasado para se dar ares de descontração, leveza. Será que foi isso? Se foi atraso porque houve trânsito, o atraso é já um sinal de que – com ou sem descontração – o Secretário-geral do PS não estava nos seus dias. A questão é que há muito que PNS não está nos seus dias. Voltarei a isto.
2. Adiantado, já sentado, Montenegro esperou. Tomou notas finais. Os olhinhos azuis estavam pestanítidos. Deu-se ares de trabalhador pontual. Imagem de PM responsável. Com essa marcará a vitimização seria mais credível, pensou. Cavaco disse-lhe como fazer.
3. Tem início o debate (com três esfaimados jornalistas, que não colocaram questões sobre educação, cultura, guerra e foram logo ao apagão, o assunto do dia – no nosso jornalismo tudo é obediência a modas ou a “eventos” recentes) e Montenegro ataca. Quer dar a imagem de que é acutilante. Repete lugares-comuns. Frases feitas. Recorre a muletas de linguagem: “Mas deixe-me dizer-lhe”, “Reunimos em gabinete de emergência”, “Queria saudar as portuguesas e os portugueses pela maturidade com que viveram este desafio” (os políticos não sabem gramática e para eles uma coisa que nos trama a vida é um desafio). Para atacar PNS declara “O senhor não tem autoridade moral”. Na questão da Spinumviva viu-se tudo: o incómodo, o nervoso, a óbvia corrupção que os factos, de per si, mostram.
4. PNS apareceu pálido. Tenho dito e redito: proporcional ao sorriso condescendente e parvo de Luís Montenegro é o olhar assustadiço e pestanudo-feminil de PNS. Não tem fibra. A dicção do seu português falado é má. O tom oscila entre uma gravitas artificial e momentos de artificiais e subtis agudos. Não é uma voz modulada (como a de LM também não é, toda ela nasalada, com sotaque carregado de /is/ como em “hoije” e coisas assim…), nem o seu vocabulário é alargado.
São dois líderes (?) que leram pouco. Sabem pouco de História. Pouco sabem da nossa vida concreta. Inundaram o debate com questões técnicas que, ao português comum, pouco dizem, porque são incapazes de perceber que devem falar claro. Montenegro teve momentos de inspiração: “mas eu sou honesto”.
5. PNS – que verdadeiramente não está nada pronto para Portugal (ao contrário dos cartazes da propaganda) e é um acabado fruto do carreirismo no PS – esteve instável: o seu olhar oscilou entre a gaguez do pensamento e o tropeção nas oclusivas, sons em que carrega e empresta ao discurso uma dicção bruta, pouco polida, de comentador da bola…
O partido de Zenha e de Soares é hoje um partido de gente que não trabalhou e cresceu à sombra dos sucessivos cargos que tiveram nos anos de Sócrates e de Costa, seja por via do aparelho, seja por via do poder autárquico. Ou por meio de empresas próximas do partido. Os jovens turcos são, como PNS comprova, malta sem calo: Pedrinho foi pálido para o debate, esteve sem fibra no contra-ataque. Falta-lhe muita leitura…
Ao contrário de Soares, que por não ser perito em contas, centrava os debates em questões de natureza concreta (sim, os portugueses não têm paciência para este discurso tecnocrata e pejado de números com que os políticos da minha geração acham que se é mais competente): a cultura, a educação, e as mentalidades, as dificuldades concretas da vida, e tudo isso com um discurso bem sólido ao nível das referências culturais (Soares leu António Sérgio, conviveu com Jaime cortesão, foi amigo de Olof Palme e tinha endurecido no combate a Salazar) e com frases que apelavam ao senso-comum do eleitor; ao contrário de Soares, dizia, PNS quis ser acintoso, mas não foi senão previsível: falou do caso da Spinumviva e, diga-se, podendo explorar este caso noutra dimensão – a da crise de regime em que vivemos – ficou-se pelo repetir até à exaustão o que há 2 meses já sabemos: Montenegro é corrupto, sim.
Mas teria sido bom que PNS lembrasse como Costa foi afastado. Bastaria isso para começar a inverter o sentido do debate: pensar em que estado está a democracia quando um PM com maioria é afastado porque uma procuradora fez um despacho…
Isto sem, no entanto, esquecermos que a saída de Costa revela um facto indesmentível: António Costa quis sair. Aproveitou a manigância da Procuradora, já alinhada com Marcelo (que quis a direita no poder antes de terminar o mandato), mas há muito que o seu projeto era ter um poleiro num cargo europeu que lhe permitisse ganhar bem, comer bem, viver bem, aprender inglês… Usar fatos azuis, calças mais curtas.
6. PNS e LM não debateram o rearmamento da Europa e quanto isso custará aos portugueses e aos europeus. Que Estado Social teremos quando o objetivo é prepararmo-nos para a invasão russa?
7. Não debateram as políticas educativas, não obstante estar em cima da mesa uma revisão curricular, não obstante os baixos salários dos professores, não obstante a indisciplina que grassa por todo o país.
Sobre educação – zero.
Não obstante serem a universidade e a escola, hoje, o espelho fiel do futuro deste país: anarquia, violência, ignorância, fanatismo, comportamentos pouco saudáveis, as drogas que os jovens consomem, a ideia que têm da escola e do Superior – nada, nada, nada estes senhores candidatos a PM disseram.
É triste, é grave, é de uma total falta de visão para Portugal. Um país faz-se com livros, meus caros PNS e LM. Um país faz-se pela base: com a liberdade que uma educação com livros confere aos seus cidadãos. Sobre o papel dos professores na construção deste retângulo, não têm – o PSD e o PS, nem a IL nem o CH – nenhuma visão. Só uma, na verdade: privatizar gradualmente o ensino.
8. Sobre SNS, o mesmo de sempre. Mostraram números. PNS quis mostrar (à guisa de Mortágua e de Ventura, que sempre levam gráficos, desenhos, papéis com cores), coisas. Mas a câmara nem fixou os seus desenhos. Há um momento em que, porém, vemos as mãos de PNS a tremer, a tremer. E vemos LM com o seu pacóvio sorriso (quem lhe disse para estar sempre a sorrir, porra?!) de azul-bebé a querer, em resposta, ser mau, ser respondão. Ridículo. Falso. Artificial.
LM limitou-se a fazer o autoelogio do seu governo. PNS podia e devia ter arrasado a actual ministra da saúde. Podia e devia ter citado frases desta péssima ministra cuja sentença que mais lhe ouvimos dizer sobre o que falha no seu ministério é “Não sei”, “Não estudei esse tema”… Um não sei infinito…
9. Cansado, aos 20 minutos, do tom, do discurso e da sensaboria dos dois meninos políticos, ainda quis ver o que diriam sobre a cultura. Nada. Isso nem conta. Quando foram ao teatro pela última vez? (Não me refiro a São Bento nem a Belém). Quando foi que leram um livro sobre Portugal (um Vitorino Magalhães Godinho, um Eduardo Lourenço, um Jaime Cortesão, um Joaquim Barradas de Carvalho…)? Quando foi que trabalharam a sério na vida?!
10. O debate das duas figurinhas acabou para mim mais cedo. Não tive – perdoem – paciência.
São, no fundo, símbolos da minha geração.
LM e PNS são filhos de uma geração que pouco ou nada fez na escola. geração rasca, como disse Vicente Jorge Silva, por muito que nos custe ouvir.
Filhos do facilitismo das aprendizagens, das licenciaturas tiradas em politécnicos, feitas à custa da cábula, ou dos trabalhos de grupo em que só um trabalha. País da geração de adolescentes que viceja, anárquica, nas escolas, boçal, rude, ignorante… Ciclo vicioso, viciado, este país… Ciclo, círculo, circo…
LM e PNS têm 40 e muitos, 50 e poucos anos.
Eu tenho 49. Conheci muitos que hoje palram sem nada terem lido, trabalhado, pensado, vivido. Vidas fáceis, muitos, muitos deles.
Penso muito nisto: numa crónica do Manuel António Pina sobre os carreiristas das jotas. Sobre como vencer na vida em Portugal. Tirar o curso de direito, estar na JS ou na JSD. Subir à sombra dum grande líder. Fazer intriga desde cedo. Corromper a alma desde cedo. Carlos da Maia, todos eles. Dândis, diletantes, filhos-família ou serventuários dos interesses.
Em jovem aprenderam a sacanice de tramar colegas de partido para nele ascender. Aprenderam umas quantas frases-feiras para espantar, para mostrar verve.
Trabalho? Não lhes convém. Ambição sim, é a única mola que os move. Ambição e dinheiro. E poder, poder. O poder. Os comentadores são farinha do mesmo saco. Com exceções, preparam o assalto a qualquer cargo político. Bugalho é o exemplo acabado do mais vil oportunismo. Mas há mais.
Tese: impreparados, ambos, para o cargo de PM, esta geração de políticos não anda de metro, nem de autocarro, não vai aos cafés de bairro da periferia, não foram nunca, na adolescência e na faculdade, outra coisa senão meninos: marrões uns, cábulas outros, preguiçosos uns, espertalhões outros.
Os que puderam, com papás para lhes abrir caminho, são comentadores políticos, exercem cargos em autarquias ou juntas de freguesia…
Chegam à idade de 40 e muitos, 50 e poucos sem a fibra, o saber, a sensibilidade e as leituras da vida e do mundo de alguns que, apesar de tudo, fizeram com que o país se desenvolvesse lá atrás, nos anos 90… Nos anos 80… Um pouco…
Não há coragem, há interesses. Não há saber, há negócios. Não há consciência, há alienação. Não há preocupação cidadã, há oportunismo.
Foi um péssimo debate. Revelador do seguinte: a comunicação social vende-nos, há décadas, falsos políticos. Não, nunca achei PNS o homem forte e decidido que muitos, no PS, quiseram ver… E Costa sempre soube disso… A imagem conta. O andar, a voz, o olhar, as mãos, a postura. Inseguro, até certo ponto, frágil.
LM e PNS têm semelhanças: um quê de cobardia, um modo indefinido de ser e de estar. Pedro Nuno Santos sabe que o seu melhor discurso será o da despedida. Nesse momento pode ser um pouco do que terá sido lá atrás, na idealista adolescência. Luisinho, esse, ajudado pelas televisões governará, mas o tempo provará que o seu PSD não existe. É uma aglomeração de incompetentes. O país será privatizado. A vida que temos também. O seu governo irá cair.
Ventura? Esse será surpreendido. Cedo ou tarde os portugueses vão rifá-lo. Isto, mesmo com tanta doutrinação e ódio como a que o Chega verte nas redes sociais. Os jovens estão sem crença no país. Votarão no quanto pior melhor. É a lógica fascista. É o que, anos e anos de democracia sem políticas de investimento a sério na educação e na vida das pessoas, nos deram.
É óbvio que sempre a democracia será melhor que qualquer outro regime. Mas nós degradámos a democracia. As gerações sucessivas de políticos portugueses foram atrás de modas, de modelos errados de políticas económicas, fiscais, sociais… Na guerra entre o interesse coletivo e as carreiras pessoais, preferiram o carreirismo cá dentro para saltarem depois lá para fora. De Guterres a Barroso, de Vítor Gaspar a Costa, de Vitorino a Nuno Melo… Altos cargos mundiais, altos cargos nacionais.
Sai do governo, vai para uma empresa. E vice-versa. Na EDP, quem manda? Passos privatizou. Mas o processo vinha desde Guterres…
O debate é revelador: Portugal empobrece a cada dia. Quem é professor e vive na vida concreta sabe isso. Vemos as dificuldades das famílias. A desorganização do sistema. A desorientação de quase todos. Estudantes que não estudam, pais que não sabem educar. Professores que pouco ou nada leram… Um país desvitalizado. Resta resistir. Acordar e trabalhar o melhor possível. Ler, escrever, intervir.
(Em Portugal, se se votasse para as eleições americanas, a Kamala ganhava com maior percentagem do que aquela que o Kim Jong-il consegue na Coreia do Norte. Para os “comentadeiros” a Kamala é uma espécie de Super Moça dos heróis da Marvel. E o Trump? Bom, o Trump é um deslavado da língua que perdeu o debate a milhas. E quem diz que ele perdeu? Ora, as sondagens é que o dizem. Uma sondagem apresentada ontem na TVI, e cujos resultados se podem ver na imagem acima, dava só 37% ao Trump e, pasme-se, 73% à Kamala! Ou seja, a soma dá 110% devido ao desempenho magistral da Kamala no debate… É obra.
Não julguem que a Estátua criou a imagem acima recorrendo à IA. Não. O Jornal da Noite da TVI, emitiu mesmo esta imagem e a Sandra Felgueiras deu, em concomitância, os 73% à Kamala.
Do ponto de vista do entretenimento, o primeiro debate entre Donald Trump e Kamala Harris foi bem menos divertido do que o debate entre Trump e Biden. E eu comecei comentando sobre o valor “cômico” do debate porque esse é o único proveito que se pode tirar desse tipo de circo político-eleitoral.
Como temos apontado há muito tempo, debates não servem para absolutamente nada. São apenas arenas em que se tenta decidir quem é o melhor sofista. E os debates usualmente fracassam inclusive nisso, porque a tendência é sempre que os apoiadores de cada lado saiam cantando vitória.
De resto, em primeiro lugar, Trump não estava debatendo apenas com Kamala Harris. Não foi um debate entre duas pessoas. Foi um debate entre Trump, de um lado, e Harris e os apresentadores do outro. A cada tópico, os apresentadores interrompiam para contra-argumentar contra Trump, o que é um tanto ridículo e demonstra com clareza que as empresas de mídia não são meros “espaços informacionais”, tendo interesses políticos específicos nas eleições.
O conteúdo do debate propriamente dito foi medíocre. Ambos são palhaços de circo, de pouca amplitude intelectual e de péssima articulação discursiva. A classe política estadunidense só é comparável à brasileira em sua tosquice.
Por uma parte, ambos ficaram se acusando mutuamente de não servirem Israel o suficiente, demonstrando uma vez mais que a prioridade da elite estadunidense é Israel, e não o próprio povo. Foi quase na mesma linha o tema ucraniano, com Harris acusando Trump de ser putinista, e Trump acusando Harris de ser apoiada por Putin.
A única diferença aí é que Harris diz que se Trump estivesse na presidência Putin estaria já em Kiev, enquanto Trump acusa Harris de não estar interessada na paz. De fato, Harris deixou claro que ela considera a defesa da Ucrânia vital para os interesses dos EUA na Europa. Mas não se deve acreditar na noção de que sob Trump o conflito ucraniano acabaria rapidamente. Trump não cessaria as remessas de uma hora para a outra e tentaria fazer “jogo duro” diplomático com Putin pra mostrar que é um “bom negociador”.
A realidade é que mesmo que Trump reduza o nível de engajamento dos EUA na Ucrânia, as elites europeias tentarão compensar isso de outras formas, o que inclusive pode acelerar a escalada.
Outros tópicos estiveram permeados por previsibilidade. Trump mencionou o caso da inundação repentina de imigrantes haitianos em Springfield, Ohio, mencionando os boatos de que os imigrantes estariam comendo animais de estimação. Harris não tem nenhuma postura clara em relação à imigração, exceto de que ela é “boa”, se for “legal”. Quanto a Trump, ele esteve 4 anos no poder, mas não fez nada de significativo contra a imigração, então a sua abordagem desses temas não passa de populismo eleitoral.
Trump, aliás, enfatizou que no seu governo ele pretende erguer barreiras protecionistas contra bens importados. Isso é interessante porque significa que sob Trump, o “desacoplamento” econômico tende a acelerar. Ele também parece querer impor barreiras alfandegárias a países que se desdolarizem, o que também é ótimo. Quanto a Harris, não há nenhum projeto claro e específico exceto dar continuidade à “Bidenomics”, que fracassou (e fracassou inclusive por causa da péssima política externa).
O resto foram acusações mútuas bastante toscas e sem sentido.