Como a Rússia deixou de se preocupar e passou a amar as sanções

(António Gil, in substack.com, 10/06/2024)

 E se um dia esse amor se tornar contagioso?

 Nunca entendi a fé ilimitada do Ocidente nas sanções. A verdade é que nunca vi nenhum país vergado pelas ditas, pelo menos num passado relativamente recente. Cuba, Venezuela, Irão, Coreia do Norte vivem há décadas sob sanções ‘mutilantes’, um adjetivo simpático, introduzido na gíria do economês por cortesia dos anglo-saxónicos, esses grandes defensores dos Direitos Humanos. 

Seguiu-se a Rússia,  na extensa lista dos países sancionados. Os ‘génios’ que (pelo menos nominalmente) mandam no ocidente prometeram que os russos ficariam de joelhos numa primeira fase e logo a seguir revoltar-se-iam a tal ponto que no mínimo, espetariam a cabeça de Putin e seus ministros em várias estacas, ao longo de todo o perímetro do Kremlin.

Bom, ninguém sabe onde, nem como, nem porquê esses cérebros brilhantes adquiriram tal certeza. 

Se uma ilha relativamente pequena como Cuba resistiu durante 3 gerações não só a sanções como a um feroz embargo, esperar resultados diferentes com uma nação imensa e plena de recursos é uma loucura selvagem, no mínimo. 

Não seria sensato pensar que o inverso aconteceria? Que as sanções reforçariam a economia russa em vez de a enfraquecerem? Muitas pessoas previram que assim sucederia. Afinal os russos poderiam produzir eles mesmos o que antes compravam, porque razão o não fariam? Recursos materiais e humanos não lhes faltavam, certamente. 

E entre os muitos que fizeram essa previsão, muitos nem sequer frequentaram uma escola superior de economia, não era necessário. 

Bastaria pensar assim: se eu quero muito comer bolo e vivo a milhas de uma pastelaria mas sei que tenho ovos, farinha, leite, chocolate, frutas e um forno, provavelmente poupo muito tempo e dinheiro fazendo-o eu mesmo em lugar de fazer uma longa e dispendiosa viagem e ainda ter de pagar pelo bolo. 

Com a vantagem de saber que nenhum ovo ou leite estragado entrará na confecção, coisa que não está assegurada quando compro um bolo numa pastelaria. 

Então a sério que isto é surpreendente? – Desde que começou a ser sancionada, a Rússia não parou de crescer economicamente, coisa que o ocidente colectivo não se pode gabar. Recentemente a Alemanha e o Japão ficaram para trás. 

E os EUA que se cuidem pois estão a cair continuamente e nem poderia ser de outra forma, sendo os maiores devedores do mundo. Contrair dívidas nunca foi uma boa ideia para enriquecer e se esse item entrasse nas contas, ninguém sabe para que lugar essa nação cairia. 

As sanções sempre foram utilizadas como arma geopolítica mas agora correm o risco de se tornarem um prémio em vez de um castigo. Talvez ainda vivamos uma época em que os povos supliquem aos sancionadores que os incluam na lista:

– Sancionem-nos, sancionem-nos, não se esqueçam de nós, que mal precisamos de vos fazer para merecer as vossas adoráveis sanções?

Fonte aqui.

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Afinal, quem deu cabo da Geringonça?

(Carlos Marques, in Estátua de Sal, 24/11/2023)


(Este texto resulta de um comentário a um artigo que publicámos de Alfredo Barroso ver aqui, mormente a critica ao seguinte excerto:

“Alguns anos depois, quando o BE e o PCP deram cabo daquilo a que a direita e o jornalismo malcriados designavam por “geringonça”.

Pelo seu carácter de quase manifesto, resolvi dar-lhe o destaque que, penso, merece.

Estátua de Sal, 25/11/2023)


Pode-se tirar um palerma do PS, mas o PS nunca sai completamente do palerma.

Parece que meras 9 propostas PEDIDAS pelo BE e outras pelo PCP para, por favor, poderem justificar a aprovação do orçamento, até então SÓ DO PS, eram uma “intransigência” (palavras do traidor Rui Tavares), uma exigência de “extrema-esquerda” (palavras de vários boys de Direita dentro do PS), ou um “dar cabo da Geringonça” (palavra do ex-PS, aqui comentador, Alfredo Barroso).

Imagine-se só o “escândalo” que seria ter um SNS bem financiado, sem greves e sem urgências fechadas (consequência positiva das 3 medidas do BE para a saúde), ter os trabalhadores portugueses menos empobrecidos, em especial nos tempos de inflação que se seguiriam (consequência positiva das 3 medidas do BE para o trabalho), ou ter os pensionistas menos desgraçados com pensões um pouco menos de miséria. Isso é que não podia ser, isso era “dar cabo da Geringonça”.

Car*lhos f*dam estes atrasados mentais que ainda apoiam o PS desta maneira. Portugal é ultraneoliberal, tudo se privatiza, a desigualdade é pornográfica e crescente, e mesmo assim esta gentinha vota no principal culpado, chama-o de “esquerda” e de “moderado”, eterniza-o no poder, impede soluções da real esquerda – que até existem com naturalidade noutros países do Centro e Norte da Europa, e chama-lhes “extremistas”. Até apoiam uma lei eleitoral de batota, que viola a Constituição, por transformar 41% de votos numa maioria “absoluta” de 52% de deputados, fazem tudo para destruir a real esquerda, para f*der o país, e no final garantir que a alternância se faz com o PS laranja, i.e. o PSD.

E nem um colapso iminente deste esquema, com os fascistas do Chega a dispararem nas sondagens, e um mais que provável governo do PSD mais Passista com os Pinochetistas da IL, nem mesmo isso os faz colocar a mão na consciência e dizer: “- Se calhar fomos longe demais, devíamos ao menos ter negociado meia dúzia de medidas simbólicas com a real Esquerda, em vez de termos ido com a nossa ganância até ao fundo do pote tentar a maioria absoluta, com uma campanha porca e desonesta para destruir a real Esquerda”.

Alfredo Barroso e companhia, se a real Esquerda “deu cabo da Geringonça”, então quem é que deu cabo do país sozinho? Após uma p*ta duma maioria “absoluta” ilegítima e inconstitucional, com desgovernação, casos e mais casos, descontentamento popular, austeridade, perda real do poder de compra como não se via desde a troika, e até um apoio descarado a nazis, a vossa desonestidade intelectual ainda vos faz em 2023/2024 repetir a treta rosa de que se há algum mal, a culpa só pode ser da “extrema-esquerda” que “quer coisas a mais” e não aceita a “responsabilidade” do PS de ter “as contas certas”?

P*ta que pariu isto tudo, pá. Este país não aprende.

Controlo de rendas, fim dos Vistos Gold, limite ao alojamento local, proibição de estrangeiros comprarem casas para especular, fim das borlas fiscais aos expatriados, mais habitação do Estado? Não. Isso (coisas que existem na Alemanha, Áustria, e em todos os países nórdico) é “intransigência” da Esquerda, é “dar cabo da Geringonça”. É melhor a especulação e a bolha no imobiliário, ter famílias despejadas, bullying a moradores idosos, segregação nas cidades com base no tamanho da carteira e, depois de culpar a real Esquerda, entregar o país à Direita ainda mais à direita, com o apoio de salazaristas e pinochetistas, para acabarem o trabalhinho iniciado pelo PS.

Salários reais com poder de compra que acompanhe a inflação? Nem pensar…
Leis laborais que acabem com a precariedade? Blasfémia… Promoção do sindicalismo (como o sistema Ghent dos belgas e dos nórdicos)? Ui, que escândalo…

Fechar o offshore da Madeira? Isso seria ser inimigo das empresas…
Medidas reais de apoio aos jovens trabalhadores? Não, o que é preciso é menos IRS para os bodes ricos…

Empresas estratégicas ou monopólios naturais nas mãos de um Estado soberano? Ora essa, o que é preciso é a Vinci ser dona da ANA, a Three Gorges ser dona da EDP, a Lufthansa ser dona da TAP, etc.

Acabar com a miséria das pensões baixas de forma a todos terem dignidade na velhice? Nah, o que é preciso é aumentos de 700€/mês para os juízes, essa classe recordista da produtividade…

E que tal transportes públicos gratuitos para todos os portugueses (em vez de só passes sociais para os das cidades)? Era o que faltava, ainda vamos mas é aumentar o IUC para quem tem carros velhos… Comprem Ferraris novos, se quiserem…

E pronto, fico-me por aqui no desabafo de hoje. E a última frase é o “Não têm pão? Comam brioches” das Marias Antonietas rosas. Como é que trastes destes algum dia podiam gostar do que quer que seja defendido pela real Esquerda? Só gostava de ter uma máquina do tempo para levar estes trastes para o meio da rua no pós-25 de Abril. Seriam os próprios socialistas de então a dar-lhes uma lição e a chamar-lhes fascistas. Ou, dito de outra maneira, se estes pêesses de hoje fossem levados para o Parlamento em 1979, teriam votado contra a Lei de Bases da criação do SNS ao lado da direita reacionária.

E algo me diz que estes “socialistas” de agora, tão amigos de UkraNazis e naZionistas, teriam estado também presentes na base das Lages ao lado de Barroso e da corja do império genocida ocidental (o imperador Bush, o sub-imperador Blair, e o vassalo Aznar), para apoiar a “operação militar especial” contra os “terroristas” do Iraque…

E um dia destes o querido líder A. Costa ainda acaba no tacho da Leyen ou no do Stoltenberg, ou o Centeno no tacho da Lagarde, a repetir a mesmíssima cartilha belicista NeoCon e fascista NeoLib a troco de uns bons dólares…

Mas, hei, não se esqueçam que a Esquerda real é que “deu cabo da Geringonça”… Onde é que já se viu, partidos pedirem meia dúzia das suas próprias medidas, a troco do seu voto no orçamento dos outros… Que “intransigência”, pá. O que é normal é um partido minoritário ter o direito divino a aprovar o seu, e só seu, orçamento sem negociar nada com ninguém… Democracia é o PS mandar e não se fala mais nisso, pá.

Realmente, Alfredo Borroso e Rui Tavares e companhia: “abaixo a Esquerda” e “abaixo a paz”, “viva a oligarquia, viva o batalhão Azov, vivam as IDF”, e “em nome dos EUA, da NATO, e do N€oLiberalismo, Amén”.

Noutra nota, é giro (sem ter graça nenhuma) ver que nem mesmo após uma prostituta (Isabel Pires) do BE ter ido a Kiev apoiar a ditadura UkraNazi e a genocida NATO, nem mesmo após a outra prostituta (Marisa Matias) ter dito sim às armas e mais armas, nem mesmo assim os do costume dão descanso ao BE. Pensavam o quê? Que iam ficar eternamente gratos ao BE e passar a tratá-lo como um dos colaboradores do regime? Passar a tratá-lo de forma mais positiva do que tratam os “malvados” do PCP? Se pensaram, enganaram-se redondamente. Vocês até podiam abrir sede permanente do BE em Kiev, que mesmo assim iam continuar a ser a “extrema-esquerda” “intransigente” e “irresponsável” que “deu cabo da Geringonça”, e que é melhor os portugueses substituírem-na pelo Livre. Isso, sim, é a “esquerda” que o regime gosta e que a NED financia. Mesmo que haja austeridade, fascismo, nazismo, guerra, etc, lá estão eles, prontos a ficar com o eleitorado do BE e a usar esses votos para aprovar orçamentos do PS a troco de nada.

Tudo o que descrevi é a morte do 25 de Abril, e Alfredo Barroso faz parte do grupo dos assassinos. Não é dos que dispararam os tiros, mas é dos que ficaram ao lado a ver.

E bastou-me uma só expressão “deu cabo da Geringonça” para saber isto tudo, pois revela tudo: 23 anos de €uro-ditadura, 4.5 milhões de pobres antes de apoios sociais, salários que não dão para arrendar uma casa em Lisboa. Abram as garrafas de champanhe! O objetivo foi atingido. A riqueza está toda novamente nas mãos só de alguns. Que se lixe o 25 de Abril, viva antes o 25 de Novembro. Que se lixe o Dia da Vitória a 9 de Maio, viva antes o Dia da Europa. E viva a CIA, viva o Bilderberg, viva Davos! Viva a Raytheon e viva a Lockeed Martin! Viva a BlackRock e viva o FMI…

E, nem um dia de luto, para os heróis da liberdade que derrotaram o Salazarismo. Pois claro, fizeram o que não estava nos planos. Sabe Deus o que tem custado aos rosas e laranjas andarem com os cravos na lapela a fazer de conta todos os anos…Tudo isto é o que eu vejo quando leio que a Esquerda real é que “deu cabo da Geringonça”.

Alfredo Barroso, a mim não me enganam mais. Destruam o país tanto quanto quiserem. Com morte lenta ou acelerada.

Ponham 90% do povo a pão e água.

Privatizem tudo. Mudem o nome para Portug-all S.A

Ilegalizem os sindicatos e as greves.

Censurem a TeleSur e o Avante.

Ponham o IRC a zero.

Reabram bairros da lata nas periferias das cidades.

E gastem 2 ou 3% do PIB a financiar a máquina de guerra genocida.

Chamem “intransigente” a quem pede salário para pagar as contas ao final do mês.

Chamem “moderado” a quem apoia Nazis.

Tirem a quem é pobre para dar a quem é banqueiro.

E se PS e PSD descerem ainda mais, deem a maioria absoluta a quem só tem 25% dos votos. Façam o que quiserem. F*odei-vos uns aos outros que a mim não me f*deis mais. Emigrei e não volto.


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O chanceler do declínio

(Oskar Lafontaine, in Geopol, 22/08/2023)

A genuflexão de Olaf Scholz perante o imperialismo norte-americano destruiu a paz na Europa e a base industrial alemã.


A genuflexão de Olaf Scholz perante o imperialismo norte-americano está a destruir a paz na Europa e a base industrial da Alemanha.”O chanceler federal determina as directrizes da política”, diz a Lei Fundamental. Olaf Scholz é o nono chanceler federal após a Segunda Guerra Mundial. E já está claro que será o chanceler do declínio. 

Konrad Adenauer defendia a integração ocidental, Ludwig Erhard a economia social de mercado. Kurt Georg Kiesinger, o primeiro chanceler de uma grande coligação, foi polémico devido à sua filiação no NSDAP. Willy Brandt recebeu o Prémio Nobel da Paz pela sua política a Leste e pelo desanuviamento. Helmut Schmidt, juntamente com Giscard d’Estaing, apelou à coordenação das políticas económicas dos principais países industrializados e Helmut Kohl tornou-se o chanceler da reunificação. O mandato de Gerhard Schröder foi marcado pela Agenda 2010, a rejeição da guerra do Iraque e o alargamento da parceria energética com a Rússia.

Cinismo insensível em relação às sanções

Angela Merkel organizou o abandono da energia nuclear após Fukushima, aboliu o serviço militar obrigatório e abriu as fronteiras alemãs a mais de um milhão de refugiados sob o lema “Nós conseguimos”. Scholz representa a desindustrialização da Alemanha, o ressurgimento do militarismo e o adeus à Ostpolitik e à política de desanuviamento de Willy Brandt.

É verdade que ele não é responsável pela expansão da NATO para Leste, que políticos americanos como George Kennan ou o atual chefe da CIA, William Burns, advertiram urgentemente que conduziria à guerra. Mas o fim da parceria energética com a Rússia é da sua responsabilidade. Um chanceler alemão tem de saber que uma nação industrial precisa de energia e matérias-primas baratas para competir internacionalmente e que nenhum outro Estado no mundo pode substituir o fornecimento de energia e matérias-primas russas a preços comparáveis. Uma vez que é ele que define as orientações políticas, também não se pode esconder atrás do seu ministro da Economia, Robert Habeck, que justificou as sanções energéticas da seguinte forma:

«É claro que nos estamos a prejudicar com isto [. . .] O objetivo das sanções é que uma sociedade [. . .] suporte encargos [. . .] Todos terão de contribuir [. . .] Teremos uma inflação mais elevada, preços da energia mais elevados e um encargo para a economia, e nós, enquanto europeus, estamos dispostos a suportá-los para ajudar a Ucrânia. Haverá dificuldades, e essas dificuldades terão de ser suportadas.»

Scholz devia ter percebido onde é que este cinismo insensível nos leva. A indústria alemã está a deslocalizar a sua produção para o estrangeiro, de preferência para os EUA ou a China, onde os custos energéticos representam apenas um quinto ou um terço dos custos energéticos alemães. As empresas que não podem fazer isso estão a reduzir a produção e os postos de trabalho.

Não sei quanto tempo Olaf Scholz tem para ler. Mas o infame discurso do geoestrategista norte-americano George Friedman no Chicago Council on Global Affairs, em 2015, deve ser familiar a qualquer político alemão que queira ser levado a sério. Durante mais de cem anos, explicou Friedman, o objetivo da política norte-americana foi impedir que a indústria alemã se fundisse com as matérias-primas russas:

«Unidos, os dois países são a única potência que nos pode ameaçar e o nosso interesse é que isso não aconteça».

É por isso que os EUA estão a construir uma cintura de segurança entre o Mar Báltico e o Mar Negro, e é por isso que os EUA não podem deixar a Ucrânia nas mãos dos russos.

«As cartas estão na mesa. Os russos querem, pelo menos, uma Ucrânia neutral, não uma Ucrânia pró-ocidental. Nós queremos uma cintura de segurança. Quem me puder dizer como é que os alemães se posicionam nesta questão, também me pode dizer como é que a história vai ser escrita nos próximos vinte anos.»

As sábias palavras de Willy Brandt

Já há oito anos, Friedman disse que cabia aos alemães quando os Estados Unidos começaram a transformar a Ucrânia no seu posto militar avançado. E é uma tragédia para a Ucrânia, para a Rússia, para a Alemanha e para a Europa o facto de Olaf Scholz ter sido chanceler alemão durante a fase decisiva da tentativa dos EUA de transformar a Ucrânia num vassalo dos EUA, porque Brandt, Schmidt, Kohl ou Schröder não teriam permitido o abandono arbitrário da política alemã de Leste e de desanuviamento e da sua parceria energética com a Rússia.

Os homens fazem a história, para o bem e para o mal, e as imagens dizem por vezes mais do que as palavras. Inesquecível é a conferência de imprensa em que Joe Biden anunciou a destruição do gasoduto Nord Stream, enquanto o chanceler alemão Olaf Scholz assistia, sorrindo envergonhado como um cão chicoteado.

Tal como a genuflexão em Varsóvia levou a que “o nome do nosso país e o conceito de paz voltassem a ser mencionados no mesmo fôlego” (Willy Brandt), a genuflexão de Olaf Scholz perante o imperialismo norte-americano destruiu a paz na Europa e a base industrial alemã.

Peça traduzida do alemão para GeoPol desde NachDenkSeiten


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