Afinal o diabo chegou antes do fim do mês

(Por Estátua de Sal, 23/09/2016)
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A direita pafiosa, capitaneada por Passos Coelho, cujo cognome agora é O IRREVOGÁVEL II, depois de ter dado o dito por não dito no caso do livro do Saraiva, anda cada vez mais “aos papeis”.
Por cada catástrofe que anuncia surgem duas ou três boas notícias que a desmentem.
Esta agora é de realçar. Conhecido o número do déficit no 1º semestre de 2016, avançado hoje pelo INE, 2,8% do PIB, este está quase 2% abaixo do que acontecia o ano passado e que era de 4,6%. Ora, nessa altura, a direita dizia que ia chegar ao fim do ano com um déficit de 3%, o que de facto não conseguiu. Mas, Maria Luís, batia o pé e dizia que ia conseguir.
Ora, o mais caricato, é que enquanto a direita achava, o ano anterior, que conseguia chegar de 4,8% a 3%, agora acha que chegar de 2,8% a 2,5% como exigem os “fiscais” de Bruxelas, não é exequível!!
Cambada de imbecis e de manipuladores. Quando é que o País se levanta em peso e manda calar estes energúmenos?
Ó Coelho, estás com um azar enorme. De facto o diabo já veio, mas em vez de trazer o fogo do inferno trouxe um déficit de 2,8% que te custa a engolir à brava.
Por este andar nunca mais vais ter a crise que teimas em invocar e provocar para tentares regressar às tuas políticas de malfeitor, no saque aos trabalhadores e aos pensionistas.
O melhor é telefonares ao teu amigo Barroso para que te arranje um tacho lá na Goldman Sachs, nem que seja um lugarzito de porteiro ou de telefonista. Sim, porque não deves ter competências para mais.

Ver Défice cai para 2,8% no 1.º semestre — Expresso

Ó Subir Lall, vai à bardamerda

(In Blog, O Jumento, 23/09/2016)

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(Comentário da Estátua de Sal: Deve estar com falta de charutos, logo temos que aumentar a austeridade e cortar nas pensões para o personagem comprar mais umas caixas de havanos.)


Subir Lall, controleiro da Madame Lagarde para Portugal, deve achar os portugueses são uns atrasadinhos e, por isso, de vez em quando, sente-se na obrigação de dar umas explicações aos indígenas deste país. Como estes senhores do FMI não sabem muito bem o que é uma democracia o Subir Lall gosta muito de mandar recados quando acha que pode ser politicamente útil aos que defendem que a melhor forma de resolver os problemas do país é tirar o escalpe a trabalhadores e pensionistas.
Desta vez este alarve é manchete em muitos jornais dizendo que já não há tempo para corrigir o défice deste ano. Enfim, o Senhor de la Palice dão teria conseguido ser tão brilhante a dar esta lição de política orçamental ao país. Mas o que o imbecil do Subir Lall não diz é que há muitos truques orçamentais. E é uma pena pois Passos Coelho e um tal Núncio manipularam os dados das receitas fiscais de 2015 para criarem a ilusão do reembolso da sobretaxa.
Subir Lall sabe muito bem que as contas de 2015 foram aldrabadas com a manipulação dos reembolsos do IVA, bem como com taxas de retenção na fonte de IRS muito superiores às devidas, com o objectivo de empolar as receitas fiscais de 2015. Porque é que o senhor Subir Lall ficou calado em 2015 e aparece agora a dar conselhos? Porque é que diz que uma boa parte do défice que se venha a registar em 2016 resulta do grande volume de receita negativa (reembolsos de IVA e IRS transferidos para 2016) varrida para debaixo do tapete do OE de 2016?
Mas o que o senhor Subir Lall devia fazer era explicar porque razão os conselhos do FMI para Portugal foram desastrosos, isto é, devia assumir a sua incompetência em relação ao que andou a fazer em Portugal. A verdade é que Subir Lall não tem qualquer credibilidade técnica e alinhou na transformação de Portugal para uma experiência falhada de política económica.
Este idiota acha que Portugal é um país do terceiro mundo onde um governo não obedece a regras constitucionais, podendo decidir com a mesma ligeireza entre aumentar a taxa do IVA ou cortar 25% dos rendimentos dos funcionários públicos. Ainda por cima insiste a chamar a isso uma reforma da despesa do Estado. Com idiotas como este não há espaço para uma discussão séria dos problemas e resta-nos responder-lhe como faria o saudoso Almirante Pinheiro de Azevedo, o Subir Lall que vá à bardamerda, ele mais a Madame Lagarde.

via Ó Subir Lall, vai à bardamerda — O JUMENTO

Marcelo, Costa, Passos: pode alguém ser quem não é?

(Nicolau Santos, in Expresso Diário, 02/09/2016)

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Na recente abertura da Feira do Livro que durante quatro dias decorre em Belém, o Presidente da República revelou que perguntou ao primeiro-ministro se ele pensava que a iniciativa correria bem – ao que, segundo Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa lhe terá respondido (“o primeiro-ministro é sempre muito otimista”) que não tinha tempo para passar por lá mas seguramente que iria correr bem. Em contrapartida, Pedro Passos Coelho diz que não está tão confiante como Marcelo no cumprimento do défice orçamental para este ano. “Com os dados que tenho, não posso estar tão otimista como o Presidente da República”. Todos cumprem o seu papel. Mas também o cumprem de acordo com o que intrinsecamente são.

Marcelo Rebelo de Sousa é um otimista. A sua visão do mundo é positiva e a vida não é seguramente para ele um calvário. Acresce que, sendo cristão, não há de ter esquecido o perfil que Passos Coelho detalhou para o futuro candidato do PSD às presidenciais: alguém que não fosse um cata-vento político, mudando de posição com facilidade, dizendo hoje uma coisa e amanhã o seu contrário, um retrato que na altura foi interpretado como sendo dirigido a Marcelo e visando inviabilizar a sua candidatura a Belém.

Conhece-se o resto da história: Marcelo fez uma campanha “a solo”, dispensou apoios partidários no seu “staff”, percorreu o país no seu carro contando apenas com a sua popularidade televisiva e ganhou com uma perna às costas, de forma a poder dizer alto e bom som que não depende de ninguém nem está preso a nenhuns compromissos.

Assim, que chegou a Belém, encontrou a sua alma gémea no primeiro-ministro e um aliado de ocasião para aquilo que pretende: a substituição de Passos à frente do PSD. Costa é tão otimista como Marcelo ou mesmo mais. Mas é surpreendente como o Presidente, sendo de uma família política diferente, tem posto sucessivas vezes a mão por baixo do Governo, atravessando-se por ele em casos como as sanções, ou o andamento da economia, ou o cumprimento do défice.

Costa reconhece a importância desse apoio. Fala várias vezes por dia com o Presidente. Acerta estratégias, concerta posições a nível externo, fazem viagens conjuntas. Nunca se viu, em 40 anos de democracia, tal nível de cumplicidade entre um Presidente da República e um primeiro-ministro.

Passos, por seu turno, cumpre o papel de líder de oposição: critica a evolução económica, levanta dúvidas sobre o cumprimento do défice, diz (dizia) ser impossível recapitalizar a Caixa sem ser ao abrigo das ajudas de Estado, garante (garantia) que se o país fosse alvo de sanções a responsabilidade seria da política económica do Governo, assegurou que vinha aí o diabo.

O problema de Passos é que as melhores hipóteses que tem de regressar ao poder passam por um descalabro económico, que leve o país a pedir nova ajuda internacional. Ora não há nenhum português que queira regressar ao período duríssimo do ajustamento, que foi protagonizado, por atos mas também por palavras muito duras, por Passos (que chamou ao povo português “piegas” e que disse que “só saímos disto empobrecendo”).

Mesmo dentro do PSD há um incómodo crescente com o discurso azedo e catastrofista de Passos – que se reflete, aliás, nas sondagens, aparecendo o PS e o BE mais próximos de uma maioria absoluta e o PSD a não capitalizar o eventual descontentamento que possa existir com o Governo.

Voltamos, contudo, ao princípio. Alguma vez Marcelo ou Costa serão pessimistas? E alguém espera que Passos consiga mudar o registo do seu discurso e aparecer aos cidadãos anunciando um futuro de mais esperança? As respostas são todas negativas. Ninguém muda a sua essência. Ninguém pode ser quem não é. E é na mão deles que está o futuro do país.